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Luciano Dias é demitido do Noroeste

Derrota humilhante para Americana, em casa, decreta o fim da passagem do treinador por Bauru

Americana se impôs em Bauru e deixou o Noroeste, literalmente, no chão. Foto de Juliana Lobato/Agência Bom Dia

DIRETO DO ALFREDÃO

Questionado desde a Copa Paulista, por torcida e grande parte da imprensa, Luciano Dias enfim caiu. Digo grande parte da imprensa porque eu mesmo, na ocasião, achava que ele deveria ficar – pela postura tranquila e cordial, apesar do escapismo nas entrevistas. Agora, todos os argumentos se foram e o caminhão de gols que Americana deixou em Bauru tornaram inevitável a permanência do treinador.

O clima já estava quente mesmo antes do apito final, com discussões do treinador com Júlio César no intervalo e, durante o segundo tempo, com Zé Carlos – o ex-camisa 9 ficou bravo por ser barrado. E acabou afastado do grupo pela diretoria – sua situação será resolvida na terça.

Provavelmente com Jorge Saran (treinador do sub-18) no comando, o Norusca busca reabilitar-se na próxima quarta (2/2), às 17h, contra o Paulista, em Jundiaí. O novo técnico deverá ser conhecido ainda esta semana.

1° tempo

O jogo começa movimentado, mas a primeira jogada significativa só acontece aos 12 minutos, quando Diego recebe na meia-lua, bate colocado no ângulo e Jaílson voa para encaixar. O goleiro de Americana volta a trabalhar três minutos depois, em chute forte de Aleílson. O adversário dá as caras aos 23, quando Chorão recebe livre, mas finaliza fraco, nas mãos de Yuri.

O Noroeste volta a atacar com Diego, sempre procurando a bola e brigando por ela. Aos 30, ele banca o pivô ao receber na marca do pênalti: gira, bate de canhota e a bola raspa a trave. Aos 36, Americana abre o placar: Charles recebe livre, na entrada da área, e toca de bico na saída de Yuri.

Logo aos 38, Diego tenta o empate, em impressionante pique. Ele ganha do zagueiro, mas é travado na hora do chute. Um minuto depois, Americana perde gol feito, quando Charles, de carrinho, conclui por cima o cruzamento de Helton. No lance seguinte, Diego, de novo, briga pela bola e finaliza com perigo.

2º tempo

O Noroeste reage logo aos quatro. Ricardinho faz linda jogada individual, com caneta e tudo na entrada da área, mas seu chute é travado. A bola sobra para Aleílson na cara do gol, ele corta a zaga e fuzila. 1 a 1. Ufa! Empolgado, o Alvirrubro quase vira no minuto seguinte, puxando contra-ataque: Ricardinho chuta forte de longe e Jaílson espalma. O Norusca chega bem de novo aos 12, novamente com Ricardinho, cobrando falta da meia-lua que raspa o ângulo esquerdo.

Aparentemente acuado, o Americana trabalha a bola e chega ao segundo gol aos 17. Charles tabela com Chorão na esquerda e cruza rasteiro para Fumagalli, livre, completar para as redes.

Com a entrada de Rafael Aidar no lugar do contundido Diego, o Noroeste tenta empatar de novo aos 19. O camisa 17 recebe em velocidade e chuta forte de longe para defesa de Jaílson. O goleiro de Americana volta a espalmar bomba de Aidar aos 24. Um minuto depois, o golpe de misericórdia… Fumagalli recebe perto do bico direito da área e cruza para Charles entrar de carrinho – mais um gol entre os zagueiros.

E o meia Altair, que entrara no lugar de Júlio César, mostra que pode ser pior. Aos 31 minutos, ele perde a bola dentro da área, reclama falta – que não houve -, mas o árbitro manda seguir e Charles só escolhe o canto para decretar a goleada.

O Alvirrubro tenta reagir aos 40, em cruzamento de Gleidson que Márcio Gabriel cabeceia na mão do goleiro. No minuto seguinte, a torcida ironicamente aplaude o adversário, que faz seu quinto gol: lançamento longo, furada de Da Silva e o oportunista Charles apenas aguarda o momento certo de cruzar para Léo Silva limpar a zaga e completar.

Aos 43, Gustavo cobra falta forte, Jaílson espalma e Aleílson isola no rebote.

Pós-jogo

Na sala de imprensa, o presidente Damião Garcia demite o treinador Luciano Dias nos microfones. De pronto, diz que ainda vai conversar com o treinador. Depois, já fala em procurar outro. Logo alguém pergunta: “Caiu ou não caiu, seo Damião?”. Ele, enfático: “Caiu!!! Não tem jeito, né?”.

Depois, é a vez de Luciano Dias falar. Ele lamenta que pontos positivos são pouco analisados, volta a falar sobre emocional de jogadores e deixa no ar o clima esquisito da concentração, sem ir a fundo nos fatos. Apenas critica o departamento médico por vetar Vandinho somente no dia do jogo. Com essa postura infeliz, disse adeus ao Noroeste, agradecendo a todos.

Estrelas apagadas no empate do Noroeste

Futebol é aquela coisa: a opinião oscila entre a vitória e a falta dela. Ontem (16/1), foi assim. No primeiro tempo, um Noroeste envolvente abriu vantagem sobre o Santo André, na estreia do Paulistão, no Alfredo de Castilho; no segundo, cochilou e cedeu o empate. O suficiente para despertar as cobranças sobre o treinador Luciano Dias, reprovado por muitos torcedores alvirrubruos desde o ano passado. O pior é que o treinador deve ter ficado nessa teoria Tostines antes da partida: escalar ou não Vandinho e Otacílio Neto, recém-chegados?

Lembre-se de 1998: Zagallo foi contestado por escalar Ronaldo na final da Copa do Mundo, depois do problema de saúde que passou, horas antes. Se não tivesse escalado, seria igualmente questionado. Pois Luciano Dias colocou as duas principais contratações do time em campo, a despeito de todo o entrosamento – inclusive tático – construído na pré-temporada, com dois meias armadores e Aleílson e Zé Carlos na frente. Não deu certo. Mas, obviamente, a pressão seria grande se tivessem ficado de fora. Porque o SE joga e, muito, na cabeça de torcedores e cronistas. Mas, nós nunca saberemos o que teria acontecido SE Dias não tivesse escalado Vandinho e Tatá.

