Vitinho Jacob: “Teríamos o mesmo êxito se Hettsheimeir tivesse ficado”

retranca-bauru-basketO Gocil Bauru Basket inicia hoje os trabalhos de seu elenco para a temporada 2017/2018. Com o status de campeão brasileiro, mas com uma realidade financeira enxuta. Não diria modesta, pois a estrutura da Associação tem resultado em pódios há pelo menos cinco temporadas. Como de costume, fiz uma longa entrevista com o gestor Vitinho Jacob. Aliás, ano passado não publiquei, porque a saída da Paschoalotto poucos dias depois da conversa desmanchou todo o cenário… Este ano deu certo, já faz algumas semanas do proveitoso papo de 40 minutos no escritório do clube. O que está transcrito abaixo é o diálogo na sua sequência original, da forma como o raciocínio foi construído e as perguntas foram surgindo. Vitinho fala com desenvoltura, no começo com a voz postada (pelo hábito das tantas entrevistas que concede), mas logo se solta, rimos juntos e a conversa fica no tom de uma boa resenha — bem que poderia ser chope, mas foi regada a café. A diferença de um ano para o outro, infelizmente: a mesa vazia do Biro (diretor da base, que faleceu dois dias após o título). E do Caio (Casagrande, ex-assessor de comunicação), que bateu asas, mas em seu lugar um reforço à altura, o colega Neto Del Hoyo, com quem botei o papo em dia. Aí chegaram o Joaquim (Figueiredo, ex-presidente), o Cassião (Cerimelli, vice do Conselho Gestor), mais café e prosa. O semblante deles ainda resignado pela perda, mas o entusiasmo de tocar o basquete, que o Biro tanto amava, brilhava nos olhos. Exposto o cenário, vamos lá. O texto é longo, mas muito relevante. Inclusive para quem não torce para o Dragão, pois Vitinho conhece como poucos a Liga Nacional e o produto NBB. Ele faz um balanço da última (e maluca) temporada, do planejamento da próxima e comenta o trabalho da LNB. Fala, Vitinho!

Vitinho Jacob
Fran, Biro, Vitinho e Caio: quarteto do escritório agora em ótimas lembranças. Foto: Reprodução Facebook

Foi uma temporada louca. Um ano atrás você não diria que seria campeão brasileiro…
Conscientemente, não. Mas eu sou um entusiasta de carteirinha e naquela discussão do Paulista, de colocar os adultos, eu disse ‘não, vamos segurá-los para o NBB.’ Eu fui questionado: ‘Se não vamos chegar a lugar algum no NBB, por que não colocar os adultos agora para tentar ganhar o Paulista?’ E eu falei: ‘Quem disse que não vamos chegar a lugar nenhum no NBB?’ Mas era mais um entusiasmo do que o racional. Obviamente, sempre acreditei no nosso time. Via os outros times, com Mogi e Brasília crescendo muito, montando times bons, o Flamengo mantendo a base e se reforçando e sabia que Vitória e Ceará viriam bem. Surpreendentemente, algumas coisas se inverteram, o Paulistano e o Pinheiros fizeram playoffs maravilhosos — nós também —, mas falar que contava com a final? Óbvio que não. Mas nunca deixei de acreditar no time.”

Houve algum momento em que realmente a equipe ficou em risco? Não digo em relação a deixar de existir, mas de manter um alto nível. Acabou mantendo Alex, Hett, Jefferson, Meindl, mas houve algum momento tenso de negociação, de dúvida mesmo?
Muito! Ali pelo final de junho, chegamos a ter praticamente certeza de que não haveria time. Aí, na composição da nova diretoria, a Paschoalotto assumiu algumas rescisões, os jogadores foram ficando em Bauru e nos dando coragem. Os patrocinadores que estão sempre com a gente, como Mezzani, Cral, Unimed, Zopone — a Sendi entrou… — foram nos dando força para acreditar, mas por um período o medo foi grande.”

E aí a Gocil entrou para complementar esse orçamento.
A Gocil entrou em setembro, aí sim nos deu uma segurança para continuar.”

Em que pé está o assunto Gocil e a promessa de renovação com aporte maior?
O contrato atual é até a primeira semana de setembro e ele [Washington Cinel, presidente da Gocil] nos pediu para conversar um pouco mais pra frente. Acreditamos na promessa dele, levamos isso em conta, mas não podemos garantir. Somente quando estiver assinado e majorado… Está fora do tempo e isso atrapalha um pouco, mas prefiro assim do que não tê-lo conosco. O certo é que entregamos muito mais em visibilidade e valor de marca do que a Gocil investiu.”

