Conteúdo da seção Bauru Basket

Coluna da semana

Não houve nada de sensato na decisão do Noroeste de trocar o horário do jogo do último sábado. Houve tudo de emoção e entrega no êxito do basquete na Liga das Américas. São os temas da coluna publicada na edição de 19 de março de 2012 no jornal BOM DIA Bauru.

Basquete 10 x 0 Noroeste

O placar inalterado da partida do Noroeste anteontem, contra o Rio Claro, pareceu castigo. Nota zero para a sensibilidade do clube, que solicitou mudança de horário (das 15h30 para as 19h) e dividiu as atenções com a Liga das Américas de basquete. Seja qual for o motivo da alteração – fugir do calor ou simples pirraça –, não justifica. A Panela de Pressão no mesmo complexo, Bauru sediando evento internacional. Seria mais inteligente bolar uma “rodada dupla” do que medir forças.

Não interessa se o futebol é mais popular ou se os públicos são supostamente distintos. Enquanto Quimsa e Leones jogavam na preliminar da segunda rodada, ouvia-se os fogos. Era o Norusca entrando em campo. Quando o Itabom/Bauru entrou em quadra, no gramado jogavam o segundo tempo. Bauru lá e cá, como se coração se dividisse ao meio… Esse conflito de horário já aconteceu muitas vezes e ainda vai acontecer, mas Liga das Américas de novo na Sem Limites vai demorar…
(Atualizado: fico muito feliz por Bauru ter impressionado a FIBA Américas e haver a possibilidade de um grupo semifinal voltar para cá. Mas não se engane quem pensa que foi a estrutura ‘no jeitinho’ da Panela. Foi a bela torcida que compareceu, vibrou e encheu a tela da Fox Sports de gente – pois os outros grupos da Liga das Américas foram um fiasco de público.)

E não reclamo porque não pude ver o jogo. Talvez mais cedo também não pudesse. Mas o torcedor de Bauru certamente teria essa opção. Então, não vi o jogo, não há o que analisar taticamente. No mais, empate em casa contra adversário inferior é sempre ruim. E ponto.

Papo de basquete
Vamos ao que interessa. Excelente finalmente ver a Panela de Pressão de volta, mesmo que maquiada. Com exceção da quadra impecável, o resto do espaço foi reformado na base da gambiarra. Fiação antiga, cadeiras velhas, infiltrações… Pior: muita coisa ajeitada de última hora.
Também estranhei ver apenas o pessoal do Bauru Basket correndo atrás dos detalhes finais. Até cesto de lixo para banheiros eles providenciaram… Na hora H, a Semel estava mais focada nos confetes.
A torcida iniciou vaia quando o secretário Batata foi anunciado, mas a popularidade de Rodrigo Agostinho o salvou. Estou com o recente editorial do BOM DIA: chega de jeitinho. Nada de confete para essa administração: não fez nada demais.

Lágrimas
Guerrinha desmoronou na entrevista coletiva após a emocionante vitória sobre o Quimsa, da Argentina, por 89 a 83, que valeu vaga para a segunda fase da Liga das Américas. Quem sabe das dificuldades dos guerreiros entende cada lágrima do treinador. “A gente limpa a quadra se for preciso. Essa vitória é a prova do comprometimento, da emoção que cada jogador. A gente não quer sensibilizar ninguém a apoiar. Fazemos tudo por amor ao basquete. Se entenderam o recado após toda essa entrega do time, se tivermos condições de montar um elenco ainda mais forte, essa Panela vai ficar sempre cheia”, comentou.

Identificação
Entendeu, Noroeste? Percebeu o que é emocionar o público, criar identificação, envolver-se com a comunidade? Deveriam estar todos os alvirrubros na Panela, recebendo uma aula de amor ao jogo, sobretudo de Larry Taylor, que atuou no sacrifício após lesionar o joelho direito na véspera da competição.

Alienígena
Rende um documentário a saga de Larry nos últimos dias. Apreensão, abatimento, suspense, homenagem ao entrar em quadra nos minutos finais na sexta só para ser ovacionado – um gesto de agradecimento de Guerrinha – e descanso no sábado. Tratamento intensivo para tentar jogar no domingo. E como jogou! Mauri, Vanderlei e Leandrinho irão entender: o maior nome da história do basquete de Bauru é Larry James Taylor Junior.

Aqui, não!
Recado da torcida: primeiro, ninguém ganha aqui só batendo a mão no peito. O ala Pellot, do Quimsa, provocou a galera e nada fez depois disso – teve até “air ball” (arremesso que não dá nem aro) do gringo. Segundo: esse time não pode acabar, essa emoção tem que continuar. O presidente Joaquim Figueiredo, emocionado, garantiu à coluna: “Não vai acabar!”.

