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Sargento Deodato fala de sua experiência e aprendizado no Exército

Ala Gui, do Paschoalotto Bauru, conta como foi a disputa de um torneio internacional militar, na França, e comenta sobre a chegada de Alex e Day ao Dragão

O Brasil é o atual campeão do basquete masculino nos Jogos Mundiais Militares (disputados em 2011 no Rio de Janeiro) e vai rumo ao bi para a edição 2015, em Mungyeong, na Coreia do Sul. Atuam pela Seleção (comandada por Alberto Bial) jogadores profissionais, que fazem parte do Programa de Incorporação de Atletas de Alto Rendimento nas Forças Armadas. Entre eles está o ala Gui Deodato, do Paschoalotto Bauru, que estreou no time no último mês de junho, vencendo o Torneio Regional Militar do CISM (Conselho Internacional de Esportes Militares), disputado em Meyenheim, na França.

Para se tornar Terceiro Sargento do Exército Brasileiro, Gui participou de um processo seletivo. “Ano passado, abriram duas vagas no edital, uma para lateral e uma para pivô. Mandei minha papelada para a análise de currículo. Ganha pontos se já ganhou títulos, jogou pela Seleção… Ganhei de um jogador que não conheço, mas que joga no NBB”, detalha o Batman, que se animou com a possibilidade depois do alistamento do amigo (e ex-colega de Dragão) Fernando Fischer, que também esteve na França, além de conviver com outros oficiais. “Disputei o Sul-Americano com a Seleção [em 2012], convivi com Arthur, Nezinho e descobri que eles também eram do Exército. A partir daí, despertou meu interesse”, conta.

Campeão na França
“Foi muito legal pela convivência. O Arthur é da Seleção, o Nezinho também é uma referência, o Shilton acabou de ganhar o NBB. São grandes caras, líderes em seus clubes. Foi incrível aprender com eles. O campeonato não atingiu o nível que vai ser o do Mundial, mesmo assim, foi bom ganhar. Os jogos eram disputados até o fim, quando a gente tinha mais experiência e malícia para abrir vantagem. Eram jogos sob controle, mas ninguém tirava onda”, explica o ala, que, além da oportunidade na quadra, comemorou principalmente o aprendizado militar fora dela. “Foi uma experiência ímpar, estou muito feliz. Aprendizados pra vida: acordar cedo, barba feita, prestar continência, pedir permissão pra entrar e sair… Eu tiro de letra porque onde chego tento ser humilde. O pessoal gostou bastante de mim”.

Em relação aos Jogos Mundiais, Gui sabe que terá problemas com o calendário. A competição ocorrerá entre 2 e 11 de outubro de 2015 e pode conflitar com a reta final de Campeonato Paulista. “Tem que ser estudado. O clube tem a preferência e vai decidir se vou ou não. Dependendo do momento aqui e se houver acordo com o Exército, posso ir. Sou bom funcionário e faço o que pedem. Estarei feliz aqui ou lá”, avisa.

O NOVO TIME DO BAURU
Está muito claro, pela formação do novo elenco do Dragão, que Gui terá que lutar muito por seu espaço. Começará titular no Paulista, mas, quando Alex Garcia e Larry Taylor voltarem do Mundial, os minutos serão bastante fracionados. Ciente disso, o jogador deu um maduro depoimento ao Canhota 10:

A vinda do Day e do Alex, num primeiro momento, se eu falar que não assustei é mentira. Esperava a vinda do Alex, a do Day eu não sabia. Mas não me atrapalhou. Estou feliz com a vinda deles e enxergo com bons olhos. Tenho admiração pelo estilo de jogo do Day e pela pessoa, porque sei que ele é brigador. Tanto quanto o Alex, que não preciso nem falar, é o Brabo. Sempre foram referências pra mim e estar perto deles vai ser especial. Espero que estejam a fim de me passar muita coisa, porque estou a fim de aprender. Independentemente disso, estou aqui para cumprir meu papel, ajudar o time. Depois, se eu puder chegar no nível desses caras e, se possível, engoli-los, vou ser o sucessor deles. Eu sei que vai diminuir meu espaço, mas o negócio é dançar conforme a música, me adequar ao tempo de quadra e ser campeão com esse grupo. Não adianta nada estar num time que não fosse chegar. Aqui vai acontecer se a gente merecer. O nível de responsabilidade aumentou e vamos trabalhar muito pra isso. O que me interessa é aprender e ser campeão, independentemente dos minutos em quadra. Quero fazer minha função. Se for só pra treinar, vou treinar. Se for pra defender uma bola, vou fazer. Se for pra protagonizar com eles, também estou aí. E, se Deus quiser, ser sucessor desses caras que são exemplo.”

Mais cliques do Sargento Deodato:

Continência na hora do Hino Nacional: ele é o quinto, a partir da esquerda
Continência na hora do Hino Nacional: ele é o quinto, a partir da esquerda
Lance de partida na França: no canto esquerdo, com a camisa 11, observando o chute de Fischer
Lance de partida na França: no canto esquerdo, com a camisa 11, observando o chute de Fischer

Fotos: Reprodução. A lá do topo, é ao lado de Fernando Fischer, Felipe, Luiz Felipe, Shilton, Tiagão e Audrei.

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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