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Ituiutaba mostra como chegar à Série B

Peço licença ao leitor noroestino, público maior deste site. Como natural de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro – o apelido BH é por ter morado na capital -, não poderia deixar de registrar o acesso do Ituiutaba Esporte Clube à Série B do Campeonato Brasileiro. Clube de uma cidade de cerca de 100 mil habitantes, com um acanhado estádio, mas uma torcida inflamada.

Parece mentira. Quando saí de lá, em 1997, o clube, então com 50 anos de vida, era amador e estava iniciando seu processo de profissionalização. Portanto, não tive o privilégio de apoiá-lo nas arquibancadas. Acompanho daqui, pela internet, e até pouco tempo pelos relatos de meu pai, falecido em 2009, que não teve a oportunidade de vivenciar a alegria do último final de semana.

Popularmente chamado de Boa (seu primeiro nome foi Boa Vontade), o Ituiutaba venceu o Módulo II do Mineiro em 2004; foi semifinalista do Estadual da divisão principal em 2008 e 2009; neste ano, lanterna, voltou para a Segundona. O tropeço, entretanto, não impediu o time de ambicionar a vaga na Série B nacional.

Para quem não se lembra, o Ituiutaba estava no mesmo grupo do Noroeste na primeira e segunda fases da Série C 2008, a última com 64 clubes e que foi classificatória para os 20 de 2009. O Norusca não venceu os mineiros no Alfredão (1 a 1; 0 a 0) e, em Minas, foram uma derrota (1 a 4) e um empate (0 a 0). Quem passou em segundo daquele grupo foi o Guarani, hoje na Série A.

Mas, direto ao ponto: como o Boa chegou à Série B? Fazendo o arroz-e-feijão: impondo-se em casa e buscando pontinhos fora. E olha que o time é limitado (fala-se em modestos R$ 60 mil de folha salarial). Assisti ao jogo decisivo ontem (16/10, empate em 0 a 0 com a Chapecoense-SC – 1 a 1 na ida, em Chapecó) pela TV Brasil, e não vi nada demais. Pelo contrário: os atacantes finalizam mal – foram apenas nove gols em dez partidas.

Dez partidas. Dez! Só isso para pular da Série C para a B. Somando com os 12 para saltar da D para a C, 22 jogos separam o Noroeste da Série B, que é o auge para qualquer clube – o próprio Ituiutaba não precisa ter aspirações à elite nacional, manter-se na B já será enorme façanha. E seu primeiro desafio é providenciar ampliação de seu estádio ou fazer outro.

O desafio do Norusca: entender que Paulistão é alegria de pobre – dura pouco, acaba em maio. O que vale é o âmbito nacional e time em atividade até o fim de novembro.

Parabéns, Boa!

Fotos na homepage: Reprodução/Willian Marques/Correio de Uberlândia

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Noroeste

O último suspiro na Copinha

De Bauru

Terminou o laboratório. Se o título da Copa Paulista não era objetivo do Noroeste para o semestre, os 16 jogos disputados foram suficientes para analisar os jogadores – e reprovar a maioria deles. Para o torcedor, a decepção. Que fosse meia dúzia a pagar ingressos, esses noroestinos vão ao estádio para ver o Alvirrubro ganhar, o que não foi possível, com uma escalação diferente a cada partida – para testar o elenco – e um time que nunca entrosou.

Neste sábado (16/10), o último suspiro da agonia: nova derrota para o Sport Barueri, apesar de uma reação no fim da partida. Como não ouvi a partida, compromisso familiar, fico devendo o relato. Publico a ficha, logo abaixo, para manter o histórico. Fiquemos, então, com uma reflexão dessa campanha noroestina, confrontando os desejos do clube e da torcida.

TÍTULO
Clube: quando o time treinava com um mês de antecedência, cheio de remanescentes do acesso, a intenção era buscar o título. O comportamento de Luciano Dias, entretanto, sempre foi de testar jogadores. Pensavam que era possível fazer boa campanha, mesmo escalando um onze diferente a cada jogo. O discurso de laboratório só surgiu após a avalanche de críticas aos maus resultados.
Torcida: para a galera, tem que entrar para ganhar, sempre. Quando a camisa do Noroeste está em campo, sobretudo em um campeonato de baixo nível técnico, tem que se esforçar por brigar pela taça. Ainda mais com pagamento em dia.

