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As lições de um bicampeão da Libertadores

A maioria dos grandes clubes brasileiros depende, pedantemente, do dinheiro da TV para sobreviver. Tanto que muitos deles pegam adiantadas cotas de anos seguintes para taparem seus buracos financeiros.

Enquanto isso, o Sport Club Internacional tem receita com sócios-torcedores (que já ultrapassaram a barreira dos 100 mil) equivalente ao que recebe da TV por direitos de transmissão. Vem modernizando seu estádio para receber bem os torcedores. Estimula a alternância de poder na presidência do clube.

Tudo isso dá resultado em campo. Ganhar campeonatos importantes no atropelo, com salários atrasados e departamento de futebol desoganizado, hoje, somente exceções como o Flamento no Brasileirão 2009. Os últimos brasileiros campeões da América são, não por acaso, São Paulo e Internacional.

Nem tudo é perfeito, claro, e o próprio Colorado correu um risco muito grande ao trocar de treinador no meio da competição, provando que seus dirigentes ainda se comportam como cartolas amadores em algumas ocasiões – o Tricolor paulista também andou dando mancadas nos últimos tempos. O trunfo dessa troca foi que Celso Roth teve tempo, durante a parada para a Copa do Mundo, de colocar a casa em ordem. Manteve o time entre os melhores do Brasileirão e conquistou a América.

Que os adversários se espelhem nos muitos acertos do Inter, que vem chegando forte nas competições nacionais e internacionais desde o vice-campeonato brasileiro de 2005: mais dois vices nacionais (2006 e 2009), duas Libertadores (2006 e 2020), um Mundial (2010), uma Sul-Americana (2007) – além dos caça-níqueis Recopa (2007) e Suruga (2009). Além disso, em seu terreiro, o time do Saci ganhou seis dos dez estaduais.

Parabéns ao Colorado, sobretudo aos seus torcedores, que agora se igualaram aos rivais gremistas em títulos continentais e poderão passar no quesito Mundial, em Abu Dhabi, em dezembro.

Internacional bicampeão Libertadores América 2010

Que bom que lembraram de colocar o contundido Alecsandro na pose para a foto que foi eternizada ontem. O artilheiro (e bauruense) foi importantíssimo na campanha.

Seleção Brasileira deixa boa impressão

Quantos deles estarão na foto da estreia em 2014?

O primeiro gol da nova fase da Seleção Brasileira, sob o comando de Mano Menezes, tem todos os ingredientes para animar aqueles sedentos por futebol arte. Há quanto tempo você não via um lateral cruzar quase da linha de fundo, em velocidade, e meter um arco tão perfeito na marca do pênalti? A bola de André Santos encontrou o estreante Neymar, que não tremeu e fez seu primeiro gol com a Amarelinha.

Robinho, que gera desconfiança de muitos, vestiu a braçadeira de capitão e não decepcionou em campo, com sua movimentação e boa troca de passes com os colegas. Pato fez bem o papel de camisa 9. Como disse em outra oportunidade, desloca-se com eficiência – como fez para receber primoroso passe de Ramires e marcar o segundo gol – e tem uma finalização fria e calibrada.

Ganso, legítimo canhota 10

Mas o nome do jogo foi mesmo Ganso. A camisa 10 lhe caiu muito bem. Ele confessou ter tremido um pouco, mas se não tivesse contado nem perceberíamos. Joga como um veterano. Assim como Ramires, que acho que só sai desse time quando se aposentar! Como é inteligente o novo meiocampista do Chelsea. Seu colega de meiuca, Lucas, é outro de lugar cativo, tamanha a confiança – à qual fez jus – de Mano nele.

A nova dupla de zaga foi pouca exigida, mas saiu-se bem, sobretudo David Luiz, que matou a curiosidade de muita gente e deu ótimo cartão de visitas. Criticaram Daniel Alves pela direita, mas ele ficou devendo na Copa e deveria estar compreensivelmente ansioso por mostrar serviço. E nem foi tão mal assim, apoiou bastante no primeiro tempo.

