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Bauru 1, Franca 1: a batalha da Panela

Direto da Panela

A sugestão do título foi dada pelo furioso Gustavo Lopes (ou seria o gêmeo Felipe? rs) e imediatamente acatada. Foi mesmo uma batalha, sobretudo contra as adversidades. Mesmo com o elenco muito reduzido e exposto a mais contusões pelo nível de esforço em um clássico tenso, o Bauru Basket deu verdadeira demonstração de garra e superou Franca por 86 a 79.

Depois das saídas precoces de Sidão e Detrick e das contusões de Fernando Fischer, Luquinha e, de última hora, Ricardo Fischer, o Dragão ainda sofreu o duro golpe da suspensão preventina de Jeff Agba, por conta de falta cometida em Jhonatan no jogo 1. Resultado: oito atletas em condições, mas, na prática, apenas Mosso preparado para revezar — Nandão chegou a ficar 3min46 em quadra, para ajudar os colegas a descansar.

Na condição de titular, Andrezão respondeu positivamente e jogou em alto nível, com 19 pontos, cinco rebotes e três assistências (uma delas de  costas, coisa linda). Seu parceiro de garrafão, Coleman, assumiu a responsabilidade e foi o grande nome da partida, com 23 pontos convertidos dos 28 que tentou, além de cinco rebotes — quando foi excluído pela quinta falta, a 3min do fim, temi o pior…

Aliás, difícil destacar um ou outro jogador… Todos tiveram que se virar em quadra, correr dobrado, suar muito para manter o placar sob controle. Larry, como sempre, chamou bolas decisivas em momentos cruciais (fez 12 pontos, pegou nove rebotes). Gui mostrou toda a sua vitalidade, jogando os 40 minutos (11 pontos). E Pilar foi Pilar, entrega máxima (19 pontos, sete rebotes).

Vendo o time jogar, conduzindo a bola para o ataque com menos qualidade, trocando passes sem a cadência de Ricardo, dava para temer o pior. Tudo isso foi compensado por uma defesa muito forte, que forçava os erros francanos. E foi uma grande resposta para a manobra jurídica de Franca: a de que jogo se ganha na quadra.

O JOGO

Jeff Agba acompanhou de fora, só na torcida

O primeiro quarto resumiu o que o Bauru Basket teve que fazer a partida inteira: desdobrar-se. Depois de sair perdendo por 0 a 11, conseguiu organizar os nervos, sintonizar o jogo sem Ricardo e ir buscar. Aos trancos e barrancos, fechou o primeiro quarto na frente, 23 a 21. O segundo quarto, puxado para os bauruenses, com banco limitado, enquanto Franca pôde revezar, foi equilibrado e o Dragão conseguiu levar a vantagem para o vestiário: 41 a 39.

Na volta do intervalo, o equilíbrio seguiu total, ninguém conseguiu se desgarrar no marcador — novamente uma parcial empatada (21 a 21). Enquanto os guerreiros se viravam em quadra, fora dela Ricardo Fischer apoiava, catimbava, chamava a torcida, cantava jogadas. E o Ligeirinho vibrou muito quando viu, já no início do último período, Larry e Coleman levantaram a torcida com uma ponte aérea impressionante. Pena que o camisa 24 — excelente partida! — saiu com cinco faltas a 3min do fim… Coube a Andrezão e Mosso brigarem embaixo da cesta nos instantes finais e Pilar dar seu show habitual de entrega em quadra. E se Gui não foi brilhante no ataque, sabe-se o quanto correu na marcação. Enfim, um placar construído com muito, muito suor.

ABRE ASPAS
“É a força do Bauru Basket, a superação. Estou emocionado de ver essa torcida, pena que não pude contribuir. De fora, vendo o jogo de outro jeito, tentei ajudar meus companheiros, que estão de parabéns, jogaram pra caramba!”, comemorou Ricardo Fischer.

“A gente fica nervoso no banco, pede para a torcida empurrar… O time está de parabéns!”, disse Luquinha, outro que compôs o banco para dar uma força.

“Eu sempre me entrego nos jogos, fazendo o que o time precisa. Sobre a ponte aérea, sempre praticamos e, faltando poucos segundos, conseguimos de novo. E espero que o Jeff possa jogar sexta”, comentou Coleman, que ainda não se arrisca no português.

“Um jogo desse é uma aprendizagem para o time. Para mim, por exemplo, foi difícil jogar mais dosado, menos agressivo. Nossa superação é uma prova de que o time não se faz só de um jogador. A gente tem um objetivo a cada jogo, mas não ficamos sonhando, sonhar é perigoso. Vamos realizar!”, avisou o ala Pilar.

“Foi difícil, Franca começou o jogo forte. Depois, ficamos tranquilos, viramos o placar e controlamos. Faz três meses que jogava junto com o Ricardo e tivemos que mudar. Tenho que armar, já fiz isso muito na vida, mas ainda bem que o Pilar leva a bola bem, para me dar um desanso, pois Franca pressiona o jogo inteiro. E a partida é dentro da quadra, cinco contra cinco: vamos buscar outra vitória na sexta”, falou Larry Taylor.

“A torcida veio com o espírito de ajudar a equipe. E ganhou o melhor dentro da quadra. Em cada dificuldade, eu como líder, no lugar de ficar lamentando, propus à equipe algo mais. O grupo também propôs. Todo mundo participando, se dedicando, não só na quadra, mas ajudando, trocando ideias. É melhor ter cinco, seis jogadores da forma como está, do que 12 como estavam no Paulista. Temos que fazer o dever de casa na sexta e jogar a pressão para Franca no quarto jogo”, avaliou Guerrinha.

FOTO10
A seguir, mais alguns cliques da partida:

Ricardo e sua muleta: ele foi um show à parte do lado de fora
Duelo entre amigos: 1 a 1
Coleman e Pilar: duas das almas guerreiras da noite

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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