Conteúdo da seção NORUSCA Ô!

Norusca na revista ESPN de outubro

Sempre que o Noroeste aparece em destaque na mídia nacional, ocorre uma compreensível euforia, pois o tradicional clube bauruense rompe fronteiras nessas ocasiões. Mas é sempre bom ter os pés no chão. No episódio da liderança mundial dos trendig topics do twitter, estava claro o tom de ironia de anticorintianos – mesmo assim, não deixou de ser uma boa publicidade, até pouco explorada por aqui.

Agora, na semana que em o Alvrrubro é destaque no Tem Esporte, da TV Tem (episódios que podem ser assistidos aqui), o Noroeste aparece na página 22 da revista ESPN, em breve texto comparando o ‘Centenário Solidário’ noroestino com a pirotécnica festa corintiana. Convenhamos que não há comparação e ninguém pode ficar ofendido. Reproduzo o texto logo abaixo – ele não está assinado.


MINHA FESTA DE ANIVERSÁRIO

No dia 1º de setembro, Corinthians e Noroeste comemoraram cem anos. Iguais na data de fundação, mas bem diferentes na celebração

Da revista ESPN nº 12, página 22

AMIGOS
CORINTHIANS Reuniu mais de 130 mil pessoas no Show da virada.
NOROESTE O Centenário Solidário contou com baixo público, incapaz de encher o estádio Dr. Alfredo de Castilho, com capacidade para 17 mil pessoas.

CONVIDADOS ESPECIAIS
CORINTHIANS Presidente Lula, Paula Lima, Xis, Rappin Hood, Negra Li, a dupla sertaneja Maria Cecília & Rodolfo, Exaltasamba, Ronaldo [o goleiro] e os Impedidos, além de Badauí e Japinha, do CPM22.
NOROESTE André & Matheus, Tambores Taiko e um jogo entre veteranos do Noroeste e da seleção brasileira, com a presença de Serginho Chulapa, Muller, Careca e o ídolo local Lela.

PRESENTE
CORINTHIANS Na véspera da festa, a diretoria anunciou a construção de um estádio no bairro de Itaquera com capacidade prevista para 48 mil pessoas.
NOROESTE Foi divulgado o projeto do “Memorial Noroeste”, pela preservação da memória do clube. Em parceria com a prefeitura de Bauru, o Norusca irá retomar as categorias de base.

2010 DOS MEUS SONHOS
CORINTHIANS Falhou na tentativa de vencer a Libertadores, mas caminha para o quinto título brasileiro.
NOROESTE Garantiu para 2011 um lugar na elite do futebol paulista.

IDOLO LÁ, HOJE CÁ
CORINTHIANS Gilmar Fubá: jogou no Corinthians entre 1995 e 2000 – ano em que se sagrou campeão do mundo pela Fifa. Na sua segunda passagem por Bauru, ajudou o time a ser vice-campeão paulsita da A-2.
NOROESTE Bruno César: em 2009, foi um dos poucos a se salvar no Norusca rebaixado no Estadual.

TWEETS E FELICITAÇÕES
CORINTHIANS Quatro dos dez itens do trending topics Brasil de 1º/9 tratavam do Corinthians.
NOROESTE Ocupou o top nos trending topics mundial

Luciano Dias: “Por que essa preocupação toda?”

Ok, o Norusca pode contratar bons jogadores, treinar direitinho e jogar bonito no Paulistão 2011 – e essa é a torcida de todos. Mas os corajosos e fiéis noroestinos que têm comparecido ao Alfredão, hoje – e tantos outros ligados no rádio e na internet -, não merecem tamanha indiferença com a Copa Paulista.

Que fique clara a vontade dos jogadores. Dá para perceber que entram nas divididas, vibram, lamentam. Bira, o treinador de goleiros, quase vai à loucura com os erros de arbitragem e grita como louco para orientar a zaga, posicionado nos camarotes, na mesma linha dela. O próprio Luciano Dias gesticula a partida inteira, conversa com os jogadores, dá bronca. Mas, seu discurso final põe tudo a perder, ao deixar claro que essa participação não passa de um laboratório.

