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“Quero fazer história em Bauru”, avisa Alex Garcia

Confira entrevista com o novo reforço bauruense e conheça os bastidores da contratação de Alex Garcia

O Dream Team bauruense vai se desenhando. A estrela maior dessa constelação, Alex Garcia, foi apresentada na última quarta-feira, na sede da Paschoalotto Serviços Financeiros — que na figura do presidente, Rodrigo Paschoalotto, participou ativamente das negociações. Como já dito, o burburinho era antigo, era questão de tempo e de paciência e tudo deu certo. O novo camisa 10 — “Se não me derem a 10, já vou embora agora”, brincou — foi rodeado por patrocinadores, diretores e acolhido pelo colega Murilo, durante o evento. A seguir, detalhes da negociação, a entrevista do reforço e o que disseram dele.

COMO FOI O DESFECHO DO NEGÓCIO
A partir da desclassificação no NBB6, o diretor Vitinho Jacob assumiu o interesse no jogador e vinha trabalhando nos bastidores. Àquela altura, Brasília já havia encerrado sua participação. Do lado candango, silêncio. Valiam-se do contrato, que ia até 2015. Além disso, o diretor José Carlos Vidal não cuidou do assunto, tratado entre jogador e direção da universidade Uniceub, patrocinadora máster do time. Do lado bauruense, não havia intenção de arcar com a multa rescisória. A tarefa de Alex era convencer Brasília — que, claro, queria continuar contando com seu capitão — a terminar o vínculo. “No fim, deu certo. O time não queria me deixar sair. Mas são pessoas que entenderam o meu lado, foram coerentes, íntegras e souberam atender meu pedido de voltar a ficar perto de casa”, explicou o Brabo.

Alex assina: sonho realizado
Alex assina: sonho realizado

Sexta, dia 17: Alex vem a Bauru, conhece a estrutura da Associação, acerta verbalmente o contrato de quatro anos e procura o imóvel em que irá morar na Sem Limites. Alex decide ter uma conversa definitiva com os candangos para selar a saída. Surge a informação de uma reunião na capital federal na terça-feira.
Segunda, dia 19: Mas Alex quer resolver logo. Cedinho está em Brasília, procura a diretoria do Uniceub para assinar a rescisão, feita sem cobrança de multa, em reconhecimento aos serviços prestados pelo atleta.
Terça, dia 20: Bauru ganha fôlego contra a euforia e expectativa da torcida, anunciando a contratação de Robert Day.
Quarta, dia 21: Brasília informa o fim do vínculo com Alex. Pouco depois, chega o comunicado oficial do Bauru Basket, que já anuncia a apresentação para logo mais, à tarde, quando o contrato é finalmente assinado.

FALA, BRABO!
Confira as principais declarações do ala-armador na coletiva e no papo com o Canhota 10:

Motivação
“Além da família, a vontade de voltar para o Interior de São Paulo, onde fui criado, era muito grande. Fiquei sete temporadas em Brasília, então achei que era hora de mudar, justamente para tentar evoluir. Além disso, já trabalhei na Seleção com o Guerrinha, com o Murilo, com o Larry. São pessoas que eu conheço, vencedoras, e será interessante fazer parte desse time e tentar conquistar títulos junto com eles.”

Entrosamento
“Estou indo para o meu décimo quarto de Seleção, é importante para me manter sempre em alto nível. Quando voltar, em uma semana já pego o que o Guerrinha quer. Dia a dia vamos encorpar o grupo e cada jogador se encaixar. Conheço bem os jogadores. O Larry e o Murilão um pouco mais, por convivermos na Seleção. É tranquilo. Mesmo o Ricardo, que é mais jovem, mas tem uma vivência e uma importância grande no time. Esse entrosamento vai ser muito rápido e muito fácil.”

Gui, potencial de defensor, pode ser seu pupilo?
“Pode sim. A gente pode aprender um com o outro. Eu fazia muito isso com o Isaac em Brasília. É uma coisa que gosto de fazer. Quando eu comecei, não tive nenhum jogador mais experiente para me dar algumas dicas. Então, eu quero poder passar para os mais novos tudo o que aprendi.”
O Canhota falou com Isaac: “Não tem como não evoluir trabalhando do lado desse cara.”

