Que time foi esse, Dema!

Dema

Não é uma pergunta, Dema. É uma afirmação, uma exclamação. Uma exaltação: que time foi esse! Como teimou contra a derrota. Por mais desfalcado que estivesse, cansado — diante de adversários com bancos recheados e minutagem pulverizada —, levantava após cada tombo. Como disse o Lanzoni, esse Bauru Basket foi o Rocky Balboa do NBB. Se já assistiu, há de se lembrar que numa das continuações o personagem de Stallone é exaltado após uma derrota. Como foi seu time, ontem.

Permita-me revelar um trecho de nossa conversa no último sábado:

— Dema, você está no lucro faz tempo. Tirou mais de cem por cento desse time, no meio de tantas dificuldades.

— Eu não posso pensar nisso. Não paro para pensar nisso. Só olho em frente, meu foco é ganhar o próximo jogo. É ir até o fim.

Isso resume o espírito do seu time. A carta é pra você, mas extensiva a seus colegas de comissão e aos jogadores. Valorosos. Que varreram Franca e os prognósticos. Que fizeram o Paulistano (o rolo compressor da primeira fase, não esqueçamos) correr dobrado. Você personifica a equipe porque da sua prancheta saíram jogadas obedecidas e perfeitamente executadas, sinal do espírito coletivo dessa versão 2017/2018 do Dragão.

Votei em você como melhor técnico do NBB 10. Não concordo que os votos aconteçam antes da final, pois na decisão os melhores emergem pra valer — ano passado, apesar de campeão, você não ficou nem entre os três melhores. Mas creio que meu voto seria o mesmo, independentemente dos finalistas. E não é por ser bauruense ou por amizade. Ano passado votei no Gustavinho.

Gustavinho, aliás, que demonstrou muito respeito por você nessa série. Chamou-o de “estrategista”, disse que tem respostas rápidas para as novas situações — que foram muitas… Ontem, no calor de uma entrevista pós-jogo, o técnico do Paulistano fez novo elogio. E aproveitou para enaltecer todas as comissões técnicas semifinalistas, num claro recado à CBB, que ignorou dois ciclos olímpicos de desenvolvimento dos auxiliares do Magnano (você, ele e Neto) e preferiu o estrangeiro Petrovic.

Agora é hora de descansar, mas duvido. Você vai acompanhar atentamente, com olhos estudiosos, as finais do NBB e a reta final da NBA. Ofício divertido, claro, tamanha sua paixão pelo basquete. Que exala, contagia.

No sábado, eu te desejei “bom trabalho”. Hábito meu. “Boa sorte” não me parece motivador. O destino de uma equipe não pode ser definido pelo acaso. E uma derrota não significa falta de empenho. Muito pelo contrário. Você e todo o Sendi/Bauru Basket trabalharam demais. E colheram um merecido reconhecimento.

Que venha a próxima batalha, coach.

Reinaldo Mandaliti: “Bauru é grande no esporte”

retranca-ECNO escudo que abre esta matéria é o do Noroeste, mas cabem os demais, como pensa o entrevistado. Reinaldo Mandaliti assumiu há poucos dias a vice-presidência de futebol do Noroeste, ao mesmo tempo em que segue sendo o homem-forte do Vôlei Bauru. É o elo mais forte, hoje, da união formalizada na diretoria do Norusca, que ainda tem Vitinho Jacob (diretor técnico do Bauru Basket) como diretor de patrimônio e Neto Ranieri (gestor da FIB Futsal) como diretor social.

A chegada da família Mandaliti ao cenário noroestino é na verdade um retorno. Valdomir Mandaliti, pai de Rodrigo e Reinaldo, foi presidente do Noroeste. E os irmãos têm ajudado financeiramente o clube desde 2015 — na última reunião do Conselho Deliberativo, inclusive, registraram como doação todos esses valores.

Fala, Reinaldo Mandaliti

A seguir, uma breve entrevista com o novo vice-presidente de futebol sobre essa união das modalidades que tanta esperança despertou nos bauruenses que gostam de esporte.

