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O Teorema do Barcelona

Por Deivide Sartori

Nos últimos três anos, o Barcelona não terminou um jogo sequer com menos posse de bola que seus adversários. Tal fato já demonstra a superioridade do futebol praticado pelo time da Catalunha. Posse de bola, porém, não implica vitória certa. O que se faz durante essa posse, sim. E aí está um aspecto que revela a unicidade do Barça atual. Com o domínio da bola, Messi e companhia jogam em triângulos e deixam as parábolas como as opções únicas para o jogo dos adversários. Mas o que esse papo geométrico tem a ver com futebol?

Resposta: amigos(as), os triângulos são inabaláveis. No caso do Barcelona, são onze vértices em movimento e revezamento contínuo na criação de jogadas triangulares. Para os comandados de Pep Guardiola, a distância mais curta entre as duas áreas não é o chutão parabólico e a esmo da zaga em direção ao ataque. Evita-se isso a todo custo. Basta ver como a equipe cobra suas faltas e tiros de meta – nada de parábolas. Sua aula de futebol é sobre triângulos: equiláteros, isósceles, escalenos, com ângulos agudos, retos, obtusos, enfim, versatilidade absoluta sob a regência dos mestres Xavi, Iniesta e Messi. Este, aliás, é aquele que possui autonomia e, sobretudo, qualidade para traçar linhas que fogem de qualquer lógica.

Na final do Mundial de Clubes, o Santos teve sua aula particular. Com todo o rigor euclidiano, a demonstração azul-grená fez com que os jogadores santistas parecessem pontos dispersos no retângulo verde da sala de aula. Mais uma vez, o teorema que afirma que, para se chegar aos gols, os pequenos triângulos são mais eficientes do que as grandes parábolas foi demonstrado. Mas nada de lamentação, torcedor(a) santista. O Santos, logicamente, tem bom futebol e não vive somente de parábolas. O fato é que, nos últimos três anos letivos, a lição do Barça acontece invariavelmente e seja qual for o oponente. E foi bonito o reconhecimento da derrota pelo melhor aluno alvinegro: Neymar disse “tomamos uma aula de futebol”.

Finalmente, eis o óbvio: é necessário algo de outro mundo para vencer a melhor equipe do mundo. Nesse caso, Pelé e Coutinho, os pais da matéria triangulação, seriam ideais.

Deivide Sartori é estudante de Jornalismo da Unesp/Bauru

Se você estuda Jornalismo é quer publicar textos nesta seção ‘Fala, universitário!’, entre em contato: fernandobh@canhota10.com

Fórmula 1: situação complicada para os brasileiros

Por RENATO DINIZ

A corrida monótona em Interlagos encerrou uma das piores temporadas de Fórmula 1 para os pilotos brasileiros. Embora os primeiros pontos de Bruno Senna façam reacender a esperança de um novo talento nacional na categoria, o ano termina sem que um brasileiro subisse no pódio. Algo que não aconteceu, por exemplo, em 1997 ou 1999, quando o único brasileiro com reais chances de pontuar era Rubinho numa modesta Stewart. Nada que se compare a oportunidade que Felipe Massa teve com uma Ferrari.

A Ferrari não teve qualquer chance de bater a Red Bull, ou mesmo de superar a McLaren, mas seu piloto número um Fernando Alonso subiu no pódio dez vezes, em uma delas no lugar mais alto. Massa, por pouco, não foi superado pelo alemão Nico Rosberg, da Mercedes.

Diga-se de passagem, esta foi uma temporada de muitas ultrapassagens, mas de pouca rotatividade nas três primeiras posições. Apenas sete pilotos receberam troféus em toda a temporada (Vettel, Button, Alonso, Webber, Hamilton, Petrov e Heidfeld).

E de nada adiantou Vitaly Petrov e Nick Heidfeld subirem ao pódio. O russo ainda é dúvida para seguir na Lotus Renault e o alemão sequer correu até o fim do ano, tendo sido substituído por Senna. Agora, o brasileiro corre por fora na disputa por uma vaga na equipe. Kimi Raikkonen foi confirmado para 2012, Kubica em breve retorna às pistas, Petrov deve fazer de tudo para continuar e Adrian Sutil já foi cotado para vaga.