Respondendo a perguntas de Jota Martins, da 87FM, Dias instigou os profissionais de imprensa: “Vocês são experientes, conhecem futebol, sabem que não é sempre que isso acontece, gol contra a um minuto, pênalti perdido…”. O repórter “bom de bola” apertou o treinador, questionando a validade deste segundo semestre visando 2011: “Não vejo porque perder a confiança para o Paulistão. Estamos fazendo experiência. Não pode jogar todo mundo num saco e dizer que ninguém vale nada. Há jogadores de potencial que, junto com os atletas que chegarão para reforçar, irão render mais.”

Filosofando, Dias acredita que atletas do calibre de Bonfim, Lello e Hernani, habituados à elite, têm dificuldades para se adaptar a uma Copinha. Para ele, times menos expressivos estão acostumados a esse nível de disputa. Convenhamos: se tomam correria de molecada da A3, como será em um confronto com os meninos da Vila?

Por fim, Luciano Dias entrou em contradição, pois sempre assumia a responsabilidade de treinar e escalar, mesmo com Marcos Antônio atuando à beira do gramado. Num momento de autodefesa, porém, disse a Thiago Navarro, do Jornada, a seguinte frase: “Por que essa preocupação toda? Só perdi uma partida em casa comandando o time do banco [contra o Barueri]“. Isto é, tirou sua responsabilidade sobre os jogos dirigidos pelo auxiliar. Infeliz, a postura.

Ainda sigo na contramão dos colegas e da torcida, com dúvidas se a demissão de Dias é o melhor caminho para o Noroeste. Suas últimas declarações, porém, deixaram-me com poucos argumentos. Só torço para que Damião Garcia, se for trocar, que seja logo após a Copinha. Que não repita o erro de começar com um técnico que logo cai – lembram de Fescina e Scarpino?

Laboratório maluco

Direto do Alfredão

A história se repete: escalação diferente – segue o laboratório -, atribuição do mau jogo ao descontrole emocional e muita tranquilidade do treinador Luciano Dias em relação aos resultados deste semestre. Portanto, não perca o seu sono. O Noroeste, após empatar com a Francana, em casa, no fechamento do turno da segunda fase da Copa Paulista, parece estar a três jogos de encerrar o semestre – e começar a montar o elenco do Paulistão.

Em partida televisionada e noite fria – a prometida chuva não passou de garoa – o torcedor preferiu o conforto do sofá e foi batido o esperado recorde negativo: 93 pagantes. Ironicamente, foi um bom jogo. Mesmo que se questione a técnica, não faltaram chances de gol.

Com apenas um ponto no grupo 7 (Barueri tem sete, XV, cinco, e Francana, dois), a tarefa ficou quase impossível.

O JOGO

1º tempo
No primeiro minuto, o zagueiro Rodrigo, em cobrança de falta, testa Yuri. O camisa 1 noroestino pega, seguro. Aos três, Giovanni é lançado na direita, busca na linha de fundo, recua na diagonal e rola para Deivid, da meia-lua, chutar com perigo, de canhota, à esquerda de Rodrigo Calchi.

O Norusca quase abre o placar aos oito, quando Rafael Aidar arrisca de longe, a bola desvia em Cristiano e vai a escanteio. Na cobrança de Deivid, de novo Aidar: ele raspa de cabeça e a bola atravessa na frente do gol.

Depois do início empolgado do Alvirrubro, a Veterana se reorganiza taticamente e mata as tentativas ofensivas. Talvez por isso, Luciano Dias chama o atacante Marcus Vinícius para mexer no estilo de jogo. Enquanto o camisa 17 esperava a bola sair, o Norusca chega ao primeiro gol. Aidar arrisca chute da intermediária, a bola quica na grama molhada e o goleiro Calchi assina o frango. O camisa 11 vibra muito, todo o time vai comemorar com ele, como se descarregassem todo o clima pesado da semana.

Quatro minutos depois, já com Marcus Vinícius em campo, no lugar de Mizael – e Deivid deslocado para a lateral –, vem o segundo gol, novamente com “colaboração” do adversário. Giovanni vai à linha de fundo, cruza rasteiro e os zagueiros batem cabeça. Da lambança sai o gol contra de Rinaldi, mas o árbitro anota para Diego, que estava na dividida.

A Francana dá seu segundo chute a gol somente aos 40, em cobrança de falta de Fabrício. No minuto seguinte, Júnior Preto é lançado no mano a mano com Yuri, que abafa a finalização do camisa 9 e arranca aplausos de todas as testemunhas presentes no Alfredão.

