Eleições do Bauru Basket: o que diz o estatuto

Com o fim  da temporada 2018/2019 para o Bauru Basket, o cenário político do clube já emergiu, por conta das eleições da diretoria executiva. Pela primeira vez, há a possibilidade de não haver uma escolha por aclamação. Duas chapas se organizam para o pleito. Uma delas, capitaneada pelo vereador Roger Barude, segundo noticiou Emerson Luiz, na 94FM; outra, provavelmente pelo advogado André Goda, segundo Lucas Rocha, da Jovem Pan News Bauru — ambos nomes não divulgados oficialmente.

Diante dessa novidade, fala-se de antecipar as eleições para que o planejamento da próxima temporada não seja prejudicado. O atual presidente, Beto Fornazari, disse ao Jornal da Cidade que “até gostaria de antecipar a eleição, mas o estatuto não permite“.  Disse ainda: “a princípio não devo ser candidato. Como o Campeonato Paulista começa no dia 13 de julho, ele já trabalha na montagem do elenco da próxima temporada e na renovação e prospecção de patrocinadores.

Diante desse cenário, consultei o estatuto (neste link, é um documento público). Para as duas questões cruciais, a resposta é NÃO, mas… Confira:

É possível antecipar as eleições?

NÃO, porque o Artigo 15 do estatuto diz que a Assembleia Geral Ordinária do Conselho Deliberativo deve ocorrer na primeira quinzena de julho de anos ímpares. É nessa reunião que o Conselho Deliberativo é eleito (pelos associados com pelo menos um ano de filiação adimplente) e empossado. E novo conselho tem até cinco dias úteis, após a posse, para escolher a diretoria executiva.

O presidente Beto Fornazari pode se reeleger?

NÃO, porque o parágrafo 3 do Artigo 29 diz que só é permitida “a recondução dos dirigentes por apenas uma vez consecutiva” — ele assumira o posto de Sandro Fabiano em 2016 e foi eleito em 2017. Como o texto fala em “recondução” e não em reeleição, não há brecha de interpretação nesse caso. Tampouco Beto pode ser vice-presidente, tesoureiro ou suplente, pois o parágrafo 4 do mesmo artigo diz que não podem ser eleitos “membros da Diretoria imediatamente anterior”.
Atualizado: o presidente Roberto Fornazari se manifestou na caixa de comentários (logo abaixo), afirmando que não pretende se reeleger, mesmo se houvesse a possibilidade.

MAS…

… para ambas as questões, há uma saída: reformar o estatuto. Como? Em uma Assembleia Geral Extraordinária, que pode ser convocada pelo Conselho Deliberativo ou pelo próprio presidente da diretoria executiva. O novo estatuto passa a valer a partir do momento em que a ata dessa reunião for registrada e ele for revisado e publicado. Isto é: na prática, é possível redigir um novo texto que permita antecipar eleições e também autorize pleitear um terceiro mandato.

Entretanto, um processo que sugere celeridade (para antecipar o que aconteceria um julho) pode ser demorado. Uma comissão formada  para revisar o estatuto reformado tem prazo de seis meses para essa tarefa — prazo que também pode ser alterado. Isto é: tal artifício só ocorrerá sob forte consenso. Do contrário, fica para julho mesmo.

IMPORTANTE: a versão do estatuto consultada é a mais recente que consta nos arquivos digitais de transparência da prefeitura de Bauru.


Fernando Beagá

Bauru 0, Franca 3: enfim, férias

Bauru 0, Franca 3: férias

Em basquete, é prudente não bancar o vidente. Ainda mais em um clássico e um ano depois daquele surpreendente 3 a 0 nas mesmas quartas de final. Mas, com racionalidade, é compreensível dizer, agora, que as férias chegaram no momento certo para o Sendi Bauru Basket. Como teriam chegado nas oitavas, mas lá houve um lampejo contra o Minas que até criou certo otimismo para a série contra Franca. Mas o 90 a 68 — e a consequente varrida — foi categórico. Venceu o melhor time, sucumbiu a equipe que fez uma temporada muito irregular.

Houve muitas lesões, é verdade, mas não é fator que explique sozinho o mau desempenho. Mas vale uma observação: muitos sempre criticaram disputar o início do Paulista com molecada. Desta vez, os adultos foram para o pau desde o início e deu no que deu.

Independentemente disso, o elenco não encaixou, a arquibancada não se empolgou. Não me recordo de ver uma desclassificação tão melancólica. Em outros tempos, a derrota ainda trazia aplausos aos gritos de “guerreiros” — que fosse pela resignação por ser um time menos qualificado que chegava longe. Curioso: cair para o Sesi Franca, inegavelmente superior e candidatíssimo ao título, não diminui o incômodo do torcedor. E não é somente por ser derrotado (e varrido) por um rival. Tem a ver com a questionável produção do time em toda a temporada.

Hora de baixar a poeira e logo ali na frente replanejar. A princípio, por contrato, Larry e Gabriel Jaú ficam. E Demétrius, que há um ano teve sua permanência comemorada como grande reforço, depois de uma expectativa que parou a cidade. Não emburreceu em doze meses e seria incoerente pedir sua cabeça.