Essa união pode gerar um grande intercâmbio. Como o know-how de um pode ajudar o outro?
Não tem outro jeito de pensar o esporte se não for assim. Não pode ter a vaidade de não unir, de não economizar, de não criar um projeto maior, um valor na marca dessa união. Por que um patrocinador do basquete não pode aparecer nos três esportes e ter uma mídia maior? Por que não ter um sócio-torcedor único? Dividir a renda e melhorar, não prejudicando nenhuma das modalidades. Há várias coisas que dá pra criar. Temos que nos unir e diminuir despesas. Por que o Vanderlei [Mazzuchini, gestor do Vôlei Bauru] não pode administrar o Noroeste e o Vôlei Bauru? Por que não podemos unir as fisioterapias do Noroeste e do Bauru Basket? A máquina de gelo do vôlei faz 180kg por dia, pode ser dividida por todos. A preparação física pode ter um líder e vários estagiários. Temos que criar formas de baratear os projetos, aumentar a exposição para ficar acessível aos empresários.

Mas, a princípio, cada um com seu CNPJ?
Sempre será cada um com seu CNPJ. Mas eu já disse ao Estevan que vou ter uma reunião com a diretoria do vôlei: pretendo jogar, além do símbolo do Vôlei Bauru, com o símbolo do Noroeste. Acho que temos que unificar isso. E por que não ter o Dragão na camisa do Vôlei? Temos que pensar nisso, levar essa marca, dizer que Bauru é grande no esporte. Nenhuma cidade do interior do Brasil tem tantas modalidades fortes. Que venha o fustal também! [Veio! Entrevista antes do convite a Neto Ranieri] E na base podemos chamar a ABDA… Esses times têm mais exposição, a ABDA tem o lado social — como o Vôlei Bauru tem um projeto agora. Queremos conversar com a ABDA, falamos com o hipismo da Hípica, com o próprio Bauru Basket. Base temos que tratar todos juntos. O futsal pode ser trampolim para a base do Noroeste: Neymar e Robinho saíram do futsal… Temos que aproveitar essa integração e ter o esporte mais forte ainda.

Em 2015, eu entrevistei o Rodrigo Paschoalotto e ele falou desse desejo de unir os esportes e mencionou seu nome. Faço esse resgate para mostrar que é algo que já vinha sendo conversado e é um desejo de quem gosta do esporte em Bauru e tem condições de lutar por ele. O primeiro passo foi dado agora, certo?
Eu e meu irmão Rodrigo conversávamos com o Rodrigo Paschoalotto o tempo inteiro. Vamos baratear, acertar… Mas encontramos alguns obstáculos que agora, depois de um tempo, foram superados. Hoje o Brasil está em crise, há pouco dinheiro para o esporte, há times se deteriorando porque não há patrocínio. É necessidade versus possibilidade. Conversamos que era preciso nos unir, que não adianta ficar vivendo de mecenas, senão não haverá esporte. Uma hora eu vou me cansar, uma hora o Beto [Fornazari, presidente do Bauru Basket] vai se cansar, o seu Damião se cansou… Então, temos que fazer o esporte ter vida única, perene, um projeto com as próprias pernas.

E sua situação como dirigente? Continua firme no Vôlei Bauru? Vai concentrar forças no Noroeste?
Como o treino é na Panela, chego cedo no dia que marcar. Depois fico até nove, dez da noite no Noroeste para poder me dedicar. Quero ajudar o Noroeste, torná-lo forte, quero que suba. Vou dar o meu melhor. Quando entrei no vôlei com meu irmão, era para chegar na Superliga. Somos teimosos. Já falei para o Estevan que o Noroeste vai subir. Esse é o objetivo.

Houve burburinho nos últimos tempos, de ter que sair um para entrar o outro. E vocês conseguiram formatar uma diretoria com todos que querem ajudar o clube.
O Noroeste é mais importante do que o Reinaldo, o Estevan, o Beto, o Vitinho Jacob, qualquer pessoa. Acertamos os pontos, decidimos que as decisões têm que ser coletivas, está tudo certo.

 

Foto: Neide Carlos/Vôlei Bauru

Histórico! Noroeste une forças com basquete e vôlei pelo esporte de Bauru

Copa Paulista: Noroeste apresenta nova diretoria

retranca-ECNHá quase dois anos, na entrevista que mais repercutiu na história do Canhota 10, Rodrigo Paschoalotto, então patrocinador máster do Bauru Basket, disse: “Deveríamos unir todos os esportes de Bauru.” Essa ideia começou a ganhar vida no dia de hoje, revelada durante a apresentação do planejamento do Noroeste para a Copa Paulista, que começa no próximo sábado.

