Bauru Basket, novo elenco (10): “Vou fazer o jogo sujo”, avisa Mathias

O Bauru Basket oficializou a contratação do pivô Mathias, ex-Joinville,  nome adiantado pelo Canhota 10 há 13 dias. O novo cincão bauruense começou no basquete gaúcho, passou por Rio Claro, disputou os NBBs 1 e 2 pelo Paulistano e depois atuou no Campo Mourão, do Paraná, antes de chegar ao Joinville para disputar o NBB5. Falei com o atleta de 2,08m, que vai completar 26 anos em julho. Confira:

Expectativa de atuar com Larry e companhia
“É muito grande. Poder jogar ao lado do Larry, que é jogador de Seleção Brasileira, é muito bom. Poder estar também ao lado Ricardo e do Gui, que são jogadores de grande nível, o futuro do basquete brasileiro, é muito gratificante. Tenho muito o que aprender com eles…”

Parceria com Tischer e Murilo
“Poder renovar o garrafão de Bauru ao lado do Tischer e do Murilo vai ser muito bom, pois são jogadores de muita experiência. Tenho muito o que aprender ainda e, tendo professores como eles, só vai somar à minha carreira e ao time de Bauru.”

Papo com Guerrinha e função em quadra
“Tive o prazer de conversar com o Guerrinha. Meu papel no time vai ser fazer o que eu fazia em Joinville: jogar com a defesa força, dando toco e ajudando nos rebotes. E fazendo o ‘jogo sujo’ no time…”

Fotos: Jacksson Nessler/LNB

Oportunidade em Bauru
“Com certeza, é o melhor momento da minha carreira. Poder jogar numa equipe que está cada ano crescendo mais no cenário do basquete brasileiro e poder fazer parte disso…”

Aqui é trabalho!
“Eu devo chegar em Bauru para a pré-temporada. Estou bem fisicamente, treinando diariamente nas férias.”

A força da Panela
“Uma diferença que Bauru tem jogando em casa é sua torcida, que não para de apoiar a equipe e incomoda bastante os adversários… Quero dizer à torcida que podem contar comigo. Estou com sangue nos olhos para representar Bauru aonde estiver. Não posso garantir a vitória sempre, mas posso garantir que vocês vão ter sempre cem por cento de mim dentro de quadra.”

Guerrinha: balanço da temporada do Bauru Basket e reciclagem na Espanha

Guerrinha, técnico do Bauru Basket, já está em solo espanhol, onde fica até o próximo dia 20 em intercâmbio — ao lado de seu amigo Lula Ferreira, treinador do Franca.

O roteiro começa em Madrid, visitando a federação local e a Escola de Treinadores. Ainda nesta terça, conhecem as dependências do Real Madrid e assistem ao jogo 2 do playoff final da liga espanhola, entre Real e Barcelona. Nos dias seguintes, percorrem as estruturas de outros dois clubes da capital, o Estudiantes e o Fuenlabrada. Na sexta, visita ao Centro de Alto Rendimento e desembarque em Barcelona para ver o clube Juventud de Badalona. Mais jogos do playoff no fim de semana e a segundona (17) começa na ACB (a liga deles), antes de irem ao encontro de Marcelinho Huertas e companhia, no clube azul-grená — encontro repetido na terça, último dia de compromissos.

“Vamos ver protocolos de categorias de base, treinamentos, recrutamento… Trocar ideias com técnicos. E será legal rever amigos do meu tempo de jogador. A Espanha é o centro do basquete na Europa. Desenvolve um trabalho muito profissional que queremos trazer para nossas equipes, que têm um perfil de jovens em formação, pois não estamos só buscando jogadores prontos”, contou Guerrinha.