Intervalo
Ao microfone de Thiago Navarro, do Jornada Esportiva, Diego, sem disfarçar a risada, diz que o gol foi dele. Já Deivid reclama do árbrito: “O juiz está deixando bater”. Os atletas de Franca, realmente, foram a campo travas afiadas.

Uma curiosidade: a Rede Vida esteve no Alfredão com cinegrafistas e repórter. Narrador e comentarista ficaram nos estúdios, em São José dos Campos (fazendo a famosa narração por tubo)

2º tempo
Já no primeiro minuto, a Francana não permite que o Noroeste conduza o segundo tempo de forma tranquila. Cris levanta bola em cobrança de falta, da direita, e Geilson desvia contra o próprio gol. 2 a 1. Aos cinco, o time bauruense tenta dar a resposta: Diego briga na área, a zaga trava e Giovanni finaliza o rebote por cima.

Movimentado, o jogo merecia mais público. E o Norusca merecia tomar outro gol, pela desatenção. Em cobrança de falta ensaiada, Rodrigo solta a bomba, Yuri rebate e Fabrício, sozinho, empata aos 12. Dá para ouvir o preparador de goleiros, Bira, comentar que o chute era impossível de encaixar, pela força e velocidade que pegou. A falha foi da defesa, por permitir o arremate.

A reação é imediata. No minuto seguinte, Gustavo Henrique invade a área e é derrubado por Régis. Deivid se apresenta para cobrar o pênalti. Bate a meia altura, no canto direito, e o goleiro Rodrigo Calchi faz linda defesa.

A Francana se sente à vontade no jogo e quase passa à frente no placar aos 26, quando Yuri toma outra bomba no peito e Williams Nascy, no rebote, consegue perder o gol, mandando a bola nos eucaliptos.

O Alvirrubro só assusta aos 33, quando Aidar desce pela direita e rola na entrada da área para Marcus Vinícius bater rasteiro – o goleiro defende. Um minuto depois, Deivid cruza e Paulo Roberto é travado na subida. O árbitro marca simulação do centroavante noroestino…

Aos 40, repetição da jogada de sete minutos antes e, novamente, Calchi pega chute de Marcus Vinícius. Aos 45, Ramon desce rápido pela esquerda e Nascy finaliza com perigo. Na última chance de vencer, Deivid chuta falta na barreira.

Fim de jogo
“Dizem que pênalti na costura [no canto] ninguém pega. Ele pegou… Não errei nenhum pênalti nos treinamentos”, comenta Deivid, a Thiago Navarro, sobre o gol desperdiçado. O capitão Hernani avaliou o momento noroestino: “Não faltou empenho nem luta, apenas tranquilidade e posse de bola. O momento é de dignidade. Temos que sair de campo esgotados por ter dado o melhor.”

A exemplo do último sábado (25/9), o técnico Luciano Dias é cercado pelos repórteres e mantém a calma. E, novamente, suas declarações merecem um texto a parte.

É proibido empatar!

Sobrevivência depende de vitória sobre a Francana, em jogo televisionado; Damião recebeu homenagem na FPF

Damião Garcia recebeu nesta sexta (1/10) do presidente da FPF, Marco Polo del Nero, placa em homenagem aos 100 anos do Noroeste (Foto reproduzida do site oficial da FPF)

Com ou sem laboratório, o Noroeste tem obrigação de ganhar da Francana neste sábado (2/10), pela terceira rodada da segunda fase da Copa Paulista. A motivação? Se a taça não é prioridade, que valha a sobreviência de cada jogador para compor o grupo do Paulistão 2011, sobretudo depois das dispensas do lateral-direito Rafael Mineiro e dos meias Richard e Almir Dias.

Aliás, como não renovaram o contrato do garoto Richard? Ele fez elogiadas atuações quando ganhou três chances entre os titulares. Há pelo menos dois jogadores que nada apresentaram de relevante até o momento – e que ganham nova chance contra a Francana: os atacantes Marcus Vinícius e Paulo Roberto estarão no banco de reservas.