Entrevista Vitinho: Gocil
Washington Cinel, da Gocil, entre o presidente Fornazari e o capitão Alex: todos na expectativa do cumprimento da promessa de renovação. Foto: Caio Casagrande/Bauru Basket

Fora a Gocil, há alguma outra conversa para patrocínio máster?
A gente não para, né? Tenho conversado com várias empresas. O título brasileiro pode nos ter aberto outros caminhos, talvez com empresas maiores… Estamos correndo atrás.”

E disputar a Liga das Américas também é um reforço de visibilidade.
Sem dúvida! Começa em janeiro e dá uma visibilidade enorme, é a Libertadores do basquete. Eu já estava me preparando para jogar a Sul-Americana, quando ficamos em quinto na classificação da primeira fase. Eu avisei o time: ‘No limite, temos que manter o quinto pra jogar a Sul-Americana, que é atalho para a Liga das Américas.’ Mas conseguimos ir até a final e ao título, o que já nos deu vaga direta na LDA.”

Ao contrário de edições anteriores de competições internacionais, este não parece o momento de tentar sediar alguma chave em Bauru. O time vai voar por aí na competição…
Acho que sim. As definições de sedes serão em outubro, novembro, mas hoje a chance é zero. Quem sabe?… Não sabemos como vai estar a Prefeitura e nosso patrocinador, é questão para ver mais para o fim do ano.”

Falando em Prefeitura, houve um encontro recente do Bauru Basket com o prefeito Gazzeta e o deputado Pedro Tobias. O que saiu dessa reunião?
Foi mais uma aproximação. Pincelamos alguns assuntos, mas nada que a gente possa botar fé. Em outros momentos, conversando com o Gazzetta, com o Roger [Barude, vereador], com o Garrincha [secretário de esportes], existe sim a vontade de construir a arena. Está todo mundo se mobilizando, diferentemente de outros tempos. Antigamente, havia dinheiro, mas não havia projeto. Aí a Paschoalotto, através da Assenag, deu o projeto para a cidade. Aí não havia mais dinheiro! Quem sabe um dia haja vai haver dinheiro e projeto juntos.”

Você acha viável a hipótese de trazer alguma arena olímpica pré-moldada?
Eu acho que sim, totalmente viável. Mais barato, mais fácil e a readequação de local é simples. Se houver essa possibilidade, acho fantástico.”

Foi provisória lá na Olimpíada, aqui passaria a ser fixa!
Ah, a gente amarra, põe um guarda à noite. Daqui não sai mais!” [risos]

Voltando para a última temporada: a disputa do Paulista foi alvo de críticas. Aparentemente os adultos voltaram antes do planejado para garantir vaga nos playoffs… Valeu a pena colocar a molecada na fogueira? Vocês viram evolução dos meninos? Como foi lidar com aquela situação?
Dentro da diretoria, a avaliação é que o planejamento foi perfeito. Não mudamos nada e deu tudo certo. Conseguimos ir pra final, mas, independentemente disso, o planejamento foi correto, mostrou que chegamos inteiros no fim do NBB. Não foi só uma estratégia: não havia outra opção. Shilton e Valtinho se apresentaram em agosto, até por questões financeiras. Demétrius, Alex e Rafael [Hettsheimeir] na Seleção [Olimpíada], Jefferson e Léo voltando do Sul-Americano. Tanto para a evolução dos meninos quanto como pré-temporada foi perfeito. Claro que na final do Paulista, por não ter feito o campeonato inteiro, nos custou o título. Mas era o risco e Mogi estava num momento melhor, focado, pois precisava ganhar um título. Eu não mudaria nada, apesar das críticas injustas e pesadas. Como em toda temporada, aliás… Nossa imprensa é muito torcedora e não consegue entender que temos que pensar a longo prazo, de agosto a junho. Poderia confiar mais no nosso trabalho, estamos aí há nove anos, não somos aventureiros.”

Entrevista Vitinho: vice Paulista
O controverso vice estadual: passo atrás rendeu. Foto: Caio Casagrande/Bauru Basket

Naquela virada de dezembro para janeiro, alguns torcedores chegaram a pedir a cabeça do Demétrius. É um hábito mais futebolístico e é óbvio que nem passou pela cabeça de vocês. Mas como foi lidar com aquele turbilhão?
Foi bem difícil. Eu chamei o Demétrius, disse que é assim que funciona aqui, mas que confiava no trabalho dele. E a diretoria deu todo o respaldo. Ele disse ‘Estou acostumado com a pressão, já fui jogador, sou técnico, vamos continuar trabalhando.’ Em nenhum momento ele esteve sob risco. Ouvimos críticas até nos playoffs, mas faz parte.”