O certo é que o Norusca mostrou virtudes ofensivas (o apoio de Márcio Gabriel, a inteligência de Ricardinho, a força na bola aérea) e também defeitos (o setor defensivo assistiu às jogadas dos dois gols do Santo André). E há muita jogo pela frente e, sinceramente, não vejo o time como um potencial rebaixado. Mas o que interessa é a Série D. Vamos ao jogo:

1º tempo
O Noroeste começa tramando pela direita, com tabelas entre Márcio Gabriel e Ricardinho. Do outro lado, Gleidson está mais tímido. Aos sete minutos, o primeiro chute a gol: Vandinho arrisca da intermediária, por cima.

A partida esquenta aos 18. Vandinho cruza do bico da área, do lado direito, e Zé Carlos arremata de canhota, à queima-roupa. Neneca espalma. Três minutos depois, a primeira (e única) grande arrancada de Otacílio Neto, que carrega a bola por cerca de 50 metros até brecar na altura da pequena área – sem fôlego, cruza para intervenção de Neneca.

Embalado, o Noroeste chega ao primeiro gol. Aos 2, Vandinho puxa contra-ataque e inverte para Ricardinho. Márcio Gabriel faz a ultrapassagem e recebe linda assistência dentro da área para soltar a bomba.

O Ramalhão só chega aos 30: Allan arrisca de longe, muito por cima. A partir daí, o Alvirrubro administra a vantagem e não é ameaçado até o término da primeira etapa.

2º tempo
Logo aos oito, o 8min Rychely recebe livre dentro da área e finaliza de bico, na cara de André Luis. Logo na saída de bola, o Trem Bala vai ao ataque e conquista escanteio. Ricardinho cobra escateio como se ensina – na marca do pênalti – e Da Silva cabeceia como se deve: no chão, no cantinho.

O Noroeste aparenta ser o dono do jogo, mas vê Rychely, de novo, balançar as redes. O cruzamento rasteiro vem da linha de fundo e encontra o camisa 11 andreense na entrada da área, que bate rasteiro no canto direito.

A partir daí, o Alvirrubro pressiona para desempatar. Aos 21, Zé Carlos arrranca, dribla o zagueiro, é desarmado na entrada da área e pede pênalti. No minuto seguinte, Aleílson entra no lugar de Vandinho, cansando. Aos 23, Márcio Gabriel chuta cruzado, da intermediária, com perigo.

O tempo passa e o Noroeste começa a arriscar de fora da área: aos 32, com Marcelinho, por cima; aos 35, Aleílson chuta prensado com o zagueiro; aos 42, Otacílio cobra falta de longe, rente à trave.

Aos 46, o susto: lambança de Matheus, que recua fraco e André Luis é obrigado a dividir no carrinho com o atacante adversário.

Por fim, o Norusca tenta mais duas vezes, com Altair (entrara aos 37, no lugar de Marcelinho): aos 47, após vate-rebate na área, o camisa 16 chuta com perigo. Um minuto depois, tenta encobrir o goleiro em cobrança de falta. Pra fora…

O Noroeste enfrenta o Botafogo na quinta, dia 20/1, às 19h30, em Ribeirão Preto.

Imagem na home: fotomontagem sobre fotos de Diogo Carvalho/ECN

Pacotão de raio-X

Confira os perfis de 11 dos 15 reforços do Noroeste

Não fosse a parada forçada do site, o torcedor noroestino já teria o mais completo perfil dos reforços do Alvirrubro. Mas, de qualquer forma, 11 de 15 já é um bom material. Quase um dossiê. Abaixo, para relembrar quem leu, e facilitar a vida de quem não leu, os links dos raios-X já publicados (basta clicar no nome do jogador):

Lateral-direito
MÁRCIO GABRIEL

Zagueiros
CRIS
DA SILVA
HALISSON
MATHEUS

Lateral-esquerdo
GLEIDSON

Volante
FRANCIS

Meias
RICARDINHO
THIAGO MARIN

Atacantes
VANDINHO
ALEÍLSON

Estão pendentes, leitor: o goleiro Nicolas, o meia Altair e os atadantes Otacílio Neto e Bruno Gaúcho.

Rascunho do Noroeste titular para a estreia

Após seis amistosos, Norusca termina preparação invicto em jogos-treino e é possível esboçar time que encara o Santo André

Otacílio e Vandinho foram bem na primeira oportunidade em que começaram jogando (um gol cada). Foto ECN

Ufa! O Canhota 10 está de volta após uma pausa forçada. Ainda bem que a tempo de acompanhar a estreia do Norusca no Paulistão. Então, vamos lá – obrigado pela paciência e pelo retorno a este espaço virtual.

Nessa terça (11/1), o Noroeste fez seu último jogo-treino e manteve a invencibilidade. A vitória por 3 a 0 sobre o Rio Branco fecha um ciclo de preparação importante. Passando por cada um dos jogos, podemos rascunhar o time titular para a estreia domingo (16/1), às 19h30, no Alfredão – graças à Justiça:

17/12 (Lençóis)
NOROESTE 2 x 0 Ferroviária
Gols: Ricardinho (chute de longa distância – goleiro adiantado) e Giovanni (jogada individual)
Escalação: Yuri; Gustavo Henrique, Cris, Marcelinho (França) e Gleidson (Juninho); Francis (Tiago), Júlio César, Ricardinho e Doda (Giovanni); Rafael Aidar (Diego) e Zé Carlos (Bruno Gaúcho).
Neste primeiro teste, jogaram os que tinham condições físicas e a maioria dos reforços não estava apta. Tanto que o canhoto Gustavo foi improvisado na direita. Gleidson chama a atenção pela esquerda.

22/12 (Alfredão)
NOROESTE 1 x 1 Arapongas-PR
Gol: Marcelinho (concluindo cruzamento pela esquerda)
Escalação: Yuri (André Luis); Gustavo Henrique (Márcio Gabriel), Cris, Marcelinho (França) e Gleidson (Giovanni); Francis, Júlio César (Hernani), Ricardinho e Doda (Altair); Rafael Aidar (Diego) e Zé Carlos (Aleílson).
Márcio Gabriel e Aleílson aparecem pela primeira vez. Zé Carlos segue em jejum. Time ainda busca entrosamento.

