Reinaldo Mandaliti: “Se Tifanny estivesse fazendo dez pontos, ninguém estaria reclamando”

Reinaldo Mandaliti, presidente do Vôlei Bauru, fala sobre Tifanny

A participação de Tifanny, oposta do Vôlei Bauru, na Superliga feminina de vôlei, segue rendendo debates. Primeira transexual a atuar na elite do vôlei brasileiro, ela está no olho do furacão de uma discussão que só iria mesmo acontecer quando a liberação pela FIVB tivesse uma situação concreta como exemplo. Portanto, Tifanny é pioneira, mas é vidraça também. Igualmente o presidente de seu time, o advogado e empresário Reinaldo Mandaliti, que falou ao CANHOTA 10 sobre a polêmica e contou detalhes, como o fato de ceder amostras de sangue da jogadora com muito mais frequência do que aCBV (Confederacão Brasileira de Vôlei) exige. Abaixo, em tópicos:

POLÊMICA
Esse assunto já está passando um pouco dos limites. Ver técnico de voleibol que xinga atleta adversária dentro de quadra, falar que ela é diferente… Se ela estivesse fazendo dez pontos, ninguém estaria reclamando. Veja quantas bolas a Tifanny recebeu e quantos pontos fez [nota do editor: ela tem aproveitamento de 46%, não figura entre as principais neste quesito]. A Tifanny tem aspecto físico maior, mas ela tem dificuldade motora numa largada, sofreu um ponto de saque em que foi passar por trás e não viu a bola… Ela fica no bloqueio várias vezes, no terceiro set cai de produção. Esse é o efeito da saída da testosterona do corpo. Ela tem 33 anos e o efeito da redução de testosterona cada vez a prejudica mais. É isso que as pessoas têm que entender.”

COMPARAÇÕES
Quando a Tifanny diz que é só uma mulher forte, eu tenho essa certeza também. Ela não é mais jogadora do que a Tandara, do que a Natália, a Gabi. Na China, há uma menina de 17 anos [Yingying Li] fazendo mais de quarenta pontos. Hoje, a segunda melhor atacante da Superliga é a Bruna Honório, que jogava aqui ano passado. Fez 25 pontos em um jogo. Eu quero mais é que a Bruna faça quarenta pontos, é uma atleta exemplar. Eu não estou preocupado se vou ser campeão ou não com a Tifanny. Há muitos times mais fortes do que o meu, mesmo com Tifanny e Paula Pequeno. Por que ninguém fala de limitar o orçamento do Praia Clube? Para sermos justos, vamos começar pelo dinheiro, não pelo ser humano. O dinheiro é fácil, um bem material. Mas e o ser humano? Vamos parar de demagogia e permitir que as pessoas circulem no meio da responsabilidade social. Não ficar procurando picuinha para justificar por que perdeu para Bauru. Gente, nós quase perdemos para o Sesi [lanterna da competição]. Perdemos para o São Caetano, em casa, com a Tifanny em quadra.”



DENTRO DA LEI
Falam sobre ela ter feito sua construção óssea à base de testosterona e só ter feito redução aos 28 anos. As pessoas não conhecem a lei, porque aos 18 ninguém pode mudar nada em seu corpo [somente a partir dos 21]. A não ser que seja emancipada pelos pais. E com 18 anos o corpo humano está formado! As pessoas ficam dizendo muita besteira em vez de pensar no ser humano. Têm que parar com homofobia. Esse discurso da vantagem física mascara o preconceito.”

EXAMES FREQUENTES
Porque o médico da Conamev [Comissão Nacional de Médicos do Voleibol], que foi macho para falar no Esporte Espetacular, não tirou a bunda da cadeira e veio aqui entrevistar a Tifanny? Quem levou todos os exames para a CBV fui eu. Mando fazer exames a cada quinze dias. A Tifanny não tem evolução de testosterona, só diminui o nanomol por litro [unidade de medida da testosterona no corpo; o limite é 10, ela tem menos de 1]. Só que ninguém vem a Bauru, nós é que estamos informando.”

