Pantera atropela o Norusca!

De Bauru
(ligado no Jornada Esportiva)

Eu não vi o jogo. Eu ouvi. O melhor a fazer, então, é abrir aspas para quem viu de perto o totó de 3 a 0 que o Penapolense (“o” porque é o Clube Atlético Penapolense) aplicou no Noroeste nesta manhã de domingo (8/8), em partida adiada da terceira rodada da Copa Paulista. Declarações  dadas ao repórter Thiago Navarro, que fez bom e rápido trabalho à beira do campo.

Como foi o jogo? “Horrível. Faltou atitude”, resumiu o treinador Marcos Antônio Ribeiro. O lateral-direito Rafael Mineiro também tem sua versão, cometendo o ato falho de usar palavrão com o microfone ligado: “Entramos desligados, aí é foda correr atrás”.

Já o goleiro Yuri,que salvou o Noroeste de uma goleada maior, foi mais direto. “Foi uma equipe apática, sem vergonha na cara. Essa palhaçada não é coisa de homem. Com todo o respeito, mas tomar pancada de 3 a 0 de Penapolense é falta de vergonha. Esse time precisa ter vontade de vencer”.

Por fim, a entrevista mais esperada. O treinador principal, Luciano Dias, foi questionado pelos repórteres bauruenses sobre sua atuação fora da beira do gramado. Ele argumentou que precisará viajar bastante para assistir in loco a jogadores que interessam ao clube. “Toda a comissão técnica conhece o time, isso independe da minha presença. Não preciso estar dentro de campo para os jogadores honrarem o Noroeste e, principalmente, o Seo Damião, que paga em dia e dá condições para eles trabalharem. O que se viu hoje foi vergonhoso, vexatório”.

O carrasco do dia, o atacante penapolense Luciano Gigante, resumiu bem qual é o espírito de quem disputa a Copa Paulista – que sirva de exemplo para os alvirrubros: “Não interessa se é primeira, segunda, terceira divisão ou Copa Paulista. Eu me esforço e me dedico porque aqui está o meu ganha pão, o sustento da minha família”. Falou e disse.

O JOGO

Pressionando desde o início da partida, principalmente pelo lado direito, com o ala Ferrinho, o Penapolense assusta aos 15, quando o camisa 2 chuta forte, Yuri rebate e Luciano Gigante o obriga a fazer nova defesa.

Aos 24, o primeiro gol. A exemplo do que havia feito na estreia contra o Marília, Luciano Gigante cobra perfeita falta sobre a barreira e manda a bola no ângulo.

O Noroeste só chega aos 37. Tabela entre Cleverson e Juninho, passe para Rafael Mineiro, que chuta travado, ganhando escanteio. Cinco minutos depois, mais uma bola na rede. Contra-ataque após erro de Lello e Ferrinho cruza da direita para Peres, na segunda trave, completar de cabeça.

Nas entrevista do intervalo, sem cerimônia, os meias noroestinos culpam os volantes pelo péssimo primeiro tempo. “Os volantes têm que nos ajudar um pouquinho mais na saída de bola”, diz Almir Dias. “Sempre é difícil, para quem está na frente, quando a bola não sai com qualidade lá atrás”, decreta Cleverson, que não volta para a segunda etapa, substituído por Willian Leandro – assim como Lello, que dá lugar ao estreante Deivid.

O jogo recomeça igual: a Pantera da Noroeste jogando com velocidade e troca envolvente de passes. Yuri evita gol de Gigante aos 6, Anderson Cavalo cabeceia com perigo aos 7. No minuto seguinte, o alvirrubro chega com Almir Dias, que cruza para Adilson Souza cabecear sobre o gol.

O Penapolense fecha a conta aos 9 minutos. Alê cruza da esquerda e a bola encontra o goleador na área. O pequenino Luciano Gigante não perdoa. 3 a 0.

Marcos Antônio, provavelmente seguindo orientação de Luciano Dias pelo celular, coloca Geilson no lugar de Roque para evitar o caminhão de gols que se anunciava. Abdica do gol de honra e fecha a zaga. Mesmo assim, a Pantera segue de garras afiadas: aos 25, Dominguinho dá belo passe para Alê chutar forte; Yuri desvia para escanteio.

