Todo o conteúdo sobre Larry

Bauru x Brasília, jogo 2

O Itabom/Bauru resistiu o quanto pôde, mas Brasília chegou a 18 vitórias em 20 jogos pelo NBB em 2012. Agora, os guerreiros terão que se desdobrar no jogo 3, nesta terça, para evitar o fim da série quartas-de-final.

Confira meu texto sobre o jogo, mais uma colaboração para o Basketeria, clicando aqui.

O texto pré-jogo, para quem não leu, está aqui.

Em tempo: a vitória do Bauru Basket sobre o Tijuca

Larry: cada dia mais alienígena em quadra

O jogo foi sábado, todo mundo já leu nos jornais, repercutiu no Facebook, enfim, estou atrasado. Mas ainda vale falar sobre a vitória do Itabom/Bauru, depois de três insucessos – ainda mais porque tem cliques legais, logo mais abaixo.

Era para ter sido mais fácil. Encarei como passeio em família, fui com esposa e filha, comprei pipoca, relaxei depois da pilha de nervos que foi a derrota para o Flamengo… E não é que o Tijuca engrossou o jogo? Raçudo, o time carioca, compensando na luta as deficiências técnicas. E, também como bons cariocas, marrentos que só os componentes da comissão técnica, que responderam às provocações dos torcedores que estavam atrás do banco – inclusive o treinador Miguel Angelo da Luz, que mandou uma meia dúzia para a ponte que partiu.

Apesar do jogo difícil, da displiscência no segundo quarto, vale comemorar o bom jogo de Jeff, que andava mal. Foram 22 pontos e 9 rebotes. Larry ficou quase todo o tempo em quadra para, com duplo-duplo (20 pontos e 11 assistências) garantir a vitória por 87 a 81, concluindo lances decisivos, ainda mais depois de duas bolas perdidas seguidas de Thyago Aleo. Agora, dois desafios duríssimos fora de casa: Paulistano e Uberlândia. Tem que trazer pelo menos uma vitória na bagagem.

“Vínhamos de três derrotas, algumas inesperadas e a vitória foi importante. Tijuca vem crescendo no campeonato, chegaram bons jogadores, o Rodrigo Bahia está bem. Não é um time bobo, é perigoso”, comentou o pivô ANDREZÃO, sobre a partida.

“A vitória era crucial, um jogo que não poderíamos perder. É um campeonato duro, temos que estar preparados para todos os adversários. Mas o jogador, inconscientemente, por ser um adversário teoricamente fácil… Tenho que fazer um trabalho para passar a importância do jogo. Acabamos ganhando, mas pode haver um dia com derrota e complicar tudo”, disse GUERRINHA sobre a habitual relaxada do time contra times mais fracos.

“Todas as vezes que perdemos o terceiro quarto, havíamos terminado muito bem o primeiro tempo. É normal o outro time vir do vestiário com um ‘é agora ou acabou!’. E nós voltamos com um ‘tudo bem’, que no basquete dura dois minutos. O contrário é melhor. É melhor terminar o primeiro tempo mal, porque volta mais ligado. Mas demos moral demais, fizemos Tijuca acreditar na vitória e corremos sério risco de perder”, ainda GUERRINHA, explicando a nova ‘síndrome’ do time, que agora vai mal no segundo quarto – antes era no terceiro.

“Bauru é muito forte, ainda mais com a torcida a favor, entramos mal no primeiro tempo, as conseguimos recuperar antes do intervalo. Voltamos com determinação, tentamos dar o máximo”, avaliou o armador GEGÊ, do Tijuca.

“É sempre bom voltar a Bauru. O pessoal daqui está fazendo um bom trabalho, a cidade está de parabéns”, elogiou o ala JEFFERSON SOBRAL, que disse ainda estar longe de sua forma ideal: “Falta muito ainda, joguei apenas cinco partidas, vai demorar um pouco para entrar em ritmo de jogo. Mas o que importa é que a equipe está melhorando e tem condições de se classificar“.