Victor trabalhou bem quando a bola chegou em sua área. Por fim, André Santos. Particularmente, não vou muito com a cara de seu futebol. Mas tiro o chapéu. O treinador o conhece bem e explorou sua melhor virtude, o apoio – o que não aconteceu com Dunga, na Copa das Confederações, quando foi muito tímido ao ataque.

Mano tá ligado: nada de oba-oba

Mano Menezes prometeu montar um time ofensivo e lembrou aquele professor de escolinha que joga a bola no meio do campo e deixa a molecada correr solta. Começa bem sua caminhada, mas que não se acomode com o atual oba-oba, fruto muito mais da forra da imprensa de se ver livre de Dunga.

O episódio negativo do amistoso Brasil x Estados Unidos foi o presente da CBF ao jornalista Alex Escobar, da TV Globo, ofendido por Dunga durante a Copa. Desnecessário e constrangedor. Que a entidade se retratasse à época. Foi apenas mais um capítulo da fortíssima reaproximação da emissora com a confedaração de Ricardo Teixeira. Tanto que a Globo, agora, deixa aparecer as marcas dos patrocinadores atrás de treinador e jogadores, durante as entrevistas.

Para terminar, há muitas pulgas atrás da minha orelha. Apesar de duvidar que as obras para a Copa de 2014 serão pontuais, se forem, há um grande problema: imagine estádios novinhos em folha em 2012, expostos ao vandalismo de torcedores mal educados durante dois anos? Haja grana para mais reformas…

SeleSantos, campeão da Copa do Brasil!

Arte de Eugênio Tonon

Apesar de ganhar seu segundo título no ano perdendo o jogo decisivo (o Santo André venceu o jogo de volta do Paulistão), o Santos não dá brecha para qualquer tipo de contestação. Time bom, com estrela, com jeito de campeão mesmo, permita-me o clichê.

Encher bola de treinador é moda chata no futebol atual, mas Dorival Junior tem uma participação importantíssima nesse timaço. Quando assumiu, com o título brasileiro da Série B debaixo do braço (Vasco), André era reserva, Ganso e Neymar haviam terminado 2010 em baixa e o veterano Giovanni era a esperança… O técnico transformou esse elenco de retalhos em um belo time! Mais: mesmo tendo perdido o controle em alguns momentos – a molecada é mesmo folgada – provou que não bancar o chefe linha-dura deu resultado: duas taças.

Além do Paulistão e da Copa do Brasil – a Folha de S. Paulo lembrou que dois títulos de expressão não chegavam em um mesmo ano à Vila desde 1968 – outra conquista do Peixe foi emplacar seu quarteto ofensivo na Seleção Brasileira, sob o novo comando de Mano Menezes.

Tudo deu certo. Felipe vinha bem antes da Copa, Rafael assumiu com postura de veterano. Quem previa piadas para Edu Dracena e Durval tem que aplaudir essa segura dupla. Os laterais se revezaram muito e talvez sejam o ponto mais fraco do time. Arouca também merecia Seleção – arrebentou segurando sozinho a bronca da intermediária defensiva. Wesley é o volante moderno, habilidoso, com fôlego interminável. Lá na frente, André ficou devendo no fim, mas fez gols importantes.

Destaque especial para o maravilhoso trio Ganso, Neymar e Robinho. O camisa 10 é craque, o cérebro. Neymar mostrou seu lado artilheiro – foi o goleador da competição. E Robinho fará falta, sim! Deitou e rolou contra os times nanicos, foi decisivo contra o Grêmio, jogou bem diante do Galo. Esse título tem sua marca. Mais: Robinho – e Léo também – está presente nas principais conquistas do Peixe nesta década (Brasileirão de 2002 e 2004 e esta Copa do Brasil).

Com a chegada de Keirrison e Marquinhos reforçando o meio-campo com a saída de Robinho, o Santos segue forte. E tem fome de bola suficiente para tentar buscar o Brasileirão e a Sul-Americana. Por que não?

Moleques da Vila

O assunto já é sabido da maioria e não preciso introduzir mais do que um resumo antes da reflexão: após a vitória sobre o Grêmio Prudente, alguns jogadores do Santos se reuniram num mesmo quarto da concentração e se conectaram ao Twitcam. Expostos a milhares de torcedores, falaram mais do que deviam.

