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O Teorema do Barcelona

Por Deivide Sartori

Nos últimos três anos, o Barcelona não terminou um jogo sequer com menos posse de bola que seus adversários. Tal fato já demonstra a superioridade do futebol praticado pelo time da Catalunha. Posse de bola, porém, não implica vitória certa. O que se faz durante essa posse, sim. E aí está um aspecto que revela a unicidade do Barça atual. Com o domínio da bola, Messi e companhia jogam em triângulos e deixam as parábolas como as opções únicas para o jogo dos adversários. Mas o que esse papo geométrico tem a ver com futebol?

Resposta: amigos(as), os triângulos são inabaláveis. No caso do Barcelona, são onze vértices em movimento e revezamento contínuo na criação de jogadas triangulares. Para os comandados de Pep Guardiola, a distância mais curta entre as duas áreas não é o chutão parabólico e a esmo da zaga em direção ao ataque. Evita-se isso a todo custo. Basta ver como a equipe cobra suas faltas e tiros de meta – nada de parábolas. Sua aula de futebol é sobre triângulos: equiláteros, isósceles, escalenos, com ângulos agudos, retos, obtusos, enfim, versatilidade absoluta sob a regência dos mestres Xavi, Iniesta e Messi. Este, aliás, é aquele que possui autonomia e, sobretudo, qualidade para traçar linhas que fogem de qualquer lógica.

Na final do Mundial de Clubes, o Santos teve sua aula particular. Com todo o rigor euclidiano, a demonstração azul-grená fez com que os jogadores santistas parecessem pontos dispersos no retângulo verde da sala de aula. Mais uma vez, o teorema que afirma que, para se chegar aos gols, os pequenos triângulos são mais eficientes do que as grandes parábolas foi demonstrado. Mas nada de lamentação, torcedor(a) santista. O Santos, logicamente, tem bom futebol e não vive somente de parábolas. O fato é que, nos últimos três anos letivos, a lição do Barça acontece invariavelmente e seja qual for o oponente. E foi bonito o reconhecimento da derrota pelo melhor aluno alvinegro: Neymar disse “tomamos uma aula de futebol”.

Finalmente, eis o óbvio: é necessário algo de outro mundo para vencer a melhor equipe do mundo. Nesse caso, Pelé e Coutinho, os pais da matéria triangulação, seriam ideais.

Deivide Sartori é estudante de Jornalismo da Unesp/Bauru

Se você estuda Jornalismo é quer publicar textos nesta seção ‘Fala, universitário!’, entre em contato: fernandobh@canhota10.com

Coluna da semana: Brasileirão, Norusca e Bauru Basket

Texto publicado na edição de 28 de novembro de 2011 no jornal BOM DIA BAURU

Abordo a emocionante reta final do Brasileirão – defendendo os pontos corridos -, o silêncio noroestino e a invencibilidade do Itabom/Bauru. Boa leitura!

É o futebol brasileiro!

Engraçado eu pegar emprestado uma frase justamente de Galvão Bueno, ferrenho defensor do mata-mata. Mas que bom é o futebol brasileiro com pontos corridos! Que rodada foi essa de ontem… Já não sei quantas vezes escrevi defendendo esse sistema de disputa, então, não vou me alongar nesse tema. Já está mais do que provada sua eficiência, inclusive mercadologicamente: por reter a atenção do torcedor jogo a jogo, o número de compradores de pacote pay-per-view dobrou nos últimos dois anos, por exemplo.

Essa discussão leva a outra: o nível técnico do Brasileirão. Os mau humorados dizem que muitos times disputando o título significa nivelamento por baixo. Quando o São Paulo disparava na frente há quatro anos, diziam que não tinha adversários, eram todos fracos… Isto é, a ordem é a crítica gratuita.

Até aceito o argumento de um amigo que pede para não confundirmos qualidade com emoção – que há de sobra! Mas o que o torcedor mais quer, senão se emocionar? Só que não consigo ver, além de Barcelona e outros três gigantes europeus, um jogo tão melhor do que o que é disputado aqui.

Para fechar: mesmo na Série B, que teve a Portuguesa campeã por antecipação, torcedores ficaram sem fôlego até a última rodada, pela briga por vaga na elite. Vida longa aos pontos corridos!