A seguir, fotos do confronto do último sábado (11/2):

Jeff aguarda, atento, arremesso de lance livre

Os guerreiros no ataque

O técnico campeão mundial Miguel Angelo da Luz: até ele respondeu às provocações dos torcedores

Larry e Jeff: eles comandaram a vitória bauruense

Gaúcho vai para a bandeja

Bauru 1, arrogância 3

Cheguei em casa após a partida de sexta-feira às 23h30, mala para fazer e estrada na manhã seguinte, para São Paulo. Apesar de os dedos estarem coçando, não fiz a matéria sobre o jogo… A partir daí, decidi resumir tudo o que vi na minha coluna de segunda-feira, no BOM DIA. ela se chama ‘Papo de FUTEBOL’, mas permite essa louvável exceção que é o Bauru Basket. O editor-chefe Thiago Roque, exímio armador na juventude, defendendo sua Descalvado em Jogos Regionais, topou na hora. É minha singela homenagem a esse time de guerreiros que arrebatou meu coração rubro-negro. Espero que gostem.

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Texto publicado na edição de 2 de maio de 2011 no jornal Bom Dia Bauru

O time de Bauru

Em janeiro de 2001, a revista Placar, maior publicação futebolística no país, trouxe Gustavo Kuerten em sua capa, com a chamada “O que esse cara está fazendo na nossa capa?” A quebra de protocolo tinha enorme justificativa: no mês anterior, Guga havia fechado o ano como primeiro do mundo, algo antes improvável para um tenista brasileiro. Lembrei-me desse precedente para transferir este papo do futebol para o basquete e, assim, desfazer o nó que está na minha garganta desde a última sexta-feira.

Foi quando o time de guerreiros se despediu do Novo Basquete Brasil sob calorosos aplausos. Normalmente, o derrotado deixa o campo de batalha sob vaias ou indiferença. Não o Itabom/Bauru Basket. A equipe nunca se entregou. O gigante Flamengo não conseguiu calar o ginásio da Luso. Sua comemoração do bonde sem freio, ao final da partida, foi constrangedora. Os rubro-negros tinham todo o direito, como vencedores, mas deveriam aplaudir o público bauruense, muito mais apaixonado pelo basquete – a arena da Barra, no Rio, esteve às moscas nos jogos 2 e 3 do playoff.
A postura arrogante do Flamengo durante essas quartas de final constrangeu a mim, flamenguista desde sempre (no gramado), que sabe que o Manto Sagrado é muito maior do que a marra de Marcelinho. Maior ainda do que o estafe carioca, que na retaguarda do banco de reservas não soube levar na esportiva vaias e provocações naturais de uma disputa tensa.

Durante o jogo, eu olhava para aquele escudo em peitos tão indignos e tentava borrá-lo em minha mente. Por ser impossível tarefa, foquei-me no sorriso do boleirão Larry – que transforma uma aparente displicência em eficiência –, na raça de Pilar, na entrega de Fischer. Mal sabia, àquela altura da partida, que as lágrimas de Douglas Nunes lavariam a alma de todos. O camisa 13 lamentou o erro na última bola. As palmas que o afagaram não eram de perdão, não havia o que desculpar. O torcedor agradecia a dedicação.

Reconhecimentos ilustres
A jornalista Vanessa Riche, do Sportv, veio a Bauru e disse, em  conversa com a coluna, ter ficado impressionada com o caldeirão que é o ginásio da Luso. “Se fosse jogadora, não conseguiria atuar aqui. Que energia!”, confessou. Já o gerente técnico da Liga Nacional de Basquete, Lula Ferreira, elogiou o trabalho da diretoria bauruense. “O Bauru Basket se cercou de pessoas competentes, descobriu talentos. Muitos desses jogadores, que ainda buscam uma posição de destaque, já chegaram muito longe. E o principal é que não foi formado simplesmente um time de basquete, mas um time da cidade”. O time de Bauru.

Visibilidade e grana
A diretoria teve uma boa sacada para o confronto decisivo, com TV. Encomendou uniformes novos, agora com a marca Itabom nas costas, sobre os números. Maior visibilidade para a empresa que fez essa equipe acontecer – e que precisa de mais apoio financeiro. Os diretores Vitor Jacob e Joaquim Figueiredo demonstraram otimismo em fechar com mais um patrocinador master. Há conversas em andamento. Somente com mais grana o time conseguirá manter o pivô Jeff e trazer um brasileiro de renome.

Cordialidade
O ala Pilar, símbolo da raça do Bauru Basket, foi conversar com o ala Marcelinho assim que o cronômetro zerou. “Foi uma série muito tensa, de muita animosidade, muita marcação entre mim e ele. O Marcelinho é um cara que põe um desafio na quadra como o último da vida dele. Joga de forma agressiva, eu também. Houve discussão no Rio. Mas, no final, somos todos jogadores e a quadra é só uma fantasia da vida. Ele é guerreiro como a gente. Eu disse que o respeito e desejei boa sorte”, revelou à coluna. Eu tenho ou não que torcer para um time desses? Com muito orgulho.