Obrigado, Larry (Guerrinha, Douglas, Fischer, Jeff…)

… Andrezão, Gaúcho, Luquinha, Gui, etc, etc, etc… Porque hoje Bauru ganhou um presente. Bauru ganhou um exemplo de amor ao esporte, respeito ao torcedor. Não economizaram uma gota de suor, nem de lágrima – Guerrinha se emocionou e emocionou a todos na coletiva. Esse time é um barato! Esse time não pode parar. O que se viu na Panela de Pressão nessa noite de domingo foi de arrepiar.

Pode chorar, Guerrinha. Cada lágrima vale uma gota de suor.

Torcida inflamada, empurrando os jogadores, presente em cada rebote, em cada chuá. Contar como foi o jogo, agora, é desnecessário (confira minha reportagem para o Basketeria). Prefiro relembrar os abraços de agradecimento que Larry recebeu no fim do jogo. Ele que foi para o sacrifício, venceu a dor, venceu o medo de errar e acertou o coração de cada um.

Que bom ver a evolução do Fischer, mero arremessador anos atrás, que hoje rouba bolas, pega rebote e até arma o time. Que bom ter um cara marrento como Douglas Nunes, que quando o bicho pega, chama o jogo para si, guarda uma bola de três atrás da outra. Que bom ver o Gui virar carrapato, incansável na defesa. Que bom ver o Jeff, mesmo mal fisicamente, dando o sangue (literalmente!, vide seu queixo) até o fim. Que bom, Itabom…

Enquanto a cúpula da política bauruense contava as horas para ganhar confete na reinauguração da Panela, Joaquim e Vitinho corriam atrás dos últimos detalhes. Ok, o poder público gastou dinheiro. Ótimo investimento, o fruto vem com sabor de vitória, Bauru ganhou visibilidade. Mas os louros vão todos para quem merece, cada guerreiro da Associação Bauru Basketball. Porque essa vitória começou em cada entrevista, cada cutucada cobrando a volta da Panela. E justificaram o pedido, enchendo o coração da comunidade basqueteira de alegria – e isso irá se multiplicar por toda a cidade, cada um vai contar a história do seu jeito, mas todas com o mesmo final: feliz.

Alienígena, monstro, o cara: Larry entra definitivamente para a história de Bauru

(O Itabom/Bauru venceu o Quimsa, da Argentina, por 89 a 83 e se classificou para a segunda fase da Liga das Américas)

Atualizado: Fischer teve uma séria luxação em um dos dedos da mão esquerdo, rompendo todos os ligamentos (previsão de seis semanas de recuperação). Também está fora do Interligas, junto com Jeff e Pilar. Talvez Larry vá, se puder jogar e tratar o joelho ao mesmo tempo.

Liga das Américas, rodada 2: Brasília classificado

Mais um dia corrido, gratificante, de boa resenha nos bastidores, muita emoção na Panela. Abaixo, os links das minhas três reportagens nesse sábado de Liga das Américas:

texto pré-rodada 2

Quilmes 72 x 70 Leones

Brasília 85 x 74 Bauru

(Lá do meu cantinho, na área de imprensa, dei um zoom nos meus amores, divertindo-se na arquibancada. Se trabalhar com esporte já é um prazer, fazer isso de olho nas mulheres da minha vida é impagável)

 

Rodada 1 do grupo D da Liga das Américas: Bauru vence

Eu gostaria de postar o habitual show de imagens, opinar bastante sobre tudo o que vi de bom (os brilhos nos olhos de muita gente, o nó na garganta de Guerrinha, o abatimento de Larry que se transformou em apoio, o jogaço entre Quimsa e Brasília, etc…) e de ruim (certa desorganização, as gambiarras da reforma, a politicagem*) na Panela de Pressão. Mas o corpo pede descanso. E a prioridade era atender ao Basketeria.

Portanto, corra lá e confira os textos da cobertura da primeira rodada. Foi gratificante, uma experiência e tanto. Basta clicar nos placaesr dos jogos, abaixo.

Brasília 108 x 99 Quimsa

Bauru 94 x 60 Leones

Até!!!

(*Sobre a politicagem: a torcida ensaiou uma grande vaia para o secretário de esportes, Batata, mas o animador do evento percebeu e logo o colocou  escorado no prefeito Rodrigo, de notória popularidade. Todos somos gratos pela Panela, mas ela foi maquiada no jeitinho, na gambiarra, depois de muita demora, e ainda querem confente? Não!)

