Noroeste vence mais uma e Knevitz tem cartas na manga

Não pude ir ao segundo (e último) jogo treino do Noroeste, preparando-se para a Série A-2, contra Osvaldo Cruz (vitória por 4 a 0, gols de Leandro Oliveira, boka, Velicka e Everton Garroni). Ouvi, porém, os cronistas – ouvidos por Jota Martins, no Giro Esportivo da 87FM.  O repórter bom de bola é fera nisso, busca a palavra dos colegas, mesmo da concorrência, afinal estamos todos no mesmo barco. E pela escalação e a coletiva com Amauri Kenvitz, e por ter visto o time jogar semana passada, consigo rabiscar algumas impressões.

Até a coletiva de Knevitz, havia achado estranha a escalação do meia Velicka na lateral-esquerda. Mas, afinal, jogo-treino é para testar e o treinador afirmou que pensa, sim, nessa opção para a saída de bola ganhar qualidade. Particularmente, prefiro Velicka lá na armação, tem tudo para ser o maestro alvirrubro – e Leandro Oliveira desponta para ser seu parceiro, alterando o losango para o quadrado no meio-campo, ficando com apenas dois volantes. Antes, porém, o meia que veio do Paraná tem que ganhar a concorrência de Juninho, que dizer ter ido muito bem ao explorar seu maior potencial, o chute de longe.

Interessante a escalação de Romário no ataque, o garoto está com moral. Não mais do que Boka, que já se configura como candidato a goleador do time. E a atuação de Rafael Silva, que já havia chamado a atenção em um coletivo, foi elogiada. Com isso, o técnico tem dúvidas para formar o time titular, o que é muito bom, pois sinaliza que o elenco tem opções. Vejamos:

• Yuri ou Nicolas no gol? Nicolas começou os dois amistosos. De qualquer forma o Norusca estará bem servido.

• Bira parece ter ganhado a posição na lateral-direita, mas se contundiu e vira dúvida para a estreia – voltando Mizael a ganhar terreno.

• Quando o experiente beque-central De Lazzari se recuperar, terá trabalho para tirar Thiago Jr. do time, que vem ganhando confiança ao lado de Marcelinho.

• Alexandre está na frente de Pedro na disputa pela esquerda, a não ser que Kenvitz insista com Velicka na lateral – tomara que não…

• Everton Garroni é absoluto como primeiro volante e fez até gol no jogo-treino, apesar de não avançar muito. Desponta como um dos líderes da equipe.

• França e Juninho também têm a confiança do treinador e deverão começar o campeonato como titulares – ainda mais em uma estreia fora, contra o badalado América.

• Se Velicka for confirmado na meia, Leandro Oliveira se transforma no décimo segundo jogador do time.

• Daniel Grando parece já ter perdido espaço, resta saber quem assumirá a dupla com Boka: Romário ou Rafael Silva?

O Noroeste iniciou o amistoso contra Osvaldo Cruz com Nicolas; Bira, Thiago Jr., Marcelinho e Velicka; Everton Garroni, França, Juninho e Leandro Oliveira; Romário e Boka. Depois de algumas alterações, Velicka foi para o meio e o time rendeu mais, deslanchando o placar.

O Alvirrubro terminou a atividade com Yuri; Mizael, Thiago Jr., Neto e Alexandre; Everton Garroni, Kasado e Betinho; Daniel Grando, Rafael Silva e Roberto.

Coluna da semana: o esquema noroestino

Explicação do desenho tático de Amauri Knevitz é o destaque do texto publicado na edição de 16 de janeiro de 2012 do jornal BOM DIA Bauru

Noroeste versão 2012

Foi apenas um jogo-treino, mas o suficiente para projetar como o Noroeste irá se comportar em campo na Série A-2. Na vitória sobre o XV de Jaú (2 a 1), o desenho tático montado por Amauri Knevitz era bem nítido e simples. Sem invencionices, o Norusca vai com um 4-4-2 com o meio-campo em losango, com um trio de volantes atrás do meia de criação. Confira abaixo a interpretação do esquema, decifrado pela coluna, que esteve em Pederneiras.

