Todo o conteúdo sobre 2010

Bastidores da festa de premiação do NBB

Canhota 10 marcou presença no evento

Direto do Club Paulistano, em São Paulo

Diretor Vitinho Jacob, Guerrinha e esposa, presidente Pedro Poli e vice Joaquim Figueiredo com o troféu de melhor armador do NBB3, de Larry Taylor

A primeira impressão que tive ao entrar no salão de festas do Paulistano – aliás, que clube bacana! – foi constatar o quanto sou baixinho. Ou não. Eles é que são altos demais. Muito basqueteiro junto me fez olhar bastante para o alto! Baixinho, ali, ou era cartola ou jornalista…

Muitos rostos conhecidos marcaram presença: a rainha Hortência, o técnico da seleção feminina, Enio Vecchi, o locutor Roby Porto, do Sportv, os árbitros, diretores dos clubes, os atletas de Brasília e Pinheiros em peso. De Franca, vieram Hélio Rubens, seu filho Helinho, além de Dedé e Benite.

A diretoria do Bauru Basket foi representada pelo presidente Pedro Poli, o vice Joaquim Figueiredo e o diretor Vitor Jacob. Guerrinha, recém-chegado da China, veio acompanhado da esposa. “Estou confuso”, brincou, fazendo trocadilho com o fuso horário.

Kouros: alfinetadas. Foto de Luiz Pires/NBB

Enquanto o bufê servia os convidados (uísque, champanhe, cerveja, refrigerante, água e salgados), a premiação foi antecedida pela fala do presidente da Liga Nacional de Basquete (LNB), Kouros Monadjemi. E o homem foi com alfinetes nos bolsos! Ao citar a Penalty, parceira da competição, lembrou da polêmica sobre a qualidade da bola e disse que o material melhorou muito. Mas, finalizou dizendo esperar que a bola chegue na “qualidade que desejamos”. Isto é, ainda está devendo… Kouros elogiou a postura dos 15 clubes (“Não é fácil ser correto, justo e transparente como todos os 15 clubes foram”), mas fez questão de dizer que espera que continuem na linha, sem causar confusões em quadra. Por fim, na maior das alfinetadas, ao comemorar o bom nível dos atletas locais, que podem servir a Seleção, disse que o pivô Nenê seria um ídolo caso se dedicasse mais ao Brasil.

Começa a premiação, apresentada pelo global Luis Ernesto Lacombe. O jornalista tentou descontrair, arranca tímidas risadas aqui e ali. Forçou a barra ao pedir que Hortência contasse uma história em que Cleber Machado a pegou no colo no estúdio da Globo e ambos caíram. Tivesse mantido a formalidade, seria nota dez com sua boa voz, mas derrapou.

Entre os premiados (confira a lista completa abaixo), Larry Taylor como melhor armador. No telão, grandes jogadas suas, inclusive a rebodunk contra Franca, com direito a barulho da torcida vibrando com o lance. O presidente Pedro Poli recebeu o troféu em seu nome, pois o norte-americano passa férias nos Estados Unidos.

Terminadas as formalidades, cumprimentei o gerente da liga, Sergio Domenici, bati um papo com o pessoal da Globo Marcas, que estavam felizes com os resultados do NBB3, principalmente a repercussão do Jogo das Estrelas – comenta-se que desejam repetir a dose em Franca na próxima temporada. O assessor de imprensa da LNB, Guilherme Buso, comentou ter sido um pecado Bauru perder o quarto jogo para o Flamengo. Ele esteve na Sem Limites naquele dia. “Bauru merecia ir para o quinto jogo!”, lamentou. Buso demonstrou preocupação com a questão da Panela de Pressão, após concordar que o Jogo das Estrelas aqui seria uma boa.

Com o clima bem descontraído, convidados confraternizavam enquanto era servida uma boa massa. Hortência com a filhinha de Cipriano no colo, o pessoal de Franca assinstindo em um notebook o vídeo motivacional preparado para o eventual quinto jogo. Troquei ideia com o árbitro Pacheco, muito simpático, que disse ter lido e gostado da entrevista que fiz com ele. Por fim, entrevistei o MVP Guilherme Giovannoni – conteúdo que postarei em breve.

Renderia muito mais entrevistas, mas preferi observar os bastidores, fazer contatos.

E, claro, conversei bastante com Guerrinha. Ele deu boa notícia: é quase certa a renovação com Jeff Agba. E mais: recebeu um convite extra-oficial para fazer a pré-temporada do Bauru Basket na China. Aliás, estava encantado com o país oriental, contando os sinais do progresso capitalista por lá, a facilidade para andar de trem, as características dos comerciantes, a beleza dos ginásios. “A molecada adorou!”. Lamentando não ter conseguido enviar e-mail com notícia do último amistoso, contou que o Brazilian All Star Team perdeu, fechando a viagem com quatro vitórias e quatro derrotas. “Mesma campanha de Brasília quando foi lá”, ressaltou. Segundo o treinador, Douglas Nunes anotou 34 pontos no derradeiro compromisso. “Jogou muito!”.

