CANHOTA 10

É CAMPEÃO! Relembre o título de 2005

Talvez o Noroeste desperte tanta paixão em seus torcedores por suas peculiaridades. Além de suas conquistas serem em sua maioria sofridas, outro fator é a identificação dos jogadores com o clube. Mesmo em tempos de contratos curtos, há atletas que, nos anos recentes, defenderam o Norusca por muitas temporadas. Bonfim e Marcelinho são o maior exemplo.

Bonfim era o capitão do time na Copa FPF 2005 e, cinco anos depois, vai novamente ajudar o time, agora na Copa Paulista. Não reclamou, em momento algum, da reserva na campanha da Série A2, no primeiro semestre. Demonstra gratidão pelo clube como poucos. E respeita muito a torcida.

Marcelinho é outro que ainda veste alvirrubo – no momento, emprestado ao Santo André, mas volta para o Paulistão. É um coringa. Foi meia quando moleque, profissionalizou-se como quarto-zagueiro, já quebrou galho na lateral-esquerda e fez um baita campeonato no acesso deste ano como volante. Em 2005, foi do inferno ao céu nas finais da Copa FPF: falhou em um dos gols do Rio Claro no jogo de ida, em Bauru (Norusca 3 a 2), mas em Rio Claro, desempatou a partida para o Alvirrubro, quando estava 2 a 2 (terminou 4 a 2). Gol importantíssimo, pois vitória do rival por qualquer placar deixaria o título para os donos da casa.

A seguir, reproduzo textos de dois colegas jornalistas que contam a história daquela decisão que rendeu o título mais recente da história do Noroeste – e o único troféu da era Damião Garcia (já que o título do interior de 2006 não é oficial). São textos longos, mas estou certo de que o norestino irá se deliciar com a lembrança.

1º jogo
Bom Dia Bauru (edição número 001!!!), 20 de novembro de 2005

Noroeste ensaia goleada, mas bate o Rio Claro por apenas 1 gol
No primeiro jogo da final da Copa FPF, Noroeste faz três gols no 1º tempo, mas permite reação
Por JÚLIO PENARIOL

O Noroeste venceu o Rio Claro ontem, no estádio Alfredo de Castilho, por 3 x 2, na primeira partida válida pela final da Copa Federação Paulista de Futebol (FPF).
Com o resultado, a equipe bauruense está a um empate de disputa a Copa do Brasil pela primeira vez. Se for vice, jogará a Série C do Brasileirão do ano que vem.
O jogo de volta será no próximo domingo, em Rio Claro, às 11h. A equipe da casa, por ter feito melhor campanha nas outras fases, precisa de uma vitória simples para ficar com o título.

Começo quente
Jogando com três homens de frente, o Noroeste partiu para cima e abriu o marcador aos 14 minutos, em uma cobrança de pênalti pelo artilheiro Felipe.
Aos 26, o lateral-esquerdo Marcelo Santos cruzou na área e Felipe desvia de cabeça, de leve. O árbitro, porém, credita o gol para Marcelo Santos.
Em bela jogada pela esquerda, Otacílio Neto chuta e Buiú aproveita rebote do goleiro para fazer o terceiro gol do Norusca.
Mas o que parecia que iria terminar em goleada, mudou de figura. Ainda no primeiro tempo, Vinícius arranca pela direita e diminui. O mesmo Vinícius, na segunda etapa, dá números finais ao placar. No final do jogo, mesmo com a derrota, os jogadores de Rio Claro saíram de campo festejando o resultado.

O Noroeste jogou com Gustavo; Cacá, Bonfim, Marcelinho e Marcelo Santos; Danilo, Luiz Carlos, Wellington e Buiú; Otacílio Neto e Felipe (Teco).
Foram 4.079 pagantes no Alfredão

2ºjogo
Trecho do livro “A voz da geral: do fracasso à glória em quatro anos

Por BRUNO MESTRINELLI

Depois de três horas de viagem, os bauruenses chegaram ao estádio da cidade, que já estava tomado pelos torcedores do time adversário. Eram cerca de 500 pessoas, entre os membros da Sangue Rubro, torcedores da região de Rio Claro e bauruenses que viajaram de carro. Enfim, o Noroeste não estaria só. Teria muito apoio na disputa da decisão da Copa FPF.

Após certa espera, os torcedores se acomodaram nas modestas arquibancadas do estádio rio-clarense. – Vamos ver o Noroeste ser campeão. Quer ver esse time na Copa do Brasil. Série C a gente garante no Paulistão do ano que vem – dizia Pavanello, enquanto tirava algumas fotos com a nova máquina digital adquirida para registrar os momentos históricos da torcida e, principalmente, do Noroeste.
– Tira aquele caminhão de chopp ali, Pava. Eles acham que vão ficar com o título – ironizava Niltinho, sobre o chopp encomendado pela diretoria do Rio Claro. Precisando da vitória, o Rio Claro partiu para cima do Norusca. Logo aos 3 minutos, a primeira chance foi criada quando Marcelinho fez grande jogada pela esquerda e passou para Luciano Gigante, que chutou cruzado para fora.
Depois de perder duas boas chances com Marcelinho, o Galo chegou ao gol. Aos 11, em jogada iniciada pela esquerda, Alan chutou para a área e Cristiano acabou desviando contra o próprio gol. A desvantagem complicou ainda mais o posicionamento do Noroeste em campo, que não conseguia conter a pressão adversária. – Estamos recebendo uma pressão incrível. Precisamos acalmar a bola na defesa e não amarela aqui. Nosso time é melhor – gritava um torcedor desconhecido, provavelmente morador da região.