Com palavreado chulo, malandro e até suspeito – como o gesto com o nariz do atacante Zé Eduardo -, e desconhecendo a regrinha de como se portar em público, rebateram ofensas de internautas e, pior, expuseram o que antes era boato: Robinho não goza de total admiração na Vila Belmiro – Zé Eduardo disse que ele, que está voltando ao Manchester City, não fará falta.

Eu sempre digo que o que jogador faz fora de campo não me interessa. O que ingere, quem pega na noite, a que horas dorme, se tem bom ou mau caráter… tudo isso é problema dele. Cada um colhe o que planta e é claro que, no futuro, homens de bem como Zico é que se tornam referência. Por isso separo: Garrincha, Almir Pernambuquinho e Paulo César Caju não deixaram de ser craques – e encantar multidões – por causa de suas trajetórias errantes.

O problema está quando o comportamento começa a respingar no dia a dia do clube. Quando o consumo de álcool e as poucas noites de sono minam o condicionamento físico, como aconteceu com Ronaldinho Gaúcho -revelação de Leonardo ao Bem, Amigos!, do Sportv, meses atrás. Quando um pega a mulher do outro e racha um elenco – caso Terry/Bridge na Seleção Inglesa. Ou quando uma molecada se reúde para falar m… e tirar o foco de um time às vésperas de uma final de campeonato, como aconteceu no Santos.

Antigamente o esquema não saía da sinuca e do baralho. Hoje a oferta de lazer é grande para o boleiro gastar sua grana: celular, iPod, notebook… todos eles conectados ao mundo. Estão embriagados de poder e arrogância. Sentem-se acima do bem e do mal. Dirigem seus carrões em alta velocidade – hoje o volante Anderson, do Manchester United, sofreu grave acidente saindo de uma balada em Portugal – tratam as maria-chuteiras como objetos e agem como se seus atos não tivessem consequência. Resumindo, para deixar claro que não me perdi em meu argumento: gente ruim tem em todo o lugar, de todas as profissões, não cabe a nós patrulhar cada um, julgar cada um. Polícia e Justiça existem para isso. A diferença para a boleirada, agora, é que nesse novo século tudo está exposto, é muito difícil não ser notado e qualquer atitude reflete na profissão e no ambiente de trabalho, o time. Aí, não pode.

Por fim, os jogadores voltaram ao Twitcam para se retratarem. Pediram desculpas, disseram que foi apenas um mal-entendido. “Eu estava brincando com o Robinho e ele sabia disso. Quem sou eu para dizer que ele não faz falta?”, disse Zé Eduardo. Não é a primeira vez que jogadores do Santos têm que se retratar – lembra do episódio da visita a uma instiuição de caridade?

Se eu fosse treinador, daria essa recomendação a um boleiro: se for beber, não dirija (e vice-versa); se for farrear, seja discreto em público; e não comprometa a integridade física e moral de ninguém. Faça mal apenas a você mesmo.

A polêmica cavadinha de Neymar

A Seleção Brasileira acaba de perder uma Copa do Mundo e ser taxada de pragmática. Assume o novo treinador e chama os talentosos garotos que a maioria dos torcedores queria ver na África do Sul – entre eles, Neymar. Todos clamam pelo futebol-arte e o camisa 11 do Peixe é capaz de dar isso ao público.

Na última quarta-feira, na partida de ida da Copa do Brasil, contra o Vitória na Vila Belmiro, Neymar comeu a bola. Fez gol de peito, driblou, trocou passes rápidos, pedalou e sofreu pênalti. Cobrador oficial, repetiu a cavadinha bem-sucedida no amistoso contra a Ferroviária, na pausa do Mundial. O goleiro Lee, paradão no meio, pegou com falicidade.

Mal terminou o jogo e a crônica esportiva se mexeu. Duas correntes logo se formaram: os que acharam molecagem fora de hora e os que consideraram apenas mais um pênalti perdido. “Deixem o menino jogar”, defenderam.