NOVIDADES DO BAURU BASKET
Claro que falamos de Panela de Pressão, ele se mostrou preocupado e afirmou que o assédio do pessoal de Campinas – presente à festa – continua. “O time não vai acabar”, adiantou. Portanto, sem ginásio… Já me despedindo de Guerrinha, ele conta que o Itabom/Bauru, fechando a cota de copatrocínio master, vai atrás de um bom pivô brasileiro e, para o NBB4, de mais um estrangeiro. Por ora, para o Paulista, arrisco que Gaúcho é nome quase certo, pelo entusiasmo que ele falou da participação do atleta na excursão. E citou o pivô André (1,89m, 20 anos***) – atuou no último NBB por Assis – como provável reforço.

***Atualizado agradecendo ao torcedor “LucasMRV”

Finalizo este longo texto (espero que tenha chegado até aqui), com uma foto que simboliza cada torcedor do Bauru Basket. Se jornalista tem a missão de levar informação, entrego a vocês o troféu de Larry Taylor. Afinal, cada torcedor que vibrou com as jogadas mágicas do Alienígena, que o apoiou, merece tocar nessa taça. E, ao pedir aos diretores para tirar essa foto, disse que o faria em nome da torcida. Aqui está:

Com o troféu de Larry, em nome da torcida. Foto de Oswaldo Thompson

Abaixo, a lista completa dos premiados do NBB3:

Melhor Jogador (MVP)
Guilherme Giovannoni (Brasília)

Armador
Larry (Bauru)

Alas (2)
Alex (Brasília)
Marquinhos (Pinheiros)

Pivôs (2)
Guilherme Giovannoni (Brasília)
Murillo (São José)

Melhor Sexto Homem
Benite (Franca)

Melhor Técnico
Hélio Rubens (Franca)

Revelação
Benite (Franca)

Jogador que Mais Evoluiu
Benite (Franca)

Melhor Defensor
Alex (Brasília)

Cestinha

Marcelinho (Flamengo) – 26,2 pontos

Reboteiro
Shilton (Joinville) – 8,5 rebotes

Assistente
Fúlvio (São José) – 7,0 assistências

Melhor Ataque
Brasília – 88,1 pontos

Melhor Defesa
São José – 79,7 pontos sofridos

Troféu Fair Play
Uberlândia

MVP das Finais
Guilherme Giovannoni (Brasília)

Melhor trio de arbitragem
Cristiano Maranho, Marcos Benito e Sérgio Pacheco

Árbitro Destaque
Carlos Renato dos Santos

Árbitro Revelação
Andreia Regina Silva

Noroeste encara o Prudente pela afirmação

A vitória no clássico contra o time B do Marília não animou a galera alvirrubra. Pudera: o time tomou sufoco no Alfredão, Yuri saiu como herói. Na noite desta quarta (4/8), outro elenco reserva vem a Bauru testar a força da equipe do Noroeste: o Grêmio Prudente, que empatou duas vezes na Copa Paulista, contra Linense (fora) e Penapolense (em casa). O fato curioso é que o time principal estará, no mesmo instante, jogando contra o Atlético-MG pela Copa Sul-Americana.

Com elenco numeroso, o Trem-Bala continua tentando se encontrar, com o técnico Luciano Dias comandando treinamentos e seu auxiliar, Marcos Antônio, atuando à beira do campo nos jogos – sem desgrudar do celular, ouvindo as impressões do chefe.

Para a partida desta noite, Cleverson volta de contusão e disputa posição com Willian Leandro para a vaga deixada pelo machucado Marcus Vinícius. Almir Dias, que entrou bem e criou a jogada do gol noroestino sobre o MAC, pode ganhar a posição de Giovanni, que voltou no sacrifício no último sábado.

A expectativa é que o público, novamente, não chegue aos mil pagantes. Ainda mais com o prometido frio, segundo o IPMet. Para quem quiser dar aquela força ao centenário Norusca, dá tempo de pegar o primeiro tempo em andamento da final da Copa do Brasil, entre Santos e Vitória.

Abaixo, as prováveis escalações. Segundo o site Futebol Interior, dois jogadores do Prudente (o lateral Edvan e o atacante Izak) desfalcam o time por terem tirado férias atrasadas! A média de idade dos prudentinos beira os 22 anos.

