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Noroeste empata mais uma no Paulista

Time perde boas chances de gols e continua sem vencer no campeonato

Norusca teve espaço para criar jogadas e não aproveitou. Foto de Clodoaldo de Silva/Agência Bom Dia (inclusive home)

DE BAURU
ligado no PFC e na 87FM

Em outras circunstâncias, um empate fora de casa seria comemorado. Mas não dessa vez. Ainda se vencer no Campeonato Paulista, que caminha para sua sétima rodada, o Noroeste desperdiçou boa chance de somar três pontos. Melhor em campo – muito pela fragilidade do Paulista – o Alvirrubro desperdiçou gols e segue seu calvário.

É incerto o anúncio de um novo treinador antes da partida de sábado (5/2), contra o Mogi Mirim, no Alfredão. O interino Jorge Saran cumpriu dignamente seu papel e, com três zagueiros, praticamente não sofreu ataques do adversário. Faltou, entretanto, pontaria para os atacantes – talvez aquela “faca nos dentes” na hora de concluir.

Com cinco pontos na classificação, o Norusca deve seguir na zona de rebaixamento. Invicto fora de casa (três empates), falta ao time se impor no Alfredão. Que o Mogi engula esse sapo… Vamos ao jogo:

1º tempo

A partida começa truncada, feia até. Somente aos 15 minutos a torcida se levanta – e em um lance invalidado – quando Hernane, impedido, é lançado na área e conclui raspando a trave. O bandeira para a jogada.

Aos 19, a já característica falha de Matheus. O zagueirão erra a saída de bola, Hernane rouba, avança e arremata forte, de canhota, com perigo.

Cinco minutos depois, a primeira boa chegada do Noroeste – que a partir daí domina o jogo. Ricardinho lança Márcio Gabriel na direita, que cruza rasteiro para Diego; o camisa 9, na cara do gol, chuta pra fora. O mesmo Diego perde em lance parecido dois minutos à frente: ele recebe cruzamento de Aleílson e, na pequena área, é travado pelo zagueiro.

Diante de um inofensivo Paulista, o Alvirrubro aperta novamente aos 33, quando Aleílson avança, corta o zagueiro, mas chuta franco, facilitando a vida do goleiro Cristiano. No minuto seguinte, o camisa 11 noroestino volta a atacar pela esquerda, mas chuta de bico pra fora. Em sua última chegada no primeiro tempo, aos 43, Gleidson recebe na área e chuta cruzado à esquerda do camisa 1 do Paulista.

2º tempo

A etapa complementar recomeça da mesma forma, com o Noroeste atacando. Logo aos sete, em escanteio cobrado por Ricardinho, Da Silva cabeceia para defesa de Cristiano.

O Paulista reage. Nas duas oportunidades, André Luis defende: aos 11, em cobrança de falta de Baiano; aos 14, em chute de Hernane.

O Norusca volta a perder chances. Aos 24 minutos, Márcio Gabriel chuta por cima após jogada de Rafael Aidar (substituto de Diego). Quatro minutos depois, o lance mais incrível: Aleílson rouba a bola, avança, dribla Cristiano e perde o tempo do chute; o camisa 11 volta a ciscar na frente do goleiro, mas é desarmado…

A partir daí, a partida fica truncada. E o Noroeste, que até merecia vencer, quase volta com mais uma derrota quando, aos 43, Fabiano conclui por cima jogada de João Paulo. Após o apito final, vaias.

Pós-jogo

Ao microfone do repórter Jota Martins, da 87FM, o técnico Jorge Saran elogiou os jogadores, afirmando que o Noroeste fez um partidaço. Exageros à parte, numa coisa ele tem razaão: o time foi pouco ameaçado. Mas poderia ser melhor…

Segundo a reportagem do Bom Dia Jundiaí, houve confusão nas cadeiras numeradas do estádio Jayme Cintra, com torcedores hostilizando membros da diretoria do Paulista – fala-se em supostas agressões físicas. Sem vencer a quatro jogos, o Galo da Japi também está em crise.