Entre todos os argumentos dos colegas que li, aquele em que assino embaixo é o do jornalista Mauricio Stycer, do UOL (leia aqui). Ele disse tudo: o que se deve discutir não é a imaturidade/irresponsabilidade do garoto. Basta pensar somente na bola em jogo: era partida decisiva e ele se tornou previsível, o goleiro esperou a firula e pegou. Poderia ser um veterando, um zagueiro-brucutu, o presidente do clube: pênalti decisivo se cobra com a faca entre os dentes. Um gol que pode fazer falta lá no Barradão. Claro que Loco Abreu foi aplaudido na África do Sul, mas o limite entre o olimpo e o inferno é o fio de uma navalha…

Toda vez que há um pênalti decisivo, seja no tempo normal ou na disputa alternada, sempre digo: bateria forte, no meio do gol. Ainda não acredito quando vejo jogador cobrando a meia altura. Por isso minha cobrança preferida, a melhor que já vi, foi a do meia Beckham na vitória inglesa sobre a Argentina, na fase de grupos do Mundial de 2002. Bateu seco, rasteiro, quase no meio. A bola parecia queimar a grama, de tão rasante. E observe no vídeo abaixo sua concentração antes da cobrança. Ele sabia que a vitória – e a classificação para as oitavas – dependia daquele chute (veja abaixo).

É só isso. Apesar de Neymar andar marqueteiro demais, dislumbrado demais, seu erro foi simplesmente futebolístico – não comportamental. Vale discussão, sim, mas é claro que não vale condenação. Porque o Santos só está nessa final por seu brilho, seus dez gols até agora na campanha do Peixe na Copa do Brasil.

A primeira convocação de Mano decifrada

Comecemos pelo fim: encerrada a entrevista coletiva de apresentação do novo treinador da Seleção Brasileira, Mano Menezes, seguida de sua primeira convocação, o assessor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, chutou o balde. Fez piada com o clima ameno do evento, em clara referência a seu desafeto, Dunga, que diminuiu seus poderes com vetos a entrevistas e rispidez com os jornalistas, quando era o técnico. Agora, o esquema é outro. O diplomático Mano esbanjou simpatia ao mesmo tempo em que não foi econômico em suas respostas. Falou até demais, citando o “futebol feio” de 1994 e a linha de três zagueiros em 2002 antes de avisar que deverá usar o esquema 4-2-3-1 e, na medida do possível, jogar bonito.

A frase principal do novo treinador na extensa coletiva, entretanto, foi “A fila anda”, que tem inúmeros significados. E anda mesmo: dos 24 convocados (um deles, Hernanes ou Sandro, será cortado, dependendo de quem se classificar para a final da Libertadores), somente quatro foram à África do Sul. Chamou sete atletas com idade olímpica e outros tantos que terão menos de 30 anos em 2014. Renovação imediata, mas, nem de longe, um time definitivo. Julio Cesar, Maicon, Kaká e Nilmar ainda merecem vestir a Amarelinha.

Mano ainda teve a boa sacada de convocar jogadores com chances de atuarem por outros países: Ederson (França), Rafael e David Luiz (esses dois já bastante cogitados para defender Portugal). Chega de papo e vamos à lista, com perfil e comentários.

VICTOR (Grêmio)
goleiro • 27 anos • 1,93m • 84kg
Campeão da Copa das Confederações, ficou fora da lista de Dunga para o Mundial por causa de uma dívida de gratidão do treinador com Doni. É considerado (e premiado) há duas temporadas o melhor goleiro em atividade no Brasil.

JEFFERSON (Botafogo)
goleiro • 27 anos • 1,88m • 80kg
Campeão mundial sub-20 e vencedor do Troféu Armando Nogueira (prêmio do GloboEsporte.com) de melhor goleiro do Brasileirão 2009, ainda oscila momentos brilhantes com falhas típicas da sina botafoguense debaixo das traves. Havia opções melhores, como Fábio.

RENAN (Avaí)
goleiro • 19 anos • 1,92m • 83kg
Começou o ano como terceiro goleiro, ganhou espaço no Estadual e, com a chegada de Antônio Lopes, tomou a posição de titular de Zé Carlos. Está invicto jogando como profissional. Grande surpresa da lista, é uma aposta olímpica.