29/12 (Araras)
NOROESTE 2 x 2 Red Bull
Gols:
Zé Carlos (conclusão após passe de Ricardinho) e Da Silva (cabeceio após cobrança de falta de Ricardinho)
Escalação: Yuri; Márcio Gabriel (Betinho), Matheus, Da Silva e Gleidson; Francis (Júlio César), Marcelinho, Ricardinho e Altair (Thiago Marin); Aleílson (Rafael Aidar) e Zé Carlos.
Mais ‘estreantes’ vão dando cara ao time. Com a nova dupla de zaga formada por Matheus e Da Silva, Marcelinho reassumiu a posição de segundo volante, em que foi tão bem na Série A2. Doda e Aidar cedem espaço. Zé desencanta.

5/1 (Alfredão)
NOROESTE 4 x 0 Rio Preto
Gols: Marcelinho (de cabeça, concluindo cobrança de Altair), Zé Carlos (de cabeça, após cruzamento de Gleidson), Aleílson (pegando rebote de cruzamento de Ricardinho pela esquerda) e Zé Carlos (de pênalti).
Escalação: André Luis (Nicolas); Márcio Gabriel (Júlio César), Matheus, Da Silva e Gleidson (Giovanni); Francis, Marcelinho (Hernani), Ricardinho (Doda) e Altair (Thiago Marin); Aleílson (Rafael Aidar) e Zé Carlos (Bruno Gaúcho).
Luciano Dias repete a escalação, com exceção do gol, assumido por André Luis. O time titular vai ganhando sua cara e Zé recuperando seu faro. Outra boa notícia: as tramas pela esquerda, com Gleidson apoiando bastante e participando de dois gols.

8/1 (Monte Sião)
NOROESTE 3 x 1 Velo Clube
Gols: Zé Carlos (duas vezes: um de pênalti e um de cabeça – após cruzamento de Márcio Gabriel) e Aleílson (jogada individual)
Escalação: André Luis; Márcio Gabriel, Matheus, Da Silva e Gleidson; Francis, Marcelinho, Ricardinho e Thiago Marin (Vandinho); Aleílson (Altair) e Zé Carlos.
A mudança da vez é a entrada de Thiago Marin no lugar de Altair. Depois, Vandinho aparece pela primeira vez. Aleílson e Zé Carlos vão se firmando no ataque, mesmo com a sombra de Otacílio Neto. Zaga parece fechada.

11/1 (Monte Sião)
NOROESTE 3 x 0 Rio Branco
Gols: Otacílio Neto (conclusão dentro da área após assistência de Doda), Vandinho (chute forte da entrada da área) e Doda (jogada individual).
Escalação: segundo a assessoria de imprensa, a comissão técnica solicitou não divulgar o time que entrou em campo. Mas, pelo que já havia sido comentado de todos se movimentarem e pelo que vi nas fotos divulgadas, eram os reservas – reforçados por Vandinho e Otacílio Neto, que estão entrando em forma. Quem identifiquei e, portanto, jogou: Cris e Halisson como dupla de zaga; Gustavo Henrique na lateral-esquerda; Altair e Doda na armação (sinal de que Thiago Marin está na frente); Vandinho e Otacílio no ataque – substituídos no intervalo por Rafael Aidar e Bruno Gaúcho.

O balanço do Norusca nessa preparação são quatro vitórias e dois empates, 15 gols a favor e quatro sofridos. Pela descrição dos gols, há força no jogo aéreo – em faltas laterais -, nas chegadas de linha de fundo e opções para chutes de fora da área. Jogadas individuais, com dribles na entrada da área, deverão estar na manga.

Quanto ao time titular, as certezas: toda a defesa, dupla de volantes e Ricardinho como terceiro homem do meio. Na outra vaga da armação, parece que Thiago Marin levou a melhor (concorre com Altair, Doda e até Vandinho). No ataque, Luciano Dias deverá começar com Aleílson e Zé Carlos, mas não se surpreenda se Tatá aparecer – acho mais provável no segundo tempo – pois veio para ser titular e só depende de sua forma física.

Com as dúvidas devidamente identificadas, aí está um rascunho do Norusca para a estreia. Atualizado em 15/1: o Noroeste divulgou os jogadores relacionados para a partida e Doda e Thiago Marin estão fora. Indício de que Vandinho ganhou a parada e Altair será opção. Otacílio também deverá começar jogando.

Balanço final da Copa Paulista

Análise jogador por jogador sugere quem pode continuar para o Paulistão 2011

Revendo os dados, jogo a jogo, desta participação noroestina na Copa Paulista, fica bem clara a intenção de Luciano Dias testar jogadores. No total, 29 atletas entraram em campo nas 16 partidas disputadas (cinco vitórias, quatro empates, sete derrotas; o Norusca marcou 21 gols – 1,31 por partida – e sofreu 25 – 1,56 -, ficando com saldo negativo).

Com o retorno do diretor executivo de futebol, Beto Souza, foi aunciado que o clube contratará de 12 a 15 jogadores. Isto é: para formar um elenco de 25 a 30 profissionais, pelo menos dez têm que ficar. Confira, então, a opinião do Canhota 10 sobre o desempenho de cada um que entrou em campo na Copinha e seu possível aproveitamento para o Paulistão – a esmagadora maioria para ser reserva:

Goleiros

YURI (13 jogos • 12 como titular • 18 gols sofridos)
Mostrou a mesma qualidade do início da Série A2, operou alguns milagres – sobretudo em lances mano a mano com o atacante – e poderá disputar posição com André Luis no Paulistão.

ALEXANDRE VILLA (4 jogos • 4 como titular • 7 gols sofridos)
Atuou no returno da primeira fase, seguindo plano de rodízio estabelecido por Luciano Dias. Há tempos sem jogar oficialmente, mostrou falta de ritmo e falhou em alguns gols. Deve ficar como terceiro goleiro, mas o jovem Weliquem poderia ganhar essa chance.

Laterais-direitos

RAFAEL MINEIRO (7 jogos • 7 como titular • 1 gol)
Seu bom passado maqueano o credenciou, mas foi uma decepção. Contratado para ser testado na Copinha, foi dispensado durante a competição.

MIZAEL (7 jogos • 6 como titular • 1 gol)
Destaque na conquista dos Regionais, empolgou de cara na Copinha, mas foi perdendo espaço. Luciano Dias o considerou afoito, mas o saldo para imprensa e torcida é positivo. Fica a impressão de que foi queimado, mas poderá ser observado nos Jogos Abertos.