Urgente: Larry Taylor pode ir para o sacrifício

Atualizado: o título anterior confirmava a ausência. A novidade trazida pela assessoria é que Larry Taylor fará novo exame amanhã e teste no vestiário, indo para o sacrifício. Agora já se fala em teste nesta noite de sexta. Blefe, pressão no adversário, chamariz de torcida? A conferir.

(Conforme a torcida bauruense temia, o armador Larry Taylor está fora da Liga das Américas. A lesão no joelho não é tão grave, segundo informações preliminares da assessoria de comunicação do Itabom/Bauru, mas o tempo mínimo de recuperação é de 20 dias.

Dos males, o menor: o Alienígena poderá voltar nos playoffs do NBB4 e o sonho olímpico segue vivo.

Uma perda gigantesca não só para o Bauru Basket, mas para toda a festa na Panela de Pressão. Um verdadeiro baque. Mas, bola pra frente e que os guerreiros se superem mais uma vez.)

Liga das Américas em Bauru: vai começar (urgente: Larry vira dúvida)

Logo mais estarei no ginásio Panela de Pressão cobrindo o grupo D da Liga das Américas 2012. Meu primeiro evento esportivo internacional. Fantástico Bauru receber competição desse porte. Estarei fazendo reportagens para o BASKETERIA, mas haverá pitacos aqui no Canhota 10 e, claro, repercutirei na coluna do BOM DIA.

Pra começar, confira a matéria pré-rodada 1 que já está no ar lá no Basketeria, clicando aqui.

A lamentar, e muito, o ginásio estar maquiado, aquilo não é necessariamente uma reforma. Tem muita gambiarra, a fiação não foi trocada, as cadeiras são as mesmas de tempos atrás, velhas e encardidas. Pior: ainda há goteiras! Um membro da comissão técnica de Brasília escorregou. Imagine se tivesse sido um jogador e ele se contundisse? Mico total…

Enfim, como toda boa maquiagem, vai sair bonitinho na tela do Fox Sports. E pelo menos o elemento principal está realmente impecável: a quadra é um tapete!

Até logo mais.

Atualizado: o armador Larry Taylor contundiu-se no joelho em treino na manhã de hoje, após saltar para um rebote. Ele aguarda resultado de ressonância magnética para saber a gravidade da lesão. Notícia para deixar os bauruenses muito apreensivos… A informação é dos colegas do BOM DIA Bauru.

Itabom/Bauru: julgado, Jeff Agba não enfrentará o Minas pelo NBB

Desqualificado contra o Joinville na rodada 18 (dia 2 de fevereiro, derrota por 79 a 75), o pivô Jeff Agba foi julgado nesta quinta no STJD e punido com três partidas de suspensão.

Uma já foi cumprida automaticamente, na rodada 19 (derrota para São José em 4/2, 79 a 69). Outra, será contra o Minas, no próximo dia 29, na Panela. A terceira será convertida em cestas básicas. Nessa, o Itabom/Bauru saiu no lucro.

Bauru Basket tem choque de realidade contra o Pinheiros

Jeff briga no garrafão com Fiorotto: mal fisicamente, ele foi poupado por Guerrinha de boa parte do jogo

Em fase difícil, num segundo turno ruim depois da ótima primeira metade do NBB4, o Itabom/Bauru teve um choque de realidade ao enfrentar o Pinheiros fora de casa – adversário superado no turno, na Luso. A derrota por 91 a 67 evidenciou o atual abismo entre o líder do campeonato e o combalido time bauruense, ainda sem Pilar e com Douglas Nunes fora de ritmo. Não fossem as surpreendentes atuações do ala Gaúcho (cestinha do jogo com 19 pontos) e do armador Luquinha no fim da partida – compensando o mau dia de Larry, Fischer e Jeff – o resultado poderia ter sido pior.

O momento agora é esquecer momentaneamente o NBB e fazer as pazes com o melhor jogo dos guerreiros na Liga das Américas, em Bauru, nos próximos dias 16, 17 e 18 de março. Curtirem a Panela de Pressão novinha, serem acolhidos pela torcida. É um momento único, histórico para Bauru, para o projeto da Associação Bauru Basketball Team. Que seja vivido plenamente, com a raça habitual, com aprendizado (pelo enfrentamento com argentinos e chilenos) e superação (enfrentar os atuais bicampeões brasileiros nunca é tarefa fácil).

Após a partida, o técnico Guerrinha concedeu entrevista ao repórter Chico José, do Jornada Esportiva. Pode ser uma impressão equivocada de minha parte, mas achei a voz do treinador abatida – ou foi isso ou ele contou até dez para não dar as habituais respostas em tom de irritação.

