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Construir, reformar, estruturar e apoiar

Por Rafael Pavan

No ano de 2009, o esporte bauruense passou por diversos problemas de ordem estrutural. Havia praças esportivas depredadas, campos de futebol em terra batida ou parcialmente gramados (com buracos), ginásios esportivos com goteiras, sujos e, em casos mais críticos, animais defecavam sobre a quadra.

Após diversos questionamentos e cobranças por parte da população e da mídia local, algumas medidas foram tomadas por parte da prefeitura. Os campos que estavam deficientes em suas estruturas tiveram suas “maquiagens” feitas. Isso mesmo, pequena melhorias foram realizadas, como a troca de alambrado e cal demarcando mais claramente os campos. As quadras de esporte tiveram retocadas as pinturas e lâmpadas foram trocadas. Mas, infelizmente, tais medidas não foram de encontro ao verdadeiro problema.

É necessário que atitudes mais drásticas sejam tomadas, caso contrário teremos nossas praças esportivas sucateadas. A administração pública deve atuar no núcleo do problema, ou seja, adequar os espaços para a prática esportiva por parte da população, não se restringindo a torneios oficiais.

A Semel (Secretaria Municipal de Esportes e Lazer) deve sanar problemas e não adiá-los. É fato que a simples manutenção não resolve e não resolverá a situação deficiente na qual encontramos o esporte bauruense. O atleta e os cidadãos necessitam que praças esportivas passem por reformas para que crianças – como as que moram nas mediações do ginásio Raduan Trabulsi Filho e que participam de treinamentos de basquete – não tenham que se sujeitar a dividir o espaço com os pombos e a conhecida sujeira que produzem.

Não se pode deixar de sinalizar que também são necessárias medidas para o futebol amador. Jogadores atuam em campos esburacados, sujeitos a contusões. Os vestiários, sem higiene nem lâmpadas. Fora outros atletas que não têm espaço na mídia e muito menos locais para a prática esportiva com qualidade, como é o caso do atletismo – por falta de espaço e estrutura, sujeitam-se ao perigo das ruas ou treinam em pistas de areia.

Ocorre que terminamos o ano de 2009 com promessas e suposições e hoje algumas melhorias podem ser vistas e aplaudidas – com moderação.

O atual secretário de esportes, Batata, prometeu e cumpriu – em relação ao distrital Edmundo Coube,  que teve campo, arquibancadas, muros, banheiros e vestiários reformados. Acrescento apenas uma ressalva, pois o secretário de esportes  prometeu uma pista de corrida emborrachada e a que foi construída foi de asfalto mesmo. Mas é de se parabenizar a iniciativa e a conquista.

Mas, de todas as promessas e possibilidades, a que mais deve orgulhar os bauruenses é a construção da praça paradesportiva, onde deficientes físicos poderão praticar esporte. Reconheça-se que tal obra veio graças a um vereador bauruense que conseguiu levantar os recursos. Trata-se de Fábio Manfrinato, que em pouco tempo de cargo (suplente durante a licença-maternidade de Chiara Ranieri) conseguiu tal feito.

Enfim, são ações visando à melhoria das estruturas bauruenses, mas necessitamos de mais reformas, fornecer material para a prática esportiva, apoiar os atletas de representam nossa cidade país afora. Apoiar e dar estrutura para o lazer são, sim, deveres da prefeitura.

Rafael Pavan é estudante de Jornalismo da Universidade do Sagrado Coração e integrante da equipe do Jornada Esportiva

Foto da homepage, do distrital Edmundo Coube, reproduzida do site da prefeitura de Bauru

Guerrinha: “Hoje somos a quinta força do campeonato”

O primeiro passo está dado. Passar pela primeira fase de forma tranquila, entre os favoritos – inclusive liderando seu grupo por algumas rodadas. O saldo é mais do que positivo para o Itabom/Bauru, mas ficou um gostinho de que poderia ser melhor. Nesse “rali de resistência”, como define o campeonato o técnico Guerrinha, o time tropeçou em alguns obstáculos. “Perdemos para o Pinheiros em duas partidas que poderíamos ter ganhado. Isso pesou para as nossas pretensões na competição”, avalia. Apesar de ter sido um jogo fora de casa, o Canhota 10 avalia que o fiel da balança também tenha sido a derrota para Rio Claro.