Zagueiros

BONFIM (11 jogos • 11 como titular • 2 gols)
Capitão do time, rompeu a barreira de 200 jogos vestindo a camisa alvirrubra. Na reta final, foi para o banco, provavelmente para Dias observar Geilson um pouco mais. Por sua experiência, profissionalismo e ótima convivência com os colegas, deverá ficar para o Paulistão.

GEILSON (9 jogos • 8 como titular • 1 gol contra)
A exemplo da Série A2, oscilou como titular e reserva. Tem um estilo mais clássico, de pouco chutão e eu apostaria nele para ficar no banco.

LELLO (13 jogos • 12 como titular)
Começou muito mal como volante e se encontrou, mais tarde, na quarta-zaga. Compensa sua lentidão com bom posicionamento, mas dá sustos na saída de bola. O saldo? Também poderia compor o banco.

KELISSON (6 jogos • 6 como titular)
Afobado, é mestre em tomar cartão. Dá a impressão de que, amadurecido, pode se tornar um bom zagueiro. Mas, no futuro, não em 2011. Não deixará saudades.

Laterais-esquerdos

ROQUE (10 jogos • 7 como titular)
Unanimidade negativa. Pegava na bola, levava vaia. Eu imaginava que ele iria deitar e rolar sobre a molecada franzina, por seu porte físico. Mas errou muitos passes e pouco chegou ao ataque. Tem contrato até o fim do Paulistão. Rescisão?

GUSTAVO HENRIQUE (8 jogos • 8 como titular • 1 gol)
Chegou no meio da Copinha e não saiu mais do time. Lateral que busca o ataque e chega à linha de fundo, poderia, sim, ser uma opção para 2011, pelo menos na reserva.

Volantes

NEGRETTI (3 jogos • 3 como titular)
Após não ter se firmado na campanha da A2, esperava-se que teria sua grande chance na Copa Paulista. Perdeu a titularidade para Juninho logo de cara – e a vaga para o Paulistão.

JUNINHO (8 jogos • 7 como titular)
Entrou bem e mostrou-se voluntarioso por sempre arriscar chutes de fora da área – embora poucos levassem perigo relevante. Prefiro pensar que perdeu sua vaga de titular nos jogos finais pelo laboratório – ceder lugar a Tales, depois Marcelinho -, não por deficiência técnica, o que significaria ter sido queimado por Dias.

DEIVID (12 jogos •10 como titular • 1 gol)
Chegou como homem da bola parada – fez um gol olímpico que não foi atribuído a ele na súmula e perdeu um pênalti. Sofreu também da “síndrome Hernanes”: volante ou meia? No fim, jogou até de lateral-direito. Mostrou porque começou no Grêmio-RS e depois rodou por clubes menores: falta algo mais.

FRANÇA (2 jogos • 1 como titular)
Entrou em duas partidas fora de casa: na vitória sobre o XV de Jaú e na derrota (como titular) para o Linense. Não comprometeu e, se a base pegar a maior fatia desses dez ou mais remanescentes, pode ganhar uma vaguinha no Estadual.

HERNANI (7 jogos • 7 como titular)
O Tiozão voltou com o status de um dos craques de 2006. Recém-recuperado de uma artroscopia no joelho, ficou devendo, mas não faltaram disposição e passes precisos. O elenco precisará de sua experiência.

TALES (3 jogos • 3 como titular)
Para mim, a mais grata surpresa da Copa Paulista noroestina. Chegou com ótimas referências no início do ano, mas logo operou o joelho – e deixou muita curiosidade sobre seu potencial. É um volante calmo, que toca muito bem a bola e se posiciona melhor ainda. Tomara que fique.

MARCELINHO (2 jogos • 2 como titular)
Outro volante que sabe jogar bola. Acho que o Noroeste não precisa contratar nenhum volante para o Paulistão – ainda mais com o retorno de Júlio César.

Meias

WILLIAN LEANDRO (10 jogos • 4 como titular)
Já foi embora, chamado por Amauri Knevitz – que o trouxe para o Norusca – para reforçar o Corinthians Paranaense. Tem velocidade, certo apuro no drible, mas não é cerebral. E chuta mal a gol. Boa sorte, Willian.

NATHAN (1 jogo)
Atuou poucos minutos na estreia da Copinha. Fica difícil avaliar. Poderá ser observado nos Jogos Abertos.

GIOVANNI (10 jogos • 9 como titular • 1 gol)
É aquele jogador em que todos depositam esperança. É certo que tem potencial, mas esse talento todo ainda não veio à tona. Por ser a “joia” do clube, merece mais uma chance. Mas já não tenho convicção de que vingará.

ALMIR DIAS (7 jogos • 4 como titular • 1 gol)
Os mais exaltados imaginavam ser o protegido do treinador. No fim das contas, foi embora mais cedo. Um canhoteiro que oscila entre cadenciar e ciscar e tem alguns lampejos de camisa 10. Pouco – pouquíssimo! – para um Paulistão.

MARCUS VINÍCIUS (7 jogos • 6 como titular)
Seu último teste no laboratório foi como meia, apesar de ser atacante de origem. Chegou com pedigree de jogador de Seleção de base, mas espantou a todos por ter tão pouco fôlego e apenas 20 anos.

CLEVERSON (12 jogos • 10 como titular • 2 gols)
Imaginei que iria arrebentar na Copinha – fez dois golaços e nada mais. Decepcionou, sobretudo quando Luciano Dias o improvisou no ataque. Mesmo assim, está cotado para continuar no Noroeste. Deve ser um dos jogadores que o treinador acredita que irão render melhor ao lado de colegas mais qualificados.

RICHARD (3 jogos • 3 como titular)
Depois de cinco anos de investimento em sua formação, o clube simplesmente deixa o contrato vencer e libera o menino… Pior: suas atuações foram elogiadas. Pode ter escorrido pelas mãos alvirrubras um grande jogador.

Atacantes

ADILSON SOUZA (5 jogos • 3 como titular • 1 gol)
Começou titular, fez o primeiro gol noroestino na competição e só. Sugestão: voltar para o XV de Piracicaba, onde é ídolo.

LELECO (7 jogos • 1 como titular)
Está na mesma situação de Giovanni: não estoura. No YouTube, há vários golaços seus atuando na base. No profissional, nada de rede balançar. Uma pena.

RAFAEL AIDAR (15 jogos • 12 como titular • 3 gols)
Teve seu desempenho contestado por Dias a certa altura do campeonato. É raçudo, mas precisa erguer mais a cabeça para enxergar o jogo e antever situações. Será reserva no Paulistão.