Tifanny
Por conta da polêmica ao redor de seu nome, Tifanny optou pelo silêncio nas últimas semanas. Foto: Neide Carlos/Vôlei Bauru

DIÁLOGO
Em vez de as pessoas falarem besteira, que venham olhar, acompanhar, fazer um estudo. Minha grande preocupação é a desinformação e a forma como estão levando essa história. Não é assim que se discute. Se a CBV quer discutir, que convoque uma reunião, com médicos, treinadores, jogadoras. Vamos discutir, olhar estatísticas. Se for injusto, ok, vamos limitar ou excluir, não há problema nenhum para Bauru.”

NOVOS TEMPOS
Estamos vivendo num mundo diferente, as pessoas são livres para tomar suas decisões. Mas como tirar um direito, se hoje no mundo discutimos identidade de gênero? A discussão hoje é outra. Discutimos a evolução do ser humano. Ninguém vai voltar no tempo. Esquece, isso não vai acontecer. As pessoas não toleram mais esse tipo de coisa.”



POSSÍVEL PROIBIÇÃO
Eu não tenho temor nenhum. Acho que vai haver mudanças, mas não acho que o caso Tifanny vai mudar. Porque havia uma regra que tinha que fazer a cirurgia de adequação sexual. Agora, aumentou a possibilidade, não precisa mais fazer a cirurgia, apenas estar dentro do limite de nanomol por litro. O que pode acontecer é retroagir, voltar a ter que fazer a cirurgia [que Tifanny fez].  Não me sinto preocupado, até porque ela tem o direito adquirido de disputar a temporada. Qualquer mudança não vem para agora, qualquer juiz dá uma liminar, ela tem o direito de exercer a profissão que permitiram por uma lei. Como se dá um direito depois tira?”

OPORTUNIDADE
Quando o Vôlei Bauru abriu as portas para ela treinar, primeiro eu estava fazendo algo por um ser humano. Lógico, a partir do momento que ela estava dentro de uma lei que disciplina. O primeiro princípio, antes de ser esportista, é preocupar-se com o próximo. Só que algumas pessoas do esporte não se preocupam com isso.  A Tifanny ficou sem clube na Itália por causa de uma contusão, veio aqui para se recuperar. Vou deixar de dar uma condição a uma atleta, que já passou por todo o preconceito na vida? Ficar excluída? Desculpe, eu sou ser humano.”

 

Foto topo: Bruno Freitas/Noroeste

De olho no G-8, Vôlei Bauru deve sonhar é com o sexto lugar

Superliga - Vôlei Bauru - Paula Pequeno

O Vôlei Bauru faz sua primeira partida de 2018 em casa, na Panela de Pressão, nesta terça (9/jan), às 18h30, contra o Brasília. O objetivo é manter-se no G-8 da Superliga feminina — ocupa hoje exatamente a oitava posição. Mas é possível  sonhar melhor: com a sexta posição.

Explico. Terminar em oitavo significa pegar de cara o praticamente imbatível Praia Clube nas quartas — tchau, sonho da semifinal. Em sétimo, o também fortíssimo Sesc Rio. Para sonhar com uma inédita (e histórica) semifinal de Superliga, o sexto lugar colocaria as gigantes no caminho de Osasco ou Minas nos playoffs, duas equipes contra quem tiveram jogos mais parelhos nesta temporada. No popular: dá jogo.

Por que o sexto lugar é possível? Vejamos. O Vôlei Bauru tem 17 pontos. Barueri (sexto) e Pinheiros (sétimo) têm um pontinho a mais. E ainda haverá confronto direto com o Barueri. Na caminhada até o fim do returno, além desta partida contra o ex-time de Paula Pequeno (vencer ou ganhar!), faltam Sesi Santo André (3 a 0 obrigatório), depois aquela sequência complicada que, convenhamos, perder no tie-break para arrancar um pontinho já será lucro — Minas (fora), Praia (casa), Osasco (fora), Rio (casa) e Barueri (fora) —; por fim, mostrar força de quem aspira algo mais se impondo contra Valinhos e São Caetano, mesmo ambas longe de Bauru.