Além de pensar no título – o que não é nenhum delírio -, o desempenho no Paulista se reflete nas pretensões para o NBB. Afinal, se hoje somos a quinta força, que posição teremos no campeonato nacional? – no qual, além dos paulistas, há os fortes Brasília, Flamengo e Joinville e muita expectativa sobre sobre como virá Uberlândia. Uma frase de Guerrinha é providencial: “A próxima fase vai ser muito difícil, teremos que jogar acima da média”. Dessa necessária evolução virá a resposta para o questionamento acima.

Enquanto isso, no Estadual, um regulamento confuso. Os próximos seis jogos de Bauru valem somente para definir a posição para os playoffs. Mas o lado bom é poder medir forças contra Franca, Araraquara e Limeira em partidas não-eliminatórias – melhor preparação para o NBB, impossível.

Em relação aos jogadores, Larry segue sendo o cara, Jeff evoluiu em relação à última temporada e Alex está de volta! Fisher poderia melhorar o calibre – hoje tem 43,2% de aproveitamento nos chutes de três pontos (9º melhor do campeonato). Entre os contratados, Thyago Aleo precisa sair da sombra de Larry. A grande decepção é Júlio Toledo. Não o esperava como titular, mas como ótima peça para o rodízio das partidas, o que nem de longe está acontecendo (média de 8min em quadra e apenas dois pontos por jogo!).

A seguir, um olhar sobre os números do time:

ITABOM/BAURU:

Time que mais pontuou na primeira fase (87,4 por jogo), Desses pontos:
• 31,5% em bolas de três
• 52,5% em bolas de dois
• 16% em lances livres

3ª melhor equipe em rebotes (32,5 por partida), sendo:
•  21,9 defensivos (6ª melhor)
• 10,6 de ataque (2ª melhor)
• Jeff pega 8,21 rebotes por jogo (6º melhor)

E mais:
• 4º time que mais roubadas bolas (7,9 por jogo)
• 3º que mais deu tocos (3,1)
• 2º menos faltoso (17,6) – nesse ponto, poderia explorar mais faltas na hora certa
• é a equipe que menos perdeu bolas (9,6)

LARRY TAYLOR:
• 2º jogador mais eficiente do campeonato (atrás de Fúlvio, do São José)
• cestinha da competição (média de 19,6 pontos por partida); em números absolutos (252), é o segundo (atrás de Shamell, do Pinheiros, mas com um jogo a menos)
• 14º maior reboteiro (6,08) – e ele não é pivô…
• 2º em assistências (7,46)
• 2º em roubadas de bola (2,46)
• é quem mais fica em quadra pelo time (33min30s – Fisher fica em média 33min29s), mas tem descansado mais do que em outros tempos
• tem 58,4% de aproveitamento em lances de dois pontos – pode melhorar

Fotos da homepage: Gabriel Pelosi/Bauru Basket

Balanço da 26ª rodada: Cruzeiro na cola

A goleada sofrida para o Santos no último final de semana não poderia refletir o real futebol do Cruzeiro. A Raposa, nesta 26ª rodada, voltou a fazer o que tem feito: vencer. O pobre Atlético-GO sofreu inapelável 3 a 0. O time azul está a quatro pontos do Fluminense e nem precisa de lupa para mirar a liderança. Apenas seguir bem e secar.

Secado, como de costume, o Corinthians pode lamentar, mas também agradecer pelo empate contra o Botafogo, no Pacaembu. O time carioca desperdiçou duas ótimas jogadas, já nos acréscimos, com Somália e Diego. Os três pontos de uma virtual vitória sobre o Vasco no jogo a menos a cumprir, somente serviriam para alcançar o Flu, na situação atual.