PAULO ROBERTO (7 jogos • 1 como titular • 2 gols)
Só foi titular na estreia. Seus dois gols na última partida não salvaram sua pele. Acabou pagando o preço de ser homem de área de um time que criava pouco – e não tinha habilidade para buscar jogo.

DIEGO (10 jogos • 8 como titular • 5 gols)
Vindo do Qatar, era uma das grandes incógnitas. Disposto a ganhar espaço, atuou como centroavante, apesar de aparentar características de segundo atacante – drible e velocidade. Bastante cotado para o Paulistão, poderá ser o homem do segundo tempo das partidas.

Conclusão
Precisa contratar dois laterais, uma dupla de zaga titular (Anderson Marques seria uma boa) e encontrar bons meias de criação – artigo raro. Volante, nenhum! O Norusca está bem servido nessa posição. No ataque, além de Vandinho, Otacílio Neto, Zé Carlos, Diego e Rafael Aidar, poderia vir outro camisa 9 de ofício – Somália, hoje no Duque de Caxias, é um bom nome.

Fim da linha para a Locomotiva

Direto do Alfredão

Com um mês e meio de salário atrasado – segundo o próprio treinador Moisés Egert afirmou a Jota Martins, da 87FM – o XV de Piracicaba veio a Bauru num surpreendente e clássico 4-3-3. Isso mesmo: ponta-direita, centroavante e ponta-esquerda. Visitante pra lá de ousado, disposto a definir sua classificação para a terceira fase da Copa Paulista, matou o jogo logo aos nove minutos, suportou a pressão noroestina no segundo tempo e garantiu sua vaga. O Noroeste está eliminado e cumprirá tabela no próximo sábado, contra o Barueri – que venceu a Francana (1 a 0) e também se classificou. A partir de agora, são cerca de três meses até a estreia no Paulistão 2011, tempo suficiente para montar o elenco e prepará-lo para os dois grandes objetivos da próxima temporada: manter-se na elite e garantir a vaga na Série D.

O JOGO

1º tempo
Com clima agradável, a partida começa numa correria frenética, de uma intermediária a outra. Mas a primeira chance de gol ocorre apenas aos cinco minutos, por parte dos visitantes. O XV faz trama dentro da área e a bola sobra para Roni, que finaliza mal, de bico, para fora. Quatro minutos depois, o ofensivo e destemido Nhô Quim abre o placar. O ponta-direita Rogerinho desce em velocidade e cruza rasteiro para Fábio Santos, da marca do pênalti, fuzilar Yuri.

O Noroeste só responde aos 14. Gustavo Henrique faz a ultrapassagem pela esquerda e cruza; Diego cabeceia para fora. Aos 16, Marcus Vinícius tenta gol olímpico e Gilberto espalma. Dois minutos depois, Deivid leva sonora bronca de Luciano Dias, após chutar falta na barreira – com tanta gente esperando na área.

O XV volta a assustar aos 25, em cobrança de falta do canhoto Jordy, que obriga Yuri a se esticar no ângulo direito. A essa altura, o panorama do jogo é de lançamentos longos – e equivocados – por parte do Norusca e contra-ataques envolventes do time alvinegro, até com certa firula. Aos 29, em uma dessas tramas, Marcos Silva chuta de longe e a bola passa rente ao travessão.

Aos 34 minutos, é possível afirmar tranquilamente que o XV bota o Noroeste na roda. Marcos Silva manda no meio, Rogerinho apavora pela direita e o centroavante Fábio Santos se impõe fisicamente sobre a dupla de zaga. Luciano Dias, a exemplo do que faz Guerrinha no basquete, lamenta com o banco de reservas, em tom didático, cada lance equivocado de seus jogadores.

Marcus Vinícius, em chute da intermediária, quase empata aos 38: a bola passa à direita de Gilberto. O Alvirrubro volta a incomodar nos minutos finais, inclusive pedindo pênalti inexistente – para pressionar o árbitro, que tem má atuação, invertendo faltas a favor do XV. Por ingenuidade – ou fé na legalidade – não gosto de pensar em favorecimento. Só posso afirmar que o XV contou com erros da arbitragem nos dois jogos contra o Noroeste (na ida, pênalti inventado pelo bandeira Vicente Romano; na volta, faltas invertidas, permissividade a cera e gol alvirrubro anulado).

Intervalo
Ao microfone de Thiago Navarro, do Jornada Esportiva, Diego assume ter ficado devendo: “Errei a conclusão de duas jogadas”. Já o goleiro Yuri diagnostica: “Temos que ter a cabeça fria e criar um pouco mais”.

2º tempo
Precisando da vitória, o Noroeste chega logo aos 40 segundos, com bom chute de Gustavo Henrique, por cima. Dominante em campo, o Alvirrubro volta a incomodar aos 11, novamente com o camisa 6 pela esquerda, que cruza forte e Rafael Aidar, de carrinho, finaliza para fora.

O Norusca segue com mais posse de bola, mas sem conseguir acertar os passes decisivos. Aos 20, Diego, saindo muito da área, sente a coxa esquerda – que o incomodou no jogo de ida contra a Francana – e pede para sair. Paulo Roberto, homem de área, é incentivado por Luciano Dias. Logo após a terceira substituição, Marcelinho sente cãimbras e parte para o sacrifício – ele não estava no melhor de sua forma.

Aos 27 minutos, o capricho dos deuses da bola. Rafael Aidar desce em velocidade pela direita e carimba o travessão. Na sequência da jogada, Paulo Roberto finaliza rasteiro e a zaga afasta. No minuto seguinte, o susto: Marcos Silva cobra falta no ângulo, do lado de fora da rede.

O sangue rubro esquenta aos 30. Pilhada com a duvidosa atuação da arbitragem, a torcida – com a faixa exposta de cabeça para baixo – não acredita quando vê o gol anulado de Leleco, supostamente impedido. Dois minutos à frente, o assistente deixa o jogo correr em posição duvidosa de Fábio Santos; Yuri, como de costume, opera milagre aos pés do atacante adversário.

Leleco, agora claramente em condição legal, perde gol impressionate aos 35: Gustavo vai à linha de fundo e o camisa 18, sem pulo, carimba a trave esquerda. O goleiro Gilberto se contunde no lance e valoriza o tempo antes de ser substituído por Leandro.