Vai dar Timão
O Palmeiras vai dar a vida em campo para evitar o pentacampeonato brasileiro do Corinthians – que ultrapassaria o rival, considerando as taças disputadas desde 1971. Só que a diferença de qualidade é tanta que empatar já seria uma façanha alviverde. E o empate basta para o Timão levar a taça.

Pode dar zebra? Pode. Mas o Alvinegro, mesmo perdendo, ainda conta com o empate ou derrota do Vasco, que enfrenta o Flamengo, que precisa somente empatar para se garantir na Libertadores. E os rubro-negros, a exemplo dos palmeirenses, darão a vida em campo, com a diferença de que têm mais qualidade do que o time de Felipão. Podem comprar o chope, corintianos.

Bolso vazio
A coluna apurou que até o fim da última semana, os funcionários do Noroeste ainda estavam com salários atrasados. O clube vive um momento silencioso, estão todos apreensivos e cheios de interrogações. A ansiedade é grande para que chegue logo quinta-feira, dia da reapresentação do elenco. Virá um pacotão de novidades? Novo treinador, reforços… Não duvido – e isso é só um palpite – que o diretor Beto Souza reassuma seu cargo, em consideração à família Garcia nesse momento conturbado. Só resta esperar, que é o que mais os noroestinos têm feito.

Papo de basquete
Parecia jogo de playoff. O ginásio da Luso tremeu mais uma vez – como a torcida joga junto! A vitória do último sábado (sobre São José) valeu ao Itabom/Bauru a condição de único invicto no Novo Basquete Brasil. Valeu também para mostrar que o entusiasmo com o ala Nathan Thomas tem que ser dosado. Depois de boa estreia contra Joinville, ele zerou em pontos, mas foi importante na defesa (cinco rebotes e um roubada de bola). Além disso, já pode ser considerado o sexto-homem (jogador mais minutos em quadra depois dos titulares).

O norte-americano comentou à coluna seu último desempenho. “Meu impacto no jogo era mais necessário defensivamente, pegando rebotes e na marcação. Esse é o meu papel agora e qualquer ponto que eu fizer será como um bônus!”, disse o empolgado jogador, que já caiu nas graças da torcida por seu carisma e dedicação ao time – basta observá-lo torcendo quando está no banco ou como vibra a cada bola recuperada.

Quem é quem no futebol brasileiro: balanço dos pontos corridos

Por Arthur Sales

A era dos pontos corridos modificou a organização dos clubes no Brasil. Melhor planejamento e regularidade passaram a ser premiados e, enquanto antes da nova fórmula era muito difícil fazer prognósticos, agora podemos tentar escolher os cinco, seis candidatos sem dar um total tiro no escuro. No Brasil, existem no mínimo 12 grandes equipes (quatro paulistas, quatro cariocas, duas mineiras e duas gaúchas) que em uma fórmula de mata-mata podem crescer e faturar o caneco. Nos pontos corridos, a situação é outra e o que já se pode enxergar nesses oito anos de disputa (estamos prestes a conhecer o nono campeão dos pontos corridos) é que alguns desses grandes se consolidaram entre a real elite do futebol brasileiro:

Os seis melhores ano a ano desde os primeiros pontos corridos

2003 2004 2005 2006
1º Cruzeiro  Santos Corinthians São Paulo
2º Santos Atlético Paranaesnse Internacional Internacional
3º São Paulo São Paulo Goiás Grêmio
4º São Caetano Palmeiras Palmeiras Santos
5º Coritiba Corinthians Fluminense Paraná
6º Internacional Goiás Atlético Paranaense Vasco
2007 2008 2009 2010
1º São Paulo São Paulo Flamengo Fluminense
2º Santos Grêmio Internacional Cruzeiro
3º Flamengo Cruzeiro São Paulo Corinthians
4º Fluminense Palmeiras Cruzeiro Grêmio
5º Cruzeiro Flamengo Palmeiras Atlético Paranaense
6º Grêmio Internacional Avaí Botafogo

São Paulo, Internacional e Cruzeiro são os mais regulares desde 2003. O Tricolor tem seis aparições no top 6, ficou de fora em 2005 (ano do título da Libertadores) e no ano passado. Inter e Cruzeiro têm cinco aparições, ficaram apenas três vezes fora do top 6. Nesse período, além da regularidade no Brasileirão, o Inter trouxe duas Libertadores para casa.

