
Veio o balé, Anoca graciosa como sempre. Emendou o número de capoeira, que já tínhamos combinado que eu não veria. Ainda espiei um pouco, fiz o gesto de coração pra ela e deitei o cabelo na estrada. Eram 9h30. Fui ouvindo o Jornada — parabéns para a Auri-Verde, que potência de sinal, que só sumiu pouco depois de Jafa, na cara do gol. Digo, da cesta. Cesta que seguia balançando pouco pelo lado bauruense, a exemplo do jogo 1… Mais um primeiro quarto desastroso, 25 a 11 para o Flamengo…

No segundo período, eu sem rádio e sem rumo. Consegui a façanha de me perder — sou pior do que o pai da Peppa Pig. O celular me salvou, perdi minutos preciosos e cheguei no intervalo, no escuro, torcendo para o Dragão ter reagido. Parcial de 15 a 14 para o time carioca e um indigesto 40 a 25 para reverter no segundo tempo.
Aí vem mascote dos Suns, dançarinas do Magic, mas ninguém sorri muito. Eu fico boquiaberto com o ginásio cheio e fico imaginando se a final fosse em Bauru… Abraçaram o time, coisa linda. Uma ou outra camisa do MAC, os flamenguistas fazendo sua merecida cantoria. Vem o terceiro quarto e nada muda. Alex, em mais um jogo infeliz, só encontra o aro. Aquelas bolinhas embaixo da cesta não caem. Larry tenta botar fogo no jogo, a torcida acorda, mas o Flamengo erra pouco. Dá-lhe Olivinha e Marcelinho acertando de fora. Incríveis 23 pontos (62 a 39) para o Dragão buscar nos últimos dez minutos.

Quando todos imaginavam que a partida já estava decidida, o pai da Lainey entrou em ação. Um triplo atrás do outro. Até marcado, sofrendo falta (não marcada), ele guardou. Roberdei estava endiabrado. A diferença caiu para dez e o ginásio acordou. “Eu acredito!”, gritou a galera. Agora sim a frase fazia sentido, com os guerreiros com os nervos em frangalhos, sobretudo depois que Day saiu com cinco faltas. Ficou inconsolável, estava com a mão quente e sabia que poderia comandar a reação. Os três últimos minutos passaram voando. Bauru nem usou o artifício de brecar o cronômetro com faltas. A verdade é que o Flamengo foi infinitamente superior, cresceu na hora certa. Começou o NBB7 numa draga só e terminou voando. A fração de 15 a 28 para Bauru serviu para acalmar os corações mais machucados e todo mundo aplaudiu os vice-campeões, confirmado o 77 a 67 e o terceiro título seguido do Rubro-Negro.

Acabou. Um temporada intensa, a maior da história do Bauru Basket. Mas um bolo sem cereja. Um aprendizado. Vejo Larry cabisbaixo, Murilo em lágrimas, Gui idem. Mas nenhum deles como a Lainey. De cortar o coração. Aquela pequena ginasta, que arrancara sorrisos mais cedo, não parava de chorar, agarrada à mão do pai. Fui lá dizer a ela que estava tudo certo, pra ficar orgulhosa do pai, que havia feito um bom trabalho como ela. Que eu ficara encantado com sua apresentação. Don’t cry, Lainey, disse eu. Ela entende o português, é esperta que só, mas achei que na língua materna se sentiria mais confortada. Durante entrevista comigo, Robert disse que joga por ela e pelo irmão, Cooper, que não gostava de vê-la daquele jeito, mas a derrota faz parte do aprendizado.