A essa altura, o ofensivo XV já lembra a mais retrancada formação suíça. Aos 40, Paulo Roberto faz o giro na pequena área e o goleiro reserva abafa, a queima-roupa. Aos 43, Marcus Vinícius, no auge de seus 20 anos de idade, está pregado – e o time prefere insistir na armação com ele a lançar a bola na área. Somente depois que o preparador de goleiros Bira berra para Yuri orientar a defesa é que o Noroeste tenta o abafa, lançando bolas à área – sem sucesso. Após o apito final, todo o time do XV vai cumprimentar o trio de arbitragem.

Fim de jogo
Rafael Aidar diz ao Jornada que o momento é de erguer a cabeça. “A vida continua, o Noroeste continua”, filosofa o camisa 11. “A gente sabia que a pressão seria grande, por termos conseguido o acesso. Agora temos que sair com dignidade, fazer um bom jogo em Barueri”, concluiu o goleiro Yuri.

O capitão Hernani assumiu a bronca em nome do time e foi à sala de imprensa, ainda de uniforme, lamentar a eliminação. Depois, foi a vez de Luciano Dias, que destacou a luta do time. “Na vida, nem sempre a gente ganha. Mas houve entrega. Orientei os jogadores para não relaxarem para o próximo jogo, que vale como observação para o nosso trabalho visando o Campeonato Paulista”, disse, não sem antes se irritar com a palavra LABORATÓRIO, enfatizada por ele mesmo semanas atrás.

Luciano Dias: “Por que essa preocupação toda?”

Ok, o Norusca pode contratar bons jogadores, treinar direitinho e jogar bonito no Paulistão 2011 – e essa é a torcida de todos. Mas os corajosos e fiéis noroestinos que têm comparecido ao Alfredão, hoje – e tantos outros ligados no rádio e na internet -, não merecem tamanha indiferença com a Copa Paulista.

Que fique clara a vontade dos jogadores. Dá para perceber que entram nas divididas, vibram, lamentam. Bira, o treinador de goleiros, quase vai à loucura com os erros de arbitragem e grita como louco para orientar a zaga, posicionado nos camarotes, na mesma linha dela. O próprio Luciano Dias gesticula a partida inteira, conversa com os jogadores, dá bronca. Mas, seu discurso final põe tudo a perder, ao deixar claro que essa participação não passa de um laboratório.

Respondendo a perguntas de Jota Martins, da 87FM, Dias instigou os profissionais de imprensa: “Vocês são experientes, conhecem futebol, sabem que não é sempre que isso acontece, gol contra a um minuto, pênalti perdido…”. O repórter “bom de bola” apertou o treinador, questionando a validade deste segundo semestre visando 2011: “Não vejo porque perder a confiança para o Paulistão. Estamos fazendo experiência. Não pode jogar todo mundo num saco e dizer que ninguém vale nada. Há jogadores de potencial que, junto com os atletas que chegarão para reforçar, irão render mais.”

Filosofando, Dias acredita que atletas do calibre de Bonfim, Lello e Hernani, habituados à elite, têm dificuldades para se adaptar a uma Copinha. Para ele, times menos expressivos estão acostumados a esse nível de disputa. Convenhamos: se tomam correria de molecada da A3, como será em um confronto com os meninos da Vila?

Por fim, Luciano Dias entrou em contradição, pois sempre assumia a responsabilidade de treinar e escalar, mesmo com Marcos Antônio atuando à beira do gramado. Num momento de autodefesa, porém, disse a Thiago Navarro, do Jornada, a seguinte frase: “Por que essa preocupação toda? Só perdi uma partida em casa comandando o time do banco [contra o Barueri]“. Isto é, tirou sua responsabilidade sobre os jogos dirigidos pelo auxiliar. Infeliz, a postura.

Ainda sigo na contramão dos colegas e da torcida, com dúvidas se a demissão de Dias é o melhor caminho para o Noroeste. Suas últimas declarações, porém, deixaram-me com poucos argumentos. Só torço para que Damião Garcia, se for trocar, que seja logo após a Copinha. Que não repita o erro de começar com um técnico que logo cai – lembram de Fescina e Scarpino?

Laboratório maluco

Direto do Alfredão

A história se repete: escalação diferente – segue o laboratório -, atribuição do mau jogo ao descontrole emocional e muita tranquilidade do treinador Luciano Dias em relação aos resultados deste semestre. Portanto, não perca o seu sono. O Noroeste, após empatar com a Francana, em casa, no fechamento do turno da segunda fase da Copa Paulista, parece estar a três jogos de encerrar o semestre – e começar a montar o elenco do Paulistão.

Em partida televisionada e noite fria – a prometida chuva não passou de garoa – o torcedor preferiu o conforto do sofá e foi batido o esperado recorde negativo: 93 pagantes. Ironicamente, foi um bom jogo. Mesmo que se questione a técnica, não faltaram chances de gol.

Com apenas um ponto no grupo 7 (Barueri tem sete, XV, cinco, e Francana, dois), a tarefa ficou quase impossível.

O JOGO

1º tempo
No primeiro minuto, o zagueiro Rodrigo, em cobrança de falta, testa Yuri. O camisa 1 noroestino pega, seguro. Aos três, Giovanni é lançado na direita, busca na linha de fundo, recua na diagonal e rola para Deivid, da meia-lua, chutar com perigo, de canhota, à esquerda de Rodrigo Calchi.

O Norusca quase abre o placar aos oito, quando Rafael Aidar arrisca de longe, a bola desvia em Cristiano e vai a escanteio. Na cobrança de Deivid, de novo Aidar: ele raspa de cabeça e a bola atravessa na frente do gol.

Depois do início empolgado do Alvirrubro, a Veterana se reorganiza taticamente e mata as tentativas ofensivas. Talvez por isso, Luciano Dias chama o atacante Marcus Vinícius para mexer no estilo de jogo. Enquanto o camisa 17 esperava a bola sair, o Norusca chega ao primeiro gol. Aidar arrisca chute da intermediária, a bola quica na grama molhada e o goleiro Calchi assina o frango. O camisa 11 vibra muito, todo o time vai comemorar com ele, como se descarregassem todo o clima pesado da semana.