Está sobrando piloto para poucos carros. Até por isso, Rubens Barrichello tem um caminho complicado para seguir na categoria em 2012. São grandes as chances de que o GP do Brasil tenha sido o último de sua carreira.

RENATO DINIZ colaborou com o Canhota 10 na seção Fala, universitário! com brilhantes textos sobre a Fórmula 1. Agora, é jornalista graduado pela Unesp e segue seu rumo – certamente brilhante. Agradeço a disponibilidade, o capricho e desejo sucesso ano novo colega. Valeu, Renato!

Quem é quem no futebol brasileiro: balanço dos pontos corridos

Por Arthur Sales

A era dos pontos corridos modificou a organização dos clubes no Brasil. Melhor planejamento e regularidade passaram a ser premiados e, enquanto antes da nova fórmula era muito difícil fazer prognósticos, agora podemos tentar escolher os cinco, seis candidatos sem dar um total tiro no escuro. No Brasil, existem no mínimo 12 grandes equipes (quatro paulistas, quatro cariocas, duas mineiras e duas gaúchas) que em uma fórmula de mata-mata podem crescer e faturar o caneco. Nos pontos corridos, a situação é outra e o que já se pode enxergar nesses oito anos de disputa (estamos prestes a conhecer o nono campeão dos pontos corridos) é que alguns desses grandes se consolidaram entre a real elite do futebol brasileiro:

Os seis melhores ano a ano desde os primeiros pontos corridos

2003 2004 2005 2006
1º Cruzeiro  Santos Corinthians São Paulo
2º Santos Atlético Paranaesnse Internacional Internacional
3º São Paulo São Paulo Goiás Grêmio
4º São Caetano Palmeiras Palmeiras Santos
5º Coritiba Corinthians Fluminense Paraná
6º Internacional Goiás Atlético Paranaense Vasco
2007 2008 2009 2010
1º São Paulo São Paulo Flamengo Fluminense
2º Santos Grêmio Internacional Cruzeiro
3º Flamengo Cruzeiro São Paulo Corinthians
4º Fluminense Palmeiras Cruzeiro Grêmio
5º Cruzeiro Flamengo Palmeiras Atlético Paranaense
6º Grêmio Internacional Avaí Botafogo

São Paulo, Internacional e Cruzeiro são os mais regulares desde 2003. O Tricolor tem seis aparições no top 6, ficou de fora em 2005 (ano do título da Libertadores) e no ano passado. Inter e Cruzeiro têm cinco aparições, ficaram apenas três vezes fora do top 6. Nesse período, além da regularidade no Brasileirão, o Inter trouxe duas Libertadores para casa.

No segundo pelotão do futebol brasileiro, na era dos pontos corridos, aparecem Santos, Grêmio e Palmeiras. Destaque para o Alvinegro praiano, que além de ter quatro presenças no topo da tabela, conquistou uma Copa do Brasil e uma Libertadores.

Flamengo, Corinthians e Fluminense estiveram entre os seis melhores em três ocasiões e foram campeões da Copa do Brasil. Outro que esteve três vezes na parte de cima da tabela foi o Atlético Paranaense.

O Goiás, que está na Segundona, apareceu em 2004 e em 2005, enquanto Paraná, Avaí, São Caetano e Coritiba tiveram seus 15 minutos de fama com uma aparição. Vasco e Botafogo que ressurgem de dois anos para cá, também chegaram no top 6 uma vez nos últimos oito Brasileiros.

Número de presenças no top 6:
6  São Paulo (+ 1 Libertadores)
5  Internacional  (+ 2 Libertadores) e Cruzeiro (+ 1 Copa do Brasil)
4  Santos (+ 1 Libertadores + 1 Copa do Brasil), Grêmio e Palmeiras
3  Fluminense (+ 1 Copa do Brasil), Flamengo  (+ 1 Copa do Brasil), Corinthians  (+ 1 Copa do Brasil), Atlético-PR
2  Goiás
1  Vasco (+ 1 Copa do Brasil), Botafogo,Paraná, Avaí,São Caetano e Coritiba

São Paulo, incontestável
O São Paulo é o grande clube brasileiro da era dos pontos corridos, quando não ganhou estava ali e, quando não esteve ali, é porque estava lá, em Yokohama, conquistando o mundo. Nunca terminou um Brasileiro, desde 2003, na metade de baixo da tabela.

