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De olho na liderança, Murilo garante vitória de Bauru sobre o Palmeiras

Em jogo complicado, o pivô conduziu Bauru na virada sobre o Palmeiras, em busca da liderança do Paulista

A história deste jogo começou no sábado. O líder São José perdeu, em casa, para o Pinheiros (92 a 84). Agora, para quem não entendeu tamanha vibração de Bauru quando perdeu para os joseenses na Panela, está explicado: no saldo de cestas, garantiu vantagem no confronto direto e, se vencer todos os compromissos ao final da primeira fase, empata em pontos com a Águia e termina em primeiro. SE vencer. O primeiro foi um sufoco, a vitória veio depois de perseguir o Palmeiras durante quase todo o tempo — mas deu certo, 89 a 84. Como de costume no Campeonato Paulista, Murilo empurrou o time. Agora, XV de Piracicaba (fora, na terça) e Franca (em casa, na quinta) são os alvos em busca do primeiro lugar — para pegar o próprio Palmeiras, já definido em oitavo. Se ficar em segundo, Bauru poderá pegar Franca ou Liga Sorocabana. Mas, um jogo de cada vez. Por enquanto, tudo certo. No sufoco, mas tudo certo.

O jogo
Com apenas o barulho da vibração das próprias equipes, a partida começou quente, apesar da frieza das arquibancadas vazias. Começou equilibrada, mas logo o Palmeiras explorou contra-ataques e abriu vantagem, o que provocou bronca em pedido de tempo de Guerrinha, relembrando os guerreiros que eles é que tinham objetivos na quadra. Assim, deu tempo de correr um pouco atrás do prejuízo e terminar o primeiro quarto quatro pontos atrás (23 a 27), com preciosa bola de Barrios no estourar do cronômetro.

No começo do segundo período, Bauru tratou logo de buscar a virada e abrir vantagem, que veio em duas bolas de três seguidas de Larry Taylor. Mas o Verdão buscou o empate (36 a 36) a 4min do fim e novamente a dianteira, 38 a 41, numa fração (vencida pelos guerreiros por 15 a 14) que contou com Mathias e Fernando Fischer no revezamento.

No intervalo, o técnico Guerrinha lamentou, ao microfone do Jornada Esportiva, a falta de intensidade da equipe. “Vamos deixar o ‘ufa’ para domingo que vem, depois desses três jogos importantes”, comentou.

No reinício do jogo, o Dragão continuou a perseguir os palmeirenses, mas bolas perdidas seguidas comprometeram essa caminhada e renderam mais bronca de Jorge Guerra. Entretanto, apesar de inconstantes, os alvilaranjas conseguiram manter o placar sob controle, apostando na noite mais inspirada de Murilo e Fabian Barrios. Foi para o quarto final tendo que buscar cinco pontos (57 a 62, fração de 19 a 21).

O quadro seguiu o mesmo no último período, erro aqui, bola do Palmeiras lá. Cada vez que Bauru remava, os donos da casa abriam de novo. Somente a 4min do término do jogo é que o time acordou de vez. Até então muito dependente de Murilo, Larry e Tischer reapareceram e o Dragão, finalmente, virou — claro que, também, com cestas do Murilaço. De repente, as bolas alviverdes pararam de cair, na hora certa. Com um quarto poderoso (32 a 22), o Dragão fechou a fundamental vitória por 89 a 84.

Abre aspas*
“Um jogo importantíssimo pra gente. O time está se encaixando, rodando mais e se acostumando ao novo revezamento — com o Fernando de volta, o Fabian bem, mas sentimos falta do André. O Guerrinha acertou nas trocas no fim da partida, todos puderam descansar, pois estamos numa sequência forte. Eu joguei a Sul-Americana com corte no pé, dedo quebrado, mas a vontade de ser campeão é maior do que tudo”, revelou o pivô Lucas Tischer.

“Apesar de não ter jogado bem, uma equipe grande ganha. Foi o que aconteceu conosco hoje. Foi um jogo chato e nosso time demorou a acordar. No final, nosso banco vibrou junto e nos ajudou. Contra o XV, não podemos jogar igual hoje. É um time complicado. Estão todos de parabéns, mas ainda não alcançamos nosso objetivo. Agora é concentrar, descansar e vamos com tudo”, falou o craque Murilo.

“O Palmeiras jogou no nosso erro, no contra-ataque. Deixamos eles gostarem do jogo. Se tivéssemos a qualidade técnica da última quinta, teríamos ganhado de 30 pontos e revezado mais, até o Hudson e eu jogaríamos. Tive que brigar, motivar os jogadores, mas está tudo certo. Era nítido que faltava energia aos jogadores, até porque jogar sem torcida é a pior coisa para eles. Agora, tem que buscar no fundo da alma o primeiro lugar nesses dois jogos restantes”, comentou o técnico Guerrinha.

*entrevistas ao repórter Arthur Salles (Auri-Verde/Jornada Esportiva)

Números
Murilo Becker: 28 pontos, 16 rebotes
Larry Taylor: 16 pontos
Fabian Barrios: 14 pontos
Lucas Tischer: 13 pontos, 9 rebotes

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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