As novidades da relação de convocados para a partida, divulgada pelo clube, ficam por conta da presença de Marcelinho (sem ritmo, provavelmente opção para o segundo tempo) e a ausência de Juninho. Outro garoto que tem dado boa resposta e vai sendo queimado… Giovanni volta de suspensão e a dúvida é se retorna como titular ou Aidar – raçudo contra XV, como sempre – é mantido.

A Francana, que tem um ponto no grupo 7, vem com três desfalques: o lateral Diego Bife e o zagueiro Gabriel, suspensos, e o beque e capitão do time, Daniel Menezes, contundido. A Veterana é treinada pelo ex-meia Paulinho Kobayashi, que atou por Portuguesa e Santos nos anos 1990 e encerrou a carreira ano passado, pelo Bragantino.

Com a atual fase do time na Copa Paulista, o tempo chuvoso e a transmissão ao vivo da partida pela Rede Vida, a expectativa é de recorde negativo de público na temporada… O Canhota 10 estará lá, faça chuva ou faça frio (ou os dois).

Mais uma amostra negativa do laboratório noroestino

De Bauru
(ligado na Jovem Auri-Verde)

Seria uma derrota aceitável, normal, não fosse a necessidade de pontuar após perder em casa na estreia da segunda fase da Copa Paulista. O XV de Piracicaba venceu o Noroeste por 3 a 1, chegou a quatro pontos no grupo 7 e deixou o Alvirrubro na lanterna, com zero. O líder é o Sport Barueri, com seis – Francana tem um.

Repetindo os erros de criação de jogos anteriores, o Norusca até ameaçou reagir no início do segundo tempo, quando já perdia por dois gols e enconstou no placar. Mas o entusiasmo durou pouco tempo e a dura realidade se estabeleceu. Um time bom no papel, se comparado com os modestos elencos da maioria dos clubes, que não deu liga. Que tem menos fome de bola do que os adversários. Que credenciará poucos jogadores à disputa da elite em 2011 – o que significará um trabalhão para entrosar o novo grupo que se formará a partir de novembro, provavelmente.

No próximo sábado, 19h, o Noroeste recebe a Francana no Alfredo de Castilho.

O JOGO

1º tempo
Disposto a levar ponto(s) para Bauru, o Norusca começa melhor e acerta uma bola na trave logo aos quatro minutos, em chute rasteiro de Cleverson. A partir daí, o XV começa a se impor e conquista quatro escanteios nos dez primeiros minutos. E logo chega o primeiro gol, em pênalti duvidoso sobre Fábio Santos, aos 13 – quem banca a infração é o experiente bandeira Vicente Romano. O camisa 9 cobra forte, no meio do gol, para abrir o placar.

O time vermelho mal tem tempo de se recompor e já leva o segundo. Aos 20, em mais um escanteio, o zagueirão Marcus Vinícius testa livre para as redes. Sem reação, o Noroeste ainda passa sufoco aos 33, em chute de Paulinho, e no minuto seguinte Fábio Santos perde gol feito na frente de Yuri. O Alvirrubro só aparece aos 36, em boa cobrança de falta de Deivid, espalmada por Leandro.

Intervalo
Ao microfone de Jota Augusto, da Auri-Verde, o zagueiro Geilson reclama do pênalti. “É suspeito… Nossa equipe estava bem. Não houve nada no lance”. Mais tarde, após o jogo, o gerente de futebol Ricardo Occhiuto disse ao repórter que levará reclamação à Federação Paulista a respeito da atuação do trio de arbitragem.

2º tempo
A exemplo do que ocorreu em Bauru no último sábado (25/9), o Noroeste volta para a etapa final cheio de um gás que dura cinco minutos. O grandalhão Paulo Roberto entre no lugar de Tales – provavelmente cansado, readquirindo ritmo de jogo – e quase faz boa trama com Diego, que quase marca logo a um minuto.

Aos seis, Marlos arrisca chute de longe e Yuri faz difícil defesa. No minuto seguinte, o Alvirrubro desconta. Rafael Mineiro bate forte, de fora da área, e Rafael Aidar, esperto, pega o rebote do goleiro Leandro. 2 a 1.

Quando se sonhava com uma virada épica, o XV mostra ter o domínio do jogo. Aos 11, Marlos cobra falta de longe, explorando a grama molhada – choveu forte duas horas antes da partida. A bola quica antes e Yuri pula atrasado. Fim de papo.