Mistura-se ao frisson do mercado — ainda mais pela provável nova remontagem de elenco — a dúvida sobre o cenário político, como será a sucessão de Beto Fornazari. O NBB 11 acabou, mas o Dragão já tem novas batalhas pela frente.


Fernando Beagá

 

 

Foto: Divulgação NBB

O aviso de Estevan: Noroeste em modo de espera

Estevan Pegoraro

A palavra é stand by, mas fiquemos com a língua portuguesa. Mais uma vez, o momento noroestino é de roer as unhas, de indefinição. O presidente Estevan Pegoraro, com mandato até 14 de julho, não renovou contrato com a comissão técnica capitaneada por Betão Alcântara para não deixar uma “herança” à próxima gestão — mesmo que seja dele mesmo.

Sim, Estevan deixou no ar que pode sair de cena, mas igualmente sua permanência é possível. O comunicado do clube é bem claro sobre essa condicional, reforçando que é permitida sua reeleição, que “pode entregar o cargo, caso um interessado queira assumir a gestão (…) desde que reúnam condições para isso”. A nota oficial também fala sobre antecipar as eleições, já que é preciso montar o time para a Copa Paulista. Ou não. Estevan fala que, “se o eventual novo gestor quiser cancelar a participação do time na Copinha, cabe a ele comunicar a Federação.”

Aquele momento conhecido — e compreensível — de sensibilizar a cidade. E de pressionar a prefeitura, cuja cobrança de dívidas de tributos inviabilizaria a sobrevivência alvirrubra.

Enfim, em breve o Conselho Deliberativo removerá a poeira para receber alguns votantes.

Que as unhas sobrevivam até lá.


Fernando Beagá

 

 

Foto: Bruno Freitas/ECN

 

 

Bauru 0, Franca 2: de pé, nas cordas

Bauru 0, Franca 2

Houve momentos em que o Bauru Basket ameaçou a segunda vitória do Sesi Franca.  A certa altura do último período, a diferença poderia  cair para quatro pontos, mas na jogada seguinte subiu para dez. Terminou em seis, algo quase heroico diante do volume francano. Aquela derrota que se diz ‘caiu de pé’, mas em playoff, isso não serve. Não há saldo, não se leva nada para o próximo jogo — a não ser o aprendizado.

Segundo o capitão Alex Garcia, a lição foi não cochilar jamais. “Deixamos a equipe de Franca jogar confortável no primeiro tempo. Aí, não há defesa que segure. No segundo tempo melhoramos, mas voltaram os erros e as cestas fáceis deles. Se quisermos ganhar, a defesa tem que melhorar. Temos que ter atenção o jogo todo. Se conseguirmos colocá-los em dificuldades, ganharemos o terceiro jogo”, avisou o Brabo, em entrevista pós-jogo a Giovanna Terezzino, da transmissão da LNB.

Além dos problemas defensivos relatados pelo camisa 10, outro fator evidente: diante do qualificado rodízio francano, o Dragão teve que forçar a minutagem de seus principais jogadores. Que descansem bem para quarta, quando precisarão sair das cordas diante de um adversário sedento para devolver o nocaute sofrido na temporada passada.


Fernando Beagá

 

 

Foto: Divulgação NBB

 

 

Noroeste fora: apenas um retrato do futebol brasileiro que não faz gols

Noroeste fora da Série A3

“Não faltou empenho, não faltou dedicação, não faltou hombridade, não faltou profissionalismo”, disse o capitão Richarlyson, após a eliminação do Noroeste. Tenho certeza de que não faltaram. Faltou bola na rede mesmo. A Série A3 é só um retrato mais profundo do piorado futebol brasileiro. O sofrível zero a zero entre São Paulo e Corinthians, na decisão da primeira divisão, é recente e grande exemplo.

O atrevimento perdeu para o pragmatismo. E o Norusca venceu apenas três dos nove jogos que disputou no Alfredão. O drible cedeu lugar para o cruzamento ainda da intermediária. E o Alvirrubro fez apenas dezessete gols em dezessete partidas, unzinho por jogo. Raríssimos jogadores treinam cobranças de falta e anotam tentos desse jeito. E o Noroeste venceu apenas uma vez nas últimas sete pelejas. Hoje, valoriza-se o “saber sofrer” em campo, no lugar de fazer sorrir a arquibancada. E o torcedor sofre mais uma vez.

Segue o jogo. Louvável a decisão de disputar a Copa Paulista. Que o Norusca não desista, pois sua torcida, mais uma vez, mostrou o tamanho de sua paixão. Existe trabalho e vontade de vencer, inegavelmente — houve tentativas contra o Barretos, mas para balançar as redes, atualmente, boa intenção não basta. Falta tirar o peso dessa vontade e colocar um time para se divertir em campo. Não subir com equipe pragmática, já sabemos como é. Que tal se a próxima tentativa for mais boleira? Não falo de bagunça. Mantenha-se o comprometimento e tudo o que deu certo. Mas com uma pitada de ousadia. Quem sabe, assim, a alegria vem.


Fernando Beagá

 

Foto: Bruno Freitas/ECN