Como no primeiro tempo, o Norusca só chega com perigo bem tarde. Aos 35, o goleiro Ricardo salva o que seria o primeiro gol noroestino, em jogada de escateio desviada por Geilson. Cinco minutos depois, Aidar recebe de Almir Dias e, da entrada da área, limpa o zagueiro e chuta pra fora, raspando a trave.

O jogo termina para alívio alvirrubro e alegria do público local, registrado oficialmente como 135 pagantes – e muitos entrando na faixa.

Noroeste Penapolense Copa Paulista 2010

SeleSantos, campeão da Copa do Brasil!

Arte de Eugênio Tonon

Apesar de ganhar seu segundo título no ano perdendo o jogo decisivo (o Santo André venceu o jogo de volta do Paulistão), o Santos não dá brecha para qualquer tipo de contestação. Time bom, com estrela, com jeito de campeão mesmo, permita-me o clichê.

Encher bola de treinador é moda chata no futebol atual, mas Dorival Junior tem uma participação importantíssima nesse timaço. Quando assumiu, com o título brasileiro da Série B debaixo do braço (Vasco), André era reserva, Ganso e Neymar haviam terminado 2010 em baixa e o veterano Giovanni era a esperança… O técnico transformou esse elenco de retalhos em um belo time! Mais: mesmo tendo perdido o controle em alguns momentos – a molecada é mesmo folgada – provou que não bancar o chefe linha-dura deu resultado: duas taças.

Além do Paulistão e da Copa do Brasil – a Folha de S. Paulo lembrou que dois títulos de expressão não chegavam em um mesmo ano à Vila desde 1968 – outra conquista do Peixe foi emplacar seu quarteto ofensivo na Seleção Brasileira, sob o novo comando de Mano Menezes.

Tudo deu certo. Felipe vinha bem antes da Copa, Rafael assumiu com postura de veterano. Quem previa piadas para Edu Dracena e Durval tem que aplaudir essa segura dupla. Os laterais se revezaram muito e talvez sejam o ponto mais fraco do time. Arouca também merecia Seleção – arrebentou segurando sozinho a bronca da intermediária defensiva. Wesley é o volante moderno, habilidoso, com fôlego interminável. Lá na frente, André ficou devendo no fim, mas fez gols importantes.

Destaque especial para o maravilhoso trio Ganso, Neymar e Robinho. O camisa 10 é craque, o cérebro. Neymar mostrou seu lado artilheiro – foi o goleador da competição. E Robinho fará falta, sim! Deitou e rolou contra os times nanicos, foi decisivo contra o Grêmio, jogou bem diante do Galo. Esse título tem sua marca. Mais: Robinho – e Léo também – está presente nas principais conquistas do Peixe nesta década (Brasileirão de 2002 e 2004 e esta Copa do Brasil).

Com a chegada de Keirrison e Marquinhos reforçando o meio-campo com a saída de Robinho, o Santos segue forte. E tem fome de bola suficiente para tentar buscar o Brasileirão e a Sul-Americana. Por que não?

Trem-Bala vence o fraco Grêmio Prudente

Direto do gelado Alfredão

A noite prometia ser a maior roubada do Canhota 10 desde que me propus a roer o osso com o Norusca na Copa Paulista. A previsão do IPMet se confirmou e o vento frio rasgou o rosto dos bravos noroestinos que foram ao Alfredão. Mas para recompensar esses fiéis torcedores, o Alvirrubro fez sua melhor apresentação neste semestre, sobretudo no primeiro tempo.

Com boa movimentação do quarteto ofensivo, o Noroeste chegou ao ataque tocando bem a bola e mostrando interessante disposição tática: Giovanni aberto na esquerda, chegando à linha de fundo, e Aidar pelo outro lado. Cleverson, voltando de contusão, foi discreto, mas ganhou confiança para as próximas rodadas, com seu golaço.