Quatro minutos depois, já com Marcus Vinícius em campo, no lugar de Mizael – e Deivid deslocado para a lateral –, vem o segundo gol, novamente com “colaboração” do adversário. Giovanni vai à linha de fundo, cruza rasteiro e os zagueiros batem cabeça. Da lambança sai o gol contra de Rinaldi, mas o árbitro anota para Diego, que estava na dividida.

A Francana dá seu segundo chute a gol somente aos 40, em cobrança de falta de Fabrício. No minuto seguinte, Júnior Preto é lançado no mano a mano com Yuri, que abafa a finalização do camisa 9 e arranca aplausos de todas as testemunhas presentes no Alfredão.

Intervalo
Ao microfone de Thiago Navarro, do Jornada Esportiva, Diego, sem disfarçar a risada, diz que o gol foi dele. Já Deivid reclama do árbrito: “O juiz está deixando bater”. Os atletas de Franca, realmente, foram a campo travas afiadas.

Uma curiosidade: a Rede Vida esteve no Alfredão com cinegrafistas e repórter. Narrador e comentarista ficaram nos estúdios, em São José dos Campos (fazendo a famosa narração por tubo)

2º tempo
Já no primeiro minuto, a Francana não permite que o Noroeste conduza o segundo tempo de forma tranquila. Cris levanta bola em cobrança de falta, da direita, e Geilson desvia contra o próprio gol. 2 a 1. Aos cinco, o time bauruense tenta dar a resposta: Diego briga na área, a zaga trava e Giovanni finaliza o rebote por cima.

Movimentado, o jogo merecia mais público. E o Norusca merecia tomar outro gol, pela desatenção. Em cobrança de falta ensaiada, Rodrigo solta a bomba, Yuri rebate e Fabrício, sozinho, empata aos 12. Dá para ouvir o preparador de goleiros, Bira, comentar que o chute era impossível de encaixar, pela força e velocidade que pegou. A falha foi da defesa, por permitir o arremate.

A reação é imediata. No minuto seguinte, Gustavo Henrique invade a área e é derrubado por Régis. Deivid se apresenta para cobrar o pênalti. Bate a meia altura, no canto direito, e o goleiro Rodrigo Calchi faz linda defesa.

A Francana se sente à vontade no jogo e quase passa à frente no placar aos 26, quando Yuri toma outra bomba no peito e Williams Nascy, no rebote, consegue perder o gol, mandando a bola nos eucaliptos.

O Alvirrubro só assusta aos 33, quando Aidar desce pela direita e rola na entrada da área para Marcus Vinícius bater rasteiro – o goleiro defende. Um minuto depois, Deivid cruza e Paulo Roberto é travado na subida. O árbitro marca simulação do centroavante noroestino…

Aos 40, repetição da jogada de sete minutos antes e, novamente, Calchi pega chute de Marcus Vinícius. Aos 45, Ramon desce rápido pela esquerda e Nascy finaliza com perigo. Na última chance de vencer, Deivid chuta falta na barreira.

Fim de jogo
“Dizem que pênalti na costura [no canto] ninguém pega. Ele pegou… Não errei nenhum pênalti nos treinamentos”, comenta Deivid, a Thiago Navarro, sobre o gol desperdiçado. O capitão Hernani avaliou o momento noroestino: “Não faltou empenho nem luta, apenas tranquilidade e posse de bola. O momento é de dignidade. Temos que sair de campo esgotados por ter dado o melhor.”

A exemplo do último sábado (25/9), o técnico Luciano Dias é cercado pelos repórteres e mantém a calma. E, novamente, suas declarações merecem um texto a parte.

Luciano Dias: “Falta coragem à nossa equipe”

Ao final da derrota por 3 a 0, em casa, para o Barueri (primeira rodada da segunda fase da Copa Paulista), o treinador Luciano Dias foi cercado, à porta dos vestiários, pelos repórteres. A sabatina era mais do que necessária, não somente pela derrota, mas por ser a primeira vez que o comandante atuara ali, à beira do gramado, neste semestre.

Reproduzo abaixo alguns trechos que consegui tomar nota, da cabine de imprensa, ouvindo as respostas de Luciano Dias aos colegas Jota Augusto (Auri-Verde), Thiago Navarro (Jornada Esportiva) e Jota Martins (87FM):

Apatia do time
“Eu não posso entrar em campo. Procuro motivar, mostrar situações, mas é o perfil do grupo… Falo isso não é de hoje: falta coragem à nossa equipe, mas não conseguimos embutir isso na cabeça dos atletas.”

A vontade e a raça do Barueri
“O perfil das equipes dessa Copa Paulista é de jovens com muita correria e vibração. Deveríamos atuar assim também.”

Laboratório
“Mais do que ninguém, não quero perder a Copa Paulista. Tenho uma carreira vitoriosa como treinador e jogador e não gosto de perder. Sou eu quem sai mais chateado. Mas foi combinado que a Copinha é laboratório. Claro que quero ganhar, mas não se pode cobrar título desses jogadores.”

Permanência no cargo
“Não temo demissão. Tenho um acordo com o Seo Damião. O foco é o Campeonato Paulista. O que posso fazer nesse momento é com o que está nas minhas mãos. Esse é o time. Então, não vamos achar que é o fim do mundo.”

Resumindo o que deve ter sido combinado no início do semestre – inclusive amarrando com as declarações do gerente de futebol Ricardo Occhiuto a Jota Martins no meio da semana (que poucos ficarão para 2011): vamos experimentar atletas e garimpar os melhores para compor o grupo do Paulistão. Se, de quebra, ocorrer uma boa atuação na Copa Paulista a ponto de brigar pelo título, é lucro.

Está claro que este time que perdeu de 3 a 0 para o modesto Barueri não será o de 2011. Mas, para o torcedor, entrou em campo, tem que honrar a camisa, lutar pela vitória, querer a taça, por menos significativa que pareça ser. Aliás, o Noroeste, convenhamos, não é time de elite para esnobar Copa Paulista. É uma taça que faria muito bem à galeria do clube, como fez em 2005.

O mais preocupante das declarações de Luciano Dias – que tentou se esquivar depois dizendo a um dos repórteres “Não coloque palavras na minha boca” – é a afirmação de que o time não assimila do treinador um espírito guerreiro. Acho que a maioria do grupo ainda não entendeu a mensagem de que não há ninguém garantido para o Paulistão. Isso, no entanto, não exime a responsabilidade de Dias. Ele não pode entrar em campo, mas pode substituir melhor e, sobretudo, cobrar ainda mais empenho – é sempre bom lembrar que, ao contrário de muitos times do interior do Brasil, o Noroeste paga em dia.