Antes de decolar, falou com o Canhota 10 e fez um balanço da última temporada. Confira:

Pódios
“No Paulista tivemos grandes chances de chegar ao título. Perdemos no quinto jogo do playoff aqui. Todo mundo acha um absurdo, mas São José ganhou a final do Pinheiros lá em São Paulo e tirou Brasília do NBB. Os Jogos Abertos são uma competição atípica, num período em que seria melhor treinar. Se ganhássemos, não teríamos feito mais do que a obrigação. Perdemos, e estava tudo errado… [falando sobre as conclusões e críticas pós-derrota] Mas Limeira, quando encaixa o jogo e a bola cai, ganha de qualquer um. E não fizemos um jogo bom, sem o Larry, eles foram bem e ficamos em segundo: medalha de prata. Na Liga de Desenvolvimento, fomos campeões com o trabalho do adulto. Começamos o NBB com saída e chegada de jogadores, contusões… Mas finalizamos bem. Terceiro lugar e objetivo alcançado, classificados para um torneio internacional.”

Superação
“O importante é ser competitivo, pois o basquete está muito disputado. A equipe cresceu e conseguiu um resultado fora da realidade do plantel — o normal seria de quinto a oitavo. Com mérito, conseguimos essa posição na superação e com a qualidade de jogadores que renderam além. Para nós, foi como um título. O time se uniu, a diretoria também, a torcida entendeu as dificuldades.”

Dois armadores
“Eu já tinha planos para isso, mas no revezamento. A contusão do Fischer antecipou. O Larry na posição 2 melhorou muito a defesa. E o Ricardo melhorou o passe do time.”

Experiência com americanos
“O objetivo sempre é fazer time com brasileiros. Não temos nada contra estrangeiros, mas sabemos que eles têm uma cultura diferente. Tivemos a felicidade de ter o Larry e o Jeff, é muito difícil… Eles normalmente vêm fazer scout, arrumar contrato… Nosso perfil de equipe é vir, ficar, gostar… até chegar uma hora em que o ciclo acaba. Nós só adotamos o modelo de trazer americanos [Thomas, Coleman, Detrick] em função da dificuldade de achar jogadores de nível, com preço razoável, e porque tínhamos dois americanos que consideramos brasileiros. Jamais faríamos um time com quatro americanos! Mas não deu certo, é uma tentativa que não queremos repetir.”

Jogadores na Seleção
“Tivemos muito trabalho com o Larry. Foi ótimo para o projeto, para o Brasil, mas para nós… Eu já tive essa experiência como jogador, sei que quando se vai sem férias, quando volta demora dois meses para se recuperar. Na Seleção, o atleta entra numa pilha, num nível muito elevado, hora que volta, relaxa. E taticamente o Larry voltou descaracterizado e levamos tempo para reativá-lo. Já com os meninos [Ricardo, Gui e Andrezão, que jogarão pela Seleção de novos em julho], não é o caso. Estão indo ver coisas diferentes, aprender com treinadores diferentes — nessa idade, não atrapalha.”

Bauru Basket, novo elenco (9): Fabián Ramirez e alguns pitacos

Antes de começar, sejamos justos: quando eu publiquei em primeira mão a negociação com Lucas Tischer, o anúncio oficial do Bauru Basket chegou horas depois. E nenhum dos jornais me creditou no dia seguinte. Para mim, release tem que ser a última das fontes. Crédito a quem o tem. Quem publicou primeiro a sondagem ao ala argentino FABIÁN BARRIOS foi o colega João Paulo Benini, do Papo com o Papaaqui.

Crédito dado, vamos ao reforço. Bom nome. É jovem promissor (23 anos, 1,93m), com números honestos (médias de 10,4 pontos, quatro rebotes em 24min em quadra, em 45 jogos na fortíssima liga argentina) — não há estatísticas de sua participação na Super Copa Brasil, pelo Universo-GO.
Atualizado: encontrei escondidinho no site da CBB: Barrios foi o cestinha na final da Super Copa Centro-Oeste, com 16 pontos, que valeu o título ao universo. Na Super Copa Brasil, teve média de 14,8 pontos.