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Noroeste chegou sem entusiasmo até a quinta rodada

Atleta do time revelou apatia de diretoria e jogadores ao jornalista Júlio Penariol, do Bom Dia

Minutos após a goleada aplicada pelo Americana no Noroeste (5 a 1), nada de cobranças no vestiário. Silêncio total entre os jogadores e, não necessariamente, por constrangimento. Nem todos no grupo têm a dimensão da oportunidade de se sair bem  neste campeonato. Essa foi a impressão que teve o jornalista Júlio Penariol, do Bom Dia Bauru – como relatou na edição de ontem (1/2) no programa Bom Dia na Arquibancada.

Júlio conversou com um atleta do Alvirrubro que revelou a apatia pelos lados do Complexo Damião Garcia até o vexame de sábado à noite. Segundo o jogador, ninguém da diretoria foi até o vestiário cobrar. Entre os colegas de elenco, disse perceber comodismo em alguns – nem todos têm a ambição de disputar um Brasileirão Série A, por exemplo. O boleiro disse ainda que, fosse em outro clube, não poderia sair de casa naquele sábado, tamanha a cobrança que receberia na rua. Em Bauru, pode ir jantar tranquilamente e passou batido. Literalmente, disse que o time não está jogando com “a faca entre os dentes”.

O mesmo aconteceu com o demitido Luciano Dias, que foi visto em uma pizzaria na noite do dia 29/1. Sem o peso nos ombros – e provavelmente já assediado pelo pessoal do Red Bull Brasil -, pode se despedir de Bauru degustando um bom chope…

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Pet, aos 43: Fla tri estadual em 2001

Para comemorar os dez anos do golaço de Pet, a seção Na Gaveta relembra texto do jornalista Fernando BH originalmente publicado na revista Tributo Esportivo Edição Histórica 6, da Editora Alto Astral.

MAIS UMA ESTRELA E… VICE DE NOVO!

Por Fernando BH

Havia muita coisa em jogo naquela tarde de maio. Para o Vasco, a chance de livrar-se da sina de vice, pois não vencia os rubro-negros numa decisão desde 1988 – a goleada de 5 a 1 pela Taça Guanabara de 2000 foi válida pela última rodada do turno, que era disputado em pontos corridos, mesmo caso da Taça Rio de 1999. Para o Flamengo, a chance de bordar a quarta estrela na camisa (cada uma delas corresponde a um tri carioca – critério abandonado em 2004, quando ficou apenas a dourada do Mundial).

Some à atmosfera do Maracanã a vitória do Vasco na partida de ida, a ausência de Romário, contundido, o carisma de Zagallo, a falastrice de Eurico Miranda… Do lado flamenguista, Edílson, artilheiro do campeonato, e seu desafeto, Petkovic, o articulador das jogadas. Do lado vascaíno, a velocidade de Juninho Paulista e Euller e o oportunismo de Viola.

O Vasco começou melhor a partida e poderia ter confirmado o título não fossem duas importantes defesas de Júlio César. Primeiro, defendendo chute de Juninho, que arrancou do meio-campo driblando a defesa do Mengo. Depois, cara a cara com Viola, salvou com o pé esquerdo. A história começou a mudar quando Cássio recebeu de Beto na área e, ao cortar Clébson, levou a rasteira. Edílson converteu o pênalti. Juninho, porém, levou seu time tranquilo para o vestiário, ao empatar aos 40, completando jogada de raça de Viola, numa bola aparentemente perdida.

No intervalo, o Velho Lobo deve ter batido um papo com seu protetor, São Judas Tadeu.