No segundo pelotão do futebol brasileiro, na era dos pontos corridos, aparecem Santos, Grêmio e Palmeiras. Destaque para o Alvinegro praiano, que além de ter quatro presenças no topo da tabela, conquistou uma Copa do Brasil e uma Libertadores.

Flamengo, Corinthians e Fluminense estiveram entre os seis melhores em três ocasiões e foram campeões da Copa do Brasil. Outro que esteve três vezes na parte de cima da tabela foi o Atlético Paranaense.

O Goiás, que está na Segundona, apareceu em 2004 e em 2005, enquanto Paraná, Avaí, São Caetano e Coritiba tiveram seus 15 minutos de fama com uma aparição. Vasco e Botafogo que ressurgem de dois anos para cá, também chegaram no top 6 uma vez nos últimos oito Brasileiros.

Número de presenças no top 6:
6  São Paulo (+ 1 Libertadores)
5  Internacional  (+ 2 Libertadores) e Cruzeiro (+ 1 Copa do Brasil)
4  Santos (+ 1 Libertadores + 1 Copa do Brasil), Grêmio e Palmeiras
3  Fluminense (+ 1 Copa do Brasil), Flamengo  (+ 1 Copa do Brasil), Corinthians  (+ 1 Copa do Brasil), Atlético-PR
2  Goiás
1  Vasco (+ 1 Copa do Brasil), Botafogo,Paraná, Avaí,São Caetano e Coritiba

São Paulo, incontestável
O São Paulo é o grande clube brasileiro da era dos pontos corridos, quando não ganhou estava ali e, quando não esteve ali, é porque estava lá, em Yokohama, conquistando o mundo. Nunca terminou um Brasileiro, desde 2003, na metade de baixo da tabela.

Internacional, o segundo
O Inter segue a mesma linha do São Paulo, sempre com bons times, com um pequeno desvio de rota em 2007, quando foi o 11º. Lembrando que o Inter foi o único brasileiro duas vezes campeão da Libertadores nesse período.

Palmeiras e o jejum de títulos
Santos, Grêmio, Palmeiras, Corinthians, Flamengo e Fluminense são os outros grandes que fazem bem o seu papel, nem sempre estão por lá, o que é absolutamente normal em um cenário com muitos outros fortes adversários – a oscilação é inevitável. Se analisarmos que o Palmeiras esteve tantas vezes entre os seis melhores quanto Santos, mais do que Corinthians, Flamengo e Fluminense e MUITO mais do que o Vasco (esses todos já puderam gritar É CAMPEÃO de 2003 para cá), é de se estranhar que o Alviverde esteja tanto tempo sem ganhar nada. Estar entre os seis melhores do Brasil significa ter uma equipe de respeito que faz frente a qualquer outra do país e da América do Sul. Ou falta sorte e competência na hora de decidir ou o extracampo atrapalha muito os jogadores do Palestra. Se tiver que escolher uma, fico com a segunda.

A verdade sobre os Atléticos
O maior Clube Atlético do Brasil é o Paranaense, não o Mineiro. O Furacão vira e mexe esta aí, foi vice em 2004, chegou à final da Libertadores em 2005 e foi quinto colocado no brasileiro do ano passado. Tudo bem que briga diretamente com o Galo para não cair em 2011, mas isso não é nenhum absurdo, e diga-se de passagem já aconteceu com o Alvinegro em 2005. Além do rebaixamento em 2005, o Alético Mineiro não tem sequer uma presença entre os seis melhores do país desde que a era dos pontos corridos começou. É um time que se consolida ano a ano como não-força do futebol brasileiro, apesar da apaixonante torcida.

Arthur Sales é estudante de Jornalismo da Unesp/Bauru, colaborador da webrádio Jornada Esportiva e edita o blog Doente 91

Copa do Mundo 2014 e Olimpíada 2016 não deveriam ser no Brasil

Exatamente no dia em que se faz oba-oba sobre a divulgação das sedes da Copa das Confederações 2013 e da abertura e jogos decisivos a Copa do Mundo de 2014 (além das tabelas), esse texto se torna bem apropriado.

Um país que tem seu ministro do Esporte envolvido em acusação de desvio de verbas públicas não deveria receber os dois maiores eventos esportivos do planeta.