Internacional, o segundo
O Inter segue a mesma linha do São Paulo, sempre com bons times, com um pequeno desvio de rota em 2007, quando foi o 11º. Lembrando que o Inter foi o único brasileiro duas vezes campeão da Libertadores nesse período.

Palmeiras e o jejum de títulos
Santos, Grêmio, Palmeiras, Corinthians, Flamengo e Fluminense são os outros grandes que fazem bem o seu papel, nem sempre estão por lá, o que é absolutamente normal em um cenário com muitos outros fortes adversários – a oscilação é inevitável. Se analisarmos que o Palmeiras esteve tantas vezes entre os seis melhores quanto Santos, mais do que Corinthians, Flamengo e Fluminense e MUITO mais do que o Vasco (esses todos já puderam gritar É CAMPEÃO de 2003 para cá), é de se estranhar que o Alviverde esteja tanto tempo sem ganhar nada. Estar entre os seis melhores do Brasil significa ter uma equipe de respeito que faz frente a qualquer outra do país e da América do Sul. Ou falta sorte e competência na hora de decidir ou o extracampo atrapalha muito os jogadores do Palestra. Se tiver que escolher uma, fico com a segunda.

A verdade sobre os Atléticos
O maior Clube Atlético do Brasil é o Paranaense, não o Mineiro. O Furacão vira e mexe esta aí, foi vice em 2004, chegou à final da Libertadores em 2005 e foi quinto colocado no brasileiro do ano passado. Tudo bem que briga diretamente com o Galo para não cair em 2011, mas isso não é nenhum absurdo, e diga-se de passagem já aconteceu com o Alvinegro em 2005. Além do rebaixamento em 2005, o Alético Mineiro não tem sequer uma presença entre os seis melhores do país desde que a era dos pontos corridos começou. É um time que se consolida ano a ano como não-força do futebol brasileiro, apesar da apaixonante torcida.

Arthur Sales é estudante de Jornalismo da Unesp/Bauru, colaborador da webrádio Jornada Esportiva e edita o blog Doente 91

Dan Wheldon

Por Renato Diniz

A etapa de Las Vegas da Fórmula Indy acabou manchada por uma tragédia – a morte do campeão de 2005, Dan Wheldon. Isso me faz pensar o quão insensato é usar o termo “tragédia” para falar do Maracanaço de 1950 ou da eliminação do Brasil para a Itália, em 1982. São derrotas tão comuns ao esporte e que nada se assemelham ao uma morte.

O acidente está entre a falta de segurança e a fatalidade. O destino no fato de a batida ter vitimado justo o piloto convidado, que estava no fundo do grid. Mas por mais que existam proteções na mureta no circuito oval, e por mais que os carros obedeçam parâmetros de segurança, o mega-acidente envolvendo quinze carros poderia ter matado outros pilotos. Basta dar uma olhada nas imagens para perceber isso.

A Fórmula Indy é muito insegura. É o que comprova o saldo de morte de 1999 para cá. Greg Moore, Paul Dana, Tony Renna e Gonzalo Rodrigues perderam suas vidas, os três primeiros em circuitos ovais. No comparativo inevitável com a Fórmula 1, de 1994 (quando morreram Senna e Roland Ratzenberger no mesmo fim de semana) para cá, nenhum piloto morreu.

Depois do Grande Prêmio de Imola, pilotos, torcida e organizadores ficaram sensibilizados pela morte de Ayrton Senna. Foi preciso um fim de semana trágico, com a morte de um tricampeão, para que medidas de segurança fossem imediatamente tomadas.

Não se pode dizer que a categoria comandada pela FIA seja à prova de fatalidades. Por muito pouco – pouco mesmo – Felipe Massa não perdeu sua vida na Hungria em 2009, e em muitos outros acidentes um detalhezinho, como uma mola ou um pedaço de carro voando, poderia encurtar a carreira de algum piloto.

Mas não é o acontece na Indy. Não são detalhes. Os carros correm em circuitos inclinados, o que os torna uma flecha em potência contra o muro se alguma coisa der errado. A velocidade passa de 330 km/h e mais de trinta carros dividem a pista em infinitas relargadas.

Critica-se o exagero de regras da F1, responsável por tornar as corridas chatas, o que realmente aconteceu em 1996 e 1997. Mas isso se deu por causa de vários fatores e basta lembrar que 2011 teve corridas espetaculares e nenhum acidente mais grave.