Bauru 1, Flamengo 0

Renato, aniversariante do dia, chuta marcado por Atila. Foto de Sergio Domingues/HDR Photo/NBB

 

Guerreiros mantêm vantagem durante quase todo o jogo, sofrem pressão no fim, mas abrem playoff em vantagem

Direto da Luso

Como esperado, foi no sufoco, na palpitação, testando os nervos do torcedor. Mas deu Bauru. O Itabom venceu o Flamengo neste domingo de páscoa (24/4) por 87 a 85 e abriu 1 a 0 nos playoffs das quartas de final do Novo Basquete Brasil. No início do último quarto, parecia que seria um chocolate, mas, como bem lembrou Guerrinha ao final da partida, não há vantagem cômoda contra um time experiente como o Flamengo.

No primeiro quarto, Bauru errou muito e terminou em desvantagem de três pontos. A reação veio nos períodos seguintes e o time da casa fechou o terceiro quarto 15 pontos na frente. Aí, começaram a cair as bolas de três de Duda e Guto e a vantagem folgada foi para o espaço. Na última bola, dois pontos atrás, Duda tentou de três no estouro do cronômetro e errou. Alex garantiu a vitória pegando o rebote.

Enquanto Bauru teve um sexteto fantástico – Pilar, o sexto homem, foi o mais eficiente bauruense em quadra (12 pontos, seis rebotes e quatro assistências) – o Flamengo não mostrou conjunto. Dependente de Marcelinho (30 pontos!), contou com Hélio e Teichmann em partidas discretas, além de Wagner e Fred terem zerado em pontos. Além disso, Bábby saiu do ginásio no intervalo, com dores lombares.

Digo sexteto fantástico porque, além de Pilar, os cinco titulares pontuaram em dois dígitos. Larry (16), Alex (10), Fischer (16), Douglas (14) e Jeff (16). O Alienígena ainda pegou cinco rebotes e deu seis assistências. Jeff pegou nove rebotes e levantou a galera com duas cravadas. Douglas protagonizou lance importante no primeiro tempo, quando converteu arremesso de três e sofreu falta (um lance de quatro pontos).

A partida foi aquela marra rubro-negra de sempre, chorando faltas, simulando quedas. Mas, desta vez, não colou.

A seguir, declarações de Guerrinha e Fischer ao Canhota 10 após a partida:

GUERRINHA
O time tinha o domínio da partida e errou na hora que não podia, o que quase custou a vitória…
“Pelo jogo que desenvolvemos, poderíamos fechar o jogo com dez a quinze pontos de vantagem. Mas o basquete é assim. Quem está na frente tenta administrar e às vezes, num momento de tomar uma decisão, acontece uma falha. Mas o importante foi a vitória e vamos aprender com nossos erros e nossos acertos.”
Não é melhor ir de dois em dois pontos quando está na frente? O time chuta muito de três…
“Com certeza. Gastei três tempos para corrigir o time no último quarto. Mas é uma questão de maturidade. O Pilar fez uma falta faltando 25 segundos, o cronômetro nem havia saído… Poderia gastar o tempo, esperar o erro do adversário. Enquanto isso, o Marcelinho tem uma bagagem de Mundial, Pré-Olímpico.”
Aqui ninguém ganha mais no grito, né?
“Eles são marrentos porque tem que buscar a vitória, tem experiência. Mas hoje em dia a arbitragem erra menos diante de um time grande. A arbitragem está mais profissional.”

FISCHER
Bauru tem o melhor aproveitamento de três pontos do NBB. Mas não é melhor ir de dois em dois quando está na frente?
“É um diferencial da nossa equipe, não tem como mudar isso. Nossa intensidade é em cima do arremesso de fora. A gente tem que trabalhar para sermos menos precipitados, errarmos menos. Mas essas bolas que às vezes são precipitadas também já decidiram muitos jogos a nosso favor. É claro que os erros aparecem mais, mas já houve muitos acertos também.”
Bauru aprendeu a superar a marra do Flamengo?
“Sim. E também somos muito bons fora de casa, o melhor visitante do segundo turno. Eles têm muitos jogadores experientes, de Seleção e às vezes a arbitragem erra a favor deles. A gente tem que encarar isso como ‘normal’, mesmo não sendo.”
De repente, quase a vitória escapa…
“Pois é, quatro bolas de três tiram doze pontos e mudam totalmente o jogo, mas conseguimos segurar.”