Um país que tem o presidente do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo investigado pela Polícia Federal, por suposta lavagem e remessa ilegal de dinheiro, não deveria sediar nem um mundialito.

Um país que organizou um Pan-Americano extrapolando orçamento e deixando pífio legado para o Rio de Janeiro não deveria sediar uma Olimpíada.
Ok, a corrupção não é exclusividade brasileira, mas cada um com seus problemas. E, nessa terra onde sabiás cantam nas palmeiras, já há problemas demais com os quais os digníssimos homens públicos deveriam se ocupar. Saneamento básico, por exemplo. Mas tubulação fica submersa e não chama voto.

Confesso a frustração que senti quando o Brasil foi escolhido como sede dos Jogos de 2016, naquele anúncio apoteótico que parou a capital fluminense. Frustrado por antever o despreparo moral, a falta de pontualidade e a pouca transparência. Não é torcer contra, ser pessimista e, muito menos, não amar nosso país. É saber que vai ser daquele jeito, ou melhor, jeitinho. Para as câmeras, estou certo que tudo será lindo. Também sei dos empregos gerados, do dinheiro estrangeiro circulando por aqui. Mas haja tapete para esconder tanta sujeira.

Dois anos antes, na Copa, a saturação de nossos aeroportos será escancarada para o mundo, estádios caríssimos se tornarão, da noite para o dia, monumentos para acumular teias de aranha. Ou Cuiabá, Manaus e Brasília terão fôlego para encher seus elefantes brancos com seus campeonatos estaduais esvaziados? Mais absurdo é Recife ter três estádios e preferir construir um quarto a reformar o melhor deles.

Para piorar, num país em que muitas leis não “pegam”, parece ser natural que elas sejam rasgadas para a Fifa instalar aqui uma espécie de legislação própria durante o Mundial de futebol. Hoje, não é possível tomar cerveja num estádio brasileiro. Em 2014, será. Se a meia-entrada for mantida, o ingresso será majorado, simples assim. Feriados nas cidades que sediam partidas ajudarão a desafogar trânsitos caóticos. Essas e outras maquiagens que ofendem nossa soberania.

Enfim, não tem volta. Não bastasse tudo isso, a Seleção Brasileira receberá o insuportável peso da obrigação de vencer em casa. Aí, o povo tem que torcer dobrado, para não passar vergonha no campo e fora dele.

Brasil x Gana: Mano Menezes pressionado

Treinador precisa de bom resultado para se afirmar

Texto de Fernando BH originalmente publicano do jornal Mais Notícia, de Ituiutaba-MG (edição 93)

Paciência com treinador de clube todo mundo sabe: não resiste a três derrotas. Na Seleção Brasileira, porém, a sobrevida é maior por causa do projeto de quatro anos e até mesmo porque as partidas são espaçadas. Enquanto uma torcida arma a guilhotina após ver seu time perder seguidamente em questão de dias, com a Amarelinha há um respiro entre um insucesso e outro. Portanto, nunca é demais recordar: Mano Menezes contabiliza derrotas nos principais amistosos que disputou até agora: Argentina, França e Alemanha. Sem contar a desclassificação precoce na Copa América. Fosse a CBF um clube de futebol, o ex-treinador corintiano já estaria com a baixa na carteira de trabalho. Entretanto, quando assumiu o comando, havia um recado claro do presidente Ricardo Teixeira: o foco é renovar o time para 2014, nem que isso custe resultados negativos no percurso. É nesse discurso em que Mano se apoia.

As caras novas realmente tomaram conta do Escrete (termo em desuso, mas imortalizado por Nelson Rodrigues): Thiago Silva, Ganso, Neymar e Pato são presença cativa nas convocações — estes, os acertos. Mano erra ao insistir em Lucas Leiva, em detrimento de Hernanes. Até pouco tempo, errava em manter André Santos com a camisa 6 — tomara que finalmente se entenda com Marcelo, disparado o melhor lateral-esquerdo.

Outro ponto marcante dos chamados do treinador são os (poucos) remanescentes da última Copa: Júlio César, Maicon, Daniel Alves, Lúcio, Ramires e Robinho. Atletas que acredita terem condições físicas para 2014, o que inclui Kaká, de quem tem esperado o momento ideal para convocar. O que falta no meia do Real Madrid, hoje, sobra em Ronaldinho, a novidade da última lista: boa condição física, motivação e apoio popular. Mano, aliás, sabe bem como jogar com a galera, escalar o “time do povo”.