Como foi a reinvenção depois que o Rafael saiu?
Havia acabado o prazo de inscrições. Mesmo se tivéssemos dinheiro, não dava pra repor. Até a gente brinca que o time melhorou depois que o Rafael saiu, mas a grande virada do time foi antes. Depois da parada do fim do ano, perdemos para Mogi e fomos para Campo Mourão. Tivemos uma reunião do time que foi fantástica. Ali começou nossa virada — e o Rafael estava junto. O time começou a marcar melhor. Acho que teríamos o mesmo êxito, e até mais tranquilo, com o Rafael.”

Houve essa dedução de que a defesa melhorou sem ele, mas ele terminou o campeoanto como segundo melhor reboteiro…
Um dia, conversando com o Shilton, ele me alertou: ‘Vitinho, depois daquele jogo em Salvador, quando o Rafael fez duzentos pontos, nós não ganhamos mais nenhum jogo no ataque, só na defesa.’ Aí comecei a me lembrar, era verdade. Geralmente, quando o outro time não passava de 80, nós ganhávamos. Ganhar no ataque era um ou outro jogo, aí sim dependíamos muito do Rafael. Então, tem todo o mérito do Demétrius, mas essa mudança já vinha acontecendo e começou a dar certo no momento certo. O Bruninho [Camargo, preparador físico] tem um planejamento de picos de treinamento e sabe que em algum momento um jogador não vai render. Mas vai render na hora certa. Então, é tudo planejado pela comissão técnica e a diretoria aposta junto. Gostaria de frisar isso: o time não melhorou com a saída do Rafael, já estava melhorando. Se o Rafael continuasse, o Demétrius lidaria tranquilamente com esse balanço defesa-ataque.”

O intervalo do jogo 3 contra o Pinheiros foi o momento-chave da temporada. Doze pontos atrás, o clima no ginásio era de jogar a toalha, todo mundo de cabeça baixa. E de repente o time voltou atropelando. O que aconteceu no vestiário?
Normalmente, eu tenho o hábito de correr para o vestiário, entrar antes dos jogadores e ficar num lugar separado para eu perceber se tem alguma coisa. A comissão demora mais um pouco, primeiro pegam as estatísticas e conversam entre eles. O Demétrius dá aqueles minutos para os atletas. Então, eu vou antes e sinto: se eles querem conversar sozinhos, saio. Mas naquele momento eu faço mais parte dos jogadores do que da comissão técnica e às vezes até entramos em discussão. Naquele dia, como você disse, eu entrei de cabeça baixa, jogando a toalha. Aí vi uma conversa acalorada entre Alex, Jefferson, Shilton, todos falando o que estava errado, um olhando na cara do outro. Pensei: eles estão no jogo. Veio o Demétrius, corrigiu duas coisas taticamente, um acerto simples na defesa, outro no ataque. Todos concordaram, veio a mudança de atitude e aquela maravilha que vimos.”

Vitinho com a taça do NBB 9
Com a tão desejada taça: ele já tinha a de bronze e a de prata… Foto: João Pires/LNB

Sobre as polêmicas da decisão, das arbitragens, de suposta predileção da Liga pelo Paulistano, o famoso “mal podemos esperar”… Eu não caí nessa, pois a Liga é dos clubes. Pode ter havido equívocos, na forma de se expressar, na escalação de arbitragem, mas não consigo ver má intenção. E você que é integrante da diretoria da Liga pode dar uma noção dos bastidores, da organização, esclarecer isso. Pois não há como querer favorecer um se todos estão ali dentro…
Exatamente. Essa é uma opinião minha, do Vitinho pessoa física: tenho clara certeza de que não existe má-fé nem da arbitragem, muito menos da Liga Nacional. Claro que existem erros, mas se um dia entender que existem cartas marcadas, estou fora. Saio da Liga, saio do basquete. Então, acredito cem por cento que a Liga é idônea. E a arbitragem também. Claro que existe birra com um atleta, com um treinador, com um time, mas você viu: tivemos problemas com o Maranho aqui e depois ele apitou dois jogos serenamente. Não consigo enxergar nada de armação, apesar dos erros graves. A escalação do Chiconato [árbitro pivô da bola presa no jogo 3 da decisão do NBB 8] foi um erro gravíssimo. Quebrei o pau lá dentro da Liga. Lá é assim: nas reuniões o pau come! Saiu da reunião, somos unidos, fechados. O que está decidido é em prol dos clubes. No dia da escalação, tivemos discussão brava com o Bassul, a Flávia, o Sérgio, o Kouros, o Rossi, todo mundo! O erro não foi a escalação dele ali, mas não ter sido escalado [em jogos do Bauru] a temporada toda. Ele apitou apenas um jogo nosso em 38, aí apita a final? Se tivesse apitado cinco, seis jogos, estaria diluído, não teria problema. Ele apitou um jogo no Rio, contra o Vasco, todo mundo respeitou, apitou normalmente. Por que pouparam tanto? Deixei claro que não gostamos, que foi desnecessário. E depois eles concordaram. Sobre as redes sociais, foi uma besteira absurda, mas foi bom pra nós. Provavelmente quem escreveu quis dizer mal podemos esperar…”