Wallace Teixeira/Photocamera

O Tricolor carioca, aliás, ri à toa. Teve uma “vitória de título”, segundo o treinador Muricy Ramalho – vitórias magras e sem brilho foram uma constante em seu tricampeonato pelo São Paulo. Não vi lances das partida, mas o gol de Conca é emblemático. Um degrau acima de Montillo e D’Alessandro, ele é o melhor jogador do campeonato. A braçadeira de capitão que usa hoje é o símbolo de sua maturidade técnica, sobretudo por atuar com um treinador que sempre sonhou tê-lo como articulador em campo.

A destacar ainda, nesta 26ª rodada:
• Marcus Assunção não se cansa de conduzir a bola com carinho às redes, em suas cobranças de falta
• Atlético-MG e Ceará ficaram no zero a zero e o pesadelo desses alvinegros parece nunca acabar
• Dois times que viram o fantasma de perto estão numa ótima fase. O Grêmio, como ídolo Renato e o artilheiro Jonas, impôs-se no Olímpico; e o impressionate Atlético Paranaense já é o quinto colocado!
• Por fim, a bomba que deve estourar nesta quinta feira (30/9): a demissão de Silas, no Flamengo. Veículos de imprensa já revelam negociações de Zico com o flamenguista Vanderlei Luxemburgo. A infeliz frase “Eu não faço gol contra!”, de Silas, mostrou despreparo do jovem e promissor treinador. Ele é novo, ele aprende.

Foto na homepage: Washington Alves/Vipcomm

Mais uma amostra negativa do laboratório noroestino

De Bauru
(ligado na Jovem Auri-Verde)

Seria uma derrota aceitável, normal, não fosse a necessidade de pontuar após perder em casa na estreia da segunda fase da Copa Paulista. O XV de Piracicaba venceu o Noroeste por 3 a 1, chegou a quatro pontos no grupo 7 e deixou o Alvirrubro na lanterna, com zero. O líder é o Sport Barueri, com seis – Francana tem um.

Repetindo os erros de criação de jogos anteriores, o Norusca até ameaçou reagir no início do segundo tempo, quando já perdia por dois gols e enconstou no placar. Mas o entusiasmo durou pouco tempo e a dura realidade se estabeleceu. Um time bom no papel, se comparado com os modestos elencos da maioria dos clubes, que não deu liga. Que tem menos fome de bola do que os adversários. Que credenciará poucos jogadores à disputa da elite em 2011 – o que significará um trabalhão para entrosar o novo grupo que se formará a partir de novembro, provavelmente.

No próximo sábado, 19h, o Noroeste recebe a Francana no Alfredo de Castilho.

O JOGO

1º tempo
Disposto a levar ponto(s) para Bauru, o Norusca começa melhor e acerta uma bola na trave logo aos quatro minutos, em chute rasteiro de Cleverson. A partir daí, o XV começa a se impor e conquista quatro escanteios nos dez primeiros minutos. E logo chega o primeiro gol, em pênalti duvidoso sobre Fábio Santos, aos 13 – quem banca a infração é o experiente bandeira Vicente Romano. O camisa 9 cobra forte, no meio do gol, para abrir o placar.

O time vermelho mal tem tempo de se recompor e já leva o segundo. Aos 20, em mais um escanteio, o zagueirão Marcus Vinícius testa livre para as redes. Sem reação, o Noroeste ainda passa sufoco aos 33, em chute de Paulinho, e no minuto seguinte Fábio Santos perde gol feito na frente de Yuri. O Alvirrubro só aparece aos 36, em boa cobrança de falta de Deivid, espalmada por Leandro.

Intervalo
Ao microfone de Jota Augusto, da Auri-Verde, o zagueiro Geilson reclama do pênalti. “É suspeito… Nossa equipe estava bem. Não houve nada no lance”. Mais tarde, após o jogo, o gerente de futebol Ricardo Occhiuto disse ao repórter que levará reclamação à Federação Paulista a respeito da atuação do trio de arbitragem.

2º tempo
A exemplo do que ocorreu em Bauru no último sábado (25/9), o Noroeste volta para a etapa final cheio de um gás que dura cinco minutos. O grandalhão Paulo Roberto entre no lugar de Tales – provavelmente cansado, readquirindo ritmo de jogo – e quase faz boa trama com Diego, que quase marca logo a um minuto.