Como em todo esquema com dois zagueiros de área, os laterais alternam o avanço ao ataque. Pelo que se viu no amistoso da última terça, Mizael, pela direita, e Alexandre, pela esquerda, ainda não convenceram como titulares. Bira e Pedro, respectivamente, entraram motivados no segundo tempo e brigam pelas vagas. A dupla de zaga supostamente titular não pôde ser testada, pois o experiente De Lazzari foi poupado. Mas é ele quem deve atuar ao lado de Marcelinho.

No meio, Everton Garroni é literalmente o cabeça de área: praticamente não ultrapassa a linha central e sua função é proteger a defesa, combater os avanços adversários e ficar na cobertura. Ao seu lado, Knevitz apostou em dois volantes que, se não são dos mais habilidosos, sabem subir ao ataque com outros atributos: Juninho (pela esquerda), como arma no chute de fora da área, e França (direita), que se impõe fisicamente em arrancadas com a bola dominada. Eles ainda têm que cobrir os laterais.

Velicka é o talento solo: o meia-armador é o responsável pelo toque cadenciado, pelos lançamentos e é a ponta ofensiva do losango de Knevitz. Mas, por ser canhoto, acaba caindo bastante para a esquerda, até porque o atacante Daniel Grando, que tem a função de cair pelas pontas, fica mais pela direita – e isso acaba por equilibrar o esquema. Para finalizar, Boka, fixo na área, faz o pivô, servindo de opção para quem se aproxima, e sempre se posiciona para receber a bola na cara do gol. Começou bem o novo camisa 9 noroestino.

Calma com Grando
O atacante Daniel Grando foi bastante vaiado na partida contra o XV. Ao saber disso, um dos torcedores mais conhecidos do Noroeste, Marcos Cunha (o Marcão do shopping), apressou-se em pedir paciência à galera. “Precisamos fazer uma campanha junto ao apaixonado noroestino para deixar de pegar no pé do Daniel Grando. É um ser humano como nós e já entra em campo sabendo que tem que jogar mais que o Pelé. O nervosismo aumenta e ele erra mais ainda. Não rendeu bem no ano de 2011 pelo grupo ser muito limitado. Tem que dar tranquilidade para que o jogador saiba que não é no primeiro ou segundo jogo que a torcida já vai pegar no pé”, argumentou. O riquíssimo depoimento do Marcão, sobre sua relação com o clube e o que espera da temporada, pode ser conferido na íntegra no blog Canhota10.com.

Rafael Silva
O atacante recém-chegado da Portuguesa é a sombra de Grando. Há relatos de que agradou no primeiro coletivo. Que bom. Quanto mais opções para o treinador, melhor. Fui procurar vídeos do jovem atuando pela Lusa, mas só se acha no Google conteúdo sobre a morte suspeita de sua namorada, ano passado. Que ele possa recomeçar a vida em Bauru, com muitos gols.

Marcão do shopping dá seu recado sobre o Noroeste

Quem vai ao Alfredão sabe que a cena ao lado é comum: o MARCÃO berrando, tal qual um treinador, a cada jogada. “Orienta” a defesa do Noroeste, incentiva cada ataque, é um incasável. Está sempre de olho nas coisas do Norusca. E dia desses, em férias, não pôde ver o jogo-treino contra o XV de Jaú e informou-se aqui no Canhota 10. Postou um comentário riquíssimo que autorizou que eu publicasse como depoimento, que vai logo abaixo dividido em tópicos. Agradeço ao Marcão pela audiência, num obrigado extensivo a todos os noroestinos que prestigiam esse espaço. As fotos desse post são do blog de outro alvirrubro dos bons, o Henrique Perazzi de Aquino – fica a dica: há sempre bons textos no Mafuá do HPA.