… pelo jogo!
É óbvio! Eu entendi isso na hora. Mas como as pessoas não entenderam, pusemos lenha na fogueira, nos deu o combustível que a gente precisava. Aí na outra semana teve o #goCAP… Eles punham também #fogoneles! Mas se as pessoas só viam o #goCAP, deixa o pau torar! Enquanto foi combustível pra nós, valeu a pena.”

No que a Liga avançou em relação à organização do NBB e o que pode melhorar?
A Liga está crescendo passo a passo, muito bem. Agora que começou a ter independência financeira. Antes, dependia do Ministério do Esporte, depois da NBA. O próximo passo é aproximar a estrutura dos clubes da estrutura da Liga. Não acho que a Liga deva dar dinheiro para os clubes, mas tem que pagar transporte, alimentação, arbitragem, todas as despesas para jogar o campeonato — e os clubes ficam com suas folhas salariais. Esse é o intuito da Liga, quando tiver orçamento pra isso.”

A Avianca (parceira do NBB) dá passagens?
Deu cerca de 70 passagens para os clubes usarem durante a temporada. Com algumas particularidades, porque não temos Avianca em Bauru. Alguns times nem aproveitaram… Nós aproveitamos todas! Principalmente para os jogos no Nordeste. Usamos em Brasília também. O caminho é esse, aliviar as despesas dos clubes e deixá-los focados em sua estrutura interna. Esse é um sonho do Kouros [Monadjemi, primeiro presidente da LNB] desde o início: pagar as despesas dos clubes e ter dinheiro pra distribuir no fim da temporada, além das premiações. São coisas que ainda não aconteceram. Já está no momento de decidir. Se não houver dinheiro no orçamento para pagar arbitragem, temos que tirar de outro lugar. Mas a Liga tem que pagar a arbitragem. Teremos reunião de orçamento em agosto e os clubes estão fechados nisso. Tem que começar o orçamento a partir daí.”

Amistosos contra times da NBA é um assunto que está parado?
Não tem nada ainda, mas já comecei a cavucar. Vamos ver se a gente consegue alguma coisa.”

Há alguma regra? A vez de algum clube?
Não. Estão pensando em criar o critério, agora que estão criando uma nova empresa para a parceria NBA-NBB. Mas ainda não existe. Então, se conseguirmos alguma coisa para esta temporada, será por relacionamento. Existem ainda algumas conversas de fazer amistosos contra times da D-League [Liga de Desenvolvimento da NBA], contra times da Argentina e do Uruguai. Acho interessante aumentar esse intercâmbio com times fora do Brasil.”

Até porque aquele passeio na China não serve pra nada tecnicamente…
Tecnicamente, não. Fisicamente, não… É cansativo, há opções melhores.”

Vamos falar de futuro agora. Campeonato Paulista com molecada? Mesclado? A Seleção pode desfalcar o time…
Para as eliminatórias do Mundial serão ‘datas Fiba’ em novembro e fevereiro e o NBB vai parar nessas datas. Para o Paulista, temos o mesmo problema do ano passado. O time jogou até 17 de junho, teve compromissos até dia 20. Trinta dias de férias e agora precisam de pré-temporada. Anthony, Shilton e Alex só chegam em agosto, não dá para colocar os caras pra jogar! Eu vejo o time pronto no começo de setembro. Vamos ter um mês todo de Paulista até esse ponto. Um agravante é que nós não temos o número de jovens que tínhamos ano passado. Hoje temos cinco: Stefano, Gui Santos, Henrique, Jaú e Maikão. E só. Temos os meninos do sub-19, mas poucos têm condições de jogar um campeonato adulto. Estou com muito receio. Não há muito o que fazer.”