O presidente noroestino, Estevan Pegoraro, chamou à mesa do evento os dois novos membros de sua diretoria. Reinaldo Mandaliti, homem-forte do Vôlei Bauru, é o novo vice-presidente de futebol do Alvirrubro. Já Vitinho Jacob, diretor técnico do Bauru Basket, ainda não tem cargo definido (diretor social ou de patrimônio), até porque não conseguirá atuar no dia a dia noroestino, pelos compromissos com o Dragão — onde é gestor remunerado. O mais relevante, entretanto, é o elo criado entre as três principais modalidades do esporte local.

“A ideia principal, na figura dessas duas pessoas, é trazer unidade, plantar uma semente para que o esporte de Bauru seja visto de uma forma única, sempre respeitando cada uma das modalidades. Dentro de uma gestão para otimizar os custos, o departamento médico, a comunicação e o administrativo podem ser compartilhados. É uma situação que tende a evoluir, mas é embrionária ainda”, explicou Pegoraro.

“Minha família tem uma grande história com o Noroeste, sou apaixonado. Eu e meu irmão [Rodrigo Mandaliti] estaremos juntos para ajudar no que for possível. Não tem outro jeito de se fazer esporte: ou a gente se une e começa a reduzir despesas ou não chegaremos a lugar nenhum… Fazer uma união que gere um produto melhor para quem quer participar, para oferecer aos empresários, que traga fomento ao esporte bauruense”, destacou Reinaldo Mandaliti, que enfatizou que sempre será cada um com sua pessoa jurídica.

“Estou fulltime no basquete, mas temos pensamento conjunto, conversamos muito diariamente. Todas as modalidades levam o nome de Bauru e o que pudermos fazer uns pelos outros vai ser feito. Reduzindo custos, realizando parcerias. Sou noroestino de coração e se puder ajudar o Noroeste estou à disposição”, disse Vitinho, aparentemente pego de surpresa, mas figura habitual em Alfredo de Castilho e de seus bastidores.

Tudo o que for falado agora sobre essa união de forças será prematuro. Mas devagarinho algumas coisas devem acontecer. Uma equipe estampar o escudo/logomarca das outras duas em seu uniforme já é uma ideia que ganha força. A figura de Vanderlei Mazzuchini, ex-jogador de basquete e atual gestor do Vôlei Bauru também é simbólica: como braço direito dos Mandaliti, pode ser acionado eventualmente para ajudar o Norusca. Enfim, o otimismo vai longe, as ideias são muitas! Quem ama Bauru e ama o esporte deposita muita esperança no desdobramento desse assunto.

E a Caixa?

Criou-se muita expectativa sobre um novo patrocínio máster, após reunião de Pegoraro em Brasília com o presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi. Mas a Caixa não patrocina clubes fora das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. Ficou o compromisso de encontrar outras ferramentas de apoio, mas não é assunto para curto prazo.

Copa Paulista: ova diretoria, membros da comissão técnica e alguns jogadores do Noroeste
Nova diretoria, membros da comissão técnica e alguns jogadores na apresentação do planejamento para a Copa Paulista (junto com o convidado Mauro Silva, da FPF)

Copa Paulista

Com a participação do tetracampeão Mauro Silva, hoje dirigente na Federação Paulista de Futebol, foi apresentado o planejamento para a Copa Paulista 2017. Maciça parcela do elenco assinou contrato até o fim da Série A3 de 2018. Isto é, o técnico Vitor Hugo terá uma competição oficial com mais de cinco meses para calejar o elenco na briga pelo acesso. Seis jogadores, incluindo o atacante Rodrigo Tiuí (autor de dez gols no inesquecível Paulistão de 2006), serão bancados pelo empresário Marcos Galli (do título de capitalização Hiper Saúde). Investidor do futebol, Galli teve a palavra e lembrou que ajudou em oito acessos de clubes que apoiou. Sua aproximação do Noroeste foi obra do vice-prefeito Toninho Gimenes — ele e o prefeito Clodoaldo Gazzetta também estavam no evento realizado no Comprando, a exemplo do vereador Roger Barude, ex-secretário de esportes.