Mesmo com a presença da torcida do Noroeste, o time de Bauru não conseguia se encontrar em campo. Aos 35, o placar quase foi ampliado, quando Alan, que importunava muito a defesa do Norusca, aproveitou a falha no meio de campo e entrou na área pela esquerda, calculou minuciosamente e acabou dando um toque de leve na bola, acertando a trave.
Em outra delas, Alan passo na medida para Vinícius que, de frente para o goleiro Defendi, desperdiçou, na boa defesa do bauruense. Era um verdadeiro jogaço. Nos quinze minutos finais, o Noroeste encontrou um melhor posicionamento e equilibrou a partida. Em uma das raras chances que teve, aos 40 minutos, Luciano Bebê acertou boa cobrança de falta e empatou o jogo, fazendo explodir a torcida de Bauru.

– Eu não costumo marcar gols de falta, mas Deus fez com que ele saísse no momento especial – comemorava Luciano Bebê, sem saber o que viria no segundo tempo.

O final do primeiro tempo acabou repetindo-se no começo do segundo. O Noroeste mostrou que a pontaria estava calibrada e virou o jogo logo aos 2 minutos. Em cobrança de falta, Otacílio Neto soltou a bomba com o pé esquerdo e acertou o canto alto direito. A bola ainda bateu no travessão antes de entrar.

Na saída de bola, quase o empate. Vinícius cabeceou e Tobias tirou a bola do seu destino, quase sobre a linha. Um recomeço de partida corrido, agitando as duas torcidas, que faziam um bonito espetáculo de cores, em azul e vermelho, e de gritos de incentivo. Mesmo com a vantagem, o Noroeste seguiu com o mesmo erro e, acuado em seu campo de defesa, deixava o Rio Claro penetrar em sua área. Com o atacante Bispo em lugar do zagueiro Dener, o Galo Azul ficava ainda mais ofensivo. Aos 9, após sufocar, a bola é erguida na área e Wagner mandou de cabeça para a rede. O jogo seguia quente, inclusive com jogadas mais duras, mas o árbitro Paulo César de Oliveira poupava os cartões. Dessa maneira, algumas boas chances do time da casa acabaram saindo em cobranças de falta. Aos 22, Luciano Gigante cobrou com categoria e a bola raspou o travessão. O excelente aproveitamento em chutes a gol do Noroeste acabou sendo o fator decisivo para o título. Aos 28, Marcelinho ficou com espaço pelo lado esquerdo da área, chutou cruzado e comemorou o terceiro gol dos visitantes.

A partir desse gol, o controle do jogo passou para o Noroeste. A torcida já comemorava. Pulava, escalava o alambrado, e gritava “olé, olé, olé”. – Estamos ficando mal acostumados! Vamos ganhar um título! Depois de chorar muito pelo Noroeste, por tristeza, agora estamos chorando de felicidade! – dizia Pavanello, abraçado com outros torcedores. Quase ninguém mais prestava atenção no jogo. Estavam todos comemorando quando Buiú ainda marcou o quarto gol, entrando em velocidade na área, cortando para o meio e chutando forte para, nos minutos finais, fazer a festa também dos jogadores. Depois de 10 anos, o Noroeste conquistava um título. O título era do Noroeste e a torcida, antes triste com o clube, passava mais um momento inesquecível.

O Noroeste jogou com Rafael Defendi; Cacá, Cristiano, Bonfim e Marcelinho; Danilo (Teco), Tobias, Luiz Carlos e Luciano Bebê; Felipe (Buiú) e Otacílio Neto (Otávio).

Comentários

  1. Grandes lembranças. Acompanhei quase todos os jogos do Noroeste em Bauru em 2005, tanto na A-2 como na Copa Paulista. Que ano aquele! Tomara que aquele desempenho possa se repetir em 2010. Vice-campeão da A-2 (com o Acesso, o que é mais importante) e campeão da Copa Paulista, em pleno Centenário. Seria ótimo. E é possível, a preparação para a Copinha foi boa e o Noroeste tem tudo para fazer uma boa campanha. Que o título e a vaga para Copa do Brasil venham de novo para Bauru!

  2. Diogo Ghosn Inácio disse:

    Excepcional 2005, ano histórico para nós noroestinos! Sem falar na excelente campanha na Copa SP, a melhor da história do nosso Norusca!!!