COPINHA
“Estou de férias no Guarujá e não pude ir ver o jogo contra os ‘fregueses’ [XV de Jaú], mas fui ver o fogo da molecada contra o Paraná [pela Copa SP] e fiquei com duas sensações bem distintas. Até tomarmos o gol de empate, éramos o Norusca ‘grande’ da Segundona; quando levamos o empate, passamos a ser o ‘minúsculo’ Maquininha Vermelha da Primeirona; até levarmos a virada, quando então voltamos a jogar com alegria, o que me leva a crer que mesmo sendo garotos de até 18 anos, não está havendo a “lavagem cerebral” de time vencedor. Faltou um pouco de ímpeto para nós fazermos o segundo gol, mas do outro lado estava um time várias vezes campeão paranaense, então, os garotos tentaram segurar a vitória simples. Foi um pecado. O time, com sobras, era o melhor do grupo.”

TIME PRINCIPAL
“Quanto ao Mizael, é um pecado falar que é um jogador limitado, sabendo-se que é um ala. O Noroeste não treina fundamento, fomos rebaixados por isso. O time não tinha saída de bola, os volantes eram somente de desarme e o único ‘meia’, o Ricardinho, sempre foi um segundo volante com um ótimo passe. Voltando de férias, conversarei pessoalmente com o Knevitz justamente a respeito do desastre de 2011.
Os três técnicos de 2011 alegaram que os ‘boleiros’ não gostam de treinar fundamentos, só que os três perderam o emprego. Telê Santana (enquanto vivo), Felipão, Luxemburgo, Leão… todos exigem treino de fundamentos com situação de jogo. Em Bauru, é bola parada a uma jarda da área, ou bola rolada para bater de primeira… O último a dar treino de alto nível foi o Comelli (exemplo: o goleiro adversário dá um balão, os volantes têm que matar e passar para o meia, esse corta um jogador parede e passa par ao atacante, que finaliza de primeira ou com um corte), fazendo exaustivamente. Me lembro em 2007, no jogo em Marília, quando tomamos um gol e perdemos um jogador defensivo, ele alterou de 4-4-2 para 3-5-1 sem alteração de banco, por treinar sempre a hipótiese de um zagueiro ou volante ser expulso. Empatamos o jogo para o delírio de nós, que estávamos no estádio.”

A-2
“Estou confiante na classificação entre os oito melhores, pois o técnico foi jogador, tem experiência e é atualizado. O grupo não tem nenhum “medalhão” e um fantástico “prêmio”, caso o Norusca suba, é jogar na primeira divisão. O que não ocorre quando estamos na Primeirona, quando, a partir da quinta rodada, os jogadores que teriam que assumir a responsabilidade estão mais preocupados com qual time vão jogar no segundo semestre – e o clube é totalmente prejudicado.”

DANIEL GRANDO
“Precisamos fazer uma campanha junto ao apaixonado noroestino para deixar de pegar no pé do Daniel Grando. É um ser humano como nós e já entra em campo sabendo que tem que jogar mais que o Pelé. O nervosismo aumenta e ele erra mais ainda e passamos a jogar com dez, sendo que ele tem experência de estádio cheio, torcida adversária e clube vencedor. Não rendeu bem no ano de 2011 pelo grupo ser muito limitado, tem que dar tranquilidade para que o jogador saiba que não é no primeiro ou segundo jogo que a torcida já vai pegar no pé… O intuito é único, a volta à Primeirona.”

CONFISSÃO
“Eu, como sou da velha guarda e vou assistir até o time de botão do Norusca [com Ewerton Armani], decidir campeonato, vou cometer uma blasfêmia, mas meu coração prefere o Norusca na Segundona. Somos time grande, a atração, a motivação do time adversário e ninguém quer ficar no quadrangular final na nossa chave – enquanto que na Primeirona somos eterno ioiô.”

NO MEIO DA GALERA
“Na minha agenda, vou assistir a 18 dos 19 jogos da primeira fase. Já comprei o passaporte dos jogos em Bauru. Sou sócio remido, posso sentar na coberta sem pagar até morrer, mas pago a mensalidade para ajudar o Norusca. Essa interação com a comunidade que falta para os bauruenses e ao esporte em geral.”