Espera-se que a morte de piloto prestigiado sirva de lição para o automobilismo norte-americano pisar no freio.

Para homenagear a carreira do piloto inglês Dan Wheldon, fica a frase/trocadilho que seus engenheiros gritavam quando ele vencia corridas: “Well done!” (Bom trabalho!).

Renato Diniz é estudante de jornalismo da Unesp/Bauru, estagiou na 94FMm e hoje comanda o Vanguardão da rádio Jovem Auri-Verde

Análise do GP da Bélgica

Como foi a 12ª etapa do Mundial de F1, vencida por Vettel

Por Renato Diniz

O problema não é largar nas primeiras posições ou no fim do grid. A complicação está em largar no meio do pelotão. Esse ensinamento atribuído a Ayrton Senna (pelo menos segundo Galvão Bueno) não foi passado ao seu sobrinho Bruno Senna. Isso em Spa, onde a “reta” de largada é um curva, seguida de mais outra, é informação valiosa.

Logo em sua primeira corrida na Lotus-Renault, o brasileiro se atrapalhou e acertou em cheio Jaime Alguersuari, que, com toda razão, revoltou-se. Mas é o esporte. Bruno foi punido com uma parada nos boxes para trocar o bico e com uma passagem pelo mesmo local como punição dos comissários, capitaneados por Nigel Mansel.

O erro e o 13º lugar não apagam sua boa participação nos treinos e nem põem em risco seu retorno à principal categoria do automobilismo.

No pelotão da frente, Sebastian Vettel voltou a vencer depois três corridas “apenas” entre os cinco primeiros (Alemanha, Hungria e Inglaterra). A corrida foi marcada pela instabilidade dos pneus, já castigados na longa volta de classificação do sábado. Isso, somado ao recurso da asa móvel e ao fato de vários pilotos de equipes de ponta terem largado atrás, fez com que a corrida da Bélgica fosse intensa, com várias trocas de posição e de liderança: Alonso, Vettel, Webber e até Rosberg estiveram na ponta. Aliás, 40% do desempenho de Nico foi graças à sua largada.

Não foi só Bruno que errou. Hamilton exagerou na dose na briga por posições com Kobayashi e acabou levando a pior. Batida forte com direito a instantes de apreensão, já que Lewis não se mexia. Só um susto.

O domingo também não foi bom para Massa, que fez uma prova apagada. Mesmo que seu pneu não furasse nas últimas voltas, ele não passaria de um quinto lugar, atrás até da Mercedes, em tese mais fraca.

A grande atuação foi de Button e Schumacher (Alonso, talvez, pela agressividade e precisão). Os dois saíram do fim da fila para ficar no Top 5.

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O domínio da Red Bull é claro, mas não é tão grande. Sempre que vence, o carro da equipe dos energéticos crava de 5 a 10 segundos de vantagem para quem vem atrás – méritos de McLaren e Ferrari. Nada mal, mas num esporte como esse, uma saída de pista e um pneu mal trocado mudam tudo.

Renato Diniz é aluno do quarto ano de Jornalismo da Unesp de Bauru e comanda o Vanguardão, da rário Jovem Auri-Verde (760AM).
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Ótima análise do GP da China

Por Renato Diniz

Difícil lembrar de uma corrida tão empolgante quanto essa da China, no último dia 17 de abril. Ainda mais se formos considerar que não teve chuva (essa agente natural embaralhadora de posições). Tenho que admitir que as mudanças no regulamento da Fórmula-1 foram responsáveis pela ótima disputa. Isso porque critiquei a pouca resistência dos pneus, obrigando pilotos a fazer várias paradas, o que na teoria deixava as corridas incompreensíveis e chatas.

Na China, as equipes estavam mais preparadas para contornar o desgaste dos pneus. Resultado: diferentes estratégias e um resultado imprevisível. Além disso, a facilidade em ultrapassar (que veio com o novo regulamento) também motiva os pilotos a brigarem por posições: “Bom, eu vou parar na próxima volta, mas se estou bem mais rápido que o piloto da frente, porque não ultrapassar?”. Suponho que esse tenha sido o pensamento de vários competidores, já que foram muitas as disputas por posição de quem estava prestes a entrar nos boxes.