Noroeste Grêmio Prudente Copa Paulista 2010 futebol BauruFoto Adilson: Erlington Goular/Evegntos Assessoria/AI Noroeste

No sufoco, Noroeste derrota o Marília

Direto do Alfredão
(não, eu não fiquei em casa vendo pela Rede Vida…)

A festa pelo aniversário de Bauru começou mais cedo. Durante a agradável tarde de sábado, a Esquadrilha da Fumaça rasgou o ar da cidade. Eu, desavisado, fui abastecer o carro àquela altura do Aeroclube e perdi muitos minutos em um verdadeiro engarrafamento, sem exagero. Para chegar ao Alfredão, entretanto, tarefa folgada. Não é o clássico dos sonhos e, para “ajudar”, transmissão ao vivo na TV (Rede Vida) para deixar o torcedor no conforto do sofá.

O pequeno público que foi ao estádio parecia conformado com o zero a zero, quando o Noroeste criou boa jogada para fazer o gol da vitória, que dá os três primeiros pontos do time na Copa Paulista e o coloca na terceira colocacação do Grupo 1. O próximo comprisso é contra outro time B, agora o do Grêmio Prudente, também no Alfredo de Castilho, dia 4, quarta-feira, às 19h30.

O jogo
Como deveria ser, o Noroeste começa pressionando. Logo aos três minutos, o primeiro de muitos vacilos da zaga do Marília na partida, que permite que a bola, de mansinho, aproxime-se até ser tirada sobre a linha do gol. Aos 11, Giovanni cobra falta da intermediária, daqueles cruzamentos que ninguém alcança e complicam o goleiro – Juninho se estica todo.

A molecada do MAC nem parece ter jogado há cerca de 48 horas e imprime velocidade ao jogo. Aparece aos 19, em chute de Gabriel de fora da área. Yuri pega firme. Chute de longe, aliás, é tarefa para o volante alvirrubro Juninho. Com a criação deficiente, ele arrisca sempre que a zaga adversária permite: aos 25, obriga o goleiro alviceleste a encaixar após quique na péssima grama do Alfredão. Um minuto depois, o arquirrival perde gol feito. Jogada ensaiada, bola na área ajeitada para Dhonathan, na pequena área, chutar por cima.

Aos 28 minutos, Rafael Mineiro faz ótima arrancada pela direita, costurando a zaga maqueana, que por fim consegue desviar para escanteio – o lateral-direito noroestino, minutos antes, havia caído desacordado após dividida pelo alto.

Segue a correria do jogo, de muita movimentação e pouca técnica. Aos 37, Bonfim dá uma furada que assusta a torcida alvirrubra. No minuto seguinte, Juninho chuta novamente de fora para a defesa de seu xará. Na última trama relevante do primeiro tempo, Dhonathan faz firula pela esquerda e centra na meia-lua. Willian ajeita e Kennio chuta forte. A bola desvia na zaga.

O segundo tempo começa com uma alteração no Trem-Bala: Mizael no lugar de Rafael Mineiro, provavelmente não refeito da pancada na cabeça. A primeira chegada alvirrubra é aos quatro: Marcus Vinícius faz sua primeira – e única – boa jogada, dribla na direita e cruza. A bola desvia na zaga e, no rebote, Lello limpa o adversário e bate de canhota, sem perigo.

O menino Mizael começa a justificar, aos oito, os apelos da crônica por uma chance a ele. Dribla três maqueanos e rola para a entrada da área, de onde Juninho – sempre ele! – chuta para a defesa do goleiro. O Noroeste tem mais posse de bola e chega mais, porém, é o MAC novamente quem chega com perigo. Dhonathan é lançado em velocidade e tenta tocar por baixo de Yuri, que faz ótima defesa.

Giovanni, sumido, arranca pela esquerda aos 16, mas cruza mal. Esperava melhor atuação dele, que não se impôs na armação das jogadas.

Novamente o Marília assusta, aos 22, quando Léo, que acaba de entrar, chuta de longe e Yuri, de mão trocada, defende em linda ponte. A essa altura, as cheerleaders, impedidas de se apresentarem antes e durante a partida – por falta de envio de ofício do Noroeste à Federação – começam a se aquecer para dançarem após o fim da partida.

Quando Almir Dias entra no lugar de Giovanni, aos 26, a torcida vaia – mais pelo carisma do jovem jogador do que pelo seu mal futebol na noite. E o futebol é maravilhoso exatamente por ser contraditório, pois o substituto entra muito bem no jogo. Primeiro, cobra falta perigosa, defendida por Juninho. Outra falta no minuto seguinte, novamente Almir Dias, que dessa vez cruza para perigoso cabeceio de Bonfim. O meia volta a calibrar o pé aos 28, cobrando escanteio fechado, tentando olímpico sem sucesso.

