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O peso de um clássico: Amauri Knevitz fora do Noroeste

Treinador caiu após derrota no clássico. Foto: Eric Mantuan/GloboEsporte.com

Futebol e incoerência andam juntos. O tempo todo. Ok, sempre é tempo de corrigir erros, mas o problema é nunca aprender com eles. É o que acontece com o Noroeste nos últimos anos em relação à Copa Paulista. O clube nunca teve claro o que deseja extrair dessa competição. Ao demitir o técnico Amauri Knevitz, nessa quinta (30/8), após a derrota para o Marília em casa, ontem, deu mais uma prova disso. É uma sequência de erros.

“A Série A-2 já começou”
Assim que começou a preparação para a Copa Paulista, Amauri Knevitz afirmou que o principal objetivo da competição seria montar o elenco que vai tentar o acesso à elite estadual em 2013. Para isso, foi mantida a base que fez boa campanha no primeiro semestre e vieram os reforços solicitados pelo treinador – alguns até “sonhos de consumo” do clube, como o atacante Diogo, com contrato assinado já para o ano que vem. Só esse tópico seria suficiente para segurar Amauri no cargo, independentemente de resultados, tendo em vista ser um projeto.

Categorias de base ignoradas
Ao tentar deletar o termo laboratório do vocabulário noroestino, a diretoria se apoiava no fato de que o time estava pronto para encarar 2013. A ponto de não ser necessário promover garotos da base – além dos que já compunham o elenco, como Nathan e Romarinho (o volante Ruan foi a única exceção de aposta). Entretanto, o laboratório segue (há jogadores com contrato até 31 de dezembro) e fica o problema exposto de anos anteriores: para repor os jogadores “em teste” que não vingarem, novamente virá aquela chuva de contratações, já que mais uma vez se perde a oportunidade de dar bagagem aos meninos do sub-20.

O discurso ingênuo
“Perdemos, mas ainda estamos no G-4”, disse Amauri ontem após a derrota. Isso é subestimar o torcedor… Virão dois jogos fora, contra América e Penapolense, há sempre que se projetar, antever dificuldades e abandonar esse discurso de que “se o campeonato terminasse hoje…”. Mas não é um discurso exclusivo de Knevitz. Suas falas eram produto do meio. Há tempos o Noroeste usa de eufemismos para mascarar sua realidade.

Mudança de rota
O que pretende a diretoria alvirrubra a partir dessa demissão? Apenas salvar o semestre, temendo uma vexatória eliminação na primeira fase da Copa Paulista? Ou corrigir a rota rumo a 2013? Qualquer um dos caminhos já está com curvas sinuosas  – e pelo mesmo motivo: o elenco foi montado por Amauri. Então, nesta Copinha, o novo treinador (ou Luciano Sato, o interino, se ficar até o final) terá que se desdobrar para encontrar um padrão de jogo. De olho na Série A-2, a coisa fica pior: vem por aí um desmanche, para se formar um plantel que atenda aos propósitos do novo comandante? Isto é, do dia para a noite, após o peso de uma derrota em um clássico, toda a declamada preparação com antecedência pode voltar à estaca zero.

Por mais que a demissão de Amauri Knevitz tenha agradado à torcida, essa decisão evidencia o quanto escolhas desastrosas cobram altos preços. É provável que, mais uma vez, o Noroeste tenha um semestre perdido, que não deixe legado para 2013, que é o que interessa. Se foi um erro mantê-lo após a Série A-2, passa-se a impressão de que estão corrigindo “antes tarde do que nunca”. Mas, na real, apenas se renderam ao imediatismo, à pressão, à ressaca de sucumbir em casa ao maior rival. Perceba, leitor(a), que esta não é uma defesa ao trabalho de Knevitz. Apenas uma constatação de que ele é o menor dos culpados. É até covardia personificar nele uma coleção de insitentes equívocos quando se fala de Copa Paulista no Alfredão.