Por falar em boxes, a vitória de Hamilton em Xangai pode ter acontecido graças a um erro no pit. E dessa vez não foi um erro da equipe. Jenson Button, da McLaren, brigava pela vitória até entrar na área de pit stop da Red Bull. Os mecânicos da equipe austríaca não entenderam nada e recuaram. Não é a primeira vez que isso acontece com o time dos energéticos. Em 2008, Jaime Alguersuari fez a mesma coisa, mas com a justificativa de sua equipe ser a Toro Roso, irmã mais nova da RBR.

Já o alemão Sebastian Vettel viu que não basta ter um carro impecável se os pneus não estão no melhor ponto. Não teve como segurar a ponta, e Hamilton sagrou-se vencedor. Além do desgaste dos pneus, o alemão enfrentou problemas na comunicação via rádio com sua equipe, o que pode ter complicado sua atuação. Ele ainda é o líder, mas agora sabe que tem uma McLaren no seu encalço.

Já Mark Webber, o australiano da Red Bull, fez uma fantástica corrida de recuperação e subiu ao pódio mesmo depois de largar em 18º. Terminar em quinto ou sexto não era mais do que a obrigação para o segundo carro da equipe mais forte, mesmo largando no fim do grid. Mas o veterano foi além e arrancou um terceiro lugar. Nesse final de semana, saiu com saldo positivo e um fôlego a mais na disputa interna com Vettel.

Felipe Massa chegou a ocupar o segundo lugar, mas a sua tática era arriscada. Perderia tempo demais trocando pneus e o carro rendia pouco na parte final da prova. Caiu para o sexto posto. Pelo menos o teste serviu para a mostrar que a Ferrari não está morta, apesar das dificuldades que enfrenta. Ah, sim… ele também chegou à frente de Fernando Alonso.

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A Williams de Barrichello e Maldonado toma o posto de maior decepção desse início de temporada. Não consegue sair do pelotão de trás.

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A ótima vitória de Lewis Hamilton não foi suficiente para o inglês merecer algo melhor do que um dos troféus mais feios da história da F1.

Renato Diniz é estudante do quarto ano de Jornalismo da Unesp/Bauru e estagia na rádio Auri-Verde (760AM)
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Brasil vitrine


Por Márcio F. Martinele
estudante de jornalismo da USC

Ouço todos os dias na imprensa esportiva comentaristas dizerem, há pelo menos dois anos, a seguinte frase: “A volta de nossos craques faz bem ao futebol brasileiro”. Realmente acredito que isso seja verdade, afinal, o público quer ver o futebol fino que lota estádios e arranca aplausos. Mas até que ponto isso “faz bem”? Até que ponto a imprensa e os clubes se humilham para ter um gênio entre os onze?

O time do Santos em 2010 contou com a volta do eterno ídolo alvinegro Robinho, que foi importante na conquista da Copa do Brasil e do Campeonato Paulista, embora particularmente eu considere que ele foi só a cereja de um bolo muito bom. O salário do jogador ultrapassava a casa de R$ 1,2 milhão e, um semestre depois, foi embora.

Roberto Carlos ainda joga em um nível muito alto e Ronaldo Fenômeno… Bom, continua fenomenal, embora jogando poucas partidas. Ambos juntos somam mais de R$ 2 milhões por mês ao Corinthians.

Sim, eu sei que a bola da vez é o “marketing”. Qualquer coisa é só acionar o departamento de marketing que tudo se resolve, como se fosse fácil convencer três ou quatro multinacionais a pagar os salários desses craques. Em resumo, eu não acredito nessa balela de que o marketing paga todo o prejuízo.

Voltando ao contexto, Adriano é outro caso que regressou, festou, foi artilheiro e, como Robinho, foi embora. Seus vencimentos não eram nada baixos. E agora temos o “Gênio Perdido” ganhando uma fortuna mesmo depois de zombar com a cara do futebol brasileiro no mais atípico “Quem dá mais por mim aí?”.

Não sei o que há com o futebol brasileiro. Hoje, mais do que nunca, estamos nos rastejando diante de jogadores, ora consagrados, ora nem tanto, para que desfilem em nossos gramados. Os caras usam o país para jogar na Europa e fazer fortuna. Até aí, tudo bem, afinal, não é pecado ser ambicioso. O pecado é que depois, quando fracassam lá fora, voltam para casa para “voltar a ser feliz”, como se aqui fosse um resort. E nos usam novamente, ganhando o que não podemos pagar. E depois voltam pra Europa, de onde nunca queriam ter saído.