Preparo físico
“Nunca foi problema pra mim. Sempre me cuidei, procurei trabalhar forte. Se eu soubesse que não daria conta do recado, não assinaria por quatro anos, mas por um ou dois. Então, se foi por quatro, é porque tenho condições sim e vou trabalhar forte para respeitar o time.”

O estilo Brabo
“Meu jogo é dedicar cem por cento, treino e jogo para mim não tem diferença. Minha dedicação é a mesma, seja por um ponto, seja para defender. Tanto faz. O importante é que o time vença. Meu estilo é sempre estar brigando com ou contra os companheiros para sempre tirar algo a mais e vencer.”

Torcida
“A torcida já me vaiou bastante. Mas quando acabava o jogo, tiravam fotos. Vaia mostra que o que você faz está incomodando e é importante para vencer a equipe deles. Para mim, é importante que eu vá jogar na casa do adversário e seja vaiado. Isso é o que me motiva, me dá aquele friozinho na barriga para tentar melhorar, crescer e vencer no final, que é o que importa.”

Ambição: taças
“Pelo projeto que me passaram, quero ganhar títulos. Quero fazer história em Bauru. Mas é cedo. Eu e o Day temos que entrosar, entrar no ritmo dos caras e ver como eles estão jogando para nos adaptarmos. Mas pelo time que pode formar e com o Day, experiente, que entrosa fácil, temos tudo para chegar no final da temporada e levantar o caneco.”

FALA, MURILO

Boas-vindas
“É muito importante um atleta estar presente na apresentação do outro. Na minha, estavam o Ricardo e o Fernando. É uma coisa simples que eles fizeram, mas vou lembrar pra sempre, eles estavam ali para me ajudar. Agora, pelo Alex, pelo jogador, pelo profissional e pelo pai que é, vim aqui para mostrar minha força, minha vontade de jogar junto com ele. Não tenho dúvida de que esse ano a gente vai longe, porque estamos com jogadores que gostam de trabalhar. Claro que as coisas não caem do céu. Temos que trabalhar. E isso vamos tirar de letra, pelo perfil dos atletas.”

Parceria forte
“Tive a oportunidade de jogar com o Alex e várias vezes contra. Todos sabem o jogador vencedor que ele é, a vontade que ele tem de ganhar. É um prazer muito grande voltar a jogar com ele. Não tenho dúvida que, trabalhando no dia a dia, vamos chegar muito longe com a camisa do Bauru Basket.”

Quanto melhor, melhor
“Tem jogadores que pensam que, vindo atletas de ponta, tiram o espaço. Já os vencedores pensam que quanto mais vencedores no time, mais chance de ser campeão. Eu penso assim, estou muito feliz. Sei que estão prestes a trazer outro atleta de ponta para jogar comigo, na minha posição, então isso só aumenta nossas chances de levantar o caneco.”

Com Murilo e Guerrinha: boas-vindas
Com Murilo e Guerrinha: boas-vindas

FALA, GUERRINHA
“O basquete é muito dinâmico. Não existe mais falar que fulano está no banco. Quem estiver jogando bem estará na quadra. Claro que quem tiver mais condições, como o Alex, que faz várias funções, tem mais chances do que um que joga em uma só função. Claro que todo jogador quer jogar 40 minutos, mas isso é impossível hoje no basquete, que está muito físico e todo mundo tem que contribuir. Quando mais gente de qualidade para dividir o fardo do jogo, o importante é ter uma equipe vencedora.”

FALA, RODRIGO
“Na primeira conversa que eu tive pessoalmente com o Alex, a primeira coisa que perguntei a ele foi quantos anos ele jogaria no mesmo nível que joga hoje. Ele foi muito sincero, disse pelo menos quatro ou cinco anos. A negociação com o Alex foi tranquila, só troquei umas quatrocentas mensagens com ele… Quem sofreu mais foi o Vitinho, pois ficávamos até onze da noite conversando. Eu perguntava se tinha resposta, ele dizia que tinha que esperar. E eu dizia ‘Liga de novo’. Imagine, dois ansiosos…”, brincou o presidente da Paschoalotto, que participou ativamente das negociações.

O evento rendeu outros bons papos, que repercutirei nos próximos dias.

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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