Larry passou longe de ser genial, mas contribuiu, como sempre

NBB: Bauru Basket em números

Guerrinha analisa scout no intervalo do duelo com Brasília: números são fundamentais (foto minha)

Um passeio pelas estatísticas, que explicam a campanha dos guerreiros no Novo Basquete Brasil 3

(números não incluem a excelente vitória sobre São José)

Fazendo projeções, mais especulativas e adivinhatórias, diga-se, devido ao equilíbrio do NBB, o Itabom Bauru deverá terminar a fase de classificação em sexto ou sétimo. Dificilmente abaixo disso, mas – por que não? – com chances de chegar mais alto. Enfim, deixemos a subjetividade e olhemos para números concretizados, atualizados até 1º de março, com 21 jogos realizados pelo time bauruense (olhando também o desempenho em casa).

O maior destaque: Bauru tem o melhor aproveitamento em arremessos de 3 pontos!
41% dos chutes de longe vão parar na redinha
na Luso: 44,7% (1º)

Média de pontos por partida: 87,2 (4º)
51% desses pontos em bolas de 2
34% em chutes de 3
15% em lances livres
(Flamengo é o primeiro com 88,8)
na Luso: 92,1% (3º melhor pontuador como mandante)

Rebotes por jogo: 33,2 (2º)
69% defensivos
31% deles ofensivos
(Brasília lidera quesito, com 34,6)
na Luso: 31 (8º entre os mandantes)

Assistências: 15,2 a cada partida (4º)
(São José é melhor em passes decisivos, 19)
na Luso: 18 (4º)

É o time que erra menos! 8,3 violações por jogo
(Vitória erra mais, 13)
na Luso: 7,8 (1º)

Penúltimo time em roubadas de bola… somente 6,1
(Brasília rouba 9 por jogo)
na Luso: 7,3 (11º)

4º time menos faltoso: 18,5 infrações por partida
(São José bate mais: 21,8)
na Luso: 19,1 (5º mandante menos faltoso)

DESTAQUE INDIVIDUAIS

Fischer
3º mais eficiente em bolas de 3 pontos: aproveitamento de 54,9%
Entretanto, quem está a sua frente chutou muito pouco. Paulão, de Assis, tem 83,3%, mas chutou apenas 6 vezes em 20 jogos (acertou 5); Lucas (Bauru) acertou 3 de 4 (75%) em 5 jogos

Jeff Agba
5º reboteiro do campeonato (7,5 por jogo)
4 duplos-duplos

Larry Taylor
jogador mais eficiente de Bauru (e o 7º do NBB)
9º ladrão de bolas (1,9 por jogo)
único TRIPLO-DUPLO até agora no NBB3
2 duplos-duplos

Pilar
3 duplos-duplos

Bauru Basket cochila e Shamell decide

Líder do campeonato vira jogo após estar perdendo por 17 pontos de diferença

Larry x Shamell: ala do Pinheiros levou a melhor. Foto de Sergio Domingues/HDR Photo/NBB (inclusive home)

Por uma meia dúzia de vezes neste Novo Basquete Brasil 3, eu já me perguntei: “Como é que Bauru conseguiu perder esse jogo?!”. Ao fechar o primeiro tempo com 12 pontos à frente sobre o líder do NBB, Pinheiros, o Itabom/Bauru parecia galopar rumo a sua décima vitória – chegou a abrir 17. Mas, a diferença se foi no terceiro quarto e os paulistanos só não viraram nesse período porque Larry estava inspirado, praticamente jogando sozinho. A partida terminou 94 a 89 para Pinheiros.

O duelo dos melhores estrangeiros do NBB, aliás, foi um show à parte. E o ala Shamell, 33 pontos, levou a melhor. Chamou o jogo para si e conduziu o Pinheiros a sua 12ª vitória. Larry (22 pontos), mais uma vez, falhou em bolas decisivas no último quarto – mais do que uma crítica, é uma constatação de que ele chama a responsabilidade.