Como foi encarar a montagem do elenco depois do título?
Quando você fica para a final, já está fora do mercado. Eu tinha o costume de negociar em abril, maio, quando acabava o campeonato nosso time estava praticamente pronto. Nos últimos anos foi diferente. Agora, com o time campeão, tivemos o ônus do título, com a valorização dos jogadores e o assédio. Praticamente todos tiveram propostas de outros times e com valores bem acima. E a nossa receita não aumentou. Sinceramente, temos nossas prioridades. Não é possível renovar com todo o elenco. São os cinco meninos já garantidos e precisamos de sete adultos. Teremos todos no momento em que tivermos receita. As decisões passam por mim, pelo Demétrius, pelo Cássio e pelo Beto [Fornazari, presidente], que está à frente das negociações. Diferentemente de anos anteriores, este ano não estou negociando com atletas e agentes. Converso, tento ajudar, mas a parte financeira e a negociação dos contratos é o Beto quem cuida. Uma coisa é certa: não vamos fazer loucura, vamos trabalhar estritamente dentro do orçamento. O Anthony, por exemplo, foi uma oportunidade que o Beto teve de fechar antes, é um jogador diferenciado que vale a pena apostar.”

O título de alguma forma criou uma euforia fora da realidade financeira do clube? A ponto de o torcedor se surpreender de perder jogadores importantes…
Totalmente, cria sim essa euforia. Mas os jogadores se valorizaram, há times com apetite no mercado. O que temos a oferecer como diferencial é que jogaremos a Liga das Américas, temos uma estrutura boa, um grupo com relacionamento fantástico. Há dois pontos: o time melhorar a receita e os jogadores entenderem a realidade financeira.”

Entrevista Vitinho: Hettsheimeir
O cobiçado Hettsheimeir: predileção por Bauru. Foto: Caio Casagrande/Bauru Basket

Dos nomes que já circularam, o próprio Hettsheimeir faz campanha pra voltar, né?
O Hett é sempre bem-vindo! No momento que ele quiser. É da casa. O problema é que ele é caro, não temos orçamento para ele hoje, não conseguimos nem fazer proposta. No dia que tivermos, não tenha dúvidas: as portas estarão escancaradas pra ele. Existe o interesse eterno. Você viu como foi lá em Araraquara, a festa que ele fez com a gente.”

Em casos como o dele, há sempre aquela cláusula de não segurar o jogador quando há proposta do exterior?
Isso é caso a caso. Mas a minha opinião é que tem que vir e ficar. Não dá pra acontecer de novo o que aconteceu com o Rafael. Na época, foi uma condição para ele renovar e nós precisávamos dele. Mas não dá… É melhor já ter o time seguro, o treinador saber com quem vai contar. Claro que podemos começar o Paulista com um time e, com a renovação da Gocil e a entrada de outro máster, ir melhorando. Pode surgir uma opção estrangeira, uma questão de momento.”

O Jaú, depois de ter estourado, chegou a ser especulado fora. Está garantido?
Totalmente. Ele tem contrato até o final de 2018, com multa rescisória. E o Jaú é um moleque cabeça boa demais. Sabe que ainda não está pronto.”

Tomou muita bronca nos playoffs!
Você não imagina nos treinos!”

E assim aprendeu muito. Quem vê de fora pode ficar com dó do garoto, eram Shilton, Alex, Jefferson na orelha dele, depois o Dema…
Só porrada. [risos] Com todos eles. O Alex e o Shilton conversam com os meninos, dão dura. É uma escola pra eles. São privilegiados de treinar todos os dias com esses caras. Estão evoluindo muito.”

Depois do bom começo no Paulista, o Maikão não teve uma temporada tímida? Ou cada um tem o seu jeito de amadurecer?
Acho que cada um vai ter sua oportunidade no momento certo. Pensando friamente, com a saída do Rafael, o espaço era do Michael. Mas o Jaú aproveitou lá em Brasília e o treinador também observou nos treinos. Existem algumas dificuldades do Michael que estão sendo trabalhadas pontualmente e o Demétrius conta com ele. Ele jogou muito contra o Pinheiros no jogo 2, mas o Demétrius conhece o time, o dia a dia e sabe que tem que tirar depois para não queimar o garoto. Em playoffs não dá pra fazer experiência. Agora, esses meninos vão ter de novo um Paulista pra jogar e a Liga de Desenvolvimento sub-20.”

