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Luxemburgo no Flamengo: vale a pena?

Manager. A palavrinha da moda. O treinador que liga pessoalmente para contratar jogadores; planeja a logística do time na temporada; está à frente de projetos que envolvem reestruturação física do clube. Tudo o que Vanderlei Luxemburgo gosta de fazer. Esse tipo de atuação do ‘profexô’ teve êxito, em algum momento, no Santos, que tem excelente concentração e um CT Rei Pelé confortável. Mas o exemplo positivo não passa muito disso. Agora, no Flamengo, Luxa terá carta branca para tocar a reforma do CT Ninho do Urubu e um contrato longo (até o final de 2012) para cumprir essa tarefa. Mas, e dentro de campo?

A competência de Vanderlei – é provocação da imprensa grafar com W e Y? – à beira do campo é inegável. Mas há algum tempo tem se apoiado em seu currículo e tido poucos bons resultados. Triunfos mais recentes, o tricampeonato paulista de 2006, 2007 (Santos) e 2008 (Palmeiras). Brasileirão, sua especialidade, não leva desde 2004 (Santos). Pesa mais, hoje, a infeliz passagem pelo Atlético-MG, que deixou no Z4, com elenco montado por ele. Na conta bancária, porém, ainda reluzem os troféus que acumula na carreira desde que surgiu no Bragantino, há 20 anos.

O Flamengo topou pagar cerca de R$ 500 mil a Luxemburgo. Desesperado, viu no experiente treinador a solução contra o rebaixamento. Como opinei no twitter no dia da contratação, o peso de seu currículo ainda acende esperanças. Que ressurja aquele comandante que bota o time no ataque (xô, 3-5-2!), valoriza o toque de bola. E que as suspeitas que carrega nos últimos anos (suposto vício por jogo e suposta vantagem financeira em negociações) não respinguem em seu trabalho. Não digo pelo bem dele, dono de seu nariz, mas pelo bem do futebol – e do Flamengo, que conseguiu a façanha de perder Zico, sonho da torcida há anos que escorreu pelas mãos.

Dito tudo isso, vale a pena apostar em Vanderlei Luxemburgo? Diria sim, categoricamente, fosse o salário e o tempo de contrato um pouco mais conservadores. Mas cartola brasileiro gosta de rasgar dinheiro, ao assinar contratos longos e demitir após uma sequência de derrotas… Digo um sim, portanto, em voz baixa, pra não ser notado – ter Luxa como treinador tem motivado piadas dos rivais. Mas, uma coisa é certa: se Luxa conseguir a façanha de chegar ao final de 2012 no Mengo, terá vencido campeonatos. O torcedor rubro-negro só espera que não sejam apenas estaduais.

Foto na homepage: Mauricio Val/Vipcomm

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Quartas-de-final: para os pequenos ou para os grandes?

Por Rafael Placce

No dia 30 de setembro, a Federação Paulista de Futebol (FPF) divulgou o novo formato para o Campeonato Paulista de 2011. Pela primeira vez desde 2004, a competição terá quartas-de-final.

Ao contrário dos últimos anos, quando os quatro primeiros colocados se classificavam e disputavam semifinais e finais em jogos de ida e volta, a próxima edição do Paulistão classificará os oito melhores colocados da primeira fase, que disputarão as quartas e semi em jogo único, na casa do time de melhor campanha.

O presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, diz que a intenção é dar mais chances de título aos times do Interior. Será que é só isso?

Se, por um lado, mais times de menor porte se classificarão, por outro, a nova fórmula praticamente assegura a classificação de Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, abrindo ainda a possibilidade dos quatro grandes pouparem jogadores durante a primeira fase e se dedicarem ao campeonato somente a partir da fase de mata-mata.

Vale lembrar que desde quando o formato com semifinais e finais foi adotado, em 2007, os quatro grandes só se classificaram juntos para a segunda fase no ano de 2009.

Del Nero tenta agradar os pequenos com uma manobra que, à primeira vista, pode parecer boa para o futebol do Interior, mas que com o tempo se mostrará excelente para os grandes. Em tempos de eleições, o presidente da Federação Paulista mostra que sabe fazer política.

Rafael Placce é estudante do 3º ano de Jornalismo, na Universidade do Sagrado Coração (USC), e escreve para o site Webesportiva
Twitter: @rafaelplacce

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Noroeste

Luciano Dias: “Por que essa preocupação toda?”

Ok, o Norusca pode contratar bons jogadores, treinar direitinho e jogar bonito no Paulistão 2011 – e essa é a torcida de todos. Mas os corajosos e fiéis noroestinos que têm comparecido ao Alfredão, hoje – e tantos outros ligados no rádio e na internet -, não merecem tamanha indiferença com a Copa Paulista.