Apesar das garantias de Teixeira, o comandante da Seleção está pressionado e tem uma Olimpíada pela frente — a obsessão pelo ouro já derrubou Vanderlei Luxemburgo, em 2000. Pressionado a ponto de resgatar Ronaldinho; a ponto de queimar Ganso no último jogo, contra a Alemanha. A margem de erro de Mano Menezes queimou quase toda a gordura. Contra Gana, adversário do amistoso dia 5 de setembro, engana-se quem pensa ser alvo fácil para fortalecer o Brasil — eles foram os melhores africanos do último Mundial. Então, perder ou empatar em Londres (a nova capital do futebol brasileiro…) não será nenhum absurdo, mas motivo suficiente para a que a guilhotina volte à pauta.

Brasil fora da Copa América

Pato erra na cara de Villar. Foto de Rafael Ribeiro/CBF

A eliminação

Por Arthur Sales

Antes de repercutir a eliminação precoce da Seleção, vale ressaltar que este é um espaço para a discussão do futebol, por isso ele é tratado como prioridade. Porém, é importante atentar que alguns sentimentos que ecoam Brasil afora como revolta e vergonha são descabidos, há no país motivos de verdade para se revoltar e se envergonhar.

Voltando à Seleção, é evidente que o jogo contra o Paraguai foi bom, o Brasil dominou a partida, criou oportunidades, faltou o gol. É o que sempre vem faltando. O principal defeito da Seleção vem sendo a escassez de gols. Primeiro o motivo era a falta de conjunto, entrosamento, afinal era o início do trabalho. Na Copa América a razão foi outra. As chances foram criadas e não foram aproveitadas.

Nos dois primeiros jogos, a impressão que o time passou foi de querer enfeitar demais, de estar pecando pela vaidade. Contra o Equador, já pudemos ver uma equipe em ação. Veio o resultado e a classificação. A diferença entre o jogo de quinta e o derradeiro é que a ineficácia na hora da finalização voltou, mas, ao contrário das duas primeiras partidas, o motivo pareceu ser outro. Não foi por falta de seriedade que a bola não entrou, o que faltou foi competência.

A dúvida que fica é se a causa dessa incompetência foi a falta de experiência na Seleção ou se simplesmente a qualidade técnica não é das mais altas. Os dois caminhos têm seus argumentos. Neymar, Ganso e Pato, começaram agora a trilhar seu caminho com a camisa amarela, isso com certeza tem seu peso. Robinho, Fred e Ramires já têm Copa do Mundo no currículo, já chegaram ao ápice do desenvolvimento como jogadores e não ocupam lugar de destaque no futebol mundial, como outrora Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos ocuparam. São ótimos jogadores, mas do segundo escalão no mundo da bola.

Porém, apesar de não contar com nomes de grandeza maior, a Seleção é competitiva e mostrou evolução na competição, não é hora de jogar todo trabalho no ralo. Muitos defeitos foram evidenciados, alguns corrigidos. É assim que se monta uma equipe, errando, reconhecendo erros e melhorando.

Arthur Sales é estudante do segundo ano de Jornalismo da Unesp/Bauru e edita o blog Doente 91

São Paulo e Palmeiras: empate debaixo d’água

Dagoberto divide bola com Tinga. Foto de Wagner Carmo/InovaFoto/Vipcomm

Chuva castigou o gramado do Morumbi e atrapalhou medição de forças

O clássico Choque-Rei tinha muitos ingredientes para ser eletrizante. Dois times de olho na ponta da tabela, tabu em campo (nove anos sem vitória do Palmeiras sobre o São Paulo no Morumbi), Valdivia finalmente em forma, o São Paulo se ajeitando. Mas, foi tudo por água abaixo. A chuva castigou o gramado e atrapalhou um confronto tradicionalmente bem jogado.

Por outro lado, não faltou sangue quente, reclamações, todo o clima que envolve uma partida dessas. Que teve também golaço, o de Fernandinho. E, finalmente, teve dancinha. Adriano Michael Jackson empatou o jogo e foi para a festa – não registradas pelas câmeras do PFC…

Mesmo tendo sido um jogo com suas pitadas de emoção, não foi possível medir forças entre os times. Palpitar quando dos dois é melhor, quem tem mais cara de campeão paulista, ficou difícil. A não ser que futebol aquático fosse uma modalidade.