Falando em LDB, pra finalizar: em que pé está essa queda de braço da Liga com a CBB? Tudo o que não precisamos agora é de problema interno no basquete brasileiro…
A CBB fez várias solicitações à Liga, que abriu mão de campeonatos sub-15 e sub-17 que já estavam organizados. Ela pediu a última instância do Superior Tribunal de Justiça Desportiva e a Liga cedeu. A Liga Ouro… Posso falar pela intenção da Liga: zero de conflito, temos que trabalhar de mãos dadas. A essência é a Liga realizar o campeonato nacional e a CBB cuidar de seleções e formação. Perfeito. Por que a Liga começou a fazer a base? Porque a CBB não fazia. Alguém tinha que fazer. A base não está no escopo da Liga, que foi criada pra fazer o campeonato adulto. Mas a LDB deu tão certo — e faz parte do adulto — que a Liga tem um pouco de receio sobre como vai ser conduzido. Minha opinião é que seja conduzida a quatro mãos nos dois primeiros anos e depois a CBB assumir, sem problema nenhum. A ideia dos clubes é trabalhar em prol do basquete, até porque, com a punição, os únicos prejudicados foram os clubes. Bauru, Flamengo e Mogi proibidos de disputar a Liga das Américas… E uma geração de ouro do sub-19, com Jaú, Michael, Yago e os meninos do Pinheiros, não pôde disputar o Mundial.”

 

Dias depois, Vitinho foi anunciado como diretor de patrimônio do Noroeste, uma estratégia de aproximação das principais modalidades do esporte bauruense. Pedi a ele, via Whatsapp, para comentar essa novidade e o como ele atuará:
É uma primeira aproximação das modalidades buscando o bem comum. Já existe um relacionamento muito bom, de longa data, somos todos amigos. Já conversamos e trocamos ideias toda semana. Agora vamos buscar caminhos que possam beneficiar todos. Óbvio que não é fácil, cada um tem seus interesses. Particularmente, meu tempo é cem por cento focado no Bauru Basket, mas vou participar do Noroeste em discussões de ideias, planejamentos. O Reinaldo [Mandaliti, vice de futebol] vai estar mais à frente, no dia a dia, e eu vou tentar colaborar no que puder.”

Wesley Sena inscrito no NBA Draft: o que isso significa?

bauru-basketNesta semana, a liga profissional de basquete dos EUA divulgou a lista de atletas que se inscreveram para o próximo NBA Draft — a organizadíssima peneirada que as equipes fazem entre jovens basqueteiros norte-americanos, via universidades, e também estrangeiros. Entre os inscritos está o pivô Wesley Sena, do Paschoalotto Bauru. Mas o que isso, na prática, significa? Ele não defenderá o Dragão na próxima temporada?

Longe disso. Wesley completará 20 anos dia 2/mai e pode se inscrever até os 22. Isto é: tem pelo menos mais duas chances antes da idade de corte. O que especialistas concordam é que sua inscrição, agora, nada mais é do uma forma de entrar na vitrine e chamar a atenção dos scouts da NBA (olheiros, pra simplificar).

Não será surpresa, inclusive, se ele retirar seu nome da lista antes do evento — pode desistir até 13 de junho. Ano passado, quatro brasileiros desistiram: o trio pinheirense Lucas Dias, Georginho e Humberto e o minastenista Danilo Siqueira. Para 2016, inclusive, os três do Pinheiros nem se inscreveram, enquanto Danilo, na idade de corte, está apto automaticamente. Será o caso de Lucas Dias e Humberto ano que vem, enquanto Georginho tem a mesma idade de Sena.

Precoce, a joia bauruense já está em seu quarto NBB. Evoluiu nesta temporada (de 6min para 14min, de 1,9 para 4,9 pontos), mas ainda tem muito a crescer. A ótima análise de Giancarlo Giampietro, do blog Vinte Um, traz uma afirmação certeira de Josuel, treinador de pivôs do Dragão: “O Wesley ainda não entrega 50% do que pode fazer”. Concordo demais. O camisa 12 está longe de ter mostrado todo o seu potencial. Eu, particularmente, estou até frustrado com sua temporada. Mas compreendo que ainda é uma semente. Uma bela semente.

Portanto, ainda deveremos assistir Wesley Sena na Panela de Pressão em 2016/2017. A diferença é que haverá muito gringo de olho nele.

 

Foto: LC Moreira/Basquete Cearense

 

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Paschoalotto Bauru se despede da NBA com placar centenário

bauru-nbaO Paschoalotto Bauru encerrou seu compromisso na NBA com mais uma participação interessante, alcançando placar centenário na derrota para o Washington Wizards, por 134 a 100. As derrotas e as diferenças são o que menos importam na bagagem de volta, mas tudo o que jogadores e comissão técnica vivenciaram nos últimos dias. Certamente um acréscimo que deve se refletir no restante da temporada. “Vivenciar o dia a dia de treinamento, jogos, troca de informações foi fantástico para nossa equipe. Agora é trabalhar para levar essa bagagem internacional para a nossa temporada”, celebrou o técnico Guerrinha, via assessoria.