Parte da torcida, nas redes sociais, acredita que Fabián Barrios chega para ser titular. Não vejo assim. O quinteto inicial deve ser Ricardo, Larry, Gui, Murilo e Tischer. Mas isso é irrelevante no basquete. No segundo seguinte do início da partida, o cara pode ser substituído. A rotação será fundamental e ter um elenco numeroso e qualificado é o que interessa numa temporada que será desgastante — até em cima desse raciocínio, Fernando Fischer será importante quando retornar, se entender seu novo papel, um reseva de luxo para entrar contra defesas cansadas e penduradas e converter suas bolas certeiras.

Idas e vindas
Fechado o elenco — Mathias e Scaglia serão anunciados em breve –, vale esclarecer: a prioridade era o ala-pivô Jefferson. Murilo era uma incerteza que acabou (felizmente) se concretizando. Como a dupla joseense demorou a dizer sim, a diretoria partiu para o plano B: fechou com Ramirez e fez proposta ao porto-riquenho Ricky Sánchez. Definida a vinda de Murilo, sabidamente com alto salário, houve o recuo com Ricky — também porque já seria um nome que atrapalharia o crescimento de Gui e Andrezão.

Scaglia
Imprensa local sabendo há tempos — eu soube pelo Rafael Placce, do Jornada Esportiva –, mas respeitando o contrato em vigor do jovem ala-armador com o Palmeiras, até que ele próprio se entregou no Facebook, postando estar em Bauru! — como observou o Papa (aqui). Tem números de iniciante (afinal, tem 20 anos), com 3,6 pontos, 0,8 rebote e 0,9 assistência em 11min em quadra no NBB5. Com a mesma idade, no NBB3, Gui teve médias de 1,6 ponto, 0,9 rebote e 0,4 assistência em 5min. A temporada 2013/2014 será de aprendizado e garimpo de minutos para o ex-alviverde — e de afirmação na Liga de Desenvolvimento.

Elenco
Fica assim, então: Ricardo Fischer, Larry Taylor e Luquinha (armadores); Gui, Scaglia, Rafael* e Fernando Fischer (alas); Fabián Ramirez, Kesley e Radamés* (alas-pivôs); Murilo, Lucas Tischer, Andrezão e Mathias (pivôs)
* garotos da base que certamente treinarão com o time adulto — e irão compor o banco até Luquinha e Fischer voltarem

Minando sua credibilidade, Noroeste segue sem rumo

Barrar a imprensa na porta do clube foi a gota d’água de uma piada (sem graça) que tem sido o Noroeste nos últimos tempos. Como já relatei em outros textos, não tenho a disponibilidade de cobrir presencialmente o dia a dia do clube. Mas solidarizo-me com os colegas que passaram por essa situação na tarde de ontem.

Segundo relatos, foram barrados profissionais da TV Tem, da rádio Auri-Verde e do Futebol Bauru — quando a reportagem do Jornal da Cidade chegou, o portão já estava liberado após negociação (relatos aqui e aqui). Do lado de dentro, jogadores ameaçavam greve, pois nesta sexta acumulam-se dois meses de salários atrasados. Houve também insatisfação pela divulgação, pelo JC, da ameaça de interdição do estádio Alfredo de Castilho, pelo Ministério Público Estadual (aqui), que pode ter sido o estopim da medida tomada pelo presidente Anis Buzalaf, de ordenar o fechamento do portão.

A reportagem do JC desta sexta contextualiza bem todo o episódio (aqui). Anis fala que tomou a decisão porque acredita que têm vazado informações do clube, gerando reportagens que atrapalham a captação de patrocínios. Ora! São informações verdadeiras! Os salários estão realmente atrasados, a estrutura do estádio está mesmo questionada… Então, a intenção do presidente é esconder uma verdade dolorida? Vender outro Noroeste para um potencial patrocinador? Não adianta. O clube, hoje, exala problemas. É uma nau sem rumo, sem perspectiva. Sem credibilidade, o dinheiro não vem.