A partir daí, o Norusca tenta reagir, mas segue passando sufoco: aos 22, em chute de Marcus Vinícius, aos 41, com Vinícius Bovi, e aos 46, quando Yuri faz milagre em finalização de Carlão. Do lado vermelho, chance aguda somente num cabeceio de Paulo Roberto rente à trave esquerda, aos 30.

Ao final do jogo, o goleiro Yuri disse que é preciso reagir. “Se formos mal na Copa Paulista, ninguém vai ficar para o Paulistão”, sentenciou. Se não der tempo de buscar a classificação, que o time consiga, pelo menos, apresentar um futebol convincente, sobretudo em relação a entusiasmo – comer grama, mesmo.

É proibido perder!

Na noite de ontem (28/9), o Barueri venceu a Francana por 1 a 0 (gol de Diego Borges aos 45 do segunto tempo!), em sua Arena. O time da Grande São Paulo chega aos seis pontos no grupo 7 e torna a necessidade de vitória de Noroeste e XV de Piracicaba, que se enfrentam hoje às 20h, ainda maior.

Mais para o XV, claro. Para o Norusca, apesar de não ser o ideal, um empate seria razoável por manter o próprio Nhô Quim por perto na pontuação (dois contra um). Assim, na rodada seguinte Barueri e XV se pegariam e – aí, sim! – teria obrigação de vencer a Francana em casa, no dia 2.

Mesmo a tarefa de empatar será difícil, olhando friamente para os números. O XV teve a melhor campanha da primeira fase, ao lado do Linense (76% de aproveitamento, mas jogou 14 vezes, contra 10 do Elefante). Arrancou empate fora de casa na estreia da segunda fase. E o Alvirrubro (50% na primeira fase), como se sabe, apanhou no Alfredão.

Por motivo da suspensão de Giovanni, o técnico Luciano Dias acabará por escalar a equipe da maneira que a voz do povo queria: com Cleverson no meio e Rafael Aidar no ataque – sua velocidade será fundamental nos contra-ataques.

Quem for ao estádio Barão de Serra Negra terá que abrir um pouco mais o bolso. Depois da carta de apelo à sociedade piracicabana, redigida por jogadores, com salários atrasados – mas prometendo continuarem empenhados -  o XV reajustou o preço dos ingressos. Eles estarão 50% mais caros, segundo a imprensa de Piracicaba, para ajudar a diminuir os problemas financeiros e confiando na fidelidade de sua torcida (média de 1.106 pagantes por partida na primeira fase e renda líquida total de R$ 30.453,15, segundo Ruben Fontes Neto, repórter da Rádio Educadora, de Piracicaba).

Luciano Dias: “Falta coragem à nossa equipe”

Ao final da derrota por 3 a 0, em casa, para o Barueri (primeira rodada da segunda fase da Copa Paulista), o treinador Luciano Dias foi cercado, à porta dos vestiários, pelos repórteres. A sabatina era mais do que necessária, não somente pela derrota, mas por ser a primeira vez que o comandante atuara ali, à beira do gramado, neste semestre.

Reproduzo abaixo alguns trechos que consegui tomar nota, da cabine de imprensa, ouvindo as respostas de Luciano Dias aos colegas Jota Augusto (Auri-Verde), Thiago Navarro (Jornada Esportiva) e Jota Martins (87FM):

Apatia do time
“Eu não posso entrar em campo. Procuro motivar, mostrar situações, mas é o perfil do grupo… Falo isso não é de hoje: falta coragem à nossa equipe, mas não conseguimos embutir isso na cabeça dos atletas.”

A vontade e a raça do Barueri
“O perfil das equipes dessa Copa Paulista é de jovens com muita correria e vibração. Deveríamos atuar assim também.”

Laboratório
“Mais do que ninguém, não quero perder a Copa Paulista. Tenho uma carreira vitoriosa como treinador e jogador e não gosto de perder. Sou eu quem sai mais chateado. Mas foi combinado que a Copinha é laboratório. Claro que quero ganhar, mas não se pode cobrar título desses jogadores.”

Permanência no cargo
“Não temo demissão. Tenho um acordo com o Seo Damião. O foco é o Campeonato Paulista. O que posso fazer nesse momento é com o que está nas minhas mãos. Esse é o time. Então, não vamos achar que é o fim do mundo.”