Então, que a corneta e você decida:

Quem chega mais longe no Paulistão 2011: Palmeiras ou São Paulo?

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Ituiutaba mostra como chegar à Série B

Peço licença ao leitor noroestino, público maior deste site. Como natural de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro – o apelido BH é por ter morado na capital -, não poderia deixar de registrar o acesso do Ituiutaba Esporte Clube à Série B do Campeonato Brasileiro. Clube de uma cidade de cerca de 100 mil habitantes, com um acanhado estádio, mas uma torcida inflamada.

Parece mentira. Quando saí de lá, em 1997, o clube, então com 50 anos de vida, era amador e estava iniciando seu processo de profissionalização. Portanto, não tive o privilégio de apoiá-lo nas arquibancadas. Acompanho daqui, pela internet, e até pouco tempo pelos relatos de meu pai, falecido em 2009, que não teve a oportunidade de vivenciar a alegria do último final de semana.

Popularmente chamado de Boa (seu primeiro nome foi Boa Vontade), o Ituiutaba venceu o Módulo II do Mineiro em 2004; foi semifinalista do Estadual da divisão principal em 2008 e 2009; neste ano, lanterna, voltou para a Segundona. O tropeço, entretanto, não impediu o time de ambicionar a vaga na Série B nacional.

Para quem não se lembra, o Ituiutaba estava no mesmo grupo do Noroeste na primeira e segunda fases da Série C 2008, a última com 64 clubes e que foi classificatória para os 20 de 2009. O Norusca não venceu os mineiros no Alfredão (1 a 1; 0 a 0) e, em Minas, foram uma derrota (1 a 4) e um empate (0 a 0). Quem passou em segundo daquele grupo foi o Guarani, hoje na Série A.

Mas, direto ao ponto: como o Boa chegou à Série B? Fazendo o arroz-e-feijão: impondo-se em casa e buscando pontinhos fora. E olha que o time é limitado (fala-se em modestos R$ 60 mil de folha salarial). Assisti ao jogo decisivo ontem (16/10, empate em 0 a 0 com a Chapecoense-SC – 1 a 1 na ida, em Chapecó) pela TV Brasil, e não vi nada demais. Pelo contrário: os atacantes finalizam mal – foram apenas nove gols em dez partidas.

Dez partidas. Dez! Só isso para pular da Série C para a B. Somando com os 12 para saltar da D para a C, 22 jogos separam o Noroeste da Série B, que é o auge para qualquer clube – o próprio Ituiutaba não precisa ter aspirações à elite nacional, manter-se na B já será enorme façanha. E seu primeiro desafio é providenciar ampliação de seu estádio ou fazer outro.

O desafio do Norusca: entender que Paulistão é alegria de pobre – dura pouco, acaba em maio. O que vale é o âmbito nacional e time em atividade até o fim de novembro.

Parabéns, Boa!

Fotos na homepage: Reprodução/Willian Marques/Correio de Uberlândia

Como o novo estádio corintiano se tornou palco de 2014

Maquete do Fielzão: o metrô, pelo menos, já está lá. Mas a Radial Leste é um transtorno e a rede hoteleira é precária na região...

A história rende um livro, fácil. Desde que o Brasil foi anunciado como sede da Copa do Mundo de 2014, as idas e vindas do Morumbi como sede paulista foram dignas de roteiro de novela. Pudera: o primeiro projeto, convenhamos, era bem fraquinho. Parecia desleixo ou arrogância. O clube dono do maior estádio particular do Brasil e hegemônico no futebol brasileiro, na ocasião, dava a entender que o Morumbi precisava de poucos ajustes. Engano: a grande maioria dos palcos brasileiros está totalmente fora dos padrões Fifa.

Morumbi 2014: o primeiro projeto (fraco, no improviso), à esquerda. O novo, mais caprichado, veio em cima da hora - e não havia mais tempo, as cartas já estavam marcadas

Homens da Fifa vieram bastante a São Paulo vistoriar, recomendar, solicitar mudanças. O clube tinha seu teto de investimento e não abria mão dele. O vaivém irritava. Até que o Tricolor se opôs à CBF na eleição do Clube dos 13. Foi a senha para ser fritado.