Aos seis, Marlos arrisca chute de longe e Yuri faz difícil defesa. No minuto seguinte, o Alvirrubro desconta. Rafael Mineiro bate forte, de fora da área, e Rafael Aidar, esperto, pega o rebote do goleiro Leandro. 2 a 1.

Quando se sonhava com uma virada épica, o XV mostra ter o domínio do jogo. Aos 11, Marlos cobra falta de longe, explorando a grama molhada – choveu forte duas horas antes da partida. A bola quica antes e Yuri pula atrasado. Fim de papo.

A partir daí, o Norusca tenta reagir, mas segue passando sufoco: aos 22, em chute de Marcus Vinícius, aos 41, com Vinícius Bovi, e aos 46, quando Yuri faz milagre em finalização de Carlão. Do lado vermelho, chance aguda somente num cabeceio de Paulo Roberto rente à trave esquerda, aos 30.

Ao final do jogo, o goleiro Yuri disse que é preciso reagir. “Se formos mal na Copa Paulista, ninguém vai ficar para o Paulistão”, sentenciou. Se não der tempo de buscar a classificação, que o time consiga, pelo menos, apresentar um futebol convincente, sobretudo em relação a entusiasmo – comer grama, mesmo.

É proibido perder!

Na noite de ontem (28/9), o Barueri venceu a Francana por 1 a 0 (gol de Diego Borges aos 45 do segunto tempo!), em sua Arena. O time da Grande São Paulo chega aos seis pontos no grupo 7 e torna a necessidade de vitória de Noroeste e XV de Piracicaba, que se enfrentam hoje às 20h, ainda maior.

Mais para o XV, claro. Para o Norusca, apesar de não ser o ideal, um empate seria razoável por manter o próprio Nhô Quim por perto na pontuação (dois contra um). Assim, na rodada seguinte Barueri e XV se pegariam e – aí, sim! – teria obrigação de vencer a Francana em casa, no dia 2.

Mesmo a tarefa de empatar será difícil, olhando friamente para os números. O XV teve a melhor campanha da primeira fase, ao lado do Linense (76% de aproveitamento, mas jogou 14 vezes, contra 10 do Elefante). Arrancou empate fora de casa na estreia da segunda fase. E o Alvirrubro (50% na primeira fase), como se sabe, apanhou no Alfredão.

Por motivo da suspensão de Giovanni, o técnico Luciano Dias acabará por escalar a equipe da maneira que a voz do povo queria: com Cleverson no meio e Rafael Aidar no ataque – sua velocidade será fundamental nos contra-ataques.

Quem for ao estádio Barão de Serra Negra terá que abrir um pouco mais o bolso. Depois da carta de apelo à sociedade piracicabana, redigida por jogadores, com salários atrasados – mas prometendo continuarem empenhados -  o XV reajustou o preço dos ingressos. Eles estarão 50% mais caros, segundo a imprensa de Piracicaba, para ajudar a diminuir os problemas financeiros e confiando na fidelidade de sua torcida (média de 1.106 pagantes por partida na primeira fase e renda líquida total de R$ 30.453,15, segundo Ruben Fontes Neto, repórter da Rádio Educadora, de Piracicaba).

Balanço da 25ª rodada: Colorado segue na briga

Quase 34 mil pagantes no Beira-Rio. Essa galera toda não quer ver seu time jogar o Brasileirão por jogar. Quer o tetracampeonato, esperado há mais de 30 anos. O Internacional mostrou sua força – e sua garra, principalmente – ao vencer o Corinthians (3 a 2) em um jogaço. Com um jogo a menos, está a sete pontos do líder Fluminense. Isto é, pertinho, de olho na taça. O Timão segue firme também.

Se continuar com esse ânimo, o Colorado não deverá desacelerar na reta final, mesmo se aproximando o Mundial de Clubes. Foi bom ver Alecsandro voltar de contusão fazendo gol. É um dos melhores centroavantes do Brasil. Com a boa fase do Leandro Damião, o time está com fartura na grande área.