Só pode ter sido o padroeiro das causas perdidas quem inspirou os inimigos íntimos a se entenderem em campo: Petkovic ciscou pela esquerda e cruzou na medida para o Capetinha completar de cabeça. Faltava um para o título, mas o Vasco se impôs. Novamente o santo agiu, soprando a cobrança de falta de Juninho – sempre ele – que parou no travessão. E, certamente, concedeu poderes celestiais a Júlio César, que operou milagre em finalização de Euller.

Mesmo próximo o fim do jogo, os vascaínos ainda não gritavam “É campeão” a plenos pulmões. A prudência ganhou sentido quando Edílson sofreu falta na intermediária. Praticamente do mesmo lugar em que Rodrigo Mendes fez o gol do título de 1999, o que sugeria um chute forte, talvez de Beto. Mas coube a Pet lembrar Zico, encobrir a barreira e colocar a bola no ângulo. Foi o décimo gol de falta dele com a camisa 10 rubro-negra. Hélton se esticou todo, mas, essa nem São Judas Tadeu pegaria.

FLAMENGO 3 x 1 VASCO
Maracanã, no Rio de Janeiro-RJ – Final do Campeonato Carioca 2001 – Árbitro: Léo Feldman – Público: 60.038 – Gols: 1ºT: Edílson (23), Juninho Paulista (40); 2ºT: Edílson (8), Petkovic (43).
Flamengo: Júlio César; Alessandro (Maurinho), Fernando, Juan e Cássio; Leandro Ávila, Rocha, Beto (Jorginho) e Petkovic; Reinaldo (Roma) e Edílson. Téc: Zagallo.
Vasco: Helton; Clébson, Odvan (Geder), Alexandre Torres e Jorginho Paulista; Paulo Miranda, Fabiano Eller, Pedrinho (Jorginho) e Juninho Paulista; Euller e Viola (Dedé). Téc: Joel Santana.

Depoimento: em entrevista ao colega Marcelo Ricciardi, Pet declarou que só se deu conta da importância do gol depois de algum tempo. “Até hoje aqueles momentos passam pela minha cabeça como se fosse um filme. Já joguei em outros clubes com torcedores fanáticos, mas a torcida do Flamengo foi além disso. Sei que todos eles terão sempre um carinho muito grande por mim.”

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Vitória para concretizar evolução

Noroeste encara Bragantino, que tem retrospecto melhor nos confrontos pelo Paulistão; dúvida na lateral-direita: Júlio César ou Gustavo?

Pela quarta rodada do Paulistão 2011, o Noroeste busca sua primeira vitória nesta quarta (26/1). A partida contra o Bragantino no Alfredão, às 17h, deverá ter público reduzido, mas o fator casa terá que prevalecer, pois, apesar da invencibilidade (três jogos, três empates), o Alvirrubro ocupa a incômoda 15ª posição na tabela.

Dúvida na direita: Júlio César ou Gustavo Henrique? Foto de Diogo Carvalho/ECN

Com a suspensão de Márcio Gabriel, expulso contra o Corinthians, Luciano Dias deixou no ar a dúvida de seu substituto na lateral-direita. De qualquer forma, será no improviso: ou o volante Júlio César, ou o lateral-esquerdo Gustavo Henrique. Há uma pista, pelos jogadores relacionados: a presença de França no banco. Desde a estreia, Luciano Dias tem sido bem pragmático na formação dos suplentes: há sempre o goleiro, claro, um zagueiro, um lateral, um volante, um meia e dois atacantes. Portanto, com o volante França como opção, Júlio César deverá vestir a camisa 2.

Com o retorno de Otacílio Neto, outra dúvida: Vandinho ou Thiago Marin permanece no time? Eu ficaria com Thiago, que equilibrou o meio-campo. Mas, até pela característica do adversário, muito defensivo, Vandinho será a flecha que poderá furar o bloqueio do Bragantino. Aguardemos.