Ao mesmo tempo, o Corinthians se aproximava da CBF como nunca. Andrés Sanchez apoiou Kleber Leite, o candidato de Ricardo Teixeira. Foi escolhido chefe da delegação brasileira na Copa da África do Sul. Especula-se sua influência na contratação de Mano Menezes como treinador da Seleção. Em paralelo, intermináveis capítulos do estádio próprio corintiano, assunto de décadas de piadas de dezenas de maquetes.

Diante desse cenário, a Arena Palestra parecia a grande hipótese. O Parque Antarctica já fechado para obras, construtora definida, projeto na planta. Emperrou em burocracias, porém, e perdeu forças. Aí veio a dupla Goldman/Kassab (governador/prefeito da aliança PSDB/DEM). O primeiro indício de que o Corinthians ia se dar bem na história: estádio + centro de convenções em Pirituba, com dinheiro estatal, mas o Timão de olho na gestão do espaço, a exemplo do que o Botafogo faz no Engenhão. A Fifa brecou.

Uma semana antes da grande novidade, o presidente corintiano não se contém. Afirma em evento universitário que sua grande missão é evitar que o Morumbi sedie a Copa de 2014. Horas depois da grande repercussão, solta nota oficial afirmando ter sido piadinha, que torce pelo estádio tricolor. Pura ironia.

Resta saber se o presidente Lula também foi irônico e dissimulado ao defender o projeto do Morumbi por tanto tempo ou se, realmente, lutou o quanto pode pelo estádio. A verdade é que, com o palco são-paulino fora da Copa, bastou lançar mão de seu prestígio para convencer a Oderbrecht a encarar o desafio de Itaquera. O Fielzão, parece, vai mesmo sair do papel. E já é o estádio para a Copa sem a CBF nem mesmo ter visto o projeto, segundo o próprio Andrés Sanchez. “O Corinthians foi escolhido porque tem credibilidade. Muita gente pode não acreditar, mas nós temos”, disse à Folha de S. Paulo.

Apesar de essa novela estar perto do fim, haverá próximos capítulos. Quem viver, verá.

As lições de um bicampeão da Libertadores

A maioria dos grandes clubes brasileiros depende, pedantemente, do dinheiro da TV para sobreviver. Tanto que muitos deles pegam adiantadas cotas de anos seguintes para taparem seus buracos financeiros.

Enquanto isso, o Sport Club Internacional tem receita com sócios-torcedores (que já ultrapassaram a barreira dos 100 mil) equivalente ao que recebe da TV por direitos de transmissão. Vem modernizando seu estádio para receber bem os torcedores. Estimula a alternância de poder na presidência do clube.

Tudo isso dá resultado em campo. Ganhar campeonatos importantes no atropelo, com salários atrasados e departamento de futebol desoganizado, hoje, somente exceções como o Flamento no Brasileirão 2009. Os últimos brasileiros campeões da América são, não por acaso, São Paulo e Internacional.

Nem tudo é perfeito, claro, e o próprio Colorado correu um risco muito grande ao trocar de treinador no meio da competição, provando que seus dirigentes ainda se comportam como cartolas amadores em algumas ocasiões – o Tricolor paulista também andou dando mancadas nos últimos tempos. O trunfo dessa troca foi que Celso Roth teve tempo, durante a parada para a Copa do Mundo, de colocar a casa em ordem. Manteve o time entre os melhores do Brasileirão e conquistou a América.

Que os adversários se espelhem nos muitos acertos do Inter, que vem chegando forte nas competições nacionais e internacionais desde o vice-campeonato brasileiro de 2005: mais dois vices nacionais (2006 e 2009), duas Libertadores (2006 e 2020), um Mundial (2010), uma Sul-Americana (2007) – além dos caça-níqueis Recopa (2007) e Suruga (2009). Além disso, em seu terreiro, o time do Saci ganhou seis dos dez estaduais.

Parabéns ao Colorado, sobretudo aos seus torcedores, que agora se igualaram aos rivais gremistas em títulos continentais e poderão passar no quesito Mundial, em Abu Dhabi, em dezembro.

Internacional bicampeão Libertadores América 2010

Que bom que lembraram de colocar o contundido Alecsandro na pose para a foto que foi eternizada ontem. O artilheiro (e bauruense) foi importantíssimo na campanha.