Na escassez de criação, o Norusca começa a chegar na base do atropelo. Divididas, bate-rebate, bola se oferecendo na área até sobrar para Rafael Aidar, que chuta de canhota para fora aos 30 minutos. Aos 33, após bola rebatida, Bonfim arrisca bela bicicleta, mas sem força para surpreender o goleiro Juninho.

Finalmente! Aos 36 minutos, Almir Dias limpa na entrada da área e surpreende a zaga rival – no lugar de chutar, passa para Adilson na marca do pênalti. O camisa 11 domina e fuzila. É o primeiro gol noroestino na Copa Paulista.

Para quem achava que o jogo estava definido, mais um sufoco. Aos 44, o cruzamento vem da direita e Dhonathan cabeceia na trave. A bola ia entrando, mas Yuri faz o terceiro milagre da noite. Nos acréscimos, o último ataque maqueano: Willian chuta raspando a trave.

A partida termina, o Noroeste tira o atraso e as cheerleaders se apresentam para a respeitosa torcida, que adiou sua saída para aplaudi-las. Mas o pessoal do som não estava em sintonia, aumentado o mico da noite. Por fim, encontraram a música e elas – e havia eles também – conseguiram ganhar seus merecidos aplausos.

O CRAQUE: Yuri foi brilhante, mas é necessário fazer menção a Juninho, que desde que entrou no meio-campo noroestino se tornou o motor do time. E não tem medo de arriscar chutes a gol.
O PEREBA: Marcus Vinícius chegou com pedigree de Seleção Brasileira de base, mas ainda não mostrou esse potencial.
RESUMO DO JOGO: ao sair do campo, em entrevista ao repórter Diogo Carvalho, do Jornada Esportiva – quem quiser ouvi-los no Alfredão basta procurar o retorno na FM do seu radinho – o lateral-esquerdo Rick usou sabiamente o clichê: “Quem não faz, toma”.

Noroeste Marília Copa Paulista 2010

Noroeste x Marília: o dérbi da reabilitação

Não há outra alternativa hoje, às 19h, no Alfredão: o Noroeste tem que vencer o time B do Marília pela quarta rodada da Copa Paulista – é apenas o segundo jogo do Alvirrubro, pois a segunda rodada foi cancelada (desistência do Atlético Araçatuba) e o da terceira rodada (contra a Penapolense) foi adiado. Perder para o elenco secundário do arquirrival, no ano do Centenário e na véspera do aniversário da cidade seria desastroso, para não usar outro termo… E só assim esse elenco pode provar que está mesmo disposto a buscar o título e a vaga na Copa do Brasil.

Esse fator, somado à necessidade de reabilitação – o time ainda não venceu neste semestre – pode forçar a presença do treinador Luciano Dias à beira do gramado, pois já vem orientando a equipe durante a semana. A postura pacata do auxiliar Marcos Antonio Ribeiro tem sido criticada.

No coletivo da quinta-feira, Dias promoveu mudanças na equipe titular. Geilson perdeu posição para Kelisson, reforço que veio do CRAC-GO e faz sua estreia com a camisa alvirrubra. O meia-atacante Marcus Vinícius, promessa emprestada pelo Goiás que jogou 30 minutos no amistoso contra o Estoril-POR, também começa jogando. E a mais comemorada escalação é a de Giovanni, recuperado de contusão e confirmado no meio-campo. A surpresa fica por conta de Adílson Souza. O criticado atacante comeu a bola no coletivo, fez três gols e tomou o lugar de Paulo Roberto no comando do ataque. Resta saber se ficará fixo na área ou buscará jogo, o que muda bastante a forma de jogar do time.

Se o Norusca não joga há dez dias, o MAC vem cansado, após vencer o XV de Jaú, fora de casa, na última quinta-feira (1 a 0). O técnico Carlos Alberto Seixas (campeão da Copinha pelo Noroeste em 2005) confirmou que vai manter a escalação, justificando-se pelo famoso “time que ganha não se mexe”, segundo o repórter mariliense Guilherme Maia, da rádio Itaipu FM: “Gostei muito da equipe contra o XV de Jaú, podemos contar com todos os jogadores e ainda atletas que estão treinando com o elenco da Série C e não atuaram como titulares no jogo de quarta-feira (vitória sobre o Luverdense)”. Ainda segundo a imprensa de Marília, o experiente goleiro Sérgio e o atacante Ray pediram para jogar o dérbi, mas o treinador principal, Jorge Rauli, vetou.