A exemplo do camisa 10 vermelho, D’Alessandro, o argentino Conca jogou muito no final de semana e garantiu, com um gol e uma assistência, o triunfo do Flu fora de casa sobre o Vitória (2  1). Líder de novo, dessa vez o Tricolor promete não vacilar. Muricy, ao seu melhor estilo, avisou que vai “cobrar os caras”.

E não é somente o Inter quem mostrou estar de volta à briga. A categórica vitória do Santos sobre o Cruzeiro, sábado (25/9), na Vila, mostrou que a molecada vai dar trabalho até o fim. Hoje, são dez pontos atrás, mas um jogo a menos e um Neymar louco para jogar bola e superar as lambanças que os mimos sobre ele causaram. O próprio Canhota 10 havia cravado na última rodada que a luta se resumiria a Flu, Timão e Raposa. O emocionante Brasileirão dá conta de queimar a língua da crônica, sempre. E ainda bem.

O desafeto de Neymar, Dorival Junior, estreou com derrota no Atlético Mineiro. E em casa… Se todos jogarem com o talento e a garra de Daniel Carvalho, talvez dê tempo de manter o Galo na elite.

A derrota do São Paulo para o Goiás (3 a 0, no Morumbi!), é daquelas difíceis de explicar, mas boas para chacoalhar o time, que já estava se achando forte de novo depois de uma sequência razoável. Libertadores, dessa vez, não vai dar. O Tricolor paulista voltará a disputar a Copa do Brasil após oito anos.

Foto na homepage: Jefferson Bernardes/Vipcomm

Ausência de Larry desperta potencial de Thyago Aleo

Ao contrário do que ocorreu no futebol, no sábado, Barueri não fez a festa em casa bauruense. Até tentou, esteve à frente no placar em alguns momentos, mas o Itabom/Bauru, mesmo sem Larry Taylor, confirmou seu favoritismo e ainda brindou a galera com o lanche do Bob’s por ultrapassar os 100 pontos (101 a 86). O pivô Jeff Agba foi o destaque, com 27 pontos e dez rebotes (duplo-duplo) – ele errou apenas um arremesso de dois pontos e um lance livre.

Classificado e de olho na última partida do turno, contra um rival direto, São José, o técnico Guerrinha poupou a estrela Larry Taylor, com desconforto muscular. Foi a oportunidade do armador Thyago Aleo assumir a responsa de conduzir no time e se soltar mais – fora criticado publicamente por Guerrinha, no primeiro turno, após jogo contra o Palmeiras (23/8), por não aproveitar as chances de entrar em quadra contra times mais fracos.

O camisa 5 parece ter se empenhado mais dessa vez – e nada melhor do que os números para provar isso. Confira, abaixo, as médias dele no Campeonato Paulista em comparação com a partida deste domingo (26/9):

Fonte: Federação Paulista de Basquete. Foto: Cristiani Simão/Jornada Esportiva

Na véspera da partida, Aleo havia comentado ao repórter Wagner Teodoro, do Jornal da Cidade, sua característica, que se concretizou na partida. “Tenho um lado mais organizador e o Larry tem mais o lado do um contra um, agressivo”. É verdade.

Para fazer uma comparação justa, do time com e sem Larry Taylor, peguemos a partida de ida contra o Barueri: foram nove assistências (quatro de Larry, que foi o cestinha com 22 pontos, a maioria deles em suas infiltrações); na volta, neste domingo, foram 23! O time fica mais solidário sem o camisa 4, porém, não pode prescindir desse monstro. Outra diferença: com Larry, no jogo de ida contra o Barueri, os acertos nos chutes de dois pontos foram de 55%; subiram para 73% na volta. Entretanto, as roubadas de bola (especialidade do norte-americano) diminuíram em 40%.

Tomara que a experiência solte Thyaguinho (como Guerrinha o chama) de vez e possa, além de permitir que o ‘Alienígena’ descanse durante os jogos, trocar bons passes com ele e deixar os companheiros na boa.