O Prudente, muito fraco, jogava com seu time principal ao mesmo tempo (empatou em 0 a 0 com o Atlético-MG, pela Sul-Americana). A molecada, em Bauru, não ofereceu perigo. O que não desmerece a vitória noroestina: quem pega time fraco e ganha com propriedade é porque jogou bem.

Agora vice-líder do Grupo 1, com seis pontos, o Trem-Bala visita a Penapolense, terceira colocada, domingo (8/8), às 10h.

O JOGO

A partida demora a engrenar. Somente aos 16 o primeiro chute no rumo do gol adversário. Aidar faz jogada pela esquerda e rola para trás. Juninho, sempre ele, arrisca da meia-lua e o goleiro pega. Um minuto depois, é a vez de Adílson tentar da intermediária para defesa de Vinícius. Aos 20, o Noroeste perde gol feito. Após bola cruzada da direita, a bola sobra para Aidar na área, pinga oferecida em sua frente e ele chuta travado, por cima, ganhando escanteio.

O Alvirrubro segue pressionando. Em bela trama, Rafael Mineiro faz a ultrapassagem pela direita, recebe e cruza, mas Adilson e Giovanni não alcançam.

Após a primeira chegada do Prudente, aos 24, em cabeceio de Saldanha defendido por Yuri, o Norusca chega ao merecido gol, aos 27. Giovanni cobra escanteio da esquerda, a zaga desvia e Cleverson domina o rebote no peito – da meia-lua, ele enche o pé no ângulo direito do goleiro, indefensável.

A partir daí, a partida esfria, assemelhando-se ao clima polar do Alfredão. Somente aos 38 o Trem-Bala volta a agredir a defesa rival. Giovanni, atuando bem aberto pela esquerda, cruza aparentemente sem perigo, mas Vinícius fura e a bola quase entra. Aos 42, de novo camisa 10 alvirrubro, fazendo grande partida. Ele chuta de longe e alto para difícil ponte do goleiro. No minuto seguinte, a segunda chegada do Prudente, novamente com Saldanha, que chuta mascado e facilita defesa de Yuri.

Aos 46, o lateral-esquedrdo Roque tem seu momento de Roberto Carlos, cobrando falta com força, do meio da rua – a bola passa do lado da trave.

No intervalo, voltando do carro – para buscar mais uma blusa de frio – passo ao lado do vestiário alvirrubro e o vento traz da janela o grito do treinador Marcos Antônio Ribeiro: “Vamos jogar bola!”. Os jogadores atendem de cara. Logo a um minuto, novamente em escanteio cobrado por Giovanni da esquerda, o gol sai. A bola sobra para Bonfim empurrar com o pé direito, rasteirinha. O capitão, que vinha de más atuações, vibra muito.

A partida segue com muita movimentação, mas sem chances, até o Trem-Bala ampliar, já aos 32 minutos. E novamente em jogada de Giovanni que gera escanteio. A cobrança é cortada, Aidar pega a sobra na beirada da área e tenta o gol por cobertura, quase sem ângulo. Debaixo da trave, Giovanni apenas confirma de cabeça.

O Prudente tenta reagir, mas Costela, aos 33, e Beto, aos 35, ambos de dentro da área, chutam a bola nos eucaliptos. A essa altura, o Noroeste já tem três novos atletas em campo: Almir Dias – que havia entrado bem contra o MAC –, Paulo Roberto ganha mais uma chance e Mizael novamente substitui o contundido Rafael Mineiro, que sempre apanha muito.

Aos 43, o veloz e desengonçado atacante Costela obriga Yuri a fazer sua primeira defesa difícil. Dois minutos depois, Rhayner dribla dentro da área e finaliza perto do gol. Mais relaxado, o Norusca começa a errar passes e ceder contra-ataques. Mas nada que apague a boa atuação, que pode sinalizar novo (e vencedor) rumo para o time na competição.

Pode um time só de laterais-direitos?

Mais um da série Times Imaginários, agora com os laterais-direitos que se espalharam pelo campo – exceção feita ao atacante que quebrou galho na ala e ao hoje lateral que é ex-volante.