LABORATÓRIO
Clube: o elenco foi mesclado por três tipos de jogadores: reservas da A2 – com exceção de Rafael Aidar e Marcelinho -, meninos da base e contratados (Rafael Mineiro, Lello, Kelisson, Gustavo Henrique, Deivid, Hernani, Marcus Vinícius, Paulo Roberto e Diego). A intenção era ver quem serviria para o Campeonato Paulista de 2011. A contradição veio quando Luciano Dias afirmou que seu elenco não se encaixava no estilo de jogo da Copinha (correria e pegada). Conclusão: um experimento não pode dar certo com os ingredientes errados.
Torcida: entre os noroestinos, o coro era quase unânime. Quer testar, aposte na molecada. Isso economizaria em salários e em cobrança da própria torcida. Dias deu, sim, chances para os garotos, mas queimou alguns. Mizael não foi tão mal quanto ele afirmou. Richard, depois de cinco anos de clube, não teve seu contrato renovado, mesmo depois de três boas partidas como titular. Juninho foi sacado do time para Tales e Marcelinho terem vez – mas foi bem. Por outro lado, apostou bastante em dois jogadores que ficaram devendo: Giovanni, eterna promessa, e Leleco, que entrou bastante no segundo tempo das partidas e nunca empolgou.

CENTENÁRIO
Clube: em relação aos ingressos, o clube praticou preços bons, fez pacotes, não há muito a reclamar. Conseguiu atrair o torcedor para a partida festiva contra o Guaratinguetá, com algumas atrações. Depois, só patinou. Pegou o Estoril, de Portugal, em pré-temporada em Porto Feliz e chamou de amistoso internacional em que o seo Damião “não mediu esforços” – os caras nem tinham uniforme de jogo. Sondou Boca Juniors e Remo. Prometeu um dos quatro grandes de São Paulo. E o ‘Centenário Solidário’, preparado em cima da hora, teve um fiasco de público.
Torcida: só queria o básico: planejamento, pensar com antecedência. O clube não poderia desperdiçar a chance de enfrentar um grande time do futebol brasileiro durante a intertemporada (parada para a Copa do Mundo). O Santos veio a Araraquara enfrentar a Ferroviária, por exemplo. O Flamengo, atual campeão brasileiro, estava logo ali, em Porto Feliz…

2011
Clube: foca a elite do futebol paulista e monta um time com contratos vencendo em maio.
Torcida: quer a Série D, primeiro degrau da escalada até a B, que já está de bom tamanho para o Noroeste – dinheiro da TV, jogos durante toda a temporada.

A ficha da última partida oficial do Norusca em 2010:

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Esportes

Entrevista com Zenon

Reprodução TV Século 21

Papo bom não se perde. Falei com Zenon em novembro de 2008 quando fazia revista especial sobre o craque Zico, seu contemporâneo. Gente boa, o papo no telefone rendeu. Campeão brasileiro pelo Guarani em 1978 e camisa 10 do famoso Corinthians dos tempos da Democracia, ele ainda cultiva seu vistoso bigode e atua como comentarista esportivo da TV Século 21, de Campinas. Como tal, conversou com propriedade sobre futebol. A certa altura da conversa – ao contrário da boleirada de hoje, cada vez mais óbvia e careta – falou de si sem parecer arrogante. Tivesse maltratado a bola, seria caso de internação. Mas jogou muito. Confira as respostas que sobreviveram ao tempo.

Você concorda com (grande) parte da crônica esportiva que diz que o nível técnico do futebol brasileiro é sofrível?
De forma nenhuma. Temos um grande número de bons jogadores no futebol brasileiro. É inegável que os melhores estão na Europa, mas não concordo com os que falam que o nível está muito abaixo daquele da década de 90. Só não gosto da fórmula de disputa, que só favorece os grandes clubes. Os times médios jamais terão oportunidade de disputar o título.

Você acha que os pontos corridos vão estrangulá-los?
Claro que sim! Eles nunca terão o gosto de disputar de igual para igual com os grandes clubes. A fórmula de pontos corridos favorece os clubes estruturados e que têm uma cota maior da televisão, realizam grandes contratações e têm elencos fortes. Nunca se verá um time de porte médio brigando pelas primeiras posições.