Mais dois pontos a destacar. Alex voltando com confiança (23 minutos em quadra, 14 pontos, três rebotes e cinco assistências), que bom. E uma pergunta: o que há com Júlio Toledo? O bom ala tem jogado pouco e sido pouco efetivo…

Resumindo, não dá para imaginar o time sem Larry Taylor e nem querer que mude seu estilo de jogo agressivo e individualista, mas é bom saber que o Bauru Basket tem alternativas.

Fotos da homepage: Cristiani Simão/Jornada Esportiva – exceto foto torcida (Reprodução)

Luciano Dias: “Falta coragem à nossa equipe”

Ao final da derrota por 3 a 0, em casa, para o Barueri (primeira rodada da segunda fase da Copa Paulista), o treinador Luciano Dias foi cercado, à porta dos vestiários, pelos repórteres. A sabatina era mais do que necessária, não somente pela derrota, mas por ser a primeira vez que o comandante atuara ali, à beira do gramado, neste semestre.

Reproduzo abaixo alguns trechos que consegui tomar nota, da cabine de imprensa, ouvindo as respostas de Luciano Dias aos colegas Jota Augusto (Auri-Verde), Thiago Navarro (Jornada Esportiva) e Jota Martins (87FM):

Apatia do time
“Eu não posso entrar em campo. Procuro motivar, mostrar situações, mas é o perfil do grupo… Falo isso não é de hoje: falta coragem à nossa equipe, mas não conseguimos embutir isso na cabeça dos atletas.”

A vontade e a raça do Barueri
“O perfil das equipes dessa Copa Paulista é de jovens com muita correria e vibração. Deveríamos atuar assim também.”

Laboratório
“Mais do que ninguém, não quero perder a Copa Paulista. Tenho uma carreira vitoriosa como treinador e jogador e não gosto de perder. Sou eu quem sai mais chateado. Mas foi combinado que a Copinha é laboratório. Claro que quero ganhar, mas não se pode cobrar título desses jogadores.”

Permanência no cargo
“Não temo demissão. Tenho um acordo com o Seo Damião. O foco é o Campeonato Paulista. O que posso fazer nesse momento é com o que está nas minhas mãos. Esse é o time. Então, não vamos achar que é o fim do mundo.”

Resumindo o que deve ter sido combinado no início do semestre – inclusive amarrando com as declarações do gerente de futebol Ricardo Occhiuto a Jota Martins no meio da semana (que poucos ficarão para 2011): vamos experimentar atletas e garimpar os melhores para compor o grupo do Paulistão. Se, de quebra, ocorrer uma boa atuação na Copa Paulista a ponto de brigar pelo título, é lucro.

Está claro que este time que perdeu de 3 a 0 para o modesto Barueri não será o de 2011. Mas, para o torcedor, entrou em campo, tem que honrar a camisa, lutar pela vitória, querer a taça, por menos significativa que pareça ser. Aliás, o Noroeste, convenhamos, não é time de elite para esnobar Copa Paulista. É uma taça que faria muito bem à galeria do clube, como fez em 2005.

O mais preocupante das declarações de Luciano Dias – que tentou se esquivar depois dizendo a um dos repórteres “Não coloque palavras na minha boca” – é a afirmação de que o time não assimila do treinador um espírito guerreiro. Acho que a maioria do grupo ainda não entendeu a mensagem de que não há ninguém garantido para o Paulistão. Isso, no entanto, não exime a responsabilidade de Dias. Ele não pode entrar em campo, mas pode substituir melhor e, sobretudo, cobrar ainda mais empenho – é sempre bom lembrar que, ao contrário de muitos times do interior do Brasil, o Noroeste paga em dia.

Alguns colegas da crônica acreditam que Luciano Dias não tem perfil para comandar o Norusca na Série A1. Que é ótimo para acesso e só. Tenho dúvidas em cravar essa opinião, ainda mais por aparentar ser um profissional sério e com vontade de crescer. E apesar dessa bolinha pequena na partida contra o Barueri, a maioria concordava que ele havia encontrado a melhor escalação – exceção feita a Aidar no banco.