“Não fizemos uma boa partida tecnicamente em função da formação tática deles. Teríamos que ter marcado bem e feito contra-ataques. Eu não acredito em sorte ou azar. Se estamos passando por esse momento difícil, é por merecimento. Quem está aqui, está brigando. Mas a temporada foi desgastante, tivemos contusões que sobrecarregaram os outros. O bom é que o Gui e o André estão fazendo bom proveito do maior tempo de quadra que estão tendo”, declarou Guerrinha ao JE.

Sobre a Liga das Américas, o treinador do Bauru Basket espera contar com o calor da torcida, que considera a grande família do time. “Queremos contar com o apoio das pessoas que gostam da gente. A gente sabe a luta que foi trazer esse campeonato e o público de Bauru é merecedor de um campeonato desse nível”, disse.

O técnico da Seleção Brasileira, Rubén Magnano, assistiu à partida e também foi entrevistado pelo Jornada (parabéns pelo trabalho, Chico). Avisou que se Larry estiver naturalizado, certamente será convocado para os treinamentos – e a partir do desempenho na prepraração conquistará ou não sua vaga no grupo que vai à Olimpíada de Londres.

Transmissão da Globo no Jogo das Estrelas, com Tiago Leifert, decepciona

“Evento simpático, com casa cheia, entusiasmo, semblantes alegres entre os atletas. Se há algo de bom no basquete brasileiro, é a vontade da Liga Nacional de Basquete em acertar. Falta muito, mas a LNB faz o que nunca foi feito, tem visão estratégica, paga preço alto por insistir na exclusividade global, mas é inevitável que colha frutos – um Tiago Leifert e uma transmissão ao vivo para todo o Brasil têm um impacto imensurável.”

Foi o que escrevi após os desafios da sexta à noite no fim de semana do Jogo das Estrelas, em Franca. Estava encantado com a transmissão do Sportv, o clima do ginásio, o show que os jogadores deram na quadra. Pelo material divulgado pela Liga e pelo relato de jornalistas que estiveram em Franca, a organização extra-quadra estava redondinha, com loja, visitas e eventos para as estrelas interagirem com a comunidade.

Até aí, tudo ok. A decepção foi exatamente no momento alto da festa. A transmissão do Jogo das Estrelas ao vivo pela Globo, para todo o Brasil. Como escrevi em minha coluna no BOM DIA, o leigo em basquete que parou para ver o jogo continuou sem saber o que era o Novo Basquete Brasil. Tudo se resumiu a um show comandado por Tiago Leifert que usou o Pedrocão como auditório. Munido de piada velha – passou o tempo todo tentando convencer a torcida a aplaudir Nezinho, o mesmo mote do ano passado – o apresentador do Globo Esporte cumpriu o papel daquilo que acredita, que o entretenimento é mais importante do que a informação no esporte.

Eu já defendi a tentativa de aparecer na poderosa Globo para dar visibilidade ao campeonato e principalmente aos times. Mas, com uniforme padronizado, não se viu na tela platinada as logos de Itabom, Vivo, Cia do Terno, Unitri, Ceub, etc… Não se importaram em informar o que é o NBB, em que pé está a competição, quem lidera, quem são os times, quem já ganhou. Nenhum gráfico sequer… Aparecer na tela da Globo uma vez por ano para dar mais valor às micagens de Tiago Leifert interessa tanto assim?

Que fique claro: o evento foi maravilhoso, a Liga está de parabéns. O que estragou foi a Globo. Revi a partida em VT do Sportv e tudo ok, como tem que ser, sem firulas.

A audiência foi fraca e a Globo, a exemplo do evento de 2011, perdeu no Ibope para os desenhos animados do SBT. A grande chance de visibilidade é a final em jogo único. Vejamos que tratamento será dado ao evento. Será passado na íntegra ou entrecortado por matérias do Esporte Espetacular? Uma pena a Band não ser mais o “canal do esporte”. O melhor lugar para o NBB seria numa TV aberta que se comprometesse a exibir o campeonato, rodada a rodada. E, claro, seguir na TV fechada, que é o lugar dos esportes suprimidos pelo futebol. O público do basquete é pequeno, mas é seleto. Tem potencial consumidor. Vale a pena investir nesse esporte. E visibilidade há: no Sportv e principalmente na imprensa de cada região envolvida com o campeonato.