O destaque do time alviceleste é o atacante Dhonathan, autor do gol da vitória em Jaú. Ele foi revelado no Santos e é da mesma geração de moleques que hoje encantam na Vila – mas não teve espaço por lá. Vale destacar que o time que perdeu na estreia da Copa Paulista para a Penapolense (4 a 0 no Abreuzão) era formado basicamente por juniores.

Não será um jogo fácil, quem se destaca no time B pode ganhar chances na Série C e a molecada de lá vai correr muito hoje no Alfredão. Mesmo assim, não desobriga a vitória noroestina. Tomara que a torcida compareça em número um pouco maior do que os habituais mil e poucos abnegados. Abaixo, a ficha do confronto, com as prováveis escalações (Norusca no 4-4-2, MAC no 3-5-2, variando para o 3-6-1):

A polêmica cavadinha de Neymar

A Seleção Brasileira acaba de perder uma Copa do Mundo e ser taxada de pragmática. Assume o novo treinador e chama os talentosos garotos que a maioria dos torcedores queria ver na África do Sul – entre eles, Neymar. Todos clamam pelo futebol-arte e o camisa 11 do Peixe é capaz de dar isso ao público.

Na última quarta-feira, na partida de ida da Copa do Brasil, contra o Vitória na Vila Belmiro, Neymar comeu a bola. Fez gol de peito, driblou, trocou passes rápidos, pedalou e sofreu pênalti. Cobrador oficial, repetiu a cavadinha bem-sucedida no amistoso contra a Ferroviária, na pausa do Mundial. O goleiro Lee, paradão no meio, pegou com falicidade.

Mal terminou o jogo e a crônica esportiva se mexeu. Duas correntes logo se formaram: os que acharam molecagem fora de hora e os que consideraram apenas mais um pênalti perdido. “Deixem o menino jogar”, defenderam.

Entre todos os argumentos dos colegas que li, aquele em que assino embaixo é o do jornalista Mauricio Stycer, do UOL (leia aqui). Ele disse tudo: o que se deve discutir não é a imaturidade/irresponsabilidade do garoto. Basta pensar somente na bola em jogo: era partida decisiva e ele se tornou previsível, o goleiro esperou a firula e pegou. Poderia ser um veterando, um zagueiro-brucutu, o presidente do clube: pênalti decisivo se cobra com a faca entre os dentes. Um gol que pode fazer falta lá no Barradão. Claro que Loco Abreu foi aplaudido na África do Sul, mas o limite entre o olimpo e o inferno é o fio de uma navalha…

Toda vez que há um pênalti decisivo, seja no tempo normal ou na disputa alternada, sempre digo: bateria forte, no meio do gol. Ainda não acredito quando vejo jogador cobrando a meia altura. Por isso minha cobrança preferida, a melhor que já vi, foi a do meia Beckham na vitória inglesa sobre a Argentina, na fase de grupos do Mundial de 2002. Bateu seco, rasteiro, quase no meio. A bola parecia queimar a grama, de tão rasante. E observe no vídeo abaixo sua concentração antes da cobrança. Ele sabia que a vitória – e a classificação para as oitavas – dependia daquele chute (veja abaixo).

É só isso. Apesar de Neymar andar marqueteiro demais, dislumbrado demais, seu erro foi simplesmente futebolístico – não comportamental. Vale discussão, sim, mas é claro que não vale condenação. Porque o Santos só está nessa final por seu brilho, seus dez gols até agora na campanha do Peixe na Copa do Brasil.

Elenco inchado pra que, Norusca?

Com a chegada do meia-atacante Deivid (25 anos, ex-Bagé-RS) e do centroavante Diego (20 anos, ex-Al-Mesaimeer-QAT), o Noroeste  agora tem 31 jogadores em seu elenco. Situação semelhante de anos anteriores na Copa Paulista: jogadores chegando durante a competição, gerando falta de entrosamento e deixando a dúvida se o time está mesmo com foco no título ou apenas tentando garimpar algum jogador para ser aproveitado no semestre seguinte.

O atacante Marcus Vinícius, que veio de empréstimo do Goiás, mal estreou e já tem mais concorrência lá na frente – sem contar que Somália foi recentemente profissionalizado, mas, pelo jeito, terá poucas chances de entrar em campo. Leleco, outro garoto da base há tempos esperando por uma chance, também deverá perder espaço…

Não gosto muito de conspirar sobre favorecimento a empresários e outros fatores (obscuros) extracampo que poderiam motivar tantas contratações para um torneio teoricamente laboratório,  até por não ter provas. Mas lamento que a base noroestina não tenha mais espaço. Afinal de contas, se não colocar a molecada para jogar na Copinha, o último degrau de prioridade, vai testar quando? O início deste semestre estava animador, com a mescla da base da Série A2 com os garotos – campeões dos Jogos Regionais. Mas bastaram duas derrotas para justificarem esse precipitado desespero por mudanças.