Os clubes brasileiros deveriam ter um pouco mais de dignidade e demonstrar quem é quem, assim como o Grêmio fez dizendo ao Gaúcho: “Chega, você não é tudo isso”. O princípio da democracia diz que é o governo quem deve temer o povo, e não o povo quem deve temer o governo. Já passou da hora de reeducarmos esses filhos superdotados que pensam ser independentes, mas não vivem sem samba no pé.

Foto: Roger Mayrink Goes/Vipcomm; na home: Mauricio Val/Vipcomm

Quartas-de-final: para os pequenos ou para os grandes?

Por Rafael Placce

No dia 30 de setembro, a Federação Paulista de Futebol (FPF) divulgou o novo formato para o Campeonato Paulista de 2011. Pela primeira vez desde 2004, a competição terá quartas-de-final.

Ao contrário dos últimos anos, quando os quatro primeiros colocados se classificavam e disputavam semifinais e finais em jogos de ida e volta, a próxima edição do Paulistão classificará os oito melhores colocados da primeira fase, que disputarão as quartas e semi em jogo único, na casa do time de melhor campanha.

O presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, diz que a intenção é dar mais chances de título aos times do Interior. Será que é só isso?

Se, por um lado, mais times de menor porte se classificarão, por outro, a nova fórmula praticamente assegura a classificação de Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, abrindo ainda a possibilidade dos quatro grandes pouparem jogadores durante a primeira fase e se dedicarem ao campeonato somente a partir da fase de mata-mata.

Vale lembrar que desde quando o formato com semifinais e finais foi adotado, em 2007, os quatro grandes só se classificaram juntos para a segunda fase no ano de 2009.

Del Nero tenta agradar os pequenos com uma manobra que, à primeira vista, pode parecer boa para o futebol do Interior, mas que com o tempo se mostrará excelente para os grandes. Em tempos de eleições, o presidente da Federação Paulista mostra que sabe fazer política.

Rafael Placce é estudante do 3º ano de Jornalismo, na Universidade do Sagrado Coração (USC), e escreve para o site Webesportiva
Twitter: @rafaelplacce

Construir, reformar, estruturar e apoiar

Por Rafael Pavan

No ano de 2009, o esporte bauruense passou por diversos problemas de ordem estrutural. Havia praças esportivas depredadas, campos de futebol em terra batida ou parcialmente gramados (com buracos), ginásios esportivos com goteiras, sujos e, em casos mais críticos, animais defecavam sobre a quadra.

Após diversos questionamentos e cobranças por parte da população e da mídia local, algumas medidas foram tomadas por parte da prefeitura. Os campos que estavam deficientes em suas estruturas tiveram suas “maquiagens” feitas. Isso mesmo, pequena melhorias foram realizadas, como a troca de alambrado e cal demarcando mais claramente os campos. As quadras de esporte tiveram retocadas as pinturas e lâmpadas foram trocadas. Mas, infelizmente, tais medidas não foram de encontro ao verdadeiro problema.

É necessário que atitudes mais drásticas sejam tomadas, caso contrário teremos nossas praças esportivas sucateadas. A administração pública deve atuar no núcleo do problema, ou seja, adequar os espaços para a prática esportiva por parte da população, não se restringindo a torneios oficiais.

A Semel (Secretaria Municipal de Esportes e Lazer) deve sanar problemas e não adiá-los. É fato que a simples manutenção não resolve e não resolverá a situação deficiente na qual encontramos o esporte bauruense. O atleta e os cidadãos necessitam que praças esportivas passem por reformas para que crianças – como as que moram nas mediações do ginásio Raduan Trabulsi Filho e que participam de treinamentos de basquete – não tenham que se sujeitar a dividir o espaço com os pombos e a conhecida sujeira que produzem.

Não se pode deixar de sinalizar que também são necessárias medidas para o futebol amador. Jogadores atuam em campos esburacados, sujeitos a contusões. Os vestiários, sem higiene nem lâmpadas. Fora outros atletas que não têm espaço na mídia e muito menos locais para a prática esportiva com qualidade, como é o caso do atletismo – por falta de espaço e estrutura, sujeitam-se ao perigo das ruas ou treinam em pistas de areia.

