Bauru Basket finalmente pronto — e na hora certa

O Bauru Basket que foi visto em quadra ontem, na vitória por 85 a 64 sobre o Minas, foi irreconhecível e, ao mesmo tempo, um velho conhecido. Irreconhecível diante do time irregular nessa caminhada do NBB 11 — poucas vezes a equipe foi tão dominante, intensa (fisicamente, inclusive) e vibrante nessa temporada. Velho conhecido, porque é com esse Dragão que a torcida está habituada. A Panela até pulsou diferente, as gargantas voltaram a ser gastas.

Das graças do basquete: um time que demorou 29 partidas para se mostrar pronto está no páreo. É o adversário que ninguém gostaria de encarar. Franca, líder da fase de classificação, sabe muito bem disso. Aqueles 3 a 0 nas mesmas quartas, um ano atrás, foram das séries mais categóricas da história da liga — e o favoritismo também estava com a capital do sapato.

Bauru tem um time muito cascudo, que gosta desse tipo de confronto. Imagino Alex e Jefferson esfregando as mãos para que as partidas logo comecem — a primeira, na Panela, dia 16. Os francanos agora têm David Jackson e venceram os bauruenses na semifinal do Paulista, enterrando um jejum incômodo de confrontos em playoffs.

Aparentemente já no lucro na temporada — por evitar o vexame de, com um elenco qualificado, cair pela primeira vez nas oitavas —, o Dragão está revigorado. Fúlvio apareceu, Larry acionou o modo alienígena, Lucão está voando. Enquanto você lê esse texto, Demétrius está debruçado em números e vídeos.

A palavra de hoje para Bauru é sobrevida, mas poderá se transformar em renascimento.


Fernando Beagá

 

 

Foto: Victor Lira/Bauru Basket

 

De volta ao NBB, Sendi Bauru traz vitória crucial de Minas Storm

Minas Storm x Bauru - NBB

Correndo o risco de se distanciar do Mogi das Cruzes, quarto colocado, e com o Pinheiros (sexto) no retrovisor. Foi assim que o Sendi Bauru Basket encarou o Minas Storm, em Belo Horizonte. Sem Alex Garcia e com Hettsheimeir voltando aos poucos, a defesa foi fundamental para garantir a vitória por 81 a 66. Detalhe: até aqui, a média de pontos marcados pelos mineiros, como mandantes, era de 75,7.

Conforme opinei na última segunda-feira, a parada para a Liga das Américas fez bem. Sem as estrelas do time, alguns jogadores tiveram que sair da zona de conforto da coadjuvância. Recuperaram a confiança e vão calejando seus chutes para continuarem decisivos nos próximos desafios do NBB (Flamengo no próximo sábado, às 14h!) e logo ali na segunda fase da #LDA2018.

Principalmente Renan Lenz. O camisa 12 chegou do Pinheiros com um baita NBB 9 na bagagem. Oscilou até aqui e parece estar crescendo na hora certa. Foi o melhor jogador na partida contra o Guaros de Lara e hoje repetiu a dose: 22 pontos e oito rebotes. Osvaldas Matulionis também merece menção, com 16 pontos (marca acima de sua média, seus triplos caindo mais) e sete rebotes.

Ainda dá para sonhar com o G4. O confronto direto contra o Mogi (data a definir) promete.

Numeralha

Renan: 22 pontos, 8 rebotes, 2 tocos
Osva: 16 pontos, 7 rebotes, 2 roubos
Canela: 11 pontos, 3 rebotes
Toninho: 10 pontos, 4 assistências
Jaú: 6 pontos, 2 rebotes, 3 assistências
Shiltão: 5 pontos, 4 rebotes, 4 assistências
Isaac: 5 pontos, 4 rebotes
Duda: 4 pontos, 2 rebotes, 2 assistências
Boludinho: 2 pontos, 2 assistências
Big Mike: 4 rebotes

 

Foto: Orlando Bento/Minas Tênis Clube

Com Mosso decisivo, Itabom/Bauru vence e desclassifica o Minas

Direto da Panela de Pressão

O jogo valia muito para o Minas. Só a vitória o levaria para os playoffs. Do contrário, seria superado pelo Tijuca no confronto direto. Os meninos de Belo Horizonte vieram com sangue nos olhos, não deixaram o placar desgrudar e lideraram boa parte do jogo. Borders bem, o argentino González chamando o jogo, o pivozão (e garoto) Cristiano Felício com muita personalidade – em compensação o Jordan é só marketing pessoal em campeonato de enterradas…

Do lado bauruense, Gaúcho foi muito bem. Diante da apatia de boa parte do time, desdobrou-se um dia após tomar injeção de benzetacil e fez 26 pontos (18 deles em chutes certeiros de três). Brigando muito no garrafão, com a ausência de Jeff (cumprindo suspensão), Andrezão quase fez duplo-duplo (9 pontos, 9 rebotes) e ainda perdeu umas bolas fáceis. Aliás, jogando sem tesão (a maioria, para não generalizar), o time bauruense vacilou muito no garrafão, erros passes fáceis, articulou muitas bolas de forma confusa.