E não se vê luz no fim do túnel. O grupo de cotistas não decola. Pudera: é uma conta difícil de fechar, como já escrevi no longínquo mês de abril (aqui). Recapitulo o raciocínio: 50 cotas mensais de R$ 2 mil = R$ 1,2 milhão por ano. Supondo que passe a proposta de 70% do que for arrecadado em negociação de jogadores para o pool (e 30% para o clube), o Norusca precisaria conseguir, anualmente, aproximadamente R$ 1,7 milhão em venda de atletas para o investimento do grupo ficar no zero a zero (R$ 1,2 milhão para o grupo e R$ 500 mil para o Alvirrubro). Isso para reaver o investimento! Nem um centavo a mais… E quando é que o Noroeste conseguiu lucrar tal montante??? Já se vão mais de dois meses de silêncio sobre esse assunto.

Torcedores estão incomodados com essa situação calamitosa e pretendem se manifestar. Antes que o portão do clube feche de vez.

Bauru Basket, novo elenco (8): Murilo! “Vou dar a vida em quadra”

A ansiedade chegou ao fim. E da forma inversa do que era esperado. O ala/pivô Jefferson William, tido como certo, não vem mais. O pivô Murilo, que parecia longe, foi anunciado! Eu mesmo afirmei mais de uma vez aqui no blog que achava que não vinha. Pelo assédio de vários times, pela prioridade de São José e, claro, pelo peso no orçamento. Mas deu certo. Ele pensou com carinho na proposta, como contou ao Canhota na última quarta-feira, e anunciou sua decisão antes de a semana acabar, como havia prometido.

O anúncio do tão esperado reforço, de certa forma, apazigua a tristeza da torcida pela saída de Pilar — que merece um post a respeito, que logo virá — que foi para o Paulistano.

Gaúcho de Farroupilha, Murilo tem 29 anos e 2,08m de altura. Campeão brasileiro por Bauru em 2002, acumulou experiência atuando por Mogi, Ribeirão Preto, Franca, passou pela Europa (Maccab-ISR e Academik-BUL) e voltou para o Minas, antes de brilhar no São José por três temporadas — duas vezes campeão paulista e vice do NBB4, quando foi eleito o jogador mais valioso.

O Canhota 10 voltou a falar com exclusividade, por telefone, com o camisa 21. Ele, que chega com excelente média de 17,1 pontos e 7,4 rebotes do último NBB, está contente com o acerto e promete corresponder ao carinho da torcida.

A negociação
“Em todo momento eu dei prioridade para São José, até porque eu só tenho a agradecer à cidade, à torcida, por todo o carinho. Eu fiz uma proposta para São José e esperei cinco dias. Depois desse prazo, ficamos mais de uma semana negociando, sem chegar a um acordo. Aí, me senti na liberdade de conversar com outras equipes, sendo uma delas Bauru. Fiz a proposta para Bauru. No momento em que aceitaram, aí tenho que fechar.”

Imagem comemorativa divulgada pelo Bauru Basket: segura que eu quero ver

Vida nova
“Estou muito feliz. Claro que fica um sentimento, foram três anos maravilhosos em São José, mas é um ciclo novo, vida nova. Vou continuar batalhando pelos meus objetivos. Quem sabe um dia eu volto. Mas, hoje, estou em Bauru e estou feliz. Quando eu saí de casa, no Rio Grande do Sul, fui para Bauru. É onde eu comecei, tenho muitos amigos, é uma cidade muito gostosa. Vou dar o máximo para que consigamos títulos na próxima temporada.”

Fome de títulos
“Quero jogar numa equipe de alto nível. E Bauru vem mantendo uma regularidade nas últimas temporadas e vem com um projeto muito interessante, privilegiado. Por isso fechei. Os jogadores são fora-de-série, Bauru está se reforçando. E o Guerrinha é um excelente técnico.”

Recado para a torcida bauruense
“Quero agradecer às pessoas de Bauru que gostam de mim e sempre me acompanharam. Que mandam mensagem no Facebook… Não dá pra responder para todo mundo, mas eu leio. Demora um pouco, pela quantidade, mas leio. Estou de volta! Vou dar meu máximo, vou dar a vida, meu sangue dentro da quadra para conseguir dar alegrias a esse pessoal que gosta muito de basquete.”