DANIEL ALVES (Barcelona-ESP)
lateral-direito • 27 anos •1,73m • 64kg
Terminou a Copa como titular, mas jogando na meia, e ficou devendo. Terá 31 anos em 2014, mas tem bom preparo físico, a exemplo de Maicon (terá quase 33). Melhor jogar na lateral mesmo. Merece crédito.

RAFAEL (Manchester United-ING)
lateral-direito • 20 anos • 1,73m • 67kg
Garoto prodígio de Xerém ao lado de seu irmão gêmeo Fábio (lateral-esquerdo que também joga no Manchester), ganhou espaço rapidamente no time inglês, mas foi bastante criticado na eliminação do time na última Champions. Joga do jeito que Mano quer – lateral na linha de quatro.

THIAGO SILVA* (Milan-ITA)
zagueiro • 25 anos • 1,83m • 79kg
Com moral no Milan e já sondado por Real Madrid e Barcelona, não tem o apelido de Monstro à toa. É vigoroso, tem chute potente, cabeceia bem. Foi um dos principais jogadores do Flu na Libertadores 2008. Chegou a vez dele.

DAVID LUIZ* (Benfica-POR)
zagueiro • 23 anos • 1,88m • 84kg

Atual campeão português e ídolo dos Encarnados, é assediado no mercado europeu – o Benfica não vende por menos de 50 milhões de euros! Canhoto, também atua na lateral. Sua atuação pelo Brasil é uma das mais esperadas.

RÉVER (Atlético Mineiro)
zagueiro • 25 anos • 1,92 • 84kg
Ainda nem estreou com a camisa do Galo, mas Mano conhece bem seu estilo de jogo, de muita presença dentro da área, na defesa e no ataque. Não se adaptou ao futebol alemão, ficando menos de seis meses no Wolfsburg. Incógnita.

HENRIQUE (Racing Santander-ESP)
zagueiro • 23 anos • 1,87m • 89kg
Quarto-zagueiro que fez excelente Paulistão em 2008 pelo Palmeiras. Ainda não teve oportunidade no Barcelona, que renovou seu empréstimo com o Racing, pelo qual atuou 22 vezes na última temporada. Bom nome.

MARCELO* (Real Madrid-ESP)
lateral-esquerdo • 22 anos • 1,71m • 73kg
Melhor jogador do Brasil na Olimpíada de Pequim, paira a dúvida sobre não ter continuado no grupo de Dunga. Fator extracampo? Treinador novo, vida nova, e ele é o melhor nome para a posição.

ANDRÉ SANTOS (Fenerbahçe)
lateral-esquerdo • 27 anos • 1,80m • 82kg
Campeão da Copa das Confederações como titular, além de não ter sido brilhante, perdeu espaço por escândalos fora do gramado. Mas Mano o conhece bem e saberá extrair seu melhor. Entretanto, não deverá durar até a lista de 2014.

SANDRO (Internacional)
volante • 21 anos • 1,87m • 75kg
Integrante da lista de espera de Dunga para a Copa, deverá ter muitas chances com o novo treinador, que afirmou na coletiva gosta de volantes habilidosos. Bom marcador, chega à frente com qualidade. Nome fortíssimo para a próxima Copa.

LUCAS (Liverpool-ING)
volante • 23 anos • 1,79m • 73kg
Atleta de confiança de Mano, desde os cascudos tempos do Grêmio na Série B. É o menos habilidoso dos volantes convocados, mas nem por isso maltrata a bola. Forte na marcação, a experiência no futebol europeu pesa a seu favor.

HERNANES (São Paulo)
volante • 24 anos • 1,80m • 76kg
Há algum tempo um dos melhores meio-campistas do Brasil, tem bola para ser titular – como volante mesmo, onde sempre rendeu mais e como Mano o definiu na convocação. Há expectativa de deixar o São Paulo ainda nesta janela.