Mesmo assim, conseguiu vencer. No sufoco, um pontinho, que pelo menso serve para dar moral: 76 a 75. Apesar da boa atuação de Gaúcho (e de Larry também, com 15 pontos, 7 rebotes e 5 assistências), o nome do jogo foi MOSSO. Ele fez 7 pontos no último período, 4 deles os últimos do time, nos segundos decisivos. Completou de rebore um chute de longe, depois sofreu falta e converteu os dois lances. Ao repórter João Paulo Benini, do Jornada Esportiva, disse que fez valer sua experiência (ele tem 30 anos) ao cobrar os dois lances livres: “Olhei para o aro e disse a mim mesmo que iria acertar. Tinha que acertar!”.

Ao final da partida, o técnico Guerrinha revelou que Mosso emocionou a todos em uma recente reunião do grupo. O pivô pediu a palavra e disse para os mais jovens aproveitarem a oportunidade de jogar em Bauru, onde há estrutura. Em sua carreira, ele já passou muito perrengue, já dormiu no chão, já se alimentou mal. Dá valor ao seu momento na carreira, mesmo contribuindo menos do que gostaria – era titular em Assis quando veio para cá ser reserva. Pediu desculpas à comissão técnica – por alguma postura que desconheço – e deixou claro que não estava, ali, pedindo minutos em quadra a Guerrinha. Disse que se for para entrar em quadra apenas um minuto somente para fazer uma falta, ele vai. Que se precisar limpar a quadra, o fará. Que a molecada do Bauru Basket assimile esse recado dado por Mosso e recupere o espírito guerreiro nessa rera final do NBB4.

(E eu que pensava que Guerrinha tinha algo pessoal contra Mosso – não de forma pejorativa, mas uma “cisma”. O elogio do treinador me surpreendeu. Assim, consigo entender um pouco mais a cabeça do comandante bauruense. Quando ele disse em outra oportunidade que Mosso não deveria entrar em quadra  mesmo em um jogo fácil, que ele não fazia caridade, entrava quem estava bem, era só aquilo mesmo. Em tempo: Guerrinha salientou que o momento não é de dar bronca no elenco, ele vai deixar pra cobrar na hora certa)

Larry contra Borders. A fundo, o técnico do Minas, Raul, que um dia na mesma Panela foi campeão brasileiro

Bauru Basket vence Minas e se aproxima do Interligas

Os guerreiros controlaram o placar, mas não foi uma vitória fácil. E na casa do Minas, apesar de mal na tabela, não seria mesmo.

Pronto. A vitória que o Itabom/Bauru precisava nos dois confrontos fora de casa foi conquistada. Contra Brasília, será lucro. Para confirmar a vaga no Interligas, uma vitória sobre a Liga Sorocabana, em casa. “Não é um jogo que precisamos vencer, e sim um que não podemos perrder!”, decretou Guerrinha ao microfone de Rafael Antônio, do Jornada Esportiva, logo após a partida. Sobre o triunfo em Belo Horizonte, Guerrinha comemorou o resultado, mas achou que o time não jogou bem. “Cometemos muitas violações, sem contar que chegamos com muita confiança depois de dois grandes jogos em casa”.

Destaques bauruenses: Jeff Agba cestinha do jogo (17 pontos) e oito rebotes; Larry com 13 pontos, sete assistências e quatro roubadas de bola. Douglas Nunes, com 12 pontos e nove rebotes, foi quem mais se aproximou do duplo-duplo.

O maior destaque da noite, entretanto, foi o ala Gui, por atuar cada vez mais solto. O jovem guerreiro  fez 12 pontos, entre eles acertando os dois chutes de três que tentou. Ainda roubou duas bolas e sofreu três faltas. Ficou um bom tempo em quadra: 24min02s.

No sábado, não marque compromisso para 17h. Tem confronto contra Brasília, no Sportv – e no Jornada também, claro (com o esporte bauruense onde ele estiver, né, Rafa?).