Nada do que Leifert fez espanta porque há uma frase do diretor de esportes da Globo, Luis Fernando Lima, repetida pelo presidente da LNB, Kouros Monadjemi, que diz tudo: “Não me interesso pelo público que gosta de basquete. Mas pelo que não o conhece ainda”. Daí vem aquela transmissão didática ao extremo (“são quatro períodos de dez minutos”) para ensinar o esporte, mas que ignora os times que ralam para sobreviver e passam o chapéu em busca de patrocinadores. Se pelo menos os bolsos dos clubes estivessem cheios, as piadinhas de Tiago Leifert teriam um pouco mais de graça.

Coluna da semana: Noroeste perdeu o jogo que podia

A derrota do Noroeste para o São Bernardo não foi de gerar sobressaltos. Assim como o Jogo das Estrelas poderia ter sido melhor. É disso que falo na coluna publicada na edição de 12 de março de 2012 no jornal BOM DIA Bauru.

A última derrota

Há partidas que podem ser perdidas. Que estão na conta. Como essa do último sábado, quando o Noroeste perdeu para o embalado São Bernardo por 3 a 1. O time do ABC partiu da rabeira da tabela e já está no G-8, é adversário dificílimo no estádio Primeiro de Maio. Da mesma forma, perder três pontos para o Audax não foi nenhuma catástrofe – apesar de o placar dilatado (4 a 1) ter preocupado. Enfim, o Alvirrubro soma apenas três derrotas em 14 jogos, segue na zona de classificação. Mas foi a última derrota prevista. A partir de agora, o Norusca tem cinco compromissos para cravar sua vaga pelo sonho de voltar à elite.

Não há bicho-papão em nenhuma das próximas rodadas. Depois de amanhã, fora de casa contra o São José, páreo duro, mas é bom ir pensando em vencer para trazer pelo menos o empate. Em Bauru, no sábado (17), é obrigação bater o São Carlos. O mesmo raciocínio vale contra a ameaçada Santacruzense, mesmo no terreiro inimigo. A última partida longe da Sem Limites na primeira fase é contra o descompromissado Palmeiras B – é provável que haja mais noroestinos (alô, Sangue Capital!) do que alviverdes. Na rodada final, receber o hoje lanterna União São João será a cereja do bolo.

Nova diretoria
Na última quarta-feira foi eleita a nova diretoria noroestina. Segue Damião Garcia no comando, apenas de forma figurativa, devido à saúde debilitada. Pra valer, o principal gestor é seu neto João Paulo, 31 anos, que agora acumula as funções de vice-presidente e diretor financeiro. O discurso do novo homem-forte do Noroeste é tornar o clube autossustentável, a partir das categorias de base – para formar elenco principal, economizar em reforços e, depois, faturar com a venda de jogadores. Um grande desafio, pois normalmente boa parte do dinheiro em negociações de jovens atletas vai parar no bolso de agentes – o Brasil é o país dos atravessadores, em qualquer ramo…

Tudo na mesma hora
A diretoria do Noroeste solicitou que a partida contra o São Carlos, dia 17, fosse alterada das 15h30 para as 19h. A princípio, não consta que passará na Rede Vida. O novo horário coincide com a Liga das Américas de basquete, na vizinha Panela de Pressão. Por mais que se imagine que os públicos do futebol e do basquete sejam distintos – e não são totalmente –, não é bom para Bauru que um evento internacional tenha concorrência. A cidade deveria parar para esse momento histórico.

A verdade é que há despreparo para lidar com tamanho evento. Desatentos, os organizadores nem perceberam que, no site oficial da competição, Bauru é tratada como um bairro de São Paulo. É a capital do estado quem é descrita como sede do grupo D da Liga.

Papo de basquete
O jovem ala Gui mereceu o título do desafio de enterradas do Jogo das Estrelas, do NBB. Foi criativo e contou com o carisma e a colaboração de Larry Taylor para dar belas cravadas. A enterrada pulando o colega sentado na cadeira – que dá o passe – foi inspirada em uma enterrada do próprio Larry na liga mexicana, quando o Alienígena jogava por lá. E a sacada da capa do Batman, emprestando-a do mascote Jay-Jay, foi ótima para o voo final, com nota máxima.

Quanto ao evento todo, é positivo, vai ganhando corpo, a Liga Nacional está de parabéns. Mas se o basquete brasileiro busca renascimento, amadurecimento, precisa pedir à TV Globo para desviar do caminho do mero entretenimento. O leigo que parou para ver o jogo no sábado de manhã continua a ignorar o que é o Novo Basquete Brasil. A transmissão limitou-se, entre uma enterrada e outra, a ser um programa de auditório comandado por Tiago Leifert. Diversão com pouca informação, esse é o momento do esporte na Globo, tanto que reproduz uma ninhada de repórteres engraçadinhos – muitos deles não sabem a escalação do time em que atuam como setoristas.