Curioso é que na crônica esportiva bauruense, ao mesmo tempo em que a maioria dos colegas faz coro pelo aproveitamento da base, ouve-se com frequência  que ”esse time precisa de reforços”. Muitas vezes por pura força do hábito, a frase sai automática. Claro que não estou generalizando, mas citar nomes é extremamente deselegante.

Pior é que o gerente de futebol Ricardo Occhiuto prometeu mais reforços. ”Estamos trabalhando no sentido de fortalecer o elenco para alcançar os resultados na Copa Paulista”, avisou, via assessoria. Não precisa! Foi apenas um jogo oficial, uma derrota… Quanta precipitação. Com o que temos, se houver muito trabalho, comprometimento e, principalmente, foco nos resultados e noção de que a Copa Paulista é a “nossa Copa do Mundo”, como salientou o treinador Marcos Antônio, é totalmente possível não fazer feio.

Hoje, são três goleiros, cinco laterais, cinco zagueiros, cinco volantes, cinco meias e sete (!) atacantes. A não ser que saiam alguns para que novos cheguem – o que desestabiliza um grupo -, é gente demais para esse vestibular do Paulistão. São muitos candidatos por vaga, ainda mais porque desse plantel atual, a boleirada tem que mostrar serviço para ver quem vai ficar no banco na Série A1. Eu disse banco. Portanto, é muita energia gasta para pouco resultado.

Diego Oliveira atacante Noroeste

Diego em ação no Qatar: que venham os gols do D9

Os novos reforços
O meia-atacante Devid, que veio do futebol gaúcho, pelo menos vai suprir uma carência alvirrubra: a bola parada – Rafael Mineiro, Roque e Willian não convenceram nas cobranças. É o que aparenta este vídeo no YouTube (veja aqui): falta de longe, de perto, escanteio, pênalti… É tudo com ele! Já sobre centroavante Diego, há pouco mais do que muita curiosidade. De jovem promissor no Paraná Clube, seguiu para o Qatar. Por lá apareceu muito na imprensa local, segundo o blog organizado por familiares dele (confira aqui) – que aliás o chamam de Diego Oliveira, o “cara”, o D9.

Essa dupla pode estourar, tomara que estoure – Deivid nas assistências e Diego com os gols – mas por enquanto são incógnitas. Como são Leleco e Somália, que pelo visto continuarão sendo…

Importante deixar claro que este argumento do Canhota 10 precede o clássico contra o Marília. Mesmo sabendo que uma derrota para o time incompleto do maior rival poderá gerar uma crise no Alfredo de Castilho, insisto que se dê tempo a esse elenco, como foi dado na Série A2 – jogadores desacreditados deram a volta por cima e foram buscar o acesso. Porque noroestinos não desistem nunca.

Sem armadores, Norusca vê Linense criar e golear

Direto do Alfredão

Há muito o que dizer de Noroeste 0 x 3 Linense.  Dois comentários principais têm a ver com a imprensa. Explico.

O primeiro: logo no início do jogo, de minha posição na cabine, ouvi nitidamente o treinador Marcos Roberto gritar para Lelo: “Eles estão jogando com três atacantes, precisa ficar mais”. No intervalo, o técnico disse em entrevista aos colegas de rádio que foi surpreendido por essa escalação ofensiva do Linense. Mas, a escalação estava publicada no site dos jornais de Lins – e reproduzida pelos sites bauruenses (primeiro o Webesportiva) – desde o meio da semana! Não pode. Ele precisa acompanhar a imprensa. Pelo visto, o time alvirrubro teve que reinventar seu sistema de marcação durante o jogo. Quando se deu conta, a goleada estava construída.

O segundo: a imprensa bauruense não pode se precipitar em enumerar erros extracampo do Noroeste baseada em um jogo. Criticar o péssimo comportamento em campo, ok. Mas já se falou (mal) da preparação, de o treinador Luciano Dias não estar à beira do gramado, da qualidade do elenco. Calma. Basta lembrar as quatro derrotas seguidas durante a Série A2: os jogadores foram mantidos e buscaram o acesso. Portanto, paciência. Vejamos algumas rodadas e, principalmente, oremos para os meias do time estarem logo aptos – pois Willian Leandro é fraco e o improvisado Adilson Souza não sabe armar.

O jogo
O Norusca dá a impressão de que dominaria o jogo. Logo aos dois minutos, Adilson cruza para Paulo Roberto finalizar prensado, para fora. A partir daí, o Linense comporta-se como time da casa. Contando com cerca de 80 torcedores, mantém-se no campo de ataque e chega com perigo aos nove, quando provoca bate-rebate na área noroestina, e aos 14, quando Leandro Love cabeceia para fora. Três minutos depois, o primeiro gol. Golaço. Do bico da grande área, pelo lado esquerdo, Velika (canhoto, camisa 10…) cruza rumo à meia-lua. O lateral Eric espera a bola pingar e, de sem-pulo, acerta o ângulo de Yuri.