JUCILEI (Corinthians)
volante • 22 anos • 1,85m • 76kg
Estava na lista de selecionáveis do Timão apontada pelo Canhota 10, ao lado de Elias (o jornalista Vitor Birner revelou em seu site que o treinador não se dá bem com ele – por isso a ausência?) e Dentinho. Mas com a ressalva “ainda não”…

RAMIRES* (Benfica)
meia • 23 anos • 1,80m • 73kg
Único da lista em que Mano leu duas posições: “meia, volante”. Gostaria de vê-lo ao lado de Hernanes como volante. É possível, mas também pode ser o homem pelo lado direito no “3″ do 4-2-3-1. O certo é que tem que ser titular.

GANSO* (Santos)
meia • 20 anos • 1,84 • 73kg
Diferenciado, magistral. O treinador fez sua parte, chamando o craque mais aclamado dos últimos meses. Chegou a hora de Paulo Henrique Ganso corresponder a tamanha expectativa. Mas que não o julguem por uma partida.

EDERSON (Lyon-FRA)
meia • 24 anos • 1,81m • 74kg
Em setembro de 2009, disse ao Trivela que a Seleção era sua meta. Revelado no futebol gaúcho, foi campeão mundial sub-17 em 2003. No Lyon há duas temporadas, soma 11 gols em 93 jogos – três deles nos últimos três amistosos de preparação. A conferir.

CARLOS EDUARDO (Hoffenheim-ALE)
meia • 23 anos • 1,71m • 70kg
Nunca entendi o apreço de Dunga por esse meia habilidoso, que ainda não estourou, exilado que está em seu pacato clube. Mas Mano o conhece bem epoderá explorá-lo mais. Diego, da Juventus, seria melhor opção – sua hora chegará.

ALEXANDRE PATO* (Milan-ITA)
atacante • 20 anos • 1,79m • 71kg
Apesar de ser um jogador de velocidade, reúne as características necessárias para jogar de centroavante: boa colocação, finalização fria e precisa, ótimo cabeceio. A temporada irregular o tirou da Copa, mas agora será difícil tirá-lo do time.

ROBINHO (Santos)
atacante • 26 anos • 1,72m • 66kg
Seu chilique contra a Holanda poderia tê-lo queimado, mas tem bola e idade suficiente para seguir na Seleção. Já parte como a referência para ambientar a molecada na concentração – que maneire, então, nas brincadeiras bestas.

NEYMAR (Santos)
atacante • 18 anos • 1,73m • 60kg
Precisa baixar a bola marqueteira para merecer a confiança de Mano. O entrosamento com os colegas do Santos ajudará bastante nesse início. A exemplo de Ganso, tem a oportunidade de consolidar sua fama de jogador diferenciado.

DIEGO TARDELLI (Atlético Mineiro)
atacante • 25 anos • 1,79, • 72kg
Depois da frustração de ficar fora da lista da Copa, volta à Seleção por sua regularidade – leia-se, gols – com a camisa atleticana. Merece a lembrança pelo momento e depende dele seguir no grupo. Será o novo Fabuloso?

ANDRÉ (Santos)
atacante • 19 anos • 1,84m • 77kg
Em mau momento nos seus últimos jogos pelo Peixe, chega pelo ‘conjunto da obra’ do quarteto ofensivo alvinegro e, claro, como aposta olímpica. Ainda é inconstante e sua vaga deveria ser de Fred, não estivesse contundido.

O asterisco (*) indica os jogadores sugeridos pelo Canhota 10 para 2014, na seção ‘Times imaginários’. Time titular para o próximo amistoso? Poderá ser Victor; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Lucas, Ramires e Ganso; Robinho, Neymar e Pato.

Imagens dos jogadores reproduzidas dos sites oficiais de seus respectivos clubes (Réver ainda no Wolfsburg); foto de destaque da home: Márcia Feitosa/Vipcomm

Agora sim! Mano assume a Seleção

A sexta-feira negra da CBF merece um texto à parte, bastante reflexivo, que ainda será publicado aqui no Canhota 10. Inclusive assumindo, como imprensa que é, que o jornalismo esportivo comeu uma barriga enorme, fruto da ansiedade, do empirismo. Por agora, vamos ao novo técnico da Seleção Brasileira.

