CANHOTA 10

Ex-noroestino procura emprego

Roque protagoniza reportagem sobre desemprego na revista ESPN de junho

capa da revista ESPN (junho/2011)

No início de maio, Luís Augusto Símon (conhecido entre os colegas como Menon), repórter da revista ESPN, entrou em contato com o Canhota 10 pedindo sugestão de algum atleta noroestino que teria dificuldades de encontrar emprego no segundo semestre. Contei a ele que o lateral-esquerdo Roque se encaixava na pauta: voltando de empréstimo do São José (lá perdeu titularidade na reta final da Série A-2), não teria o contrato renovado.

Menon foi atrás de Roque, que protagonizou a reportagem sobre desemprego na edição deste mês da revista. O ex-camisa 6 alvirrubro contou que passou perrengue em 2006, quando ficou sem clube e foi vender pavê de chocolate feito pela esposa. No ano seguinte, seu melhor momento: o título paranaense pelo Paranavaí, quando trabalhou com Amauri Knevitz – o treinador que o trouxe para Bauru.

O relato de seu agente, Elias Casto, é que impressiona, quando fala da dificuldade que terá para recolocar seu jogador no mercado. “Quanto tento colocar um jogador em um time, o importante é saber como foi seu desempenho no clube anterior. E Roque perdeu posição nas últimas cinco rodadas. O passado não adianta. Ele era forte como o Roberto Carlos, um touro, mas agora já tem 31 anos. Pode ser em um time do Norte, mas aí são dois trabalhos: levar o jogador e depois buscar, porque os salários atrasam”, contou ao Menon.

O empresário ainda disse à revista a dificuldade em lidar com ego de atleta. “Todo jogador pensa que é Ronaldinho Gaúcho. Então, o técnico não escala e vira sacana. Ele sai do time e, se o empresário não consegue nada, vira filho da puta. Eles não erram nunca”, desabafou. Até o momento, não houve notícia de que Roque encontrou um time. O certo é que, para Bauru, onde foi muito vaiado, ele não volta mais.

A reportagem ainda citou o volante Júlio César, recém-saído do Noroeste, mas o jogador já encontrou outro time: o Marília. No texto, fala-se de sua origem no Grêmio, ao lado de Ronaldinho, Tinga e Anderson Polga. Há aspas do jogador, que fez sua propaganda pessoal: “Treinador que está montando time não quer problemas. Por isso, pergunta muito sobre a vida do cara fora de campo. E a minha é perfeita. Não bebo, não fumo, treino muito e sou líder. Não faço panelinha. Isso me dá certeza de conseguir um bom time”. A afirmação foi corroborada por Gilson Kleina, treinador da Ponte Preta, que foi seu comandante no Criciúma no ano passado e cogitou levá-lo para a Macaca. Essa vida fora de campo perfeita, entretanto, é manchada pela suspeita de o jogador praticar gestos obscenos em frente a uma escola de Criciúma – um caso que ficou sem esclarecimento.

Imagem na homepage: reproduzida da revista (ed. 20, pgs. 64 e 65)

Comentários

  1. Não é só o Roque não, é impressionante o número de ex-profisionais que estão jogando no futebol amador de Bauru por conta do calendário. Temos três meses de filé no Brasil e o resto do ano os jogadores são obrigados a atuarem no futebol amador, que se tornou uma espécie de semi-profissional. A propósito, ontem no jogo de futsal de FIB encontrei o Marcelo Santos, ex-norusca. Está fazendo fisioterapia no Noroeste e a busca de um clube profissional no segundo semestre.