Apesar da nítica diferença técnica, o desempenho bauruense chamou a atenção do técnico rival, Randy Wittman, que ficou satisfeito com a forma como seu time foi exigido. “Foi bom para nós ver como eles jogam e nos forçaram a fazer muitas trocas pela primeira vez nas três partidas que jogamos até agora. Tivemos que defender cem pick-and-rolls e precisávamos disso para continuar melhorando. Então, foi realmente bom, precisávamos jogar com um time como esse”, disse o treinador dos Wizards, ao site oficial da NBA.

O brasileiro Nenê, titular absoluto do time da capital ianque, ficou feliz de encontrar compatriotas. “Quando era pequeno, jamais imaginaria uma oportunidade dessas acontecendo. Ver um time brasileiro jogando contra um time da NBA é uma grande honra”, comentou o colega de Seleção de Alex e Hett.

AÍ SIM
Depois de atuar apenas 3min na partida contra o New York Knicks, o pivô Wesley Sena desta vez atuou por 28min, sendo o terceiro bauruense que mais ficou em quadra. E não fez feio, pontuando em dois dígitos. No segundo período, ele protagonizou duas belas tramas com Léo Meindl. Carioca também teve mais tempo. Já Léo Eltink e Gabriel não devem ter dormido, após a primeira oportunidade em uma quadra de NBA.

ZEROU
Jefferson William ainda procura a forma ideal, já comentei isso. A exemplo dos duelos contra o Real Madrid, quando zerou no jogo dois, nesta segunda partida de NBA o ala-pivô também passou em branco. Certamente na estreia do NBB, contra o Flamengo, estará inteiro. O time precisa muito dele.

day-bauru-wizardsANOTHER DAY’S NIGHT
Robert Day aproveitou muito bem os duelos em seu país natal para mostrar seu valor, depois de uma primeira temporada irregular. Foi cestinha do time nas duas partidas e com excelente aproveitamento em sua especialidade. Fez 5-7 nos triplos. É outro jogador que, no seu máximo, elevará o nível do Dragão.

LIGEIRINHO
Depois do triplo-duplo contra os Knicks, Ricardo tem mais uma bola lembrança na bagagem. Permita-me o trocadilho, foi uma parede diante de John Wall, roubando a bola do armador dos Wizards e partindo para a bandeja sem medo de toco.

NUMERALHA
Léo Monstro: 17 pontos, 7 rebores
Roberdei: 17 pontos, 4 rebotes
Canela: 16 pontos, 4 rebotes, 2 roubos de bola
Ligeirinho: 11 pontos, 7 rebotes, 3 assistências, 2 roubos
Wesley Sena do Brasil: 11 pontos, 5 rebotes, 2 assistências
Magic Paulo: 10 pontos, 4 assistências
Brabo: 6 pontos, 7 rebotes
Rafael Mineiro: 6 pontos, 2 rebotes, 2 roubos
Carioca, o Predador: 4 pontos, 3 assistências
Léo Eltink: 2 pontos, 2 rebotes, 1 roubo
Gabriel: 2 rebotes
Jé: 2 rebotes

 

Fotos: Caio Casagrande/Bauru Basket

Quem imaginou que um dia o Dragão estaria estampado num telão de jogo da NBA... Foto enviada pelo Rodrigo Paschoalotto
Quem imaginou que um dia o Dragão estaria estampado num telão de jogo da NBA… Foto enviada pelo Rodrigo Paschoalotto

 

Em noite de sonho, Paschoalotto Bauru faz bom papel em derrota para o New York Knicks

bauru-nbaJá não é mais preciso ser beliscado. O Paschoalotto Bauru jogou uma partida de NBA. Foi o primeiro time brasileiro a atuar no Madison Square Garden, um templo do basquete. Jogadores, comissão técnica e dirigentes realizaram um sonho — só Alex Garcia, que jogou por Spurs e Hornets, havia sentido esse gostinho.

O adversário, o New York Knicks, já não tem a força de outros tempos e era sua primeira partida de pré-temporada com uma equipe reformulada — daí e esperança real de fazer história vencendo em solo sagrado. Mas o resultado (vitória dos ianques por 100 a 81) importa pouco. Nada, aliás. Poderia ser uma lavada que não haveria problema. O importante foi o intercâmbio, o inevitável upgrade depois de atuar num nível superior. O próximo jogo, aliás, terá nível ainda mais exigente, contra o Washington Wizards, muito mais qualificado.