Você não pensa em ser treinador?
Já recebi convites. Mas hoje vivo um momento gostoso na vida, pois comento esportes e ainda posso bater uma bolinha no final de semana. Jogo pelos masters do Corinthians e pelas seleções paulista e brasileira. Tudo isso me deixa com a alma feliz e no momento não penso em trocar essa vida para virar treinador. Mas essa possibilidade também não está descartada… Eu domino muito fácil a função de comentarista porque eu tive a prática durante 20 anos, estudei futebol, sou formado em educação física e me formei técnico de futebol pelo sindicato de técnicos. Então, conhecimento eu tenho de sobra. Mas ainda é cedo para abraçar essa carreira.

Com a correria do futebol de hoje, o Zenon teria o mesmo bom desempenho?
Mais do que antes. Com esse trabalho que existe hoje, específico para cada atleta, de acordo com suas características, Pelé faria cinco mil gols. O Garrincha jogaria muito mais. E eu também, se tivesse toda essa força. Com a técnica que eu tinha e com esse trabalho físico de hoje, eu seria muito mais produtivo. Hoje, quem tem uma característica quase parecida com a minha é o Hernanes. Ele se aproxima muito das minhas características. Ele desarma, arma, ataca e faz gols. Hoje eu seria um Hernanes, só que com um fundamento a mais, o lançamento – coisa que ele não faz.

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Bauru Basket

Pior do que está, fica: basquete sem ginásio

Um dia depois de repercutir a entrevista de Guerrinha na TV Preve, afirmando a possibilidade de Bauru perder seu time de basquete – por falta de apoio público e privado – vem outra pancada. A Associação Luso Brasileira recebeu vultosa proposta para vender sua sede social, isto é, o time fica sem ginásio para receber seus jogos.

Para você entender melhor o caso, antes de o Canhota 10 opinar, reproduzo depoimento do colega Thiago Navarro, do Jornada Esportiva, que soube em primeira mão dessa iminente venda, numa espécie de desabafo de Guerrinha na tarde de ontem (13/10).

Conversei ontem com o Guerrinha sobre essa questão dos patrocínios, ele explicou que o presidente [Pedro Poli, da Itabom] quer receber mais apoio de Bauru, gostaria que entrasse uma cota master. Ele reclamou da demora em Bauru aprovar uma Lei de Incentivo ao Esporte, coisa que tem de ser feita até novembro se a cidade quiser usar isso já em 2011. Ele disse que o projeto está pronto, é só a Câmara Municipal votar.

A questão do ginásio ele disse que é paralela a tudo isso, e que este é o grande problema que o Bauru Basket tem hoje, porque a Luso só está garantida até maio de 2011. E realmente a chance de a Luso ser vendida é muito grande, a proposta pelo prédio ultrapassa a casa dos R$ 15 milhões, então a verdade é que Bauru estará sem ginásio a partir do meio do ano que vem.

O Guerra disse que o projeto continuará de alguma forma, ele quer que seja em Bauru, mas, se não tiver ginásio, ele disse que não há problema legal em ir para outra cidade (a LNB permite, por ser franquia). A gente sabe que a construção de um poliesportivo demoraria pelo menos uns dois anos. A única solução imediata é a Panela de Pressão.

Foi um desabafo do Guerrinha para mim e o para o Wagner Teodoro (do JC), que também estava no treino de ontem. Ele pediu o apoio da imprensa, disse que agora é hora da imprensa bauruense levar tudo isso à Prefeitura, porque quem vai perder é a cidade se o time acabar ou sair daqui.

Aproveitando o assunto basquete, segundo o site Basket Brasil, o ala Eddy realmente aceitou a proposta do Vitória Basquete (antigo Saldanha da Gama) e deixou o Bauru. O Júlio Toledo também deve sair. Leia também o texto de Thiago no Webesportiva.

No meio da tarde, a 94FM apurou que o grupo empresarial interessado na sede social da Luso é a Iguatemi Empresa de Shopping Centers S.A. – mais um shopping (há dois novos anunciados na cidade)?! O negócio depende da aprovação dos conselhos deliberativo e fiscal, além de uma assembleia geral entre os associados. Como a dívida do clube é pequena, o fato de parte do dinheiro ser investida em melhorias da sede de campo aumenta a chance de aprovação.

Dessa forma, Bauru não terá onde jogar em 2011. Os ginásios da USP, do Santa Luzia e o Duduzão (FIB) são acanhados para a missão. O retorno à Panela de Pressão, apenas com muita boa vontade de ambas as partes – Prefeitura e Noroeste – e a reforma teria que começar ontem, tamanho o estado de abandono.