Itabom/Bauru vende caro a derrota para Brasília

O primeiro quarto foi para comprovar porque Bauru, hoje, vive melhor momento do que Brasília.

Nos dois períodos seguintes, Brasília se lembrou de que é bicampeão brasileiro, contou com a torcida. Ainda vai dar trabalho nesse NBB.

O quarto final foi de tirar o fôlego, os guerreiros mostraram a raça habitual , mas os erros de lances livres e vacilos no ataque impediram que o Bauru Basket saísse com uma vitória importantíssima do Distrito Federal… Os candangos venceram por  88 a 81. De qualquer forma, o Itabom provou ser um dos fortes deste NBB 4.

Abaixo, uma homenagem ao Rafael Antônio, do Jornada Esportiva, que está com o esporte bauruense onde ele estiver. Mesmo sendo jogo com TV, ele estava lá, firme e forte, como mostra a imagem abaixo.

Excursão da torcida noroestina dia 25

O Noroeste não estará só em sua estreia na Série A-2, dia 25, em São José do Rio Preto, contra o América. A torcida Sangue Rubro organiza excursão.

A saída de Bauru será às 16h30 do dia 25 e a passagem custa R$ 23. Falar com o Pavanello (3011-1936) ou direto na sede da Sangue (rua Ângelo Cerigato, 8-73, Vila Pacífico).

Bauru Basket vence Minas e se aproxima do Interligas

Os guerreiros controlaram o placar, mas não foi uma vitória fácil. E na casa do Minas, apesar de mal na tabela, não seria mesmo.

Pronto. A vitória que o Itabom/Bauru precisava nos dois confrontos fora de casa foi conquistada. Contra Brasília, será lucro. Para confirmar a vaga no Interligas, uma vitória sobre a Liga Sorocabana, em casa. “Não é um jogo que precisamos vencer, e sim um que não podemos perrder!”, decretou Guerrinha ao microfone de Rafael Antônio, do Jornada Esportiva, logo após a partida. Sobre o triunfo em Belo Horizonte, Guerrinha comemorou o resultado, mas achou que o time não jogou bem. “Cometemos muitas violações, sem contar que chegamos com muita confiança depois de dois grandes jogos em casa”.

Destaques bauruenses: Jeff Agba cestinha do jogo (17 pontos) e oito rebotes; Larry com 13 pontos, sete assistências e quatro roubadas de bola. Douglas Nunes, com 12 pontos e nove rebotes, foi quem mais se aproximou do duplo-duplo.

O maior destaque da noite, entretanto, foi o ala Gui, por atuar cada vez mais solto. O jovem guerreiro  fez 12 pontos, entre eles acertando os dois chutes de três que tentou. Ainda roubou duas bolas e sofreu três faltas. Ficou um bom tempo em quadra: 24min02s.

No sábado, não marque compromisso para 17h. Tem confronto contra Brasília, no Sportv – e no Jornada também, claro (com o esporte bauruense onde ele estiver, né, Rafa?).

Homenagem a Isaías Ambrósio, o Senhor Maracanã

O funcionário mais antigo do Maracanã morreu ontem (11/1), aos 84 anos. Estava morando em Niterói, depois de uma temporada em Bauru, onde cresceu. Para homenageá-lo, republico reportagem que fiz com ele em 2008, para a 94FM Revista. A foto é de Luis Cardoso e está pipocando na internet sem o devido crédito.

Memória viva

Isaías Ambrósio cuidou da história do Maracanã por décadas e hoje goza merecido descanso em Bauru

A foto que todos os sites copiaram, muitos sem dar crédito ao fotógrafo Luis Cardoso, meu parceiro nesta reportagem

A denominação “Senhor Maracanã” estampou a edição de 17 de fevereiro de 1990 de La Gazzetta dello Sport, principal diário esportivo da Itália. A página, enquadrada e enviada pelos italianos, na ocasião, é apenas uma das lembranças do senhor Isaías Ambrósio. Ele é um importante capítulo da história do mais famoso estádio do mundo. Nascido em 6 de janeiro de 1927, em Pirajuí (veio ainda bebê para Bauru), hoje curte a aposentadoria em sua confortável casa no bairro Mary Dota [à época, antes de voltar para o estado do Rio]. Quando garoto, torcia para a Lusitana, que deu origem ao Bauru Atlético Clube. “Hoje, simpatizo com o Noroeste e gostaria de conhecer o Alfredo de Castilho”, revela.