Mesmo jogando nas nuvens e sem obrigação nenhuma, o Dragão deu seu recado. Um belo recado. E deu trabalho no início. Mas de fato não conseguiria manter o ritmo contra um time que teve 12 jogadores com minutagem de dois dígitos.

hettsheimeir-bauru-nbaSEGUNDA CHANCE
Depois do período de treinos no San Antonio Spurs, esta é a outra oportunidade de Rafael Hettsheimeir chamar a atenção nos States. No seu diferencial, o chute de fora, o Canela guardou três. Não creio que alguma franquia recorra ao Canela nessa altura do mercado ianque, mas de qualquer forma ele fica no radar.

O CARA
Ricardo Fischer tem sabido aproveitar os holofotes. Depois de receber elogios de Pablo Laso e abrir os olhos do mercado europeu com os belos desempenhos contra o Real Madrid, o Ligeirinho me arranca um triplo-duplo no Madison Square Garden! Já que estamos num momento de celebrar a caminhada do Bauru Basket até essa oportunidade máxima de visibilidade, vale lembrar e elogiar o faro de Guerrinha e companhia: Ricardo foi recrutado quando era o terceiro armador de São José.

ESQUENTANDO
É nítido que Jefferson William ainda busca seu físico ideal, tem sofrido nas disputas embaixo da cesta e contra-ataques são um sufoco para que retorne ao outro lado da quadra. Nada melhor do que a exigência desses jogos para que ele chegue forte ao NBB. Dentro do alto número de tiros de três do time (43), foi ele quem mais tentou (14), acertando dois (14%).

day-bauru-knicks-okQUE NOITE!
Nessa de realizar sonho de menino, imagino a alegria de Robert Day, afinal, ele é norte-americano, jogar ali tem o mesmo efeito que um garoto brasileiro jogar no Maracanã. Tanto que protagonizou bela reportagem do The New York Times sobre sua carreira. O Especialista, cestinha bauruense no jogo, deve ter provocado um who is this guy??? em seus compatriotas com ótimo desempenho de 5-9 nos triplos.

SÓ???
Wesley Sena jogou apenas 3min11… É muito pouco. Não me parece o caso que queimaria o menino ou que ele não teria força (física mesmo) para brigar lá embaixo. Se o consagrado Alex Garcia tomou toco de cinema, Wesley poderia ser pregado à vontade. Ia fazer bem a ele.

NUMERALHA
Robert Day: 19 pontos, 6 rebotes
Rafael Hettsheimeir: 18 pontos, 8 rebotes
Ricardo Fischer: 11 pontos, 10 rebotes, 10 assistências (mas 7 violações)
Rafael Mineiro: 11 pontos, 2 rebotes, 3 roubos de bola
Jefferson William: 10 pontos, 2 rebotes
Alex Garcia: 6 pontos, 9 rebotes, 4 assistências
Léo Meindl: 4 pontos, 2 roubos de bola
Paulinho Boracini: 2 pontos

 

Fotos: Caio Casagrande/Bauru Basket

Rafael Mineiro embarca com o Paschoalotto Bauru, mas é reforço do Flamengo

O Flamengo anunciou, neste sábado, Rafael Mineiro como reforço para esta temporada. O jogador, entretanto, não desembarca na Gávea na próxima segunda-feira. Afinal, é reforço pontual do Paschoalotto Bauru nas partidas da pré-temporada da NBA, contra New York Knicks e Washington Wizards. A novidade põe fim à esperança da torcida de contar com o excelente pivô defendendo o Dragão.

Mas não há o que lamentar. Mineiro não cabia no orçamento bauruense. Somente se Hettsheimeir saísse, conforme comentei aqui. O camisa 30, depois da desistência do espanhol Estudiantes, deve mesmo ficar, a não ser que uma franquia norte-americana se impressione por ele na semana que vem.

Sendo assim, o FlaBasquete (como oficialmente gosta de ser chamado) fica com um garrafão poderosíssimo, com Olivinha, Meyinsse, JP Batista e Rafael Mineiro. Bauru não fica atrás, com Hett, Jefferson e Murilo, mas tem que acelerar a maturação de Wesley Sena e rezar para os problemas físicos passarem longe de sua zona pintada.

Na boa: eu teria abortado a ida de Mineiro para os Estados Unidos, exatamente pra deixar o menino Sena acumular minutos e tomar muita pancada dos gringos. Um intensivão e tanto. Afinal, ganhar partidas não é o objetivo dessa viagem. Tomar lavadas tampouco vai tirar o sono de alguém. A presença do agora jogador do Flamengo perdeu todo o sentido.

 

Arte sobre foto de William Lucas/InovaFoto