No que depender do Canhota 10, o espaço está escancarado para sensibilizar a iniciativa privada e, sobretudo, como enfatizou Rafael Antônio na transmissão de hoje (14/10) de Bauru 102 x 86 Franca (lanche Bob’s para a galera!), o poder público (“Hora de arregaçar as mangas!”) para evitar que esse time, propagador do nome de Bauru, escorra pelas mãos.

Em entrevista a Thiago Navarro, depois do show do Itabom/Bauru em quadra – um time de primeira – Guerrinha contou que vai à próxima sessão da Câmara cobrar os vereadores a respeito do ginásio poliesportivo. Sobre a Panela, acha que é a primeira (e urgente) etapa. “Falta boa vontade de muita gente. É bom para o Noroeste ter um espaço ocioso? Esta semana vou procurar o deputado Pedro Tobias. O Rodrigo ganhou a eleição apoiado no PAC, na proximidade com o PT, com a vice Estela. Esse dinheiro existe, temos que buscar. Quem corre atrás, consegue, com a ajuda de vocês [imprensa] vamos conseguir”. Conte conosco, Guerrinha.

Atualizado em 15/10, às 9h27: o repórter Bruno Mestrinelli, do jornal Bom Dia, falou com conselheiros da Luso (leia aqui) e apurou que a proposta já foi aprovada no Deliberativo e no Fiscal, faltando apenas o parecer dos associados. A empresa compradora não foi divulgada oficialmente.

Às 10h29: a assessoria de imprensa do Bauru Basket alertou que Eddy segue no time, enquanto estuda a proposta do Vitória Basquete. De fato, ele atuou na partida contra Franca. Júlio Toledo não saiu do banco…

(Dias depois, é confirmada a saída de Eddy)
(Não foi o grupo Iguatemi quem comprou a Luso)

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Noroeste

Fim da linha para a Locomotiva

Direto do Alfredão

Com um mês e meio de salário atrasado – segundo o próprio treinador Moisés Egert afirmou a Jota Martins, da 87FM – o XV de Piracicaba veio a Bauru num surpreendente e clássico 4-3-3. Isso mesmo: ponta-direita, centroavante e ponta-esquerda. Visitante pra lá de ousado, disposto a definir sua classificação para a terceira fase da Copa Paulista, matou o jogo logo aos nove minutos, suportou a pressão noroestina no segundo tempo e garantiu sua vaga. O Noroeste está eliminado e cumprirá tabela no próximo sábado, contra o Barueri – que venceu a Francana (1 a 0) e também se classificou. A partir de agora, são cerca de três meses até a estreia no Paulistão 2011, tempo suficiente para montar o elenco e prepará-lo para os dois grandes objetivos da próxima temporada: manter-se na elite e garantir a vaga na Série D.

O JOGO

1º tempo
Com clima agradável, a partida começa numa correria frenética, de uma intermediária a outra. Mas a primeira chance de gol ocorre apenas aos cinco minutos, por parte dos visitantes. O XV faz trama dentro da área e a bola sobra para Roni, que finaliza mal, de bico, para fora. Quatro minutos depois, o ofensivo e destemido Nhô Quim abre o placar. O ponta-direita Rogerinho desce em velocidade e cruza rasteiro para Fábio Santos, da marca do pênalti, fuzilar Yuri.

O Noroeste só responde aos 14. Gustavo Henrique faz a ultrapassagem pela esquerda e cruza; Diego cabeceia para fora. Aos 16, Marcus Vinícius tenta gol olímpico e Gilberto espalma. Dois minutos depois, Deivid leva sonora bronca de Luciano Dias, após chutar falta na barreira – com tanta gente esperando na área.

O XV volta a assustar aos 25, em cobrança de falta do canhoto Jordy, que obriga Yuri a se esticar no ângulo direito. A essa altura, o panorama do jogo é de lançamentos longos – e equivocados – por parte do Norusca e contra-ataques envolventes do time alvinegro, até com certa firula. Aos 29, em uma dessas tramas, Marcos Silva chuta de longe e a bola passa rente ao travessão.