Nessa sequência, certamente Tifanny estará ainda mais entrosada e poderá manter a condição de maior pontuadora da Superliga — o que, obviamente, levanta mais questionamentos sobre sua presença no vôlei feminino. Mas ela está apta diante das regras estabelecidas. Ponto.  Podem questionar CBV, FIVB, COI, critérios adotados para a inclusão de transexuais, mas não a jogadora — sobre sua trajetória, sugiro a leitura da entrevista que fiz para o site de Veja, que teve repercussão nacional.

Mais uma sugestão de leitura: a análise pré-jogo de Vôlei Bauru x Brasília, pelos amigos da Locomotiva Esportiva.

Superliga na TV, mas o ingresso está barato

A partida terá transmissão dos canais Sportv, mas sugiro que aproveite a promoção de ingresso a R$ 15 e curta presencialmente, na Panela.

 

Foto: Neide Carlos/Vôlei Bauru

Tabela do Paulista de vôlei feminino

Tabela Paulista de vôlei feminino

icone-VOLEIFoi divulgada a tabela do Paulista de vôlei feminino 2017, que começa no próximo dia 11 de agosto, sexta-feira. O Vôlei Bauru estreia na terça, 15, às 19h, fora de casa, contra o Sesi. Mais uma vez com fórmula enxuta, o estadual terá no máximo 12 jogos para uma equipe que chegar à decisão.

Os sete clubes se enfrentam na primeira fase em turno único, que serve para o chaveamento das quartas de final entre os colocados entre segundo e sétimo — o primeiro vai direto para a semifinal. Nos mata-matas, são duas partidas, havendo set desempate (o golden set) caso cada equipe vença uma. Confira os compromissos bauruenses na primeira fase:

Data • Horário • Adversário • Local
15/ago • 19h • Sesi • Santo André
22/ago • 19h30 • Pinheiros • Panela
25/ago • 19h30 • Osasco • Osasco
30/ago • 19h • Barueri • Panela
12/set • 20h • São Caetano • São Caetano
16/set • Valinhos • Panela

 

Foto: Neide Carlos/Vôlei Bauru

Genter Vôlei Bauru vence terceira seguida e mira G-4 da Superliga

retranca-superligaA semana rendeu. Em sete dias, o Genter Vôlei Bauru emplacou três vitórias seguidas, saltou para a quinta posição e o G-4 é logo ali. O triunfo da vez foi sobre o São Caetano, por categóricos 3 sets a 0 (parciais de 25 a 18, 25 a 19, 25 a 17), em 1h10min de partida, na Panela de Pressão.

Assim como contra o Fluminense, a oposta Bruna Honório foi a maior pontuadora do time, desta vez com 20 pontos! Recuperando a titularidade que foi absoluta na última temporada, a camisa 3 vive grande momento, coroado pelo troféu Viva Vôlei de melhor jogadora desta partida contra o São Caetano. Além da eficiência ofensiva, ela anotou quatro pontos de saque.

Juma e Valquíria: boas tramas ofensivas
Juma e Valquíria: boas tramas ofensivas

As centrais Valquiria e Angélica também deixaram bom recado, com 12 e dez pontos, respectivamente — seis dos 12 bloqueios do time foram delas, aliás. E é sempre um deleite ver Brenda Castillo em quadra. Muita técnica, muita leitura de jogo, craque! A certa altura do terceiro set, sobrou para ela o terceiro toque, obrigação de líbero devolver à quadra adversária sem atacar. Mas a dominicana fez uma manchetinha marota, rente à rede, e as adversárias se enrolaram com a bola. Perfeita! Sem contar os levantamentos precisos.

Agora, as gigantes têm um tempinho para descanso e treinamentos: voltam à quadra somente na próxima sexta (2/dez), às 19h30, contra o Pinheiros, fora de casa.

ABRE ASPAS

Thaisinha, Valquiria e Bruna celebram mais um ponto. Fotos: Neide Carlos/Vôlei Bauru
Thaisinha, Valquiria e Bruna celebram mais um ponto. Fotos: Neide Carlos/Vôlei Bauru

“Faz um tempo que estou buscando melhorar. Estou muito feliz. A sombra de qualquer jogadora do elenco vai me dar um ‘up’. Mas a Mari é uma campeã olímpica e se eu bobear ela vai me ultrapassar. Então, tenho que me superar sempre”, comentou Bruna Honório à repórter Fabiola Andrade, do canal Sportv, que transmitiu a partida.