A história de Isaías com o estádio começou em julho de 1948, quando teve a oportunidade de trabalhar na construção do que seria o principal palco da Copa do Mundo, dois anos depois. Atuou também como telefonista e segurança e morou lá alguns anos. Bom de prosa, ofereceu-se para ser guia turístico do local. Durante cinco décadas, recebeu visitantes, celebridades e chefes de Estado, tendo na ponta da língua várias histórias do “maior do mundo”, inclusive a mais triste delas. “Eu estava na final da Copa de 1950. Bigode [zagueiro da Seleção] era um carniceiro, batia em todo mundo, mas não fez nada no lance do gol. Gigghia passou por ele como quis. Foi triste mesmo!”, relembra.

Isaías voltou para Bauru em 2004, depois lutar contra problemas de saúde. Ele sofreu um acidente vascular cerebral em pleno Maracanã, diante de turistas, ao saber que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, havia sugerido em uma entrevista demolir o estádio. “Estava triste no Rio e achei por bem terminar meus dias aqui, onde começou a minha vida”, relata. Passados o susto e a desilusão, ele voltou a sorrir. O Maraca foi reformado para o Pan-Americano. Na reabertura, em janeiro de 2006 (um clássico entre Vasco e Botafogo), foi convidado para a festa. “Olhando o Maracanã do gramado, a lágrima escorreu”, conta. A paixão é tanta que ele sempre afirmou que gostaria de ser enterrado no meio do campo. Diante da negativa do chefe, ganhou em contrapartida outro presente: seu segundo casamento, com Zuma, foi celebrado nas dependências do estádio. Mesmo local onde seu nome está eternizado com uma placa, ao lado de feras como Zico e Didi.

O crachá que o Senhor Maracanã apresentava aos visitantes: poliglota

Funcionário vivo mais antigo da Suderj (Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro, órgão que administra o estádio), Isaías orgulha-se do seu número de registro, 00009. Pai de seis filhos (“Todos bem de vida, graças a Deus”), recebeu duas importantes homenagens em 2000, ano do cinquentenário do Maracanã: o título de cidadão do Estado do Rio de Janeiro, por indicação do deputado Roberto Dinamite, e a medalha de mérito Pedro Ernesto (a mais importante comenda do município), requerimento do vereador Agnaldo Timóteo. Nenhuma delas, porém, mais significativa do que seu sorriso, o de um homem realizado.

Noroeste vence XV de Jaú em jogo-treino pegado

Já dizia o poeta: clássico é clássico. A turma não afina nem em jogo-treino. Assim foi o confronto entre Noroeste e XV de Jaú, preparatório para a temporada (cada um em sua divisão do Paulista). Teve até uma expulsão de cada lado – no caso, foi autorizada a substituição dos jogadores punidos (Marcelinho pelo Norusca).

Cheguei em Pederneiras – aliás, cidade muito simpática – para o segundo tempo. Arquibancada cheia, como o interior é um barato. O clássico regional virou atração na cidade. Aquele clima de corneta, cerveja liberada, torcedores bauruenses e jauenses lado a lado, em provocações divertidas e pacíficas. Melhor ainda: encontrar colegas de imprensa para bater papo e trocar impressões: os Jotas (Martins e Augusto), Alexandre Colin, Luis Antônio ‘Sin Sinhô’, Zé da Barca, Zé Carlinho, Gustavo Longo e o assessor Thiago Navarro.

Em campo, os cronistas contaram que foi um primeiro tempo de perna pesada – afinal, primeiro teste da temporada – e poucas chances de gol. Para minha sorte, o técnico Amauri Knevitz manteve o time após o intervalo, trocando apenas o goleiro – Nicolas, que começou titular, deu lugar a Yuri.

