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A obsessão do Bauru pelo NBB e a demissão de Guerrinha

CANHOTA 10 faz reflexão sobre o episódio da saída de Guerrinha, que ainda mexe com a torcida do Dragão

A demissão de Guerrinha ainda ferve nas redes sociais. Não é para menos, trata-se de uma história de oito anos (contando só a segunda passagem), do único treinador a comandar uma mesma equipe nas sete edições do Novo Basquete Brasil. Além de ser atual vice-campeão intercontinental e brasileiro, campeão das Américas e sul-americano, bi paulista, blá, blá…

A maioria, perplexa, chateou-se, questionou os motivos apresentados e evocou a relação umbilical de Jorge Guerra com o projeto. Também há, em menor número — mas vozes igualmente relevantes —, aqueles que não aprovavam o trabalho do treinador e celebraram a mudança. Por isso o assunto insiste desde a última sexta-feira. Ainda porque a perplexidade alcançou também a mídia especializada, como ilustra este texto de hoje do Bala na Cesta.

Muitos acreditam que essa abordagem que proponho, de suposto viés negativo para o clube, já não cabe mais depois da página virada — o próprio Guerrinha, defensor ferrenho da Associação, reclamaria deste texto… [rs] Mas é a reflexão da crônica esportiva que tem ajudado a diminuir o tamanho dessa interrogação. Porque não é apenas a troca de uma peça no tabuleiro. Foi a troca DA peça. E, sem exagero, foi a criatura se desfazendo do criador. Por isso tamanha comoção. Se tecnicamente está certo ou errado, é outra discussão, só o tempo dirá, mas o comitê gestor sabia o tamanho da bronca dessa decisão. E quem lida com esporte tem que saber que mexe com emoções, reações (positivas e negativas).

Pronto, só molhei o bico até agora, vamos lá. A minha tese (opinião, percepção, dedução embasada) é a de que a obsessão pela conquista do NBB 8 derrubou Guerrinha. Se o elenco precisava de uma revigorada, novos ares, motivação — como disse o diretor técnico Vitinho Jacob ao JC —, significa que não se acreditava que o agora ex-treinador teria condições de levar esse time ao título, que está engasgado após a derrota para o Flamengo em Marília. E tem que ser nesta temporada. O próprio Rodrigo Paschoalotto (presidente do patrocinador máster) disse ao Canhota 10, em agosto, que o pico é agora: “Nosso ápice é nesta temporada. Talvez a de 2016/2017 seja menor do que a de 2014/2015. (…) Temos que ser campeões brasileiros”.

Por que a necessidade do chacoalhão? Porque é claro que havia desgastes entre ele e o elenco. Em maior ou menor grau, só os personagens podem afirmar, mas havia. Suficientes para “tirar o gás” do time, pelo jeito. Igualmente Jorge Guerra não era unanimidade entre diretores. E aqui entra outro elemento que saltou aos olhos, não tem jeito — até pela repercussão da velha guarda do Luso, no Facebook. Com a chegada de Demétrius, amigo de infância de boa parte de membros da diretoria, acabou acontecendo uma “purificação” do Bauru Basket. Saiu uma figura onipresente, praticamente a personificação do Dragão, entrou outra que será mais um e entre os seus. Carisma fracionado, bastidores mais amenos.

A pressão, entretanto, continua. A obsessão está aí.

Nessa quarta (21/out), Demétrius será apresentado, a página será virada. Tem que ser acolhido, apoiado. Vitorioso desde os tempos de jogador, cara com bagagem de Seleção, conhece e respeita a trajetória de seu antecessor e entende o ambiente que o aguarda. E também o tamanho do desafio que assumiu.

 

Foto: Divulgação Fiba Américas

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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