Rafael Mineiro Noreste Linense Copa Paulista 2010 Bauru futebol

Rafael Mineiro cobra lateral: um dos piores em campo

O Noroeste tenta reagir, mas com a saída de jogo desorganizada – com muitos erros de passe de Roque e Lelo. Na cabine a meu lado, Bira, o treinador de goleiros, avisa Yuri que o time está todo indo pra frente. Dito e feito: aos 24, em contra-ataque, o veloz atacante André Luiz recebe livre, dribla o goleiro e entra com bola e tudo.

A dificuldade de criação alvirrubra segue e somente aos 34 há uma jogada de perigo, quando Rafael Mineiro bate cruzado e Rafael Aidar chega atrasado, de carrinho. Cinco minutos adiante, Bonfim cabeceia rente à trave, após cobrança de falta na intermediária.

Aos 41, o golpe final. Leandro Love perde gol feito na pequena área, a bola é mal rebatida e sobra para Alessandro Cambalhota. O ex-atacante noroestino ajeita para Bilinha chutar forte e Love, aí sim, desviar para sua trajetória para as redes. Na saída, Bonfim diz ao repórter Thiago Navarro, do Jornada Esportiva, que não é somente a zaga que tem responsabilidade de defender.

No segundo tempo, o Norusca vai a campo com duas modificações. Logo de cara, a um minuto, o jovem volante Juninho arrisca de fora da área – o que repete aos sete, desta vez com mais perigo. Essa empolgação dura pouco e a partida se arrasta até o fim, com o Linense gastando o tempo em troca de passes e o Alvirrubro sem conseguir finalizar uma jogada. Aos 41, um lampejo do jovem Nathan, que pedala bonito, invade a área, mas finaliza muito, muito mal.

Noreste Linense Copa Paulista 2010 Bauru futebol

O ex-noroestino Marcelo Santos conversa com Jota Martins: o torcedor era feliz e não sabia...

O próximo compromisso noroestino na Copa Paulista é somente dia 28, quando visita a Penapolense. Antes, faz amistoso internacional contra o Estoril, de Portugal, dia 21, às 20h. Que o torcedor, que fez companhia às moscas neste sábado, anime-se para o jogo festivo da quarta-feira.

O cara: o meia Velika, habilidoso e incisivo em suas investidas ao ataque
Os perebas: Rafael Mineiro e Roque (vamos testar Mizael e Pedro!) e, principalmente Willian Leandro
O árbitro: não foi notado e deu apenas um amarelo, o que é bom sinal
Curiosidade: cercado pelos Jotas (Martins, da 87FM, e Augusto, da Auri Verde), o atacante Alessandro Cambalhota bateu discontraído papo e aproveitou para comentar sua criticada passagem por aqui – quando pouco jogou, encostado, contundido e ganhando bem. Do lado bauruense, ficou com a fama de chinelinho. Como é bom ouvir o outro lado (parabéns aos repórteres), ele deu sua versão: “Ganhava R$ 10 mil por mês, tenho como provar. Outros jogadores ganhavam mais. Não peguei luvas. Eu queria jogar, mas era o comandante quem escolhia. Não recebi oportunidades. No Paulistão, já estava recuperado e só joguei 20 minutos contra o Paulista e nunca mais. Queria ficar em Bauru, perto da família e dos negócios. Mas hoje estou feliz. Moro na fazenda e vou ao clube treinar em dez minutos. A gente faz um dinheirinho vendendo um bezerro aqui, outro ali…”.

Ficha técnica Noroeste Linense

Conheça o novo reforço do Trem-Bala!

O Noroeste anunciou na tarde desta quarta-feira o atacante Marcus Vinícius, emprestado pelo Goiás. Ele tem 20 anos e surgiu como grande promessa para dar continuidade a tradição de gerar bons goleadores na Serrinha. O atleta, entretanto, só deverá ser apresentado na semana que vem.

Vendo o vídeo postado por sua assessoria esportiva no YouTube (assista aqui), percebe-se ser um jogador veloz, driblador e bom finalizador – apesar de chute aparentemente fraco. Por essas características seria, a princípio, reserva de Rafael Aidar. Mas, por ser bom finalizador, pode fazer dupla com ele, relembrando bons tempos recentes em que o Norusca usava dois atacantes velocistas, como Otacílio Neto e Vandinho. Guardadas as proporções e apenas para o leitor visualizar melhor, lembra o estilo de jogo de Lenny, do Palmeiras – quando era veloz em seus tempos de Flu.