Alguns colegas da crônica acreditam que Luciano Dias não tem perfil para comandar o Norusca na Série A1. Que é ótimo para acesso e só. Tenho dúvidas em cravar essa opinião, ainda mais por aparentar ser um profissional sério e com vontade de crescer. E apesar dessa bolinha pequena na partida contra o Barueri, a maioria concordava que ele havia encontrado a melhor escalação – exceção feita a Aidar no banco.

Tenho restrições a ele como formador de elenco – na A2, herdou time montado por Amauri Knevitz. Nesse quesito de montar time, aliás, Paulo Comelli é imbatível – e não vai aqui nenhuma indireta…

Foto na homepage: Reprodução Rede Bom Dia/Cristiano Zanardi

Noroeste leva 3 a 0 em casa…

Direto do Alfredão

Atordoado, sim. Incrédulo, apenas o torcedor que não viu de perto. Pois quem foi ao Alfredo de Castilho viu um Noroeste disperso e sem vibração. Viu também o humilde Barueri atuar com raça e determinado a fazer o arroz-com-feijão do visitante: defesa fechada e eficiência no contra-ataque. Foi a primeira participação do treinador Luciano Dias à beira do gramado neste semestre. Ao final da partida, foi sabatinado pelos colegas que transmitiram o jogo e deixou claro que o título não é a prioridade e, sim, o laboratório. Os quase 400 torcedores que foram presitigiar o time, então, foram testemunhar mais uma experiência malsucedida.

Com o empate entre Francana e XV de Piracibada, o Barueri lidera e o Noroeste é o lanterna do grupo 7. O Norusca – fica meio chato chamar de Trem-Bala numa situação dessas… – encara o XV, melhor time da primeira fase da Copa Paulista, na quarta-feira, fora de casa.

O JOGO

Primeiro tempo
A partida começa amarrada. Os times, que nunca se enfrentaram na história, parecem mesmo se sondar. Nos primeiros minutos, ao menor sinal de avanço noroestino, o cauteloso Barueri mata a jogada. Em todas essas faltas da intermediária, Deivid coloca na área e o goleiro Camilo afasta o perigo.

O primeiro lance relevante só ocorre aos 14 minutos, quando Gustavo avança à área, vai à linha de fundo e cruza rasteiro. A zaga tenta cortar e quase faz contra, obrigando o goleiro a colocar a escanteio. Na cobrança, o calibrado Deivid tenta olímpico e Camilo defende com dificuldade.

O Barueri responde aos 23, em chute de Geninho, de fora da área, que passa perto da trave direita. Sete minutos depois, Hernani erra passe e arma contra-ataque do lateral Tiaguinho. Ele carrega em diagonal e chuta à esquerda de Yuri.

A torcida começa a se irritar com as poucas jogadas de ataque. O time insiste muito pela direita, com Deivid e Mizael, e principalmente na base do lançamento longo (chutão, para os íntimos). A solução parecia estar na esquerda. Aos 37, Gustavo faz linda jogada: costura três adversários invandindo a área e rola para Cleverson tentar o chute. A bola rebate na zaga e sobra para Diego, que fura feio.

Aos 44, o merecido castigo. A bola é cruzada da direita, viaja por toda a área e encontra Geninho, o artilheiro do time, do outro lado da área. Ele domina, prepara e fuzila no meio do gol – o seu oitavo na competição. O primeiro tempo logo termina e as vaias ecoam firmes.

Intervalo
Luciano Dias pede atenção do time, sobretudo para aproveitar as jogadas de bola parada. Fala para Mizael ser mais ousado no ataque: “Miza, parte para cima dele!”. Ao final das orientações, repete três vezes: “Alguma dúvida?”. Sem questionamentos, emenda: “Então, vamos!”.

Segundo tempo
A partida recomeça quente. Logo aos 40 segundos, o bom lateral Gustavo avança e bate forte, de três dedos e muita curva. Camilo espalma como pode. Um minuto depois, é a vez de Deivid chutar com perigo. Sempre Norusca: aos sete, o zagueiro Diego Borges tenta cortar cruzamento alto e por pouco não faz contra.

Quando finalmente Luciano Dias coloca o aclamado Rafael Aidar em campo, aos 15, dá tudo errado. Ele tira Gustavo Henrique (com dores, pediu para sair, segundo o treinador), melhor em campo, e recua Giovanni para a lateral. Desacostumado à sua posição de origem e afobado – ou inconsequente mesmo –, o camisa 10 logo dá um carrinho violento, por trás, na linha do meio campo. É justamente expulso. Para tentar arrumar, Dias coloca Roque no lugar de Mizael; Juninho é improvisado na direita.

Aos 19, Rafael Aidar é lançado no lado esquerdo da área e bate cruzado para fora. Dois minutos depois, o árbitro expulsa o lateral Diogo, igualando numericamente as equipes.

A expulsão, entretanto, não intimida o time visitante. Aos 28, em contra-ataque veloz, Wanderson é lançado entre a linha dos zagueiros e toca tranquilo, rasteiro, na saída de Yuri. A partir daí, o Norusca se entrega. Aos 32, o lateral Tiaguinho coloca a bola entre as pernas de Bonfim e sofre pênalti. O centroavante reserva Magrão cobra tranquilo no canto direito, 3 a 0.

A partir daí, o que se vê é o Noroeste sem forças para reagir e um Barueri que não relaxa, mesmo com o placar garantido. Cada desvio ou roubada de bola é comemorado com entusiasmo. Aos 41, o Alvirrubro tem sua última boa chance: Diego domina no peito e finaliza forte, por cima. No minuto seguinte, em boa trama, Magrão rola para Geninho chutar forte e Yuri espalmar.

Fim de jogo
O goleiro Yuri, ao microfone de Thiago Navarro, do Jornada Esportiva, lamenta: “Não sei o que acontece com nosso time, dar esse vexame em casa. Dá vergonha. Se a gente for de qualquer jeito em Piracicaba, podemos perder de novo”. As declarações do treinador Luciano Dias merecem um capítulo à parte…

Nota: o novo assessor de imprensa do Noroeste é Diogo Carvalho, até outro dia repórter do Jornada. O Canhota 10 deseja sucesso ao novo desafio do colega, que faça bom trabalho. Pelo press kit que forneceu a quem transmitiria a partida, começou bem.