A série de cinco jogos em casa – o sexto mudou-se para Assis, nesta sexta (11/2) – acabou. E foram apenas três vitórias (Vila Velha, Vitória e Joinville). Limeira e Pinheiros levaram a melhor no ginásio da Luso. Mesmo fora, bater o Paulistano é praticamente uma obrigação para as pretensões bauruenses, o que renderia apenas 50% de aproveitamento nessas partidas, o que atrapalha a tentativa de ficar entre os quatro primeiros – ficar entre os oito já parece líquido e certo, não é mais um desafio.

O terceiro quarto
“É no terceiro quarto que se ganha jogo!” bradou Guerrinha, logo após o intervalo. O comandante novamente criticou as famosas “jogadas de NBA” (como se refere a lances de efeito) sem ninguém no rebote. Pinheiros começou 12 pontos atrás e terminou empatado – venceu o período por 31 a 19.

Os rebotes, aliás, fizeram a diferença. Enquanto Pinheiros pegou 26 (12 de Olivinha, duplo-duplo com 17 pontos), o Itabom/Bauru, apenas 17. Jeff, referência do time, ficou apenas 22 minutos e quadra e só pegou seis rebotes. O que há com o camisa 11? Opção tática, cansaço, músculos poupados? Na derrota para Limeira, a torcida chiou por Guerrinha ter deixado o norte-americano no banco em momentos decisivos.

Enfim, uma jornada infeliz do Itabom/Bauru. Mais uma. Mas, é bom reconhecer também que não necessariamente o time bauruense perdeu. Foi o Pinheiros, líder do NBB, quem impôs seu jogo na hora certa.

Jogo das Estrelas NBB 2011

Análise desse evento marcante na história do basquete brasileiro

Fernando Pena (Habilidades), Jordan (Enterrada) e Fischer (3 pontos), os vencedores da sexta à noite: Bauru no pódio (foto de Luiz Pires/NBB)

Fez história. Como o próprio release da Liga dizia, há 14 anos não havia basquete – exceto Seleção Brasileira – em transmissão ao vivo na TV aberta. É claro que isso exclui aqueles vergonhosos flashes ou VTs dos Jogos das Estrelas anteriores, tampouco os últimos segundos das outras finais de NBB – sempre fatiados no Esporte Espetacular.
Atualizado: como bem lembrou o jornalista Thiago Navarro, o hiato na TV aberta não é tão longo assim. Confira a rica descrição do colega no campo de comentários.

Quase duas horas de transmissão e saldo pra lá de positivo. A presença do “animador” Tiago Leifert foi o ponto alto, sinal maior de que a TV Globo abraçou a causa de reerguer o basquete – ao escalar seu menino-prodígio, estrela ascendente de seu jornalismo esportivo. Isso não significa jogos do NBB daqui pra frente na telinha plim-plim, porque nem cabe na concorrida grade, mas quem sabe o noticiário global já fale mais do campeonato – hoje enfatizado nas retransmissoras, apenas.

Os amantes do basquete podem até discordar da forma didática da transmissão da Globo – parecia até que o brasileiro nunca tinha visto basquete antes. Mas, pensando friamente como comunicador, sabendo que o espectador da Globo pouco muda de canal, MUITOS NUNCA TINHAM VISTO, MESMO. Provavelmente, a maioria dos milhões de espectadores que pararam diante da TV não conheciam a sigla NBB. É sério, gente… Estamos falando de uma cobertura de quase todos os municípios brasileiros.

Mas (tem sempre um mas…), pensando do lado de quem acompanha o NBB e é ansioso por vê-lo crescer e crescer, faltou citar mais o nome dos times e, por que não, dar a classificação atual do campeonato. Até mesmo apresentar o torneio, como fazem em transmissão de GP Brasil de Fórmula 1, que “ensina” a modalidade em breves matérias.

Guerrinha, midiático como poucos, aproveitou sua entrevista a Tiago Leifert para falar o nome ITABOM ao ser questionado que time treinava – bem que o jornalista poderia ter se informado antes… – e ainda se fez de bobo na pergunta seguinte. Respondeu “Estamos bem, entre quinto e sétimo”, quando perguntado da emoção de participar daquele evento. É isso aí, vendeu seu peixe.

Como venderam os demais representantes do Itabom/Bauru. Primeiro, a torcida. Pode-se ver camisas do time e do patrocinador quando eram captadas imagens das arquibancadas. Depois, Fischer, novamente campeão do torneio de três pontos (duas vezes em três edições), levando a camisa do Bauru Basket ao pódio. Por fim, Larry Taylor e Jeff Agba titulares do time NBB Mundo, no Jogo das Estrelas.