Marcus Vinícius foi vice-artilheiro da Copa São Paulo de Juniores de 2008, com sete gols, e no mesmo ano foi convocado pelo técnico Rogério Lourenço (hoje no Flamengo) para a Seleção Brasileira sub-19. No profissional do Goiás, contusões atrapalharam sua trajetória. Essa experiência no futebol paulista pode ser a chance de o clube do Centro-Oeste ver seu investimento na base render uma grana no futuro. Seu contrato com o Esmeraldino termina dia 31/12/2011.

Como já disse sobre Cleverson, não há cenário melhor para se soltar, jogar sem o peso de um grande campeonato – dizem para os lados de Goiás que Marcus Vinícius sentiu a responsabilidade de atuar no profissional e que era meio desligado em campo, segundo matéria do site Olheiros. Esse moleque, se estiver bem fisicamente, poderá ter a chance de sua vida para sair do anonimato.

Que o criticado Adílson Souza e o ainda incógnita Paulo Roberto botem suas barbas de molho.

Marcus Vinícius atacante Goiás Noroeste futebolMarcus Vinícius Araújo Silva
atacante • 20 anos
Nascido em 18 de janeiro de 1990, em Mutunópolis-GO
1,79m • 79kg
Destro

As fotos do jogador em ação que ilustram a chamada na home foram reproduzidas do blog Futebolando, tiradas por seu editor, Marco Pezão

Laranja x Fúria

Ah, os números…
(Texto publicado na coluna Canhota 10 do jornal Bom Dia Bauru de 8 de julho de 2010)

Inicio a coluna com a mesma frase da semana passada: números ajudam a entender o futebol. Apenas entender, pois esse esporte não prima pela exatidão, como o Uruguai provou nas quartas, superando Gana de forma inacreditável. Mas, definida a grande final da Copa do Mundo, um passeio pelos dados (oficiais da FIFA) trouxe alguns pontos interessantes para imaginar como será o duelo de 11 de julho.

O genial Xavi também concorre a melhor do Mundial

Vendo o estilo jogo da Espanha, parece ser um time que cisca, cisca e pouco finaliza. Melhor olhar direito. É o time que mais chutou a gol no Mundial: 103 vezes – a Holanda, 80. Como explicar, então, os míseros sete gols em seis partidas da Fúria? A pontaria. Apenas 39% foram no rumo da baliza – os da Laranja, mais eficientes, 51% e média de dois gols por jogo.

O preciosismo Espanhol foi bem ilustrado pelo incrível gol que Pedro perdeu contra a Alemanha, na semifinal de ontem. Como não passou aquela bola para Fernando Torres, livre? La Roja abusa do toque de bola. Foram exatos 3.387 passes, 81% deles certos – o time de Van Bommel, 72%. Tantos toques a ponto de os súditos do rei Juan Calos sempre se aproximarem da área adversária e, consequentemente, ficarem pouco em impedimento (foram apenas seis vezes no torneio – os súditos da princesa Máxima, 24 vezes!).

A Holanda é famosa por atuar com pontas. Deduz-se, então, que vai muito à linha de fundo, certo? Foram 87 cruzamentos na área adversária – a Espanha, entretanto, centrou 146 vezes (68% a mais). Os holandeses sempre foram elogiados pelo futebol solto e ofensivo, mas insuficiente para ganhar uma Copa. Pois eles aprenderam a endurecer o jogo. São a seleção mais faltosa e mais punida com cartões na África do Sul: 98 infrações e 15 amarelos – os espanhois são os segundos que menos fizeram faltas (62), receberam apenas dois cartões e foram os que mais apanharam (106 vezes).

Sneijder, forte candidato a artilheiro e craque da Copa

Como pode notar, pelos números a Fúria pode fazer suco da Laranja. Um chocolate técnico, de poucos gols e muitos toques de efeito – principalmente nas tabelas entre Xavi e Iniesta. Mas a Holanda não joga como a Alemanha. Os comandados de Vicente Del Bosque atacam com perigo com poucos jogadores, isto é, sem se expor ao contra-ataque (a arma alemã). Os herdeiros de Cruyff dependem muito do estilo cadenciado de Sneijder e, para tanto, obrigarão os espanhois a um jogo aberto, lá e cá. Garantia de bom jogo para o público.

Ah! As duas seleções nunca se enfrentaram em Copa do Mundo e, em toda a história, foram apenas oito confrontos, que derrubam o baile espanhol das estatísticas desta Copa: quatro vitórias da Holanda, três da Espanha… Que venha o domingo, que vença o melhor. O futebol já saiu vitorioso.