Norusca é sofrer

Tenho escrito sempre que a essência do torcedor, sobretudo noroestino, é sofrer. A vitória magra sobre o Olímpia, pela quarta rodada da Série A3, foi mais uma prova disso. Nada que abale alvirrubros como o Niltinho, o cidadão da foto acima e figura habitual atrás do gol dos eucaliptos. Faça chuva ou sol, ele está lá. “Se eu não estiver, é porque estou trabalhando“, alerta.

Tenho por hábito, no intervalo, deixar a cabine de imprensa e ir cumprimentar o Niltinho — também o Josinei, outro alvirrubro daqueles. Acabo ficando boa parte do segundo tempo, pela resenha e pelo impagável termômetro que é acompanhar o humor da arquibancada. Do elogio desconfiado à crítica mais injusta, é ali que é forjada a confiança no time — que, por enquanto, está devendo mesmo.

Importam os três pontos, claro, ninguém lamenta pela falta de espetáculo — até porque o jogo praticado na terceirona paulista é algo parecido com futebol e a bola parece ter nojo da grama. O que preocupa é passar boa parte do segundo tempo encurralado pelo lanterna do campeonato.

O Norusca voltou do intervalo animado, com boas triangulações pela direita, e alcançou o gol da vitória antes dos dez minutos. Poderia aproveitar a empolgação para perseguir melhor placar, mas recuou. E passou quase meia hora se defendendo, isto é, sofrendo.

Hábito no Alfredão: em dezesseis jogos em casa em 2018, foram apenas seis vitórias e somente duas delas com mais de um gol de diferença. Então, amigo, não tem show na Vila Pacífico. Mas tem amendoim, cornetagem e palpitação. Mais raiz, impossível.


Fernando Beagá

 

Gol do Noroeste
O gol de Léo: alívio para os 1,4 mil torcedores. Fotos: Fernando Beagá/Canhota 10