Aos 34 minutos, é possível afirmar tranquilamente que o XV bota o Noroeste na roda. Marcos Silva manda no meio, Rogerinho apavora pela direita e o centroavante Fábio Santos se impõe fisicamente sobre a dupla de zaga. Luciano Dias, a exemplo do que faz Guerrinha no basquete, lamenta com o banco de reservas, em tom didático, cada lance equivocado de seus jogadores.

Marcus Vinícius, em chute da intermediária, quase empata aos 38: a bola passa à direita de Gilberto. O Alvirrubro volta a incomodar nos minutos finais, inclusive pedindo pênalti inexistente – para pressionar o árbitro, que tem má atuação, invertendo faltas a favor do XV. Por ingenuidade – ou fé na legalidade – não gosto de pensar em favorecimento. Só posso afirmar que o XV contou com erros da arbitragem nos dois jogos contra o Noroeste (na ida, pênalti inventado pelo bandeira Vicente Romano; na volta, faltas invertidas, permissividade a cera e gol alvirrubro anulado).

Intervalo
Ao microfone de Thiago Navarro, do Jornada Esportiva, Diego assume ter ficado devendo: “Errei a conclusão de duas jogadas”. Já o goleiro Yuri diagnostica: “Temos que ter a cabeça fria e criar um pouco mais”.

2º tempo
Precisando da vitória, o Noroeste chega logo aos 40 segundos, com bom chute de Gustavo Henrique, por cima. Dominante em campo, o Alvirrubro volta a incomodar aos 11, novamente com o camisa 6 pela esquerda, que cruza forte e Rafael Aidar, de carrinho, finaliza para fora.

O Norusca segue com mais posse de bola, mas sem conseguir acertar os passes decisivos. Aos 20, Diego, saindo muito da área, sente a coxa esquerda – que o incomodou no jogo de ida contra a Francana – e pede para sair. Paulo Roberto, homem de área, é incentivado por Luciano Dias. Logo após a terceira substituição, Marcelinho sente cãimbras e parte para o sacrifício – ele não estava no melhor de sua forma.

Aos 27 minutos, o capricho dos deuses da bola. Rafael Aidar desce em velocidade pela direita e carimba o travessão. Na sequência da jogada, Paulo Roberto finaliza rasteiro e a zaga afasta. No minuto seguinte, o susto: Marcos Silva cobra falta no ângulo, do lado de fora da rede.

O sangue rubro esquenta aos 30. Pilhada com a duvidosa atuação da arbitragem, a torcida – com a faixa exposta de cabeça para baixo – não acredita quando vê o gol anulado de Leleco, supostamente impedido. Dois minutos à frente, o assistente deixa o jogo correr em posição duvidosa de Fábio Santos; Yuri, como de costume, opera milagre aos pés do atacante adversário.

Leleco, agora claramente em condição legal, perde gol impressionate aos 35: Gustavo vai à linha de fundo e o camisa 18, sem pulo, carimba a trave esquerda. O goleiro Gilberto se contunde no lance e valoriza o tempo antes de ser substituído por Leandro.

A essa altura, o ofensivo XV já lembra a mais retrancada formação suíça. Aos 40, Paulo Roberto faz o giro na pequena área e o goleiro reserva abafa, a queima-roupa. Aos 43, Marcus Vinícius, no auge de seus 20 anos de idade, está pregado – e o time prefere insistir na armação com ele a lançar a bola na área. Somente depois que o preparador de goleiros Bira berra para Yuri orientar a defesa é que o Noroeste tenta o abafa, lançando bolas à área – sem sucesso. Após o apito final, todo o time do XV vai cumprimentar o trio de arbitragem.

Fim de jogo
Rafael Aidar diz ao Jornada que o momento é de erguer a cabeça. “A vida continua, o Noroeste continua”, filosofa o camisa 11. “A gente sabia que a pressão seria grande, por termos conseguido o acesso. Agora temos que sair com dignidade, fazer um bom jogo em Barueri”, concluiu o goleiro Yuri.

O capitão Hernani assumiu a bronca em nome do time e foi à sala de imprensa, ainda de uniforme, lamentar a eliminação. Depois, foi a vez de Luciano Dias, que destacou a luta do time. “Na vida, nem sempre a gente ganha. Mas houve entrega. Orientei os jogadores para não relaxarem para o próximo jogo, que vale como observação para o nosso trabalho visando o Campeonato Paulista”, disse, não sem antes se irritar com a palavra LABORATÓRIO, enfatizada por ele mesmo semanas atrás.