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O desabafo de Fischer

Criticado, capitão Fernando Fischer fala depois da eliminação no Paulista

Depois da derrota no jogo 5 da semifinal para São José, a relação entre o ala e capitão do Bauru Basket, Fernando Fischer, com a torcida bauruense ficou estremecida. Ele foi cobrado na entrada do vestiário, quis tirar satisfação (aparentemente sem esboçar violência) e foi contido. Aí, silenciou-se. Perdeu a vibração habitual, ao completar seus gatilhos de três, nos Jogos Abertos. Nova derrota, novas críticas.

Coube à mãe e à namorada discutirem no Facebook com torcedores. O nível não baixou nas discussões, ainda bem (passou perto), mas a tensão continuou. E o capitão seguia calado. Até ontem. Muitos já se pronunciaram sobre ele ou por ele. Chegou a vez do camisa 14 se manifestar. Ele o fez em entrevista ao Canhota 10. Segue o depoimento:

“Sinceramente, foi a pior fase da minha vida. Primeiro pelas derrotas. A gente não estava achando que estava tudo ganho, mas estava confiante. O time estava coeso. Acho uma injustiça de alguns… Estou há quatro anos aqui dentro. Falar que não sou cara de decisão… Já passamos por grandes jogos importantes, por uma Liga das Américas, onde fui cestinha na maioria dos jogos [dois dos três em Bauru, com média de 21 pontos por partida]. Fui importante para esse projeto e para esse time. Então, é difícil… Há um ano tive problemas por escutar pessoas que não deveria escutar e fiquei bem chateado. A gente é de carne e osso, pô! Mas sempre confiei no meu jogo, jogo basquete há 23 anos e sei o que eu posso fazer. E sei das minhas limitações, não sou o melhor lateral do Brasil. Tenho uma função desde que fui contratado para esse time e tento executá-la da melhor forma possível. Podem pegar as estatísticas do meu aproveitamento e me cobrar. Quando eu vim pra cá, vim para ser reserva. E, hoje, tem uma foto minha e uma do Larry no ginásio. Quem vai ser cobrado seremos nós. E é assim mesmo, a gente adquiriu isso, conquistou uma cidade que acha que a gente pode ser campeão brasileiro. É legal jogar aqui e tem um lado positivo. Mas, com certeza, fiquei bem magoado. Aquela alegria que sempre demonstrei em quadra realmente ficou um pouco de lado, porque chateia… Tem três mil pessoas aqui e dez falam mal de mim… Mas, bola pra frente, eu sou profissional. A gente não pode se abater muito, senão não consegue jogar.”

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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