Resumindo o que deve ter sido combinado no início do semestre – inclusive amarrando com as declarações do gerente de futebol Ricardo Occhiuto a Jota Martins no meio da semana (que poucos ficarão para 2011): vamos experimentar atletas e garimpar os melhores para compor o grupo do Paulistão. Se, de quebra, ocorrer uma boa atuação na Copa Paulista a ponto de brigar pelo título, é lucro.

Está claro que este time que perdeu de 3 a 0 para o modesto Barueri não será o de 2011. Mas, para o torcedor, entrou em campo, tem que honrar a camisa, lutar pela vitória, querer a taça, por menos significativa que pareça ser. Aliás, o Noroeste, convenhamos, não é time de elite para esnobar Copa Paulista. É uma taça que faria muito bem à galeria do clube, como fez em 2005.

O mais preocupante das declarações de Luciano Dias – que tentou se esquivar depois dizendo a um dos repórteres “Não coloque palavras na minha boca” – é a afirmação de que o time não assimila do treinador um espírito guerreiro. Acho que a maioria do grupo ainda não entendeu a mensagem de que não há ninguém garantido para o Paulistão. Isso, no entanto, não exime a responsabilidade de Dias. Ele não pode entrar em campo, mas pode substituir melhor e, sobretudo, cobrar ainda mais empenho – é sempre bom lembrar que, ao contrário de muitos times do interior do Brasil, o Noroeste paga em dia.

Alguns colegas da crônica acreditam que Luciano Dias não tem perfil para comandar o Norusca na Série A1. Que é ótimo para acesso e só. Tenho dúvidas em cravar essa opinião, ainda mais por aparentar ser um profissional sério e com vontade de crescer. E apesar dessa bolinha pequena na partida contra o Barueri, a maioria concordava que ele havia encontrado a melhor escalação – exceção feita a Aidar no banco.

Tenho restrições a ele como formador de elenco – na A2, herdou time montado por Amauri Knevitz. Nesse quesito de montar time, aliás, Paulo Comelli é imbatível – e não vai aqui nenhuma indireta…

Foto na homepage: Reprodução Rede Bom Dia/Cristiano Zanardi

Noroeste leva 3 a 0 em casa…

Direto do Alfredão

Atordoado, sim. Incrédulo, apenas o torcedor que não viu de perto. Pois quem foi ao Alfredo de Castilho viu um Noroeste disperso e sem vibração. Viu também o humilde Barueri atuar com raça e determinado a fazer o arroz-com-feijão do visitante: defesa fechada e eficiência no contra-ataque. Foi a primeira participação do treinador Luciano Dias à beira do gramado neste semestre. Ao final da partida, foi sabatinado pelos colegas que transmitiram o jogo e deixou claro que o título não é a prioridade e, sim, o laboratório. Os quase 400 torcedores que foram presitigiar o time, então, foram testemunhar mais uma experiência malsucedida.

Com o empate entre Francana e XV de Piracibada, o Barueri lidera e o Noroeste é o lanterna do grupo 7. O Norusca – fica meio chato chamar de Trem-Bala numa situação dessas… – encara o XV, melhor time da primeira fase da Copa Paulista, na quarta-feira, fora de casa.

O JOGO

Primeiro tempo
A partida começa amarrada. Os times, que nunca se enfrentaram na história, parecem mesmo se sondar. Nos primeiros minutos, ao menor sinal de avanço noroestino, o cauteloso Barueri mata a jogada. Em todas essas faltas da intermediária, Deivid coloca na área e o goleiro Camilo afasta o perigo.

O primeiro lance relevante só ocorre aos 14 minutos, quando Gustavo avança à área, vai à linha de fundo e cruza rasteiro. A zaga tenta cortar e quase faz contra, obrigando o goleiro a colocar a escanteio. Na cobrança, o calibrado Deivid tenta olímpico e Camilo defende com dificuldade.

O Barueri responde aos 23, em chute de Geninho, de fora da área, que passa perto da trave direita. Sete minutos depois, Hernani erra passe e arma contra-ataque do lateral Tiaguinho. Ele carrega em diagonal e chuta à esquerda de Yuri.