Tenho restrições a ele como formador de elenco – na A2, herdou time montado por Amauri Knevitz. Nesse quesito de montar time, aliás, Paulo Comelli é imbatível – e não vai aqui nenhuma indireta…

Foto na homepage: Reprodução Rede Bom Dia/Cristiano Zanardi

Noroeste leva 3 a 0 em casa…

Direto do Alfredão

Atordoado, sim. Incrédulo, apenas o torcedor que não viu de perto. Pois quem foi ao Alfredo de Castilho viu um Noroeste disperso e sem vibração. Viu também o humilde Barueri atuar com raça e determinado a fazer o arroz-com-feijão do visitante: defesa fechada e eficiência no contra-ataque. Foi a primeira participação do treinador Luciano Dias à beira do gramado neste semestre. Ao final da partida, foi sabatinado pelos colegas que transmitiram o jogo e deixou claro que o título não é a prioridade e, sim, o laboratório. Os quase 400 torcedores que foram presitigiar o time, então, foram testemunhar mais uma experiência malsucedida.

Com o empate entre Francana e XV de Piracibada, o Barueri lidera e o Noroeste é o lanterna do grupo 7. O Norusca – fica meio chato chamar de Trem-Bala numa situação dessas… – encara o XV, melhor time da primeira fase da Copa Paulista, na quarta-feira, fora de casa.

O JOGO

Primeiro tempo
A partida começa amarrada. Os times, que nunca se enfrentaram na história, parecem mesmo se sondar. Nos primeiros minutos, ao menor sinal de avanço noroestino, o cauteloso Barueri mata a jogada. Em todas essas faltas da intermediária, Deivid coloca na área e o goleiro Camilo afasta o perigo.

O primeiro lance relevante só ocorre aos 14 minutos, quando Gustavo avança à área, vai à linha de fundo e cruza rasteiro. A zaga tenta cortar e quase faz contra, obrigando o goleiro a colocar a escanteio. Na cobrança, o calibrado Deivid tenta olímpico e Camilo defende com dificuldade.

O Barueri responde aos 23, em chute de Geninho, de fora da área, que passa perto da trave direita. Sete minutos depois, Hernani erra passe e arma contra-ataque do lateral Tiaguinho. Ele carrega em diagonal e chuta à esquerda de Yuri.

A torcida começa a se irritar com as poucas jogadas de ataque. O time insiste muito pela direita, com Deivid e Mizael, e principalmente na base do lançamento longo (chutão, para os íntimos). A solução parecia estar na esquerda. Aos 37, Gustavo faz linda jogada: costura três adversários invandindo a área e rola para Cleverson tentar o chute. A bola rebate na zaga e sobra para Diego, que fura feio.

Aos 44, o merecido castigo. A bola é cruzada da direita, viaja por toda a área e encontra Geninho, o artilheiro do time, do outro lado da área. Ele domina, prepara e fuzila no meio do gol – o seu oitavo na competição. O primeiro tempo logo termina e as vaias ecoam firmes.

Intervalo
Luciano Dias pede atenção do time, sobretudo para aproveitar as jogadas de bola parada. Fala para Mizael ser mais ousado no ataque: “Miza, parte para cima dele!”. Ao final das orientações, repete três vezes: “Alguma dúvida?”. Sem questionamentos, emenda: “Então, vamos!”.

Segundo tempo
A partida recomeça quente. Logo aos 40 segundos, o bom lateral Gustavo avança e bate forte, de três dedos e muita curva. Camilo espalma como pode. Um minuto depois, é a vez de Deivid chutar com perigo. Sempre Norusca: aos sete, o zagueiro Diego Borges tenta cortar cruzamento alto e por pouco não faz contra.

Quando finalmente Luciano Dias coloca o aclamado Rafael Aidar em campo, aos 15, dá tudo errado. Ele tira Gustavo Henrique (com dores, pediu para sair, segundo o treinador), melhor em campo, e recua Giovanni para a lateral. Desacostumado à sua posição de origem e afobado – ou inconsequente mesmo –, o camisa 10 logo dá um carrinho violento, por trás, na linha do meio campo. É justamente expulso. Para tentar arrumar, Dias coloca Roque no lugar de Mizael; Juninho é improvisado na direita.

