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Bauru, campeão sul-americano (1): com a palavra, os guerreiros

Confira entrevistas com com Ricardo, Hettsheimeir, Murilo e Larry, após a conquista da Sul-Americana

Dando início a uma série de matérias sobre a conquista da Liga Sul-Americana 2014, começo com os depoimentos colhidos no calor da conquista, entrevistas com alguns dos protagonistas da conquista inédita do Paschoalotto Bauru. Ainda na Panela, falei com Larry Taylor, Murilo Becker, Rafael Hettsheimeir e Ricardo Fischer. Vem mais coisa bacana por aí. Por enquanto, ótimas aspas com essas feras.

LARRY, O CARA
Pode vir LeBron James para Bauru, que ninguém tira a idolatria (merecida) a Larry Taylor. Foi ele quem roeu o osso desde 2008. Foi ele quem abriu mão de muita proposta boa para continuar na cidade que, como ele mesmo falou, mora no fundo de seu coração de outro planeta.

Já enjoou de ser campeão?
“Nunca vou enjoar! A gente trabalha todos os dias para isso, quer ser vencedor. O time foi montado para isso e conseguimos. Espero ter a mesma mentalidade para os próximos campeonatos, queremos ser campeões de todos.”

Quem já o viu chorar no banco em eliminações precoces imagina o que sente hoje. Mas foram momentos importantes nessa caminhada…
“As derrotas me ajudaram a aprender, virei um jogador melhor. Além disso, nosso time hoje é completo, tem muitos jogadores para revezar, esse é o grande segredo.”

Com toda a sua história aqui, alguns se espantam de ser reserva algumas vezes. Mas, pra você, sem problemas, certo?
“Não me importa ser reserva, prefiro mil vezes está em um time que luta para ser campeão do que ser titular de qualquer time. Já ganhei muitos prêmios individuais, não estou em busca disso. Quero estar em um time forte.”

MURILO: ESFORÇO VALEU A PENA
Com muitas dificuldades físicas no início desta temporada, além de um turbilhão de emoções (e tensões) fora da quadra, com seus quadrigêmeos, o camisa 21 conseguiu, finalmente, ficar clinicamente zerado e voltou a tempo de participar da conquista continental.

Apesar de não estar cem por cento, você conseguiu matar a saudade da quadra e ajudar o time.
“Nossa, estava com saudade demais. Fiz um tratamento muito sério, um trabalho cansativo, dormindo pouco pra tratar. Só eu e minha família sabemos o quanto foi complicado ficar fora, muita gente cobrando. Eu não conseguia ver uma melhora como estou tendo agora. Contra o Malvín, foi o jogo mais importante depois do nascimento dos meus filhos. Agora, não tem mais nenhum problema em casa com eles, se Deus quiser não vou ter mais nenhuma lesão e levar a temporada inteira, como levei a passada.”

E que bom que deu tempo de participar da festa…
“Muito bom! Lutei muito pra estar aqui nessa festa. Tentei no Paulista, mas ainda sentia muitas dores. Lutei diariamente. Fisioterapia duas a três vezes por dia. Minha mulher já estava louca comigo, porque se vive na rua quando está em tratamento, compromisso toda hora. Consegui jogar os dois jogos, ajudar um pouquinho, principalmente no revezamento. E mesmo estando longe do cem por cento, estou muito feliz porque o mais importante era estar dentro da quadra e consegui.”

HETTSHEIMEIR: INÍCIO AVASSALADOR
Ele não é de falar muito, até apanha um pouco do português depois de passar quase uma década na Espanha, mas dentro de quadra é monstro. E fora dela, fala o necessário para deixar o recado:

“Bom demais chegar e ser campeão, sem palavras! A equipe está de parabéns. Apesar de não termos treinado muito tempo, todo mundo está focado no que o Guerrinha pede. Saí da Europa e vim para um grupo campeão, num ambiente legal, gostoso de trabalhar. Os frutos estão aí e vamos ver se abraçamos NBB e Liga das Américas, vamos trabalhar pra isso.”

RICARDO FISCHER, O CAPITÃO
Lembro-me da vez que fiz reportagem treinando com o time e me espantei com Ricardo, 20 anos e novato no elenco, dando esporro em todo mundo. Ele sempre teve personalidade e ela hoje se concretiza com a função de capitão.

Qual é a sensação de erguer a taça?
“É incrível! Trabalhamos muito, ano passado a gente passou perto. Em 30 segundos a gente podia estar na final e foi tudo por água abaixo. Passamos por uma crise desde aquele jogo. Este ano, com um time muito forte, veio o convite e cumprimos o objetivo de conquistar a Liga Sul-Americana e disputar a Liga das Américas. Levantar o troféu e ver Alex, Hettsheimeir, Jefferson, Murilo, Larry, Robert Day… e esses caras olharem pra mim e dizerem ‘Vai lá, capitão, levanta a taça pra gente!’, pra mim é sem palavras ter só 23 anos e ser capitão desse time de estrelas.”

Apesar de o Alex ser um grande líder também, o Guerrinha comentou uma vez comigo que, no time dele, quem manda é o armador…
“Dentro da quadra, eu sou o segundo técnico. Todos que chegaram souberam me respeitar. O Alex, principalmente. É um grande líder, fala bastante como eu, mas quando eu falo ele sabe escutar. O time me respeitou bastante sobre isso, mesmo eu tendo pouca idade. Tento cobrar dentro de quadra o que o Guerrinha me passa, ele é o que mais me cobra. E felizmente está indo muito bem.”

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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