A escalação inicial do Norusca: Nicolas; Mizael, Thiago Júnior, Marcelinho e Alexandre; Garroni, França, Juninho e Velicka; Daniel Grando e Boka.

O esquema tático bem nítido: linha de quatro na defesa, com os laterais alternando os avanços; meio-campo em losango, com Garroni no vértice defensivo, França na direita, Juninho na esquerda e Velicka como homem da ligação – canhoto, acabava por cair mais na esquerda; no ataque, Grando abrindo nas pontas e o grandalhão Boka na área.

E foi numa jogada pela esquerda que o Noroeste abriu o placar aos três minutos do segundo tempo. Juninho, na lateral da grande área, cruzou para Boka completar de cabeça. Pouco tempo depois, o árbitro viu pênalti a favor do XV e o experiente lateral-direito Ricardo Lopes empatou, cobrando rasteiro no canto direito de Yuri.

A partir daí, o jogo esquentou, vieram as expulsões e os jauenses por algum tempo levaram mais perigo. Pressionado, Knevitz começou a mudar no time. Destaque para a entrada do jovem Pedro na lateral-esquerda – tem personalidade, encara o adversário, dribla, vai ao fundo. Daniel Grando, muito vaiado pela galera, deu lugar a Vitor Hugo.

Quando o confronto caminhava para terminar empatado, o Norusca chegou ao segundo gol. Após um pênalti não marcado sobre Nathan, os alvirrubros não desistiram da jogada e Boka recebeu a bola na linha de fundo; mesmo quase sem ângulo, ele finalizou de canhota no cantinho.

Se o Norusca passou longe de agradar, pelo menos começou vencendo. Espero que tenha uma característica que faltou ao time nas últimas temporadas: garra. Porque, pelo que se viu, só esse diferencial para compensar as deficiências técnicas.

O time que concluiu a partida: Yuri; Bira, Neto, Hélio e Pedro; Garroni, Kasado, Betinho e Nathan; Vitor Hugo e Boka. (o zagueiro De Lazzari, provável titular, sentiu dores e foi poupado; o atacante Diego, pra variar, está com problemas físicos – desta vez no púbis)

A seguir, imagens do confronto:

França encara marcador: titular remanescente de 2011

A torcida compareceu, inclusive a jauense (destaque): clima amistoso

Boka comemora seu primeiro gol com os companheiros: bom início do centroavante

Cobrando pênalti, Ricardo Lopes empata

Amauri Knevitz orienta o time; de camisa preta, o supervisor Marcos Honda

Velicka, driblando adversário e cobrando falta: candidato a maestro do time

Marcelinho reclama de expulsão durante a partida pegada (destaque) em Pederneiras

Novo Basquete Brasil: segunda edição da LDO será sub-22

“O conselho técnico avaliou que seria interessante permitir mais uma idade na competição, principalmente nessa fase de transição dos atletas, entre o juvenil e o adulto. Somente por isso. Se for constatado que o sub-22 é a idade perfeita para a competição, ela permanecerá assim.”

Essa foi a resposta da assessoria da Liga Nacional de Basquete para o Canhota 10, confirmando que a segunda edição da Liga de Desenvolvimento Olímpico será com atletas até 22 anos.

Se por um lado dá mais uma chance para uma geração que está tentando se firmar em seus clubes, por outro revela o abismo de qualidade e a escassez de trabalho de base no basquete brasileiro.

Particularmente para o Itabom/Bauru, significa mais um ano com Luquinha, Andrezão e Weliton, que completam 22 este ano – Gui e Ferrugem farão 21.

Com o vice-campeoanto brasileiro, a diretoria bauruense se empolgou. Pretende chegar na próxima LDO ainda mais fortes, pois os jogadores estão no time principal, terão mais experiência. Sem contar que chegará mais um atleta dessa faixa etária para compor o grupo no Campeonato Paulista.