Retrospecto
Noroeste e Bragantino se enfrentaram 12 vezes na história do Paulistão. E a vantagem do Massa Bruta da terra da linguiça é massacrante: sete vitórias do time alvinegro, três empates e apenas dois triunfos noroestinos. O Norusca marcou dez vezes e o Braga, 17. No Alfredão, o Alvirrubro não ganha desde 1993 e houve três empates recentes (1 a 1 em 2006, com gol do ex-noroestino Gileno; 1 a 1 em 2008; 0 a 0 em 2009); a última vitória do confronto foi do Bragantino, em 2007 (2 a 1, em Bragança Paulista).

Fotos na homepage: Diogo Carvalho/ECN

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Parabéns, glorioso Norusca!

Reproduzo aqui texto publicado hoje (1/9) no jornal Bom Dia Bauru, que resume meu respeito e minha admiração pelo Esporte Clube Noroeste.

Genótipo e fenótipo

Peço licença para falar do centenário Esporte Clube Noroeste. Licença porque não sou bauruense, não nasci de linhagem alvirrubra. Entretanto, recorde as aulas de biologia, caro leitor.

Genótipo é o conjunto de genes, de nossas características hereditárias, nosso código de barras. Por essa teoria, sou torcedor do Ituiutaba (atualmente na Série C nacional), natural que sou de cidade homônima, do Triângulo Mineiro. Entretanto, não passava de um time amador quando de lá saí, há quase 14 anos.

Voltemos à biologia. Fenótipo: o resultado da interação do código genético com o ambiente. É aí que meu coração ganhou o carimbo noroestino. Passou a pulsar no descompasso desse time errante, um ioiô que testa cardíacos com seu sobe-desce, da elite à segundona, do inferno ao céu – parêntese para a geografia: céu que nessas coordenadas do Centro-Oeste paulista é o melhor ambiente do voo a vela e endereço do mais belo pôr do sol que já vi.

A paixão pelo Noroeste, porém, não me pegou de súbito. A nova vida universitária me ocupava – estudante demora a interagir de verdade com a cidade, a comunidade, muitos vão embora sem comer o legítimo sanduíche e mal sabem o que há depois da Rodoviária.

A princípio, achava graça do nome da dupla de ataque: Petróleo e Tequila. Interessava-me mais torcer para que o clube retornasse à elite para ver grandes times de perto. Pé frio: em 1999, o Norusca caiu para a A3. Enquanto o time vivia no limbo da Terceirona, eu estudei, namorei, formei-me jornalista, casei e finquei minha estaca por aqui. Hoje, arrependo-me de não ter estado ao lado do time naquelas horas difíceis, quando agonizava num sucateado Alfredo de Castilho, como um doente terminal. É nesses momentos que se forja o melhor dos torcedores.

Pelo menos, quando o Corinthians veio a Bauru para o retorno do clube à elite, em 2006, eu já não queria mais ver time grande. Grande era o Norusca! Já sentira o prazer de subir aos trancos e barrancos – sofrido como tem que ser – e até de ser campeão, na emblemática Copa FPF. Já estava contaminado, meu sangue era, de fato, rubro.

A partir dali, os heróis noroestinos ganharam herdeiros. Fabiano Paredão lembrou Amélio. Bonfim é tão longevo quanto Xandu. Marcelo Santos foi vigilante no lado esquerdo como Gualberto. O capitão Hernani (que está de volta!) honrou Lorico. Lenílson engraxaria as chuteiras de Ranulfo, mas por cinco meses triunfou pela meia-esquerda. Baroninho e Chico Spina teriam problemas em apostar corrida com Otacílio Neto pela ponta. Zé Carlos, o mais recente dos goleadores, foi guerreiro como Toninho na última Série A2.

Eu, como disse, não sou herdeiro de noroestino. Não assino Pavanello, Brandino, Grillo, Souto ou Perazzi. Mas já rasurei meu código de barras. E sou grato por ter sido acolhido por Bauru, berço desse glorioso time de futebol.