Um jogo, aliás, que ainda precisa aprender com os norte-americanos. Poderia ser menos frouxo na defesa, ser jogado mais a sério. Em certos momentos, fica parecendo uma pelada – com erros bisonhos de enterradas, por exemplo, ou passes de efeito que saem tortos. É melhor jogar o arroz com feijão do que bancar o globetrotter frustrado.

Claro que houve grandes momentos, como a cesta de três do árbitro Renatinho, o primeiro quarto envolvente do time brasileiro – que depois desacelerou – e o desempenho impressionante de Robert Day de três pontos (12 de 15). Mas, claro, o melhor estrangeiro do NBB, o Alienígena, roubou a festa ao fechá-la, com chave de ouro, com uma enterrada espetacular, que você confere no vídeo abaixo.

Derrota amarga em casa

Itabom/Bauru Basket perde em sua estreia em casa, no NBB, para o Minas
*** direto do ginásio da Luso

Depois de uma boa sequência fora de casa (duas vitórias e uma derrota) em seus primeiros confrontos no Novo Basquete Brasil (NBB), o Bauru Basket estreou mal em casa, perdendo para o Minas por 78 a 82. O visitante chegou a se dar ao luxo de deixar, por um bom tempo em quadra, dois meninos (Cauê e Bruno), que nitidamente tremiam. A derrota, na avaliação do técnico Guerrinha, veio da falta de alguém que chamasse o jogo: “Nosso time teve um rendimento individual muito baixo. Não tivemos força e ímpeto para garantir a vantagem nos momentos decisivos e vencer a partida”.

Pelos números, o treinador tem razão. Vários jogadores ficaram aquém do que podem produzir:

Pilar, até então melhor reboteiro do NBB, pegou apenas três rebotes. Ficou pouco em quadra: 17 minutos. Pode-se constatar, entretanto, de que foi uma grande contratação: bom jogador, raçudo e habilidoso, que se tornou alternativa para infiltrações. Deu ainda cinco assistências e fez dez pontos.

Larry Taylor, recuperando-se de contusão, poderia atuar cinco minutos por período, segundo divulgado pela comissão técnica – o colega Rafael Antônio, do Jornada Esportiva, comentou a respeito e lamentou que o norte-americano tenha jogado no sacrifício. Mas Guerrinha não resiste em contar com a fera: atuou 29 minutos. E em jogo da TV, difícil imaginá-lo fora. Era nítida, porém, a dificuldade de Larry em realizar jogadas agudas – foram somente três infiltrações. Fez apenas sete pontos e pegou três rebotes.

Jeff chegou ao jogo com média de onze rebotes e constava como jogador mais eficiente de Bauru nas estatísticas do NBB. Sumido em quadra, fez quatro pontos e pegou três rebotes.

Fischer, cestinha do time, ficou abaixo de sua média, com apenas 12 pontos. Chutou seis vezes para três pontos e acertou duas – o pivô Douglas Nunes converteu quatro de seis…

Os destaques positivos do Itabom/Bauru:

Alex começou a partida tímido. Na hora de correr atrás do placar nos dois últimos períodos, foi o atleta mais lúcido. Finalizou a partida com 24 pontos (quatro bolas de três), sete rebotes e três assistências.

Thyago Aleo é um bom armador. Jovem (21 anos), tem potencial. Não deve nada a um Neto, por exemplo. Precisa apenas de confiança. Alterna jogadas geniais – como a bola que roubou e serviu, em contra-ataque, a Fischer, levantando o ginásio – com outras infantis – no final da partida, tentou lance individual e levou toco. Mas só acerta quem já errou muito. Não adianta, Larry terá que descansar mais para voltar a dar 100% de seu potencial. Hora de dar crédito a Thyaguinho. Nessa partida, foram dois pontos, três rebotes e quatro assistências.

*** Já estava passando da hora de o Canhota 10 acompanhar um jogo do Bauru/Basket in loco. A agenda permitiu e foi um prazer – em família, inclusive – acompanhar a boa partida de basquete, ver os colegas da imprensa (Jornada Esportiva e o assessor Gabriel Pelosi) e observar o comportamento do time bauruense, ainda mais com os comentários do meu amigo Oswaldo Thompson, que manja desse esporte como poucos e me ajuda a ler melhor o jogo.