Guerrinha conta que será montada uma equipe de base do Itabom/Bauru. “Já está sendo feito. O Cássio, nosso diretor de categorias de base, junto com o Julinho Horta e o Bráulio, estão fazendo um trabalho de levar a categoria cadete a ser federada. Neste ano, vamos manter o esquema de parceria. Que pode ser com o Regatas ou com outra equipe. Vamos trazer mais um jogador para o Paulista. Já serão seis jogadores da nossa equipe. Os outros seis da parceria, desde que seja no mesmo formato, vindo treinar com a gente. A partir de 2013, o cadete já estará no primeiro ano de juvenil, aí poderemos levar uma equipe só nossa para disputar a Liga sub-22″, conta Jorge Guerra.

BALANÇO DO VICE
Hudson Previdello, treinador do Bauru Basket na LDO, fez um balanço da participação dos jovens guerreiros. “Apesar do pouco tempo e de não ser um time que treina todos os dias, formos crescendo durante a competição e ganhando confiança. Vimos que tínhamos condição de ganhar. Independentemente do resultado, o objetivo maior era formar jogadores, dar rodagem para o Gui, o Lucas, o André… Conseguimos dar mais minutos de quadra e experiência a eles, que no adulto nem sempre entram em momentos decisivos. No sub-21, eles foram protagonistas e isso acrescenta muito”, comenta.

O ala Weliton (foto), prova concreta do sucesso da parceria (atleta do Regatas absorvido pelo elenco principal do Itabom/Bauru), avaliou a oportunidade. “Estávamos meio escondidos lá em Campinas, disputando a A-2, que não é tão visada. Foi bom, todo mundo pôde aparecer. Durante a competição, pessas vinham perguntar de onde éramos, onde jogávamos. Ninguém conhecia a gente. Foi uma parceria ótima para todo mundo, para Bauru e para nós. Pôde apresentar a capacidade da galera de Campinas”, comemorou.

O ala está ansioso por sua estreia: “É a primeira equipe grande em que estou participando, espero aprender muito com o Guerrinha, que é experiente, e dar o meu máximo quando ganhar uma oportunidade. Espero evoluir muito aqui”.

Entrevista de Paulo Garcia ao Jornada sugere continuidade de Damião no Noroeste

Durante a transmissão de Noroeste x Paraná Clube, pela Copa São Paulo de Juniores, no último domingo (8/1), o jornalista Rafael Antônio, do Jornada Esportiva, fez importante e reveladora entrevista com o empresário Paulo Garcia (foto) – filho de Damião, presidente noroestino, e candidato à presidência do Corinthians.

O grande recado é que, pelo menos no desejo do filho Paulo, Damião deve disputar a reeleição e seguir como presidente do Noroeste. Segundo ele, o Alvirrubro é a alegria do pai, que deseja seguir tocando o clube. Sobre a fragilidade do mecenas noroestino, Paulo argumentou que ele está cercado de gente de confiança: o consultor Beto Souza, o filho Beto Garcia e o neto João Paulo (diretor financeiro).

Esse indício confirma o que se falava em bastidores: os Garcia não estão investindo nas categorias de base em vão, sob o argumento de deixar um legado que garanta sobrevivência financeira ao Noroeste no futuro. Se, na verdade, vão reaver parte do que investiram com vendas de jogadores, só o tempo dirá. Até porque não é nada fácil clube do interior faturar com venda de atleta. Há quanto tempo o Norusca não tem uma compensação financeira pela saída de um jogador? Por isso é ingênuo cravar que estão no Noroeste por interesse, afinal, até agora, mais investiram do que faturaram…

Sobre uma possível vitória no pleito corintiano, Paulo considera amoral fazer parceria do Timão com o Norusca, por causa dos laços familiares. Acha que o time bauruense tem que caminhar sozinho, sem se ancorar no irmão da capital. De certa forma, uma ducha de água fria, pois alguns refugos de lá chegariam ao Alfredão como reforços consideráveis…

A verdade é que somente em fevereiro saberemos o desfecho, tanto de Corinthians quanto de Noroeste, sobre o poder desses clubes ligados à família Garcia.