Aos 19, Rafael Aidar é lançado no lado esquerdo da área e bate cruzado para fora. Dois minutos depois, o árbitro expulsa o lateral Diogo, igualando numericamente as equipes.

A expulsão, entretanto, não intimida o time visitante. Aos 28, em contra-ataque veloz, Wanderson é lançado entre a linha dos zagueiros e toca tranquilo, rasteiro, na saída de Yuri. A partir daí, o Norusca se entrega. Aos 32, o lateral Tiaguinho coloca a bola entre as pernas de Bonfim e sofre pênalti. O centroavante reserva Magrão cobra tranquilo no canto direito, 3 a 0.

A partir daí, o que se vê é o Noroeste sem forças para reagir e um Barueri que não relaxa, mesmo com o placar garantido. Cada desvio ou roubada de bola é comemorado com entusiasmo. Aos 41, o Alvirrubro tem sua última boa chance: Diego domina no peito e finaliza forte, por cima. No minuto seguinte, em boa trama, Magrão rola para Geninho chutar forte e Yuri espalmar.

Fim de jogo
O goleiro Yuri, ao microfone de Thiago Navarro, do Jornada Esportiva, lamenta: “Não sei o que acontece com nosso time, dar esse vexame em casa. Dá vergonha. Se a gente for de qualquer jeito em Piracicaba, podemos perder de novo”. As declarações do treinador Luciano Dias merecem um capítulo à parte…

Nota: o novo assessor de imprensa do Noroeste é Diogo Carvalho, até outro dia repórter do Jornada. O Canhota 10 deseja sucesso ao novo desafio do colega, que faça bom trabalho. Pelo press kit que forneceu a quem transmitiria a partida, começou bem.

Conheça o Barueri, adversário do Norusca

Time tem um ano de vida e médias de público e renda seis vezes maiores que as do Noroeste

Um time com bom relacionamento com a prefeitura, jogando em um estádio moderno, aconchegante, e que leva em média, nesta Copa Paulista, 2.600 pagantes!!! – renda por jogo como mandante na casa de R$ 15 mil. Infelizmente, não é o Noroeste. É o caçula Sport Club Barueri, que estreou este ano no futebol profissional, adversário do Alvirrubro neste sábado (25/9), no Alfredão, às 19h.

O Norusca, com 100 anos de vida, levou na primeira fase, em média, 430 torcedores ao Alfredão (renda por jogo de R$ 2,5 mil) – os resultados são mesmo o termômetro do humor do torcedor: na estreia, foram 855 e o número foi caindo até os 190 do último domingo.

Voltando ao Baureri. Um grupo de pessoas ligadas à prefeitura e empresários da cidade, que perdeu a queda de braço com os investidores do Grêmio Recreativo Barueri (que se tornou Grêmio Prudente), resolveu fundar um time para preencher a lacuna de uma torcida que se acostumara a frequentar a Arena Baureri – média de 3,6 mil por partida no Brasileirão 2009.

O time começaria de baixo, na Segundona (quarta divisão estadual), mas comprou o espólio do Campinas (time fundado na década passada pelos ex-atacantes Edmar e Careca), o que incluía a vaga na Série A3. Quase caiu, mas a 12ª posição garantiu o novo clube nessa divisão em 2011.

Na Copa Paulista, uma boa campanha na primeira fase. Segundo lugar em seu grupo, com 57,1% de aproveitamento (7V, 3E, 4D – todas as derrotas fora de casa). A intenção do treinador André Oliveira é formar a base do time do ano que vem, mas seus jovens têm mostrado que, enquanto puderem, irão avançar. Não será jogo fácil para o Norusca.

O time base do Barueri na primeira fase: Camilo; Diogo, Borges, Tabarana e Carlão; Tiaguinho, Mendes, André e Everton; Geninho e Wanderson. Geninho é o artilheiro do time, com sete gols – olho nele.

O trio de arbitragem para a partida deste sábado: Alexandre Luis Gonçalves (série Prata no ranking da FPF), assistido por Alexandre Basilio Vasconcellos e Carlos Alberto Funari (ambos série Ouro).