Itabom/Bauru tem início animador no NBB

Pilar, decisivo em lances livres na primeira prorrogação: ótima estreia (Foto de Cristiani Simão/Jornada Esportiva - inclusive homepage)

Dois jogos fora de casa, duas vitórias. Nesse domingo (14/11), após duas prorrogações, o Itabom/Bauru venceu Pinheiros por 97 a 95. Não poderia começar melhor o NBB. A terceira partida também será fora, contra o Paulistano – adversário teoricamente mais fraco e possibilidade de seguir com 100% de aproveitamento até a estreia em casa, dia 28/11, contra o Minas (com TV). Hoje, o time bauruense ocupa a segunda colocação no NBB – perde para Brasília apenas no average.

Fischer estava novamente com a mão calibrada (25 pontos) e o inconstante Renato teve bons momentos no jogo, fazendo pontos importantes para levar o Bauru Basket à prorrogação.

Mas o destaque ficou para o estreante Pilar (11 pontos e 11 rebotes), que fez cestas decisivas na segunda prorrogação, e Larry Taylor, poupado no meio da semana e que voltou a sentir a contusão – mas partiu para o sacrifício, pedindo para continuar em quadra. O Alienígena anotou 12 pontos, deu sete assistências e, principalmente, pegou 13 rebotes! Ele ainda não figura entre os mais eficientes do campeonato, mas é uma questão de tempo.

Fischer é o cestinha de Bauru no NBB, com média de 24 pontos. Foto de Deco Pires/Divulgação NBB

“O retrato da partida foi o Larry, que machucou e, na superação, pediu para continuar em quadra. Temos muito o que melhorar, mas hoje o time se superou e nos deu essa importante vitória. Estão de parabéns!”, avaliou o técnico Guerrinha, via assessoria de imprensa.

O elenco folga neste feriado (15/11) para repor as energias para o próximo desafio, pela última rodada da segunda fase do Paulista. Em casa, quinta (18/11), às 20h, recebe o Limeira na Luso. Quem vencer fica com o quinto lugar e pega o quarto colocado nos playoffs. Pilar, como se sabe, não atua pelo Paulista. E Larry? Terá condições de jogo?

O norte-americano, a peça mais importante de Bauru, não pode correr o risco de se contundir mais seriamente e desfalcar o time por um longo período. A vaga nos playoffs já está garantida e é melhor que haja mais revezamento na partida contra Limeira, para não sobrecarregá-lo. No domingo seguinte (21/11, contra o Paulistano, às 11h), novamente pelo NBB, poderia ser o caso de poupá-lo – não necessariamente fora do jogo, mas a maior parte do tempo no banco.

Larry precisa estar inteiro para os playoffs do Paulista e para toda a maratona do NBB. Afinal, pelo início empolgante, o Itabom/Bauru pode render mais do que a expectativa inicial. Sonhar com a semifinal do Nacional pode, Arnaldo?

Itabom/Bauru vence na estreia do NBB

Foto: Cristiani Simão/Jornada Esportiva

Nada melhor do que começar um campeonato que se anuncia difícil com uma vitória fora de casa. Apenas dois dias depois de jogar pelo Campeonato Paulista, o Itabom/Bauru se impôs na casa do adversário e venceu Joinville por 83 a 78. Agora, o time só volta a jogar no dia 11, contra Franca, novamente pelo Paulista.

Segundo o técnico Guerrinha, estar em ritmo de competição fez diferença contra um adversário em início de preparação. Que o Bauru Basket aproveite esse fator para ‘acumular gordura’, fazendo exatamente o contrário do ano passado, quando estreou com sete derrotas seguidas – como bem lembrou o ala Fischer em entrevista ao Jornada Esportiva – que esteve in loco, em Joinville.

O discreto desempenho de Larry – dez pontos, três rebotes, três assistências, três roubadas de bola – tem o lado ruim e o bom. Ruim, claro, porque queremos sempre ver o Alienígena arrebentando. O lado bom é que o time se virou sem ele, com o trio Jeff (duplo-duplo: 20 pontos, 16 rebotes), Alex (24 pontos, com cinco bolas de três) e Fischer  (23 pontos e dois tocos!).

Esse quarteto principal ficou a maior parte do tempo em quadra, com Renato e Ricardo revezando bastante. Que Douglas Nunes volte logo, para reforçar o garrafão ao lado de Jeff Agba, que esteve brilhante na estreia.