O sim oficial veio na manhã deste sábado, 24 de julho, na sala de imprensa do Corinthians. Acompanhado do diretor Mario Gobbi e de emocionado, irônico e engasgado Andrés Sanchez, Mano Menezes limitou-se a pronunciar que aceitou o convite de Ricardo Teixeira, após ouvir o projeto, fazer alguns questionamentos. Disse não ser de recusar grandes convites, grandes desafios. Sinceramente, não vi uma cutucada em Muricy Ramalho. Vi um homem sem sorriso amarelo, sem constrangimento por ter sido a segunda opção. Com postura calma e fala pausada, mostrou segurança ao assumir esse desafio gigantesco: o de não permitir que a Taça Fifa saia do Brasil em 2014.

Anúncio feito, o que esperar de Mano Menezes? Primeiro ponto a favor, pelo menos comparando-o com Dunga: é treinador com anos de estrada, domina o ofício, lida bem com a imprensa – um destempero aqui, outro ali, nada demais. Pesam contra desconfianças de ser treinador intimamente ligado a empresários, sobretudo Carlos Leite – detalhes do submundo do futebol que raramente emergem, deixando uma eterna interrogação.

Gaúcho, ex-jogador de defesa… retranqueiro? Nem tanto. Escalou um ofensivo Corinthians em 2009, com Douglas e Elias na armação e um trio de ataque: Jorge Henrique, Dentinho e Ronaldo. Isto é: tendo bom material humano em mãos, sabe fazer um time jogar – tanto que, depois da saída de Douglas, pouco apostou nesse esquema. Dá até para imaginar um quarteto ofensivo, então, com Ganso chegando, Neymar e Robinho pelos lados e Pato na área, por exemplo. Só exemplo… Comecemos pela convocação de segunda, apenas jogadores que atuam no Brasil. Será a primeira pista de como conduzirá seu trabalho.

Mano já conta com a simpatia da massa corintiana, que já imagina muitos jogadores alvinegros na convocação. Sinceramente, até mesmo por causa da preferência pela molecada que a CBF condicionou ao novo treinador, somente Elias é selecionável. Dentinho? Talvez. Jucilei? Ainda não. E não passa disso. Bruno César? Menos, galera…

Garantia de Mano será o treinador em 2014? A CBF ainda não se pronunciou a respeito, só fala em projeto, projeto… Mas nenhum projeto que envolva 2014 está com uma cara boa, até o momento… Somente no campo, com resultados, é que o técnico irá conquistar seu espaço no próximo Mundial. Levando em consideração sua recente trajetória de dois anos e meio de Corinthians, sabe como sobreviver num cargo, apoiado em bons resultados – e nem a eliminação da obsessiva Libertadores o derrubou.

Eu preferia Luxemburo, pelo estilo de jogo, apesar de todos os pesares extracampo. Via em Muricy uma boa escolha, porque futebol de resultados não é uma coisa da qual ele tenha que se envergonhar. E não vejo nenhum bicho de sete cabeças ver Mano com o uniforme da CBF. Seria assustador contar com Joel Santana, aí sim…

Boa sorte, Mano!

Muricy Ramalho não passou de sonho… Mano convidado

Atualizado às 16h36 de 23/7: o Fluminense endureceu o jogo com a CBF, ex-parceiros que são depois de apoiarem Fabio Koff na eleição dos Clube dos 13. Muricy fica no Tricolor carioca, pelo menos até a próxima reviravolta. Mantenho o texto abaixo, no mínimo como curiosidade… E aguardo o nome do novo treinador da Seleção com muita ansiedade. Resta saber ser virá a tempo de convocar na próxima segunda.

22h35: A CBF confirmou convite a Mano Menezes. Que responde na manhã deste sábado em entrevista coletiva. Num dia de tantas furadas, melhor aguardar…

Não foi Leonardo, como bancou a ESPN Brasil ainda durante a Copa. Não foi Mano Menezes, como quase toda a imprensa garantiu, cada um com suas fontes – sinal de que os informantes da bola estão cada vez menos confiáveis ou então Ricardo Teixeira e Rodrigo Paiva andam gostando de pregar peças nos jornalistas.

Enfim, a bola da vez é Muricy Ramalho. E, neste exato momento, às 14h32, nem é oficial. O presidente da CBF aguarda acordo de rescisão contratual entre o treinador e o Fluminense para fazer o anúncio. Mas, homem de palavra como é Muricy, pode cravar.