Copa Paulista: Mauro Silva e jogadores do Noroeste
Mauro Silva: palavras de apoio aos jogadores noroestinos que vão disputar a Copa Paulista

Mauro Silva salientou que a Copa Paulista é o produto da Federação que oferece calendário aos clubes do Interior e vaga para inserção no cenário nacional. E lembrou dos tempos de jogador, como era difícil enfrentar o Norusca. “Era muito difícil jogar aqui em Bauru. E sempre que se fala do Noroeste se lembra de um clube tradicional, um time grande do Interior, temido. Essa é a expectativa que a gente tem, de o Noroeste sonhar com o acesso estadual e com uma Série B do Brasileiro no futuro. A cidade de Bauru comporta isso”, destacou o camisa 5 da Seleção na Copa de 1994.

O Noroeste estreia na Copa Paulista no próximo sábado, 1 de julho, às 16h, contra o Velo Clube, no Alfredão.

TEM MUITO MAIS! Colhi muito material, entrevistas interessantes que merecem postagens próprias. Vou publicando nos próximos dias, ok? Avante, Noroeste!

Playoffs NBB, quartas: Brasília favorito, o que pode ser bom para Bauru

Playoffs NBB, pré-jogo 1 entre Bauru e Brasília pelas quartas

retranca-bauru-basketChegou a hora, moçada. O desejo do Gocil Bauru Basket de chegar a mais uma final — vamos considerar a decisão como um bônus de expectitva… — passa pelo forte time de Brasília. Os playoffs NBB nestas quartas de final ficaram mais cascudos pelo fato de o Dragão ter terminado a fase de classificação na quinta posição, tendo que encarar as oitavas. Mas o confronto com Macaé (3 a 0) foi bom para aumentar a casca do time, já que o time fluminense valorizou bastante a disputa.

Se no ano passado Alex e companhia varreram os candangos por 3 a 0, desta vez são eles que têm o favoritismo. Mantiveram a ótima base e se reforçaram com Alex Oliveira e, principalmente, Lucas Mariano — e conseguiram terminar no G-4, fechando a fase de classificação batendo no Flamengo fora de casa. Enquanto Bauru trocou bastante peças e precisou se reinventar com perfil mais raçudo para suportar o revezamento mais enxuto.

Números, ah, os números…

Outro fator a favor do Brasília é a estatística. Apenas cinco dos 32 confrontos quartas de final do NBB tiveram como vencedores os times de pior campanha, isto é, 15%. Um alento para Bauru é que duas dessas cinco vezes aconteceram no último NBB, quando Mogi tirou o Basquete Cearense e Brasília derrubou o Paulistano.

Cartas postas, uma reflexão: o Dragão pode se superar sem o peso do favoritismo. Para isso, entretanto, é fundamental vencer a primeira partida em casa. Assim, viajará para a capital federal com 1 a 0 no bolso e em plenas condições de beliscar pelo menos uma vitória por lá — a boa atuação no polêmico jogo da rodada 28 prova isso.

Logo mais saberemos como começa mais esse capítulo da história do Bauru Basket. O sonho do título inédito, apesar de ser uma temporada em que deixou de ser bicho-papão, continua vivo na torcida. E exatamente pelo caminho estar mais difícil, poderá ser mais saboroso.

Atualizado: Brasília venceu o jogo 1 por 88 a 87, na prorrogação. Complicou bastante para o Dragão, mas tão de igual pra igual que é possível ganhar lá no Distrito Federal.

Promoção de 5 anos do Canhota 10: resultado!!!

Ufa, finalmente consegui fazer o sorteio! Sem delongas, vamos aos vencedores da promoção de 5 anos do Canhota 10.

Aos ganhadores dos itens principais, levarei o prêmio até eles. Aos que se interessarem pelo meu livro Paixões de Bauru, entrem em contato comigo para combinarmos a entrega — pode me procurar na Panela, no meu trabalho, enfim, vamos conversando.

Parabéns aos vencedores!

sorteio-camisa-noroesteCAMISA DO NOROESTE: Lucas Guanaes

sorteio-camisa-bauru-basketCAMISA DO BAURU BASKET: André Romani

sorteio-livro-1sorteio-livro-2LIVRO NOROESTE: 104 ANOS DE UM TEIMOSO: Nixon Coutinho e Tidão

sorteio-livro-3sorteio-livro-4LIVRO O NOROESTE NA ERA DAMIÃO: Léia Drummer e Júlio César Deviglli

 

Abaixo, todos os participantes e seus respectivos números. Detalhe: TODOS que tiverem interesse vão ganhar meu livro PAIXÕES DE BAURU. Procurem-me!

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