A torcida começa a se irritar com as poucas jogadas de ataque. O time insiste muito pela direita, com Deivid e Mizael, e principalmente na base do lançamento longo (chutão, para os íntimos). A solução parecia estar na esquerda. Aos 37, Gustavo faz linda jogada: costura três adversários invandindo a área e rola para Cleverson tentar o chute. A bola rebate na zaga e sobra para Diego, que fura feio.

Aos 44, o merecido castigo. A bola é cruzada da direita, viaja por toda a área e encontra Geninho, o artilheiro do time, do outro lado da área. Ele domina, prepara e fuzila no meio do gol – o seu oitavo na competição. O primeiro tempo logo termina e as vaias ecoam firmes.

Intervalo
Luciano Dias pede atenção do time, sobretudo para aproveitar as jogadas de bola parada. Fala para Mizael ser mais ousado no ataque: “Miza, parte para cima dele!”. Ao final das orientações, repete três vezes: “Alguma dúvida?”. Sem questionamentos, emenda: “Então, vamos!”.

Segundo tempo
A partida recomeça quente. Logo aos 40 segundos, o bom lateral Gustavo avança e bate forte, de três dedos e muita curva. Camilo espalma como pode. Um minuto depois, é a vez de Deivid chutar com perigo. Sempre Norusca: aos sete, o zagueiro Diego Borges tenta cortar cruzamento alto e por pouco não faz contra.

Quando finalmente Luciano Dias coloca o aclamado Rafael Aidar em campo, aos 15, dá tudo errado. Ele tira Gustavo Henrique (com dores, pediu para sair, segundo o treinador), melhor em campo, e recua Giovanni para a lateral. Desacostumado à sua posição de origem e afobado – ou inconsequente mesmo –, o camisa 10 logo dá um carrinho violento, por trás, na linha do meio campo. É justamente expulso. Para tentar arrumar, Dias coloca Roque no lugar de Mizael; Juninho é improvisado na direita.

Aos 19, Rafael Aidar é lançado no lado esquerdo da área e bate cruzado para fora. Dois minutos depois, o árbitro expulsa o lateral Diogo, igualando numericamente as equipes.

A expulsão, entretanto, não intimida o time visitante. Aos 28, em contra-ataque veloz, Wanderson é lançado entre a linha dos zagueiros e toca tranquilo, rasteiro, na saída de Yuri. A partir daí, o Norusca se entrega. Aos 32, o lateral Tiaguinho coloca a bola entre as pernas de Bonfim e sofre pênalti. O centroavante reserva Magrão cobra tranquilo no canto direito, 3 a 0.

A partir daí, o que se vê é o Noroeste sem forças para reagir e um Barueri que não relaxa, mesmo com o placar garantido. Cada desvio ou roubada de bola é comemorado com entusiasmo. Aos 41, o Alvirrubro tem sua última boa chance: Diego domina no peito e finaliza forte, por cima. No minuto seguinte, em boa trama, Magrão rola para Geninho chutar forte e Yuri espalmar.

Fim de jogo
O goleiro Yuri, ao microfone de Thiago Navarro, do Jornada Esportiva, lamenta: “Não sei o que acontece com nosso time, dar esse vexame em casa. Dá vergonha. Se a gente for de qualquer jeito em Piracicaba, podemos perder de novo”. As declarações do treinador Luciano Dias merecem um capítulo à parte…

Nota: o novo assessor de imprensa do Noroeste é Diogo Carvalho, até outro dia repórter do Jornada. O Canhota 10 deseja sucesso ao novo desafio do colega, que faça bom trabalho. Pelo press kit que forneceu a quem transmitiria a partida, começou bem.

Conheça o Barueri, adversário do Norusca

Time tem um ano de vida e médias de público e renda seis vezes maiores que as do Noroeste

Um time com bom relacionamento com a prefeitura, jogando em um estádio moderno, aconchegante, e que leva em média, nesta Copa Paulista, 2.600 pagantes!!! – renda por jogo como mandante na casa de R$ 15 mil. Infelizmente, não é o Noroeste. É o caçula Sport Club Barueri, que estreou este ano no futebol profissional, adversário do Alvirrubro neste sábado (25/9), no Alfredão, às 19h.

O Norusca, com 100 anos de vida, levou na primeira fase, em média, 430 torcedores ao Alfredão (renda por jogo de R$ 2,5 mil) – os resultados são mesmo o termômetro do humor do torcedor: na estreia, foram 855 e o número foi caindo até os 190 do último domingo.