“Fiquei seis meses parada, focada na família, depois da perda do meu pai. Ainda tenho que ganhar ritmo de jogo, a Bruna está indo muito bem, o time encaixou, mas todo mundo vai ter uma oportunidade. Eu mesma posso atuar na ponta”, avaliou a oposta Mari, que entrou durante a partida.

“Nosso objetivo é somar pontos e nestes três últimos jogos somamos nove pontos, o que foi muito importante em termos de classificação para atingirmos a melhor colocação possível. O time foi muito sólido e isso foi importante. Ditamos o ritmo da partida, mas em alguns momentos tivemos dificuldades, o que também é importante para ver como o time reage diante dos problemas. Isso é construção”, avaliou o técnico Marcos Kwiek, via assessoria.

Genter Vôlei Bauru vence confronto direto contra o Fluminense pela Superliga

retranca-superligaSe a primeira sequência de partidas foi cascuda, a segunda está sendo bem aproveitada pelo Genter Vôlei Bauru para pegar um embalo na disputa da Superliga. Após vencer o Valinhos na última sexta-feira, voltou a somar três pontos batendo o Fluminense, na Panela de Pressão, por 3 sets a 1 (parciais de 25 a 17, 25 a 17 e 25 a 21), em 1h14min.

Com o resultado, Bauru passa as cariocas na classificação — e também o Minas —, assumindo o quinto lugar. Para fechar a segunda trinca de jogos, as gigantes recebem São Caetano, também na Panela, às 18h da próxima quinta (24/nov).

De volta da República Dominicana, o técnico Marcos Kwieck apostou numa formação diferente para o confronto, promovendo a entrada da oposta Bruna Honório, que vinha ficando no banco, deixando Prisilla Rivera e Mari como opções. A camisa 3 respondeu bem, anotando 13 pontos, mesmo número da ponteira Thaisinha, costumeira cravadadora do time.

Outros destaques nesta vitória sobre o Fluminense foram, mais uma vez, foram a líbero Brenda Castillo e a ponteira Mari Cassemiro. Juntas, foram responsáveis por seis das nove defesas da equipe e por 18 das 27 recepções bem-sucedidas. E a levantadora Juma foi eleita a melhor atleta em quadra — além das boas escolhas ofensivas, ainda fez dois pontos de bloqueio. Mais um dado: o Genter fez oito pontos de saque.

ABRE ASPAS

Fotos: Marina Beppu/Vôlei Bauru
Fotos: Marina Beppu/Vôlei Bauru

“O saque é fundamental para qualquer jogo, nosso sistema defensivo funciona muito melhor quando a gente saca bem. Espero que a gente cresça nesse fundamento para dificultar mais para as adversárias”, comentou a central Angélica ao repórter Luiz Lanzoni (Auri-Verde/Jornada Esportiva).

“Cumprimos com tudo o que pediu o treinador. Pra mim está sendo muito especial aqui em Bauru, me sinto bem com as meninas e podemos render muito mais”, disse a líberto Brenda Castillo.

“A gente tem cobrado a regularidade nos treinamentos. Mas uma vitória é sempre muito importante e vamos corrigindo os erros. Não podemos nos acomodar e temos situações preocupantes que temos que continuar buscando. Nessa fase da Superliga temos que somar pontos, temos que aprender a ganhar jogando mal também. E melhorar um pouco a cada partida”, ponderou o técnico Marcos Kwieck, celebrando a vitória com moderação.

ATENÇÃO, ESCOLAS!

O Genter Vôlei Bauru disponibiliza acesso gratuito de escolas de Bauru e região para a próxima partida. Instituições interessadas devem entrar em contato com Johnny, pelo telefone (14) 99175-8900, das 9h30 às 12h e das 14h às 17h, para efetuar a reserva de seus ingressos.