Rogério Ceni: é sempre o coringa nessas ocasiões e, talvez, até se desse bem de lateral-direito mestre na bola parada, como Paulo Roberto, Anderson Lima, Arce, Edson Boaro, Nelinho, etc…

Carlinhos Bala: se o time é dos laterais que mudaram de posição, eis um que virou lateral, quando Nelsinho Batista precisou que ele corresse muito pela beirada da Ilha do Retiro, jogando pelo Sport.

Leandro: o eterno camisa 2 da Gávea, ao ver o jovem Jorginho arrepiando na base, olhou para seu joelho cansado e pediu para jogar na zaga. E deu conta do recado – campeão estadual (1986) e nacional (1987).

Panucci: encarou na boa o miolo de zaga para compensar o fôlego melhor – e virou zagueiro-artilheiro com gols de cabeça.

Júnior: o maestro, como sabem, começou no Mengo na direita, até trocar de lado e virar lenda.

Jorginho: quando voltou ao Brasil no fim da década de 90, tornou-se volante no São Paulo e continuou assim no Vasco. O antes disciplinando lateral virou uma máquina de bater… (e mais tarde o auxiliar de Dunga)

Belletti: campeão do mundo em 2002 como lateral, aqui neste campo volta a sua posição de origem, como foi revelado no Cruzeiro, brilhou no Galo e agora joga no Flu.

Alessandro: não à toa deram a camisa 5 do Corinthians para ele na época de numeração fixa, pois Mano Menezes o utilizou muito no meio-campo. Acabou voltando para sua posição de origem.

Mazinho: surgiu como lateral-esquerdo no Vasco, mas fez fama na direita e, por fim, foi campeão do mundo em 1994 tomando a posição de Raí na armação das jogadas.

Mancini: o mais notório lateral que arrebentou em outra posição. Virou praticamente ponta-esquerda na Roma, driblando e fazendo gols – depois sumiu na Internazionale.

Paulo Baier: goleador tem que jogar na frente, certo? Ele é simplesmente o artilheiro da era dos pontos corridos do Brasileirão.

Técnico: Nelsinho Batista, afinal, quando jogador era lateral-direito.

Noroeste encara o Prudente pela afirmação

A vitória no clássico contra o time B do Marília não animou a galera alvirrubra. Pudera: o time tomou sufoco no Alfredão, Yuri saiu como herói. Na noite desta quarta (4/8), outro elenco reserva vem a Bauru testar a força da equipe do Noroeste: o Grêmio Prudente, que empatou duas vezes na Copa Paulista, contra Linense (fora) e Penapolense (em casa). O fato curioso é que o time principal estará, no mesmo instante, jogando contra o Atlético-MG pela Copa Sul-Americana.

Com elenco numeroso, o Trem-Bala continua tentando se encontrar, com o técnico Luciano Dias comandando treinamentos e seu auxiliar, Marcos Antônio, atuando à beira do campo nos jogos – sem desgrudar do celular, ouvindo as impressões do chefe.

Para a partida desta noite, Cleverson volta de contusão e disputa posição com Willian Leandro para a vaga deixada pelo machucado Marcus Vinícius. Almir Dias, que entrou bem e criou a jogada do gol noroestino sobre o MAC, pode ganhar a posição de Giovanni, que voltou no sacrifício no último sábado.

A expectativa é que o público, novamente, não chegue aos mil pagantes. Ainda mais com o prometido frio, segundo o IPMet. Para quem quiser dar aquela força ao centenário Norusca, dá tempo de pegar o primeiro tempo em andamento da final da Copa do Brasil, entre Santos e Vitória.

Abaixo, as prováveis escalações. Segundo o site Futebol Interior, dois jogadores do Prudente (o lateral Edvan e o atacante Izak) desfalcam o time por terem tirado férias atrasadas! A média de idade dos prudentinos beira os 22 anos.

Noroeste Grêmio Prudente Copa Paulista 2010 futebol BauruFoto Adilson: Erlington Goular/Evegntos Assessoria/AI Noroeste