Voltando ao Baureri. Um grupo de pessoas ligadas à prefeitura e empresários da cidade, que perdeu a queda de braço com os investidores do Grêmio Recreativo Barueri (que se tornou Grêmio Prudente), resolveu fundar um time para preencher a lacuna de uma torcida que se acostumara a frequentar a Arena Baureri – média de 3,6 mil por partida no Brasileirão 2009.

O time começaria de baixo, na Segundona (quarta divisão estadual), mas comprou o espólio do Campinas (time fundado na década passada pelos ex-atacantes Edmar e Careca), o que incluía a vaga na Série A3. Quase caiu, mas a 12ª posição garantiu o novo clube nessa divisão em 2011.

Na Copa Paulista, uma boa campanha na primeira fase. Segundo lugar em seu grupo, com 57,1% de aproveitamento (7V, 3E, 4D – todas as derrotas fora de casa). A intenção do treinador André Oliveira é formar a base do time do ano que vem, mas seus jovens têm mostrado que, enquanto puderem, irão avançar. Não será jogo fácil para o Norusca.

O time base do Barueri na primeira fase: Camilo; Diogo, Borges, Tabarana e Carlão; Tiaguinho, Mendes, André e Everton; Geninho e Wanderson. Geninho é o artilheiro do time, com sete gols – olho nele.

O trio de arbitragem para a partida deste sábado: Alexandre Luis Gonçalves (série Prata no ranking da FPF), assistido por Alexandre Basilio Vasconcellos e Carlos Alberto Funari (ambos série Ouro).

Análise tática no Norusca para a 2ª fase

Laterais que apoiam, trio de volantes criativos e dois meias abertos para assistirem Diego: esse é o Norusca para a segunda fase da Copinha

Pelos treinamentos da semana, o técnico Luciano Dias deverá repetir, na abertura da segunda fase da Copa Paulista (Barueri, sábado, 25, 19h, no Alfredão), o time que venceu o XV de Jaú no último domingo (imagem acima), exceção feita ao retorno de Yuri ao gol. O comandante testou nossa paciência, mas parece ter achado boa formação. Boa no papel e no entrosamento, pois ainda não encarou uma prova de fogo.

Entre os méritos do treinador – que volta a comandar o time à beira do campo, conforme informou oficialmente o clube em seu site (atualizado às 9h37 de 24/9) – está a escalação de Lello na quarta-zaga. De medíocre volante, passou a seguro beque, sua posição de origem. O fato de ter apostado em jovens da base (Mizael, Juninho, Richard, Giovanni e Leleco) também merece menção – mas espero que não esqueça Richard, titular por alguns jogos. Merece entrar no segundo tempo das partidas. Outros jovens – esses contratados – também aproveitaram o espaço, como Gustavo Henrique (22 anos) e Diego (20).

A pulga atrás da orelha está na presença de Rafael Aidar no banco. Realmente não jogou tudo o que sabe neste segundo semestre, mas segue com a raça habitual. Com Cleverson ocupando seu lugar, o time ganha meias abertos nas pontas (ele na direita, Giovanni na esquerda). No meio, os três volantes têm qualidade no passe e se revezam nas descidas ao ataque – de quebra, Juninho e Deivid finalizam bem de fora da área.

Preocupa o banco de reservas em alguns setores: os inconstantes Rafael Mineiro e Roque nas laterais, Kelisson na zaga e não há centroavante à altura da raça de Diego – Marcus Vinícius, Adilson Souza e Paulo Roberto foram mal até aqui. O lado bom do banco: Geilson e Marcelinho na defesa (o recém-chegado do Santo André também poderá atuar de volante), Richard no meio, Aidar no ataque. Almir Dias segue como opção razoável e Tales é total incógnita.

Como vestibular para o Paulistão, há muito o que observar e o próprio gerente de futebol, Ricardo Occhiuto, em entrevista nesta semana a Jota Martins, da 87FM, admitiu que poucos ficarão para o Paulista – vale lembrar que do time campeão de 2005, apenas oito foram aproveitados na elite em 2006 e somente Bonfim e Bebê como titulares absolutos.

Já disse aqui outra vez: do empenho e dos resultados dessa Copa Paulista virão as respostas para a Série A1.