Ocorre que terminamos o ano de 2009 com promessas e suposições e hoje algumas melhorias podem ser vistas e aplaudidas – com moderação.

O atual secretário de esportes, Batata, prometeu e cumpriu – em relação ao distrital Edmundo Coube,  que teve campo, arquibancadas, muros, banheiros e vestiários reformados. Acrescento apenas uma ressalva, pois o secretário de esportes  prometeu uma pista de corrida emborrachada e a que foi construída foi de asfalto mesmo. Mas é de se parabenizar a iniciativa e a conquista.

Mas, de todas as promessas e possibilidades, a que mais deve orgulhar os bauruenses é a construção da praça paradesportiva, onde deficientes físicos poderão praticar esporte. Reconheça-se que tal obra veio graças a um vereador bauruense que conseguiu levantar os recursos. Trata-se de Fábio Manfrinato, que em pouco tempo de cargo (suplente durante a licença-maternidade de Chiara Ranieri) conseguiu tal feito.

Enfim, são ações visando à melhoria das estruturas bauruenses, mas necessitamos de mais reformas, fornecer material para a prática esportiva, apoiar os atletas de representam nossa cidade país afora. Apoiar e dar estrutura para o lazer são, sim, deveres da prefeitura.

Rafael Pavan é estudante de Jornalismo da Universidade do Sagrado Coração e integrante da equipe do Jornada Esportiva

Foto da homepage, do distrital Edmundo Coube, reproduzida do site da prefeitura de Bauru

Vida após 11 de julho

por Danilo Dias Gatto

Até que eu tentei pensar em outro tema para este artigo. Sei lá, talvez a nova fornecedora de pneus da Fórmula 1, os bastidores dos grandes clubes brasileiros, os próximos confrontos do time de Bernardinho na Liga Mundial de vôlei… Mas não dá! Até o dia 11 de julho, data da grande finalíssima da Copa do Mundo, não há como escapar dos acontecimentos lá da África do Sul.

Muitos reclamam, especialmente aqueles que não apreciam tanto o futebol, da incessante cobertura midiática deste que é considerado o segundo maior evento esportivo do planeta, senão o primeiro, já que envolve apenas um esporte. Os Jogos Olímpicos, soberanos na proposta de unir povos em torno de modalidades praticadas nos cinco continentes, continuam a envolver o maior número de atletas, o maior número de nações participantes, o maior número de espectadores ao redor do planeta. Mas é a Copa que para o nosso país, que coloca os brasileiros em evidência na rede social que mais cresce globalmente – o Twitter – e que nos faz os melhores do mundo em algo considerado nobre.

Como acontece apenas em quadriênios, eu não poderia deixar de externar as minhas impressões desta edição do Mundial de futebol, a primeira em terras africanas: a primeira do Brasil sem o Ronaldo Fenômeno; a primeira da França, já eliminada, sem Zidane, nosso algoz; a primeira em que um anfitrião não se classifica para a segunda fase; a primeira em que a nossa Seleção se destaca mais pela defesa do que pelo ataque… Ah, a Copa do Mundo… O que será de nós, amantes do futebol, depois do seu término?

Acostumamos a ver três partidas por dia… Depois duas… O mata-mata… A decisão por pênaltis… E depois… Depois teremos que voltar a esperar incessantemente pelas quartas e domingos para ver o nosso time do coração entrar em campo em busca do topo da tabela do Brasileirão, que só revelará seu vencedor no final do ano…

Mas e a emblemática camisa canarinho? E os jogadores do nosso selecionado que nos parecem velhos conhecidos? E a saída mais cedo do trabalho? E as comemorações coletivas? O sonho do hexa? A música da Shakira? É… A eliminação do Brasil nas quartas não nos salvou da forte ressaca pós-Copa, a qual já nos acostumamos a enfrentar várias vezes! Mas vejamos pelo lado bom: o assunto Copa do Mundo não vai sair tão fácil dos holofotes, já que a próxima edição será realizada por aqui. Portanto, se você não gosta de futebol, prepare-se… A Copa do Mundo de 2014 já está aí!!!

Danilo Dias Gatto é estudante de Jornalismo da Unesp/Bauru e atualmente estagia na redação da Editora Alto Astral