Muitos jornalistas comemoram a escolha, pela seriedade, por ter currículo. Entretanto, outros tantos, lembrando-se de sua rispidez nas entrevistas coletivas e de seu estilo de jogo pragmático, com placares magros, já se preocupam. Vejamos como será essa relação sempre delicada entre treinador da Seleção e imprensa – ainda mais que sua missão é dura: não perder o hexacampeonato em casa. A ordem é essa memsa: no lugar de ganhar (obrigação), o certo é não perder.

Para não ficar em cima do muro, eu gostei da escolha. Preferia Luxemburo, pelo modo como prepara taticamente suas equipes, a facilidade em explorar todo o talento de um jogador e, até mesmo, ser um grande marqueteiro – talvez Muricy se irrite com a agenda midiática com a qual será obrigado a conviver até 2014. Mas não se pode contestar o currículo e a qualidade do novo treinador.

E por que gostei? Porque ele treina um time para ganhar. Acima de jogar bonito, eu quero ganhar. Mas há chance de uma Seleção treinada por Muricy jogar bem, afinal, ele poderá escolher os melhores. No São Paulo, no Palmeiras e recentemente no Flu, estava limitado a seus elencos. Agora, não. Tem um leque riquíssimo e, estudioso como é do futebol, cara que assiste futebol o dia inteiro, da Copa Paulista à Champions League, não deixará de observar nenhum jogador em boa fase.

Resumindo, então, os pontos positivos e negativos do novo treinador da Seleção Brasileira. Ah! E uma dúvida: vai escalar o time no 3-52 ou no 4-4-2?

Foto de Wallace Teixeira/Photocamera

POSITIVOS
“Aqui é trabalho, meu filho!”: Muricy será um incansável observador, vai respirar Seleção a todo momento. Ele não tem folga, está sempre diante da TV vendo jogos – e deverá viajar o mundo observando, imagino. Dificilmente seremos surpreendidos por alguma convocação ou, pelo menos, ele terá um ótimo argumento para justificar a escolha.
• Muricy não é de fazer média com a imprensa, vai seguir suas convicções. Nesse ponto, parece-se com Dunga. O ex-treinador não agradou nesse ponto. Será que a paciência agora será maior?
• Ex-meia habilidoso que foi, sempre exalta em entrevistas o armador de futebol vistoso e cadenciado, ao mesmo tempo em que lamenta sua escassez no futebol atual. Sinal de que Ganso, certamente, estará em seus planos. Fosse Darío Conca brasileiro, seria seu camisa 10 – já cornetamos entre amigos a possibilidade de ele se naturalizar…

NEGATIVOS
• Muricy não gosta de perder. Isso é bom, mas ele lembra aquele lembra o famoso termo “apelou, perdeu”. Fica arredio ao explicar uma derrota, mas isso faz parte da função – ajudar o torcedor a entender porque o time jogou mal.
• Precisará vencer a desconfiança de que não é bom em mata-mata. Já ganhou Paulistão com o São Caetato e Conmebol com o expressinho do São Paulo. Mas “falhou” em três Libertadores com o São Paulo. São circunstâncias, coisas do futebol, não dá para achar que é incompetente em comandar um time num jogo eliminatório.
• Deverá provar de que não impõe um estilo de jogo previsível, apesar de eficiente. Seus times são taxados de defensivos, velozes, com muito jogo aéreo.

JOGADORES EM ALTA COM O NOVO CHEFE
Muricy gosta de zagueiros e laterais rápidos, volantes de bom passe, meias colaborativos defensivamente – habilidosos ao mesmo tempo – e atacantes que pressionam a saída de bola adversária. Quem joga assim, comemore. É possível que iniciará seu trabalho com jogadores que conhece bem, treinados por ele, além de unanimidades como Ganso. Alguns favoritos à convocação da próxima segunda-feira:
• Mariano
• Miranda
• Richarlyson
• Pierre
• Hernanes
• Diego Souza
• Ganso
• Neymar
• Fred

A conferir. Boa sorte, Muricy!