Que fique clara a vontade dos jogadores. Dá para perceber que entram nas divididas, vibram, lamentam. Bira, o treinador de goleiros, quase vai à loucura com os erros de arbitragem e grita como louco para orientar a zaga, posicionado nos camarotes, na mesma linha dela. O próprio Luciano Dias gesticula a partida inteira, conversa com os jogadores, dá bronca. Mas, seu discurso final põe tudo a perder, ao deixar claro que essa participação não passa de um laboratório.

Respondendo a perguntas de Jota Martins, da 87FM, Dias instigou os profissionais de imprensa: “Vocês são experientes, conhecem futebol, sabem que não é sempre que isso acontece, gol contra a um minuto, pênalti perdido…”. O repórter “bom de bola” apertou o treinador, questionando a validade deste segundo semestre visando 2011: “Não vejo porque perder a confiança para o Paulistão. Estamos fazendo experiência. Não pode jogar todo mundo num saco e dizer que ninguém vale nada. Há jogadores de potencial que, junto com os atletas que chegarão para reforçar, irão render mais.”

Filosofando, Dias acredita que atletas do calibre de Bonfim, Lello e Hernani, habituados à elite, têm dificuldades para se adaptar a uma Copinha. Para ele, times menos expressivos estão acostumados a esse nível de disputa. Convenhamos: se tomam correria de molecada da A3, como será em um confronto com os meninos da Vila?

Por fim, Luciano Dias entrou em contradição, pois sempre assumia a responsabilidade de treinar e escalar, mesmo com Marcos Antônio atuando à beira do gramado. Num momento de autodefesa, porém, disse a Thiago Navarro, do Jornada, a seguinte frase: “Por que essa preocupação toda? Só perdi uma partida em casa comandando o time do banco [contra o Barueri]”. Isto é, tirou sua responsabilidade sobre os jogos dirigidos pelo auxiliar. Infeliz, a postura.

Ainda sigo na contramão dos colegas e da torcida, com dúvidas se a demissão de Dias é o melhor caminho para o Noroeste. Suas últimas declarações, porém, deixaram-me com poucos argumentos. Só torço para que Damião Garcia, se for trocar, que seja logo após a Copinha. Que não repita o erro de começar com um técnico que logo cai – lembram de Fescina e Scarpino?

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Noroeste

Laboratório maluco

Direto do Alfredão

A história se repete: escalação diferente – segue o laboratório -, atribuição do mau jogo ao descontrole emocional e muita tranquilidade do treinador Luciano Dias em relação aos resultados deste semestre. Portanto, não perca o seu sono. O Noroeste, após empatar com a Francana, em casa, no fechamento do turno da segunda fase da Copa Paulista, parece estar a três jogos de encerrar o semestre – e começar a montar o elenco do Paulistão.

Em partida televisionada e noite fria – a prometida chuva não passou de garoa – o torcedor preferiu o conforto do sofá e foi batido o esperado recorde negativo: 93 pagantes. Ironicamente, foi um bom jogo. Mesmo que se questione a técnica, não faltaram chances de gol.

Com apenas um ponto no grupo 7 (Barueri tem sete, XV, cinco, e Francana, dois), a tarefa ficou quase impossível.

O JOGO

1º tempo
No primeiro minuto, o zagueiro Rodrigo, em cobrança de falta, testa Yuri. O camisa 1 noroestino pega, seguro. Aos três, Giovanni é lançado na direita, busca na linha de fundo, recua na diagonal e rola para Deivid, da meia-lua, chutar com perigo, de canhota, à esquerda de Rodrigo Calchi.

O Norusca quase abre o placar aos oito, quando Rafael Aidar arrisca de longe, a bola desvia em Cristiano e vai a escanteio. Na cobrança de Deivid, de novo Aidar: ele raspa de cabeça e a bola atravessa na frente do gol.

Depois do início empolgado do Alvirrubro, a Veterana se reorganiza taticamente e mata as tentativas ofensivas. Talvez por isso, Luciano Dias chama o atacante Marcus Vinícius para mexer no estilo de jogo. Enquanto o camisa 17 esperava a bola sair, o Norusca chega ao primeiro gol. Aidar arrisca chute da intermediária, a bola quica na grama molhada e o goleiro Calchi assina o frango. O camisa 11 vibra muito, todo o time vai comemorar com ele, como se descarregassem todo o clima pesado da semana.

Quatro minutos depois, já com Marcus Vinícius em campo, no lugar de Mizael – e Deivid deslocado para a lateral –, vem o segundo gol, novamente com “colaboração” do adversário. Giovanni vai à linha de fundo, cruza rasteiro e os zagueiros batem cabeça. Da lambança sai o gol contra de Rinaldi, mas o árbitro anota para Diego, que estava na dividida.

A Francana dá seu segundo chute a gol somente aos 40, em cobrança de falta de Fabrício. No minuto seguinte, Júnior Preto é lançado no mano a mano com Yuri, que abafa a finalização do camisa 9 e arranca aplausos de todas as testemunhas presentes no Alfredão.

Intervalo
Ao microfone de Thiago Navarro, do Jornada Esportiva, Diego, sem disfarçar a risada, diz que o gol foi dele. Já Deivid reclama do árbrito: “O juiz está deixando bater”. Os atletas de Franca, realmente, foram a campo travas afiadas.

Uma curiosidade: a Rede Vida esteve no Alfredão com cinegrafistas e repórter. Narrador e comentarista ficaram nos estúdios, em São José dos Campos (fazendo a famosa narração por tubo)

2º tempo
Já no primeiro minuto, a Francana não permite que o Noroeste conduza o segundo tempo de forma tranquila. Cris levanta bola em cobrança de falta, da direita, e Geilson desvia contra o próprio gol. 2 a 1. Aos cinco, o time bauruense tenta dar a resposta: Diego briga na área, a zaga trava e Giovanni finaliza o rebote por cima.

Movimentado, o jogo merecia mais público. E o Norusca merecia tomar outro gol, pela desatenção. Em cobrança de falta ensaiada, Rodrigo solta a bomba, Yuri rebate e Fabrício, sozinho, empata aos 12. Dá para ouvir o preparador de goleiros, Bira, comentar que o chute era impossível de encaixar, pela força e velocidade que pegou. A falha foi da defesa, por permitir o arremate.

A reação é imediata. No minuto seguinte, Gustavo Henrique invade a área e é derrubado por Régis. Deivid se apresenta para cobrar o pênalti. Bate a meia altura, no canto direito, e o goleiro Rodrigo Calchi faz linda defesa.

A Francana se sente à vontade no jogo e quase passa à frente no placar aos 26, quando Yuri toma outra bomba no peito e Williams Nascy, no rebote, consegue perder o gol, mandando a bola nos eucaliptos.

O Alvirrubro só assusta aos 33, quando Aidar desce pela direita e rola na entrada da área para Marcus Vinícius bater rasteiro – o goleiro defende. Um minuto depois, Deivid cruza e Paulo Roberto é travado na subida. O árbitro marca simulação do centroavante noroestino…

Aos 40, repetição da jogada de sete minutos antes e, novamente, Calchi pega chute de Marcus Vinícius. Aos 45, Ramon desce rápido pela esquerda e Nascy finaliza com perigo. Na última chance de vencer, Deivid chuta falta na barreira.

Fim de jogo
“Dizem que pênalti na costura [no canto] ninguém pega. Ele pegou… Não errei nenhum pênalti nos treinamentos”, comenta Deivid, a Thiago Navarro, sobre o gol desperdiçado. O capitão Hernani avaliou o momento noroestino: “Não faltou empenho nem luta, apenas tranquilidade e posse de bola. O momento é de dignidade. Temos que sair de campo esgotados por ter dado o melhor.”

A exemplo do último sábado (25/9), o técnico Luciano Dias é cercado pelos repórteres e mantém a calma. E, novamente, suas declarações merecem um texto a parte.

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Noroeste

É proibido empatar!

Sobrevivência depende de vitória sobre a Francana, em jogo televisionado; Damião recebeu homenagem na FPF

Damião Garcia recebeu nesta sexta (1/10) do presidente da FPF, Marco Polo del Nero, placa em homenagem aos 100 anos do Noroeste (Foto reproduzida do site oficial da FPF)

Com ou sem laboratório, o Noroeste tem obrigação de ganhar da Francana neste sábado (2/10), pela terceira rodada da segunda fase da Copa Paulista. A motivação? Se a taça não é prioridade, que valha a sobreviência de cada jogador para compor o grupo do Paulistão 2011, sobretudo depois das dispensas do lateral-direito Rafael Mineiro e dos meias Richard e Almir Dias.

Aliás, como não renovaram o contrato do garoto Richard? Ele fez elogiadas atuações quando ganhou três chances entre os titulares. Há pelo menos dois jogadores que nada apresentaram de relevante até o momento – e que ganham nova chance contra a Francana: os atacantes Marcus Vinícius e Paulo Roberto estarão no banco de reservas.

As novidades da relação de convocados para a partida, divulgada pelo clube, ficam por conta da presença de Marcelinho (sem ritmo, provavelmente opção para o segundo tempo) e a ausência de Juninho. Outro garoto que tem dado boa resposta e vai sendo queimado… Giovanni volta de suspensão e a dúvida é se retorna como titular ou Aidar – raçudo contra XV, como sempre – é mantido.

A Francana, que tem um ponto no grupo 7, vem com três desfalques: o lateral Diego Bife e o zagueiro Gabriel, suspensos, e o beque e capitão do time, Daniel Menezes, contundido. A Veterana é treinada pelo ex-meia Paulinho Kobayashi, que atou por Portuguesa e Santos nos anos 1990 e encerrou a carreira ano passado, pelo Bragantino.

Com a atual fase do time na Copa Paulista, o tempo chuvoso e a transmissão ao vivo da partida pela Rede Vida, a expectativa é de recorde negativo de público na temporada… O Canhota